segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

LARKIN POE-BLOOD HARMONY (2022)


Conforme prometido, o seu, o meu, o nosso G&B está de volta de um looooongo recesso. Na verdade, fechar esta birosca brenfoetílicomusical nunca foi uma opção a ser considerada. O motivo do hiato foi o desânimo com o cenário geopolítico nacional e, claro, internacional. Inadmissível que o mundo tenha involuído tanto, a ponto de permitir-se correr desordenadamente para os braços do nazifascismo. E mais ainda que um dos mais cruéis e influentes braços desta 'velha ordem' fosse nosso próprio País. 
Mas o que interessa é que voltamos sem nunca termos ido, pois a esperança sempre ressurge de cinzas. 
E o que pode ser melhor para comemorar um retorno que seguirmos de onde paramos? Sim, caros amigos...neste ínterim, muitas das predileções da casa acabaram por lançar novos trabalhos e, por conta disso, optei, para reabrir as portas desta bodega, por atualizar algumas discografias. E a primeira delas é de 'minhas meninas' e seu novo e, quase certo!, melhor trabalho...até o momento. E totalmente produzido pelas Lovell Sisters, com uma forcinha do maridão (gggggrrrr...) de Rebecca, Tyler Bryant, e a habitual segurança na cozinha de seus fiéis escudeiros Tarka Layman e Kevin McGowan. Da introdução roots de 'Deep Stays Down', com uma sequência final de tirar o fôlego, à placidez quase morriconeana de 'Lips As Cold As Diamond', passando pelo fuzz feroz de 'Bad Spell' e um já novo clássico do blues, capaz de eriçar os cabelos ruins do corpo -muito pelo solo lindo bagarai de Megan- e já velha conhecida de admiradores mais antenados, mas nunca gravada, 'Might As Well Be Me', 'Blood Harmony' é absolutamente...p-e-r-f-e-i-t-o! 
E, na boa, Rebecca Lovell está, seguramente, entre as melhores compositoras e intérpretes do gênero e Megan 'Slide Queen' Lovell já conseguiu, com méritos de sobra, seu puxadinho no panteão dos grandes nomes do lap steel.
No mais, só me resta recomendar que...

PLAY IT FUCKIN' LOUD!!!
E
VAMO FAZÊ FUMAÇA!!!

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

LARKIN POE (& THE NU DECO ENSEMBLE)-PAINT THE ROSES (2021)


Mas estas meninas são mesmo incansáveis...afinal, como explicar tanta produtividade ao longo de um período tão sombrio? Só em 2020, Becca e Megan Lovell, lançaram 2 excelentes álbuns, ambos já disponibilizados aqui. E, como se não bastassem os inúmeros vídeos domésticos (uma marca destas belezinhas) por todo este ano, recentemente deram corpo a um projeto acalentado por anos e que apenas pouquíssimos têm cacife artístico para levar adiante: a gravação de uma apresentação acompanhadas por uma orquestra, a Nu Deco Ensemble. O resultado foi este belo trabalho, 'Paint The Roses'.
Cai muito bem, principalmente quando acompanhado por algumas doses de Jim Beam...



segunda-feira, 4 de outubro de 2021

KRISTINA TRAIN/Atualização

Esta bela novaiorquina, criada em Savannah e cidadã londrina já há 7 anos, é mais uma daquelas descobertas através do excelente trabalho de Jools Holland em seu 'Late Night With...', que assisto, sempre que possível, desde que começou a ser exibido em canais fechados por aqui, mesmo que com um atraso abissal.
E foi exatamente em um episódio da temporada de 2012 que a silhueta, a musicalidade e o timbre encantador de Kristina Train me cativaram. Iniciada, ainda na infância, nos estudos de violino, já aos 17 corria a região fazendo backing vocals para Rosa King. Desta forma, não lhe restou outra escolha que não fosse abandonar o estudo formal para dedicar-se à música em tempo integral. E não demorou muito para cair nas graças da Blue Note, através de seu principal executivo, Bruce Lundvall, e de nomes da envergadura de Herbie Hancock. A princípio, houve uma tentativa de lançá-la como uma espécie de nova Norah Jones, ideia devidamente abortada pela decidida artista. Chegaram mesmo a contratar Lee Alexander, produtor da talentosíssima filha de Ravi Shankar, mas Kristina optou pelo londrino Jimmy Hogarth, com quemn co-escreveu 8 das 11 faixas de 'Spilt Milk'. Mostrando um talento ainda maior do que supunham seus investidores, a bela mostrou-se uma fera durante todo o processo de maturação e gravação do álbum, sendo responsável, inclusive, pelo arranjo, execução e condução do naipe de cordas. Lançado em finais de 2009, 'Spilt Milk' foi coberto de elogios pela crítica mas seu desempenho em sua terra natal foi irregular, talvez pelo clima naturalmente londrino de sua música. E isso pode ser comprovado pelos inúmeros convites para apresentações em festivais por toda a Europa, o que a fez optar por residir na capital britânica em definitivo.
Com esta decisão, a ruptura amigável com a Blue Note era inevitável, mas, já em 2012, encontrou pouso seguro na Mercury, por onde 'Dark Black', uma pequena joia, seria lançado. Mesclando com perfeição suas influências folk/soul/country/jazz ao clima sombrio da Londres que ela tanto admira, Kristina Train nos serve um cardápio fino e classudo mas também recheado de contundente poesia. Um trabalho que só nos enche de esperança em 'Rayon City', previsto para lançamento ainda neste primeiro semestre, sob a batuta de Skylar Wilson, incensado produtor de Nashville.

(Originalmente publicado em 05.06.2017)







NEWS!!!

Finalmente, após um longo período de gestação, 'Rayon City' viu a luz do dia. E veio fazendo jus a tudo o que se aguardava dele: mais um trabalho soberbo de Kristina Train.
Mas ele não chegou só...apenas alguns meses depois, Kristina resolveu lançar um álbum registrado ao vivo de seu projeto paralelo, Scattered Flowers, em colaboração com Mike Mattison e Paul Olsen, também, como não poderia deixar de ser, lindíssimo.









segunda-feira, 30 de agosto de 2021

CHRISTONE INGRAM-662 (2021)


Tanto tempo para lançar um primeiro álbum -afinal, sua carreira começou aos 15 anos-, o excelente 'Kingfish' em 2019, e parece que o bonachão Christone Ingram, também conhecido por -isso mesmo!- Kingfish, tomou gosto pela coisa. Se não, por que um novo álbum apenas 2 anos após debutar em grande estilo? Seja qual for o motivo, '662', uma referência ao código de área para todo o delta norte do Mississipi, onde situa-se sua Clarksdale natal, mostra uma evolução enorme, atrevendo-se, inclusive, a incluir um número bem superior de canções ao violão que em sua estreia. Além disso, é inegável, sua voz ganhou corpo. E isto pode ser perfeitamente comprovado em 'Your Time Is Gonna Come', um delta blues acachapante, ou no blues com pitadas de r&b 'That's All It Takes'. Mas os destaques são muitos, incluindo a faixa título, 'She Calls Me Kingfish' e a levada shuffle de 'My Bad'. 
Ouça '662' de cabo a rabo e escolha os seus...se for capaz!



segunda-feira, 9 de agosto de 2021

TASH NEAL-CHARGE IT TO THE GAME (2021)

 


E o tão aguardado, ao menos por mim, álbum solo do ex-líder da novaiorquina The London Souls veio, finalmente, à tona. E, não à toa, é o trabalho mais pessoal, confessional mesmo, de Tash Neal, compositor, guitarrista, vocalista, produtor e ativista social e político. Muito disso deve-se ao período pessoal extremamente turbulento pelo qual passou enquanto ainda em sua banda de origem, incluindo um grave acidente automobilístico que o deixou em coma por meses e a morte de seu pai alguns meses depois. Junte a isto o difícil momento político e social de seu país durante os longos 4 anos de um governo nazifascista e a tragédia sanitária que o planeta ora atravessa, e temos a receita perfeita para um álbum profundamente lento e depressivo, certo? Só que não... Neal, influenciado por Sly & The Family Stone e o PSoul de Norman Whitfield, entre outros luminares, optou por traduzir sua raiva e inconformismo em groovies irresistíveis e, sem abandonar suas raízes em sua antiga banda, pesados...bem pesados! 
E assim nasceu 'Charge It To The Game', uma expressão que significa algo como "o que não lhe mata, lhe fortalece", "o que não mata, engorda" ou mesmo "levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima"... Torna-se, mesmo, um tanto estranho sair quicando pela casa ao som irresistível de faixas como 'All I See Is Blood', sobre o já citado acidente, de 'Boomerang' e 'Something Ain't Right' desfiando indignação e ódio a respeito dos últimos conflitos raciais em seu país ou apenas batendo os pés e balançando suavemente o corpo ao ritmo delicioso de 'Finding Your Way', versando sobre a morte de seu pai. Mas a verdade é que a estratégia funcionou muito bem. Tão bem que nem mesmo a equivocada entrega de 'Like A Glove' e 'Catching Up' à produção de Dan Auerbach, talvez isto explique serem as faixas menos atraentes do álbum, conseguiu apagar o brilho de 'Charge It To The Game'.