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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

SPIRITUAL BEGGARS-RETURN TO ZERO (2010)

Antes de mais nada, devo esclarecer que, apesar de conhecer (e tornar-me um grande admirador de sua perfeita fusão da magia do hard/heavy setentista com fortes doses de contemporaneidade) a Spiritual Beggars em sua segunda -e para muitos, a melhor- formação há aproximadamente 3 anos através do petardo 'Demons' de 2005, nunca me dei ao trabalho de disponibilizar nenhum de seus estupendos discos por aqui devido à enxurrada de blogs parceiros que já o haviam feito com a devida propriedade. Portanto, sinto muitíssimo fazê-lo através de seu pior trabalho, o recente 'Return To Zero'. E só o faço porque me corroía uma forte dose de culpa deixar o álbum '3' da Alter Bridge como candidato isolado ao Prêmio Palhoça de 2010.
Não me alongarei aqui em uma bio desta banda liderada pelo ótimo guitarrista Mark Amott (só há pouco descobri seu vínculo com as podreiras Carcass e Arch Enemy) pois planejo, para muito breve, uma postagem com a discog da banda. No momento, deverão bastar aos parceiros do meu, do seu, do nosso G&B os motivos que me levaram à decepção com um trabalho tão ansiosamente aguardado por longos 5 anos por seus fãs.
A verdade é que a culpa de um trabalho tão aquém das possibilidades da banda não reside apenas na  infeliz decisão de substituir um gogó talentosíssimo e cheio de personalidade como o de Janne Christoffersson, que optou por manter-se apenas na igualmente excelente Grand Magus, pelo experiente vocalista do estilo heavy metamorfo AOR Apollo Papathanasio, responsável por imprimir tamanha falta de identidade às suas interpretações que, nos pouquíssimos momentos em que sentimos algum vestígio de alma em sua voz, soa-nos apenas como um arremedo de Coverdale. E, acreditem, isto é um elogio!
Mas a verdade é que todo o trabalho autoral de Amott em 'Return To Zero' redirecionou-se para uma vertente metálica insípida bem característica dos '80 e o resultado terminou por soar como um compêndio do gênero como há 20 e tantos anos. E talvez até por ser tão derivativo, alguns bons momentos apareçam aqui e ali -em muito por Amott ser um bom compositor e eficiente criador de riffs- como em 'Spirit Of The Wind', 'A New Dawn Rising' e 'Believe In Me'; no entanto, materiais como a risível 'Concrete Horizon', a soporiferamente brega 'The Road Less Travelled' e o cover assassino para a clássica 'Time To Live' da Uriah Heep, entre tantos outros desacertos, levaram este 'Return To Zero' a uma indesejável dobradinha com o novo trabalho da Alter Bridge na disputa de pior disco do ano que passou. A princípio, já me decidi, mas quem sabe as opiniões dos parceiros me façam alterar minha escolha.