quinta-feira, 29 de julho de 2010

SORRIIIIAAA...MEU BEM...SORRIIIIIIIIIIIAAAAAAAAAA....

Todo músico é um careteiro em potencial. Em todas as modalidades de instrumentos, do violino à bateria. Aliás, neste último, o genial e saudoso Keith Moon era imbatível. Na guitarra, de Hendrix a Bonamassa, os cacoetes faciais,  muitas vezes conjugados com uma linguagem corporal única, conseguiram tornar-se peças indissociáveis de uma performance. Eu arriscaria dizer que, mesmo sem ouvirmos nada, podemos diferenciar uma performance magistral de outra medíocre apenas observando estes elementos.
Mas nada dessa filosofia de botequim faz sentido quando se assiste ao...como direi...deixe-me ver...desempenho desse maluco aí embaixo. Fui apresentado a essa figuraça pelo meu headbanger-eternamente mirim e -juro que estava careta!- rolei pelo quarto de tanto rir. E o maluco ainda manda muito bem!
Se fizer a vocês metade do estrago que causou a mim, já terá valido a pena.
Só para começar bem o fim de semana.



segunda-feira, 26 de julho de 2010

HOGJAW

Desde que publiquei e resenhei a discog da canadense White Cowbell Oklahoma que deixei um de meus gêneros prediletos meio que órfãos aqui no G&B. É que, apesar de continuar achando o southern rock uma das melhores expressões do rock genuinamente norte-americano (ok, patrulhadores de plantão, estadunidense), pouco tem se apresentado sob esta nomenclatura que não se traduza em variações (cada vez menos inspiradas) sobre um mesmo tema ou, pior!, puras armações. Mas o que esta banda forjada nos desertos do Arizona tem a ver com isso? Nada e tudo a um só tempo. Estão aqui todos os cacoetes musicais do southern mais clássico, o mesmo figurino working class hero, barbas em profusão, o teor estradeiro nas letras, triglicerídios explodindo, colesterol em ebulição e whisky...muuuiiito whisky! No entanto, mesmo sem a genialidade e a criatividade da já citada White Cowbell Oklahoma, JonBoat Jones (vocais/guitarra), Craig Self (guitarras), Elvis DD (baixo) e Kwall (bateria) conseguem conquistar corações  e mentes com muita competência, riffs matadores, refrões ganchudos e uma honestidade transbordando por cada poro destes pescadores caipiras. Junte a esse típico coquetel sulista uma boa dose de adrenalina hard -elemento já tão comum ao gênero, vide Blackfoot, 38 Special, Molly Hatchett e o ícone Lynyrd Skynyrd de seus últimos trabalhos- e até mesmo heavy, sem o excesso de bourbon da Black Label Society, e temos um rascante destilado que poderia muito bem chamar-se Hogjaw.

Será uma cena de 'Deliverance II'?

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MU

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quarta-feira, 21 de julho de 2010

DEEP FEELING-DEEP FEELING (1971)

Não, esta não é aquela banda que tornou-se embrião da Traffic. E esta é apenas mais uma idiossincrasia na minha relação tardia com a música dos ingleses John Swail (vocais/guitarra), Mart Jenner (guitarras/lap steel/vocais), Derek Elsen (teclados/vocais), Dave Green (baixo/flautas/vocais) e Graham Jarvis (bateria/percussão/vocais), todos experimentados session men. A verdade é que não faço a menor ideia dos motivos que me levaram a baixar este filho único de mãe solteira da Deep Feeling, visto que as poucas resenhas que li sobre este trabalho o classificavam como um típico representante de um gênero do prog -o sinfônico- que, salvo raríssimas exceções e quase sempre restritas aos medalhões, não costuma me atiçar a curiosidade. Terá sido culpa da bela e enigmática capa? Sei lá, como sou meio suscetível a estes pequenos detalhes...
De fato, nada disso importa. O que interessa é que este disco é recheado de excelentes arranjos em muito facilitados por magníficas canções, daquelas que sobrevivem simplesmente pelo fato de muito bem escritas e harmonizadas. Da exuberância de 'Welcome For A Soldier' à versão mais acachapante que escutei nos últimos tempos da batidaça 'Lucille' (sim, ainda estamos falando da mesma banda!), não se sai incólume. E como se não bastasse, ainda temos a genialidade instrumental de 'Classical Gas' e o peso muitíssimo bem dosado de 'Guillotine' (confiram no vídeo), um belíssimo e psicodélico exemplar de hard prog. Agreguemos a isso harmonias vocais beirando à perfeição e as recorrentes, porém nunca enfadonhas, alternâncias de tempo e temos uma pequena gema. Mais uma bela surpresa que a grande rede me proporcionou.

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quinta-feira, 15 de julho de 2010

BECKETT-BECKETT (1974)

Poucas vezes me arrependi tanto por não comprar um disco como neste caso. O desastre só não foi maior pois naquela quase sexualmente prazerosa tarde de sábado (como qualquer tarde de sábado dedicada a comprar bolachões) na Modern Sound, Colbert, um tão viciado quanto eu em música e apenas seduzido pela bela capa,  arrematou um dos 3 exemplares disponíveis em um daqueles caixotes  deliciosa e desorganizadamente dispostos no chão daquela que acabou por tornar-se um ícone do comércio de discos carioca. A sensação que aquela pequena multidão amontoada em torno daqueles frágeis modulados de papelão  me passava era exatamente a de pintos no lixo. No entanto, se levarmos em consideração que 'ensovaquei' uma pequena jóia -distribuída por 3 LPs e recheada de belos posteres em couché capazes de cobrir o chão de uma sala- chamada 'Lotus' (Sony Japan Edition) da Santana, convenhamos que tratava-se de um típico caso de concorrência desleal. 
Dali, aqueles adolescentes adictos em roquenrou dirigiram-se para o confortavel quarto do apê em Laranjeiras  que dividia com meus pais e irmãos e que tinha o melhor equipamento de som da casa, o que costumava causar inveja a todos os meus amigos. Como de um álbum de Carlos Santana & Cia já se pressupunha a qualidade do conteúdo, decidimo-nos por darmos uma chance àquele vinil recheado de...ilustres 'quem'. E não é que já na curta e climática intro, que culminaria na sugestiva 'Rollin' Thunder' (para a mim a melhor faixa), sentimos que estávamos diante de um belíssimo trabalho?! Rendido aos seus ainda embrionários encantos, saquei uma K7 cabacinho (sempre tinha algumas de sobreaviso) da gaveta da escrivaninha e pousei a agulha novamente naquela intro enquanto Colbert sacava uma bagana do celofane cuidadosamente malocado na carteira. E foi assim que conhecemos a Beckett de Terry Wilson-Slesser (vocais e futuro integrante da Back Street Crawler), Arthur Ramm e Kenny Mountain (guitarras), Frankie Gibbon (baixo) e Keith Fisher (bateria) e seu indecifrável mix de prog, folk, blues e hard, algumas vezes tudo ao mesmo tempo agora. 
É verdade que esse disco já rola há um bom tempo na rede pois a primeira vez que o baixei já faz uns bons 2 invernos e em um rip indecente em seus majestosos (sic!) 96kbps e sem o artwork. No entanto, além de movido pela generosidade de disponibilizar um belíssimo material agora em bitrates muito mais atraentes  e com o artwork em excelente padrão para meus caríssimos amigos, não poderia deixar de tentar ao menos desmistificar a aura que paira sobre a banda deflagrada por resenhas escritas por alguém que, muito provavelmente, conheceu apenas 1 faixa do disco -a totalmente excelentemente zeppeliniana 'A Rainbows Gold'-, de meros seguidores da maior de todas as maiores bandas de todos os tempos. Este seu único disco é muitíssimo mais do que isso em suas alternâncias de dinâmica, no perfeito casamento do acústico com o elétrico, nas certeiras inserções de cordas arranjadas por Wilf Gibson (violinista da Electric Light Orchestra) e presente em quase todos seus sulcos mesmo em passagens mais pesadas e pela excelência por parte de toda a banda na execução  de seus instrumentos sob a corretíssima produção de Roger Chapman
Portanto, se você passou batido por este disco por estar cansado de clones de Led Zeppelin, até porque é impossível imitá-los sem cair no pastiche, vá por mim: 

BAIXA ESSA PORRA, ACENDA UMA MORRA E BOTA PRA ROLAR!!!

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PS: Ah, o 'Lotus' só fui ouvir no dia seguinte e está comigo até hoje. Mas isso já é uma outra história.

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segunda-feira, 5 de julho de 2010

LOBSTER NEWBERG

Este é mais um daqueles casos em que pesco um crustáceo de tarrafada quando menos espero e, por conta disso, não posso deixar de, antes de quaisquer considerações sobre tão apetitoso prato, fazer ao menos um (tanto o quanto possível, prometo!) breve preâmbulo.
Há muito tento -com pouco sucesso, diga-se de passagem- colher material de uma banda seminal do jazz rock e que muito fez a minha cabeça nos seventies chamada The Ides Of March (aquela mesma do petardo 'Vehicle', um de meus riffs de naipe de sopros prediletos), cujo líder, o guitarrista/tecladista/compositor/cantor Jim Peterik, tem uma longa história na música. Os mais novos, certamente, lembrarão dele apenas por conta da Survivor de hits farofa oitentistas do nível de 'Burnin' Heart', 'I Can't Go Back' e -ok, confesso que é irresistível- 'Eye Of The Tiger'.
Em determinado momento caiu-me de paraquedas um vídeo do iutubiu de um ensaio toscamente filmado de uma banda de crossover prog (juro que não inventei isso, é coisa de progheads!) liderada por um tecladista de sobrenome familiar, Colin Peterik. "Será que é parente do ômi?", pensei. Não deu outra, até porque o vídeo, um tema instrumental matador ('Beachmont Eyes', ainda inédito), mostrava Jim Peterik pilotando a pequena soundboard à direita do monitor. Mais algumas pesquisas e novos vídeos de apresentações daquele moleque impúbere mas já um exímio tecladista, primoroso cantor e carismático band leader em seu próprio combo ou eventuais revivals da The Ides Of March de Papa Jim -sim, a charada foi decifrada!, e minha curiosidade sobre seu trabalho só aumentava. Quando assisti a uma livre interpretação em forma de duelo de bateria (e não é que o féladamãe ainda manda muito bem nos tambores!!!) do emblemático solo  criado por Chuck Ruff para a clássica 'Frankenstein' da Edgar Winter Group, já estava completamente tomado por seu talento.
O próximo passo foi desapegar-me por completo do peixão e concentrar-me no peixinho -no caso aqui, um crustáceo, visto ser 'lobster' o inglês para lagosta- e sua interessante biografia e uma ainda curta discografia.


Uma coisa é certa: a Lobster Newberg (curiosidades sobre este nome vocês encontram aqui) é o veículo escolhido por Colin para viabilizar seu talento aflorado ainda muito cedo (ambos os discos foram gravados com ele ainda na high school), tanto que todas as magníficas composições e seus intrincados arranjos partem de sua pena. Em 2007, foram gastas 50 horas de estúdio para registrar 'Vernal Equinox', que ainda não conheço mas um belo testemunho pode ser encontrado aqui, com um line-up -Sean Briskey (guitarras/vocais), Will Gumbiner (baixo) e Victor Vieira-Branco (bateria/percussão)- basicamente de amigos de escola que sugaram tudo o que puderam da discoteca de seus pais para formatar sua sonoridade. Fiquei especialmente curioso por conferir a versão prog de 'Happy Together' da The Turtles. Se tiver a metade da qualidade do arranjo que criaram para 'Tight Rope', contando com a harmônica da lenda Howard Levy, do mestre Leon Russell...
Após diversas críticas elogiosas e alguns poucos shows -devido à tenra idade de seus integrantes torna-se muito difícil conseguir bons locais para tocar-, segue-se a debandada. Mas o prolífico prodígio é incansável e, ajudado pela crescente fama de pequeno gênio, não foi difícil arregimentar novos músicos  (todos em faixas etárias pouco acima dos 20 anos) para viabilizar um novo álbum e assim, com Phil Miller (guitarras), Corey Kamerman (baixo) e Jamie Dull (bateria/percussão), lançaram apenas 2 anos depois uma pequena obra-prima produzida pela banda e Larry Millas chamada 'Actress'. Há cerca de 3 meses estou completamente tomado por este disco, que já tentei adquirir de diversas formas sem sucesso (meu irmão esteve recentemente em NY e não encontrou sequer quem os conhecesse!), e após muito penar para conseguir um link para seu primeiro trabalho e disponibilizar a discog completinha para meus fiéis parceiros, decidi editar a postagem de maneira incompleta na esperança de que me proporcionasse melhor sucesso nesta pescaria. E tenho certeza que, ao tomarem contato com as onze irretocáveis faixas de 'Actress', todos sairão como zumbis de um filme de George A. Romero atrás de um link perdido de 'Vernal Equinox' para me (se) presentear. Da genesiniana (com direito até a cacoetes de Tony Banks nos synths) 'Set Your Sails', e passando por influências as mais diversas mas sem cair no derivativo em qualquer momento de seus pouco mais de 56 minutos, à delicadeza canterbury de 'Have You Ever Been Alone?' não há um instante em que não impressione o talento de todos os músicos -além dos já citados, um naipe de sopros arrasador!- envolvidos. Importante, também, perceber a influência do jazz rock do qual seu pai foi um expoente nas contagiantes 'Bug City' e 'Bed'.
No mais, só me resta torcer por um bom gerenciamento de carreira pois seu talento e carisma poderá levar a um assédio da indústria que, percebendo o gancho pop que cerca a música e -por que não?- a bela estampa de Colin Peterik, anda ávida por encontrar um novo Muse. E isso pode ser um desastre, comprometendo seriamente a renovação e, por consequência, o belo futuro que se apresenta já há algum tempo para o prog, cheio de groove e sem medo de ser feliz.
Sinceramente, tivesse conhecido este disco quando da escolha do Prêmio Rabo de Raposa 2009, o também arrasador 'Cosmic Egg' da Wolfmother, não hesitaria um só segundo em outorgar-lhe a comenda. Sendo assim, para que 'Actress' não saia de mãos abanando, o, ainda que tardiamente instituído, Prêmio Braço de Judas de Banda Revelação 2009 vai para a Lobster Newberg e seu 'Actress'.

RS
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Graaaande OGS!!! 
Valeu muito por este link!!!

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