Originalmente publicado em 27.03.2007.

Todos que frequentam o G&B há algum tempo já conhecem minha admiração pelas chamadas jam bands. Isso deve-se, principalmente, ao fato de as bandas que se enquadram neste gênero produzirem uma música livre de (pre?) conceitos estilísticos fazendo com que o resultado final soe extremamente honesto, mesmo porque TODAS têm em suas fileiras músicos de qualidade inquestionável. Na verdade, a maioria está entre os melhores do mundo em seus instrumentos, verdadeiras referências. Via de regra, as apresentações destas bandas tornam-se autênticos happenings com improvisações em altíssimo nível. Isto explica, em grande parte, a legião de fãs que bandas deste gênero arregimentam em seus concertos, sempre sold out.
Se quiserem saber mais sobre o gênero, visitem meus posts de Gov't Mule, Widespread Panic, My Morning Jacket e, até mesmo, The Mars Volta.
Desta vez, vou me dedicar à Phish, banda formada na University of Vermont, N.Y., em 1983, por Trey Anastasio (vocais/guitarra), Jeff Holdsworth (guitarra/vocais), Mike Gordon (baixo/vocais) e John Fishman (bateria/percussão). Essa tropa aproveitava quaisquer eventos no campus para fazer um som e, assim, conseguiram mobilizar, já nesta época, uma quantidade considerável de admiradores. E eram estes dedicados discípulos que cuidavam - através de boca a boca, malas diretas e até mesmo marketing de guerrilha - da cooptação de novos seguidores.
Em 86, ao completar a faculdade, Holdsworth resolve deixar a banda e, em contrapartida, Page McConnell assume os teclados levando a Phish a um outro patamar musical, ao mesmo tempo em que solidifica o line-up definitivo da banda.
Encorajados por McConnell, os demais membros da banda mudam de universidade ao mesmo tempo em que gravam vários K-7 demo, entre eles 'The White Tape', vendido durante os shows e distribuído para rádios.
Desde o início, a banda teve entre seus admiradores o luthier Paul Languedoc que, em 85, construiu duas guitarras para Anastasio e dois baixos para Gordon. Pode parecer estranho citar este fato por aqui mas é que estes instrumentos, devido à qualidade da madeira e à excelência de sua confecção, ajudam a conferir uma sonoridade única à banda. Isto fez com que Languedoc se tornasse o '5º Phish', sendo responsável, inclusive, por toda a engenharia de som da banda.
Entre 87 e 88, envolveram-se na gravação de um projeto conceitual, na verdade uma extravaganza musical de Anastasio (a esta altura já o principal compositor e centro do universo Phish), 'The Man Who Stepped Into Yesterday', baseado no conto 'Gamehendge', e foi acompanhado de uma monografia. Esta obra só foi executada na íntegra em apenas 5 ocasiões.
Mantendo esta postura, a banda reunia-se para jams enormes no intuito de descobrir temas a serem aproveitados e desenvolvidos. O resultado destas jams foi o soberbo 'JUNTA'(88), um álbum semi-conceitual baseado nos filmes 'Um Homem Chamado Cavalo' e 'Primitivos Modernos'.
Já em 89, alugam o Paradise Rock Club, em Boston e, mesmo diante da incredulidade do dono, enchem por completo o lugar.
Bom, a partir de então, não pararam mais de excursionar e também gravar de maneira quase obsessiva. Tudo era registrado, tanto que alguns temas desta época foram aproveitados somente em discos muito posteriores.
Faz-se necessário acrescentar que um show da Phish não é apenas um...show. A banda utiliza-se de todos os recursos cênicos e de multimídia para fazer com que a plateia interaja o máximo possível com os eventos que ocorrem no palco. Em 90 lançam 'Lawn Boy', que manteve o nível de seu antecessor.
Diante do sucesso crescente, e aproveitando uma ideia já utilizada por Grateful Dead, Beatles e Bob Dylan, criam, em 91, seu próprio usenet group. Esta pioneira adesão, visto ser ainda uma banda iniciante, à grande rede foi fundamental para o crescimento de sua popularidade e, assim, a Phish lança seu primeiro álbum por uma major, Elektra, o excelente 'A Picture Of Nectar'(91). As vendagens deste foram tão boas que proporcionaram o relançamento de seu predecessores por esta major.
Agora, as coisas já andavam por suas próprias pernas e, praticamente, não havia um dia sequer sem uma apresentação da Phish em algum pedaço dos EUA.
Em 93, por época do lançamento de 'Rift', outro álbum conceitual, Phish já era uma banda consagrada e headliner em muitos dos grandes festivais como H.O.R.D.E., Boonaroo, etc. E foram lançando álbuns e mais álbuns. Fazendo shows e mais shows.
Em 95, um triste fato para a história do rock foi fudamental para o crescimento ainda maior da popularidade da banda: o Grateful Dead, admirado por todas as jam bands, retira-se dos palcos devido à morte de seu líder e um dos maiores ícones do rock, Jerry Garcia. Devido a este fato, os deadheads (os fanáticos seguidores de Garcia & banda) passam a adotá-los como herdeiros naturais de sua adoração devido as similaridades com relação às suas posturas perante a música e a arte em geral. E isto ocorreu até que a banda, em 2004, após o lançamento de 'Undermind', julgando estar se repetindo e andando em círculos, resolvesse se separar. O concerto final foi emocionante, com toda a banda aos prantos e com o público recusando-se a deixá-los abandonar o palco. Segundo apurei, esta parada foi apenas parte de uma estratégia para que pudessem se reciclar e desenvolver projetos pessoais e, talvez já em 2008, retornarem com um novo vigor. Espero que sim pois, em um desses lapsos incompreensíveis e indesculpáveis, descobri esta banda já desfeita e fiquei completamente fascinado com sua miscelânea sonora que abarca southern, latin, country, prog, jazz(em todas as suas vertentes), hard, r&b, funk, fusion, psych, bluegrass, etc, etc, etc. E o mais impressionante é que, apesar de toda esta salada, o estilo PHISH é plenamente identificável. E como cantam! Além de Trey Anastasio, excelente vocalista!, toda a banda arrebenta nas harmonizações vocais.
Aqui, postei apenas metade da discografia oficial da banda. Caaalllma...eu explico. É que a outra metade é uma sequência de CDs ao vivo com o título 'Live Phish' seguido de local e data do concerto correspondente, como os tradicionais bootlegs. Se me decidisse por postá-los aqui, a Primeira-Dama do G&B me internaria no Pinel. Não, eu mesmo me internaria.
Sugiro começarem por 'Rift', 'A Picture Of Nectar' e 'A Live One'. Se depois destes não se sentirem compelidos a baixar o restante, sei não...acho que quem vai precisar de Pinel não serei eu.
Alguns (poucos) críticos consideram-nos pretensiosos. Discordo. Na verdade, eles PODEM ser pretensiosos.
Agora, estou correndo atrás do tempo perdido e tentando descolar os discos solo de Anastasio, de quem me tornei admirador fanático. Como esse 'fio duma égua' toca! E como compõe! O cara vai de harmonizações bluegrass a solos de guitarra à John McLaughlin com uma fluidez impressionante!
Ufa!, cansei ...mas não poderia, uma vez mais, deixar de agradecer o incansável 'sócio' Findini (por falar nisso, cadê você, seu sacana?) que pescou estes CDs na rede e me enviou os links como presente de aniversário.
Com certeza, é o recorde de postagem do G&B. E por muito tempo!














