Frank
Back To Black
Frank
Back To Black


Alguns podem estranhar um post de bossa nova por aqui. Realmente, não morro de amores pelo gênero, mas não poderia deixar de registrar o falecimento deste grande violonista, compositor e arranjador. Autor de centenas de músicas de sucesso e participante ativo da ala menos elitista do movimento, participou do histórico concerto Festival De Bossa Nova do Carnegie Hall, em 62, com o Bossa Rio. Bom, não tenho aqui a menor intenção de biografar esse respeitadíssimo, mundialmente inclusive, músico. A minha intenção é apenas prestar-lhe uma sincera homenagem pois o conheci quando era (ele) produtor na Polygram, no início dos 80 -se não me falha minha 'emberlotada' memória, onde participei sob sua batuta como músico de algumas produções de demos de candidatos a cantores(as) de rock. O cara mandava bem.
Batida Diferente(2004)
Em 68, dois músicos belgas -Silvain Vanholme (guitarra) e Freddy Nieuland (bateria)- oriundos de uma banda pop sem expressão, convidam os jazzistas Marc Hérouet (teclados) e Christian Janssens (baixo) para formar uma banda onde estes ingredientes fossem miscigenados para dar cor a uma música totalmente diferente da usualmente escutada nas rádios da época. Não satisfeitos, convidam ainda Raymond Vincent e Jacques Namotte, respectivamente Primeiro-Violino e Primeiro-Violoncelo da Orquestra Nacional da Bélgica, a apostar nessa difícil empreitada. E assim nasceu a primeira banda de psych/prog pop belga que, já em seu primeiro single -'Daydream', com citações de 'Lake Of The Swan', de Tchaikovsky- vendeu milhões mundo afora ajudando a alavancar as vendas deste 'Laughing Cavalier'. Vale frisar que, apesar de podermos enquadrar o Wallace Collection como uma 'one hit wonder', isto em nada tira os méritos deste excelente álbum produzido por Andy McKay e com engenharia de som a cargo do lendário Geoff Emerick, que procurou destacar as excelentes linhas de baixo de Janssens. Posteriormente, ainda lançariam mais 2 ótimos álbuns e uma trilha sonora antes da saída de Vincent para liderar o Esperanto, banda com todos seus álbuns já postados aqui no G&B. Chegaram a fazer alguns breves retornos devido à aura cult e enorme prestígio da banda em seu país chegando, inclusive, a lançar um cd em 92 parcialmente com material inédito.
Trabalho espinhoso destilar este guitarrista nascido há 31 anos em Porto Rico e criado em El Paso, Texas, e que está entre os mais criativos e de estilo mais pessoal da nova safra no instrumento. A sua história, e de sua banda The Mars Volta, já contei em detalhes nos posts referentes ao TMV aqui pelo G&B. Seus álbuns solo são excelentes exercícios de criatividade, regados a muita dissonância e noise, gravados durante os tours do The Mars Volta pela Europa, principalmente Amsterdam (não morro sem conhecê-la), com a ajuda de seus parceiros de banda ou com o próprio Omar gravando todos os instrumentos. Onde havia um estúdio, o cara parava e gravava alguma coisinha que já estava incomodando na mente. Dono de uma presença cênica epiléptica, Omar Rodriguez-Lopez é um pequeno prodígio do instrumento (afinal, está na estrada desde seus 15 anos) que, além de fazer parte de uma das melhores e mais inovadoras bandas prog da atualidade, instintivamente absorveu em seu estilo único ecos de Frank Zappa, Miles Davis (fase 'Bitches Brew'), Robert Fripp, Fred Frith, Brian Eno, Can, Vernon Reid, e por aí vai.
A MANUAL DEXTERITY:SOUNDTRACK VOL.1

Bom, já que o último post foi com material dos anos 80 e como nunca havia postado nada desta -para muitos- 'década perdida', vamos a uma pequena overdose. E que overdose!
Este álbum, originalmente um lp duplo, é uma das (senão a melhor) melhores coisas lançadas naquela década. O XTC (não ainda com este nome) foi formado em 72, em Swindon, Inglaterra, por Andy Partridge(vocais/guitarra), Colin Moulding (vocais/baixo), Barry Andrews (teclados) e Terry Chambers (bateria) com o intuito de tocar algo próximo a um glam rock na linha New York Dolls. Contudo, a diversidade de influências de seus músicos fez com que à essa postura inicial fossem acrescentados elementos de punk, ska, pop, art rock e, até mesmo, reggae. E isso fez toda a diferença pois tornaram-se rapidamente reconhecidos por esta diversidade e pela excelência de seus músicos. Começaram a lançar álbuns em 77, já como XTC, mas, logo depois, ocorre a primeira baixa: Andrews sai para tocar com o Shriekback e com a League of Gentlemen de Robert Fripp, sendo substituído por Dave Gregory (teclados/guitarra/arranjo de cordas). Lançam diversos discos com esta formação mas sempre priorizando a tal da diversidade, o que fazia com que nenhum trabalho fosse igual ao anterior.
E assim foi até 82 quando Partridge (com Moulding o principal compositor da banda) sofre um colapso nervoso em pleno show, posteriormente diagnosticado como 'stage fright' (medo de palco), e torna-se dependente de Valium. A partir de então o XTC tornou-se uma banda exclusivamente de estúdio e, devido a isso, perdem Chambers. Não mais tiveram um baterista fixo, preferindo usar músicos de estúdio do naipe de Prairie Prince, Dave Mattacks e Pat Mastelotto para esta função .
Muitas mudanças no som da banda começam a ocorrer com 'Skylarking'(86), produzido por Todd Rundgren, e desembocam neste 'Oranges & Lemons', até hoje seu álbum mais aclamado e vendido. Aqui, conseguiram criar um verdadeiro compêndio de, não só, tudo que já foi feito no pop e no rock até então, como também apontando caminhos futuros. Seria leviano apontar um destaque pois existem vários e é melhor que cada ouvinte escolha o(s) seu(s).A banda passeia por estilos que vão do bubblegum ao experimentalismo com uma firmeza e desenvoltura impressionantes e, como de costume, sem perda de identidade sonora, em muito graças à produção primorosa de Paul Fox que deve ter sofrido muito para conseguir a excelência de engenharia sonora apresentada pelo álbum. A banda tinha tanta consciência do divisor de águas que este trabalho significava que concebeu sua belíssima capa como uma alusão a um outro trabalho com igual significado de uma bandinha de Liverpool cujo nome me escapa.
A partir daí, lançaram ainda os excelentes 'Nonsuch'(92), produzido por Gus Dudgeon, e 'Apple Venus Vol. 1'(99), 'Wasp Star - Apple Venus Vol. 2'(2000), quando decidem por um hiato que já perdura por 7 longos anos.
Uma coisa é certa: 'Oranges & Lemons' vai estar sempre entre meus discos de cabeceira.
E -quem sabe?- talvez passe a ser um dos seus. Experimente o doce e o azedo. É uma excelente combinação.

Entediado em um domingo chuvoso em sua confortável casa em algum canto da Califórnia, Gregg Rolie telefona para Neal Schon :