Tendo perdido no 'gravetinho', sobrou à Black Drawing Chalks a segunda postagem de bandas brazucas que estão entre minhas apostas para voos maiores, aproveitando a -relativa mas já rendendo excelentes frutos- abertura do mercado para o rock estranho ao eixo USA/UK. E mais fora do eixo impossível já que essa galera bigoduda é de Goiânia e, também, totalmente fora do eixo RJ/SP. Na verdade, é até leviano apontar esta bela (e recheada das mais lindas morenas do país!) capital do centro-oeste como estranha ao nosso querido ninho roquenrou pois ali, já há algum tempo e em contra-partida ao pop modorrento que hoje avassala o sudeste, concentra-se um dos maiores pólos garageiros desse patropi e que ainda deve render outros bons frutos. Quem diria, de terra onde em se plantando só dá breganejo a celeiro roquenrou!!!E foi assim, empurrados por um cenário já muito promissor em 2007, em muito devido à persistência da Monstro Discos, que Victor Rocha (vocal/guitarra) e Douglas Castro (bateria), alunos de design e integrantes do estúdio Bicicleta Sem Freio, coletivo de designers dos mais conceituados na região, convidam Denis Castro (baixo, irmão de Douglas) e Marco Bauer (vocal/guitarra) a criar uma banda onde pudessem liquidificar suas diversas influências, do stoner ao hard setentista ao garage indie ao power pop, com uma energia punk com alto teor de testosterona que somente garotos recém chegados aos 20 anos podem despejar. Antes da gravação de seu primeiro CD, a primeira e, até o momento, única alteração na formação: Renato Cunha nas guitarras e vocais em substituição a Bauer. E 'Big Deal' é lançado ainda em 2007 já mostrando todo o potencial do quarteto em excelentes riffs ora em low tempo ora em uma velocidade estonteante, mas sempre pesados, e com a concepção de mixagem stoneana* ajudando a dar o clima sujo na medida certa. Uma belíssima estreia. Tanto que os credenciou a uma muito bem recebida turnê por palcos canadenses.
A boa repercussão os faz ainda circular por todo o ano de 2008 pelos maiores festivais tupiniquins, alguns destes em sua própria cidade natal, como os já notórios Bananada e Goiânia Noise, e sempre entre as melhores atrações -Eagles Of Death Metal, Nashville Pussy e Motorhead são algumas- e colhendo resenhas as mais entusiásticas.
Aproveitando a deixa, ficou óbvia a necessidade de lançar um novo trabalho e, em maio de 2009, os carvões negros para desenhar tiram do forno o surpreendente 'Life Is A Big Holiday For Us'. Puxado pelo chiclete -quem não sair quicando com este petardo é ruim da cabeça E doente do pé- 'My Favorite Way' e seu delicioso clip, tomam de assalto a grande rede e chegam a ser indicados ao VMB 2009. Mas o CD ainda consegue a proeza de ter outras faixas tão boas ou melhores que esta e sempre embaladas por uma produção esmeradíssima em sua podreira e fidelíssima à concepção original da banda. Um discaço!
Uma bela aposta e um alento para o pífio cenário rock em nosso país.
* É denominada assim entre os profissionais de estúdio por ter sido muito empregada pelos Stones nos 60 e início dos 70 e consiste em enquadrar as vozes na mesma régua que os demais instrumentos.


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