

Não sei vocês, mas eu sou um apaixonado por
southern rock. No entanto, é muito difícil encontrar, fora daquele quadrado mágico do gênero, algo de realmente relevante. Estou sempre fuçando por aí atrás de novidades vindas do estilo que, para mim, é o
rock norte-americano por excelência, mas encontro apenas mais do mesmo; na grande maioria das vezes, apenas consigo filtrar uma ou outra faixa bacana para encaixar naqueles cds 'sacos de gatos' que nos servem para ser degustados em qualquer situação e que carregamos para cima e para baixo. Ou seja, nenhum trabalho realmente consistente dentro de um gênero que, por definição, não se permite muitas opções, dependendo muito da competência de seus componentes em driblar os clichês, o que é uma tarefa para lá de ingrata. Até porque muitos dos clichês
southern são deliciosos, como as letras recheadas de bebedeiras, porradarias, carros velozes e furiosos, drogas e
girls, girls, more girls. Em uma destas investidas, há uns
2 meses, caí de para-quedas em um fórum em que todos os participantes, espantosamente, não se cansavam de elogiar uma tal de
White Cowbell Oklahoma. Mas...peraí...
Oklahoma não é no sul! Tudo bem, pois eles também não. São canadenses de
Toronto! E isto é, praticamente, tudo que sei desses malucos pois até mesmo a formação da banda é uma confusão dos diabos. Pelo que apurei neste tempo em que pesquisei -sempre no mais absoluto sigilo para poder surpreendê-los assim que soltassem o novo álbum, que sabia já estar no forno- sobre essa
gang, hoje são apenas 6 integrantes fixos mas podendo chegar a
17 (!!!) em alguns espetáculos e, entre estes, já chegou-se a contabilizar
9 (!!!) guitarristas. E suas apresentações não se limitam à música; são, também, uma divertidíssima ode ao caos, à lascívia, ao grotesco e escatológico. Ou seja, de
backing vocals dublês de
strippers,
pole dancers e
dominatrixes a um personagem (
Chainsaw) saído de uma das sequências de '
O Massacre da Serra Elétrica', passando por um solo de
slide com o pênis de seu guitarrista fazendo as honras como
bottleneck convidado, vale de tudo. Segundo li, quando o jornal de uma cidade canadense anuncia a passagem da
WCO por seus domínios, as ruas se esvaziam ao sinal de toque de recolher.
Neste instante vocês me perguntam: 'Tá...mas e a música?' Por mais incrível que possa parecer, à frente de todo este aparato cênico está o melhor
southern que ouvi nos últimos
20 anos ou mais. Conheci-os através de
'Cencerro Blanco'(2005) -seu primeiro e excelente álbum completo- e foi mais uma daquelas paixões à primeira orelhada. Não tive outra alternativa que não fosse encontrar tudo que pudesse sobre essa horde de porras louquíssimas e a cada material encontrado minha convicção de que estava diante de uma banda pronta para ocupar seu lugar no panteão dos grandes do gênero aumentava. Talvez seja difícil explicar o que tanto distancia a
WCO das demais. Será a qualidade das composições? Os
riffs incríveis? Os arranjos extremamente bem elaborados e brilhantemente executados? O vocal estupendo? Os enxertos muito bem dosados de diversos outros gêneros, do
hard ao
prog? Me digam vocês.
Mas nada me preparou para esse
'Bombardero' - lançamento previsto para
05.05 que o parceiro
Velho Roqueiro postou em primeiríssima mão no seu
Old & New -, desde já, candidataço a melhor do ano. Como se não bastasse a enorme quantidade de petardos de própria lavra, os caras ainda me cometem talvez o melhor
cover de '
Frankenstein' que já escutei, respeitoso e criativo a um só tempo. Resumo da ópera: é sonzeira de ponta a ponta.
Este é seu primeiro trabalho com distribuição em larga escala e, por conta disso, até mesmo um
tour mundial está a caminho. Será que....? Espero que sim!