domingo, 30 de setembro de 2007

BEN FOLDS FIVE



Ben Folds Five foi uma banda da Carolina do Norte formada tomando por base as influências jazzísticas de todos seus componentes e liquidificando-as a outras tão díspares como Elton John, Billy Joel, Steely Dan, Joe Jackson, Medeski, Martin & Wood, Bruce Hornsby e...punk. Criada em 1994, começou a gravar já em 95 com Ben Folds ao piano e vocais sendo escorado por Robert Sledge no baixo e Darren Jessee na bateria. O quê? Se eram somente três na banda porque então o nome faz menção a cinco componentes? Simples: apenas porque soava melhor.
Com uma sonoridade incomum, devido não só à formação pouco ortodoxa bem como às suas influências diversificadas, o BF5 fazia uma música tão sofisticada quanto divertida e com letras inspiradíssimas. Músicos de excelente qualidade -gravavam direto, praticamente sem overdubs-, recheavam seus arranjos de improvisos onde o destaque ia para o piano acústico de Folds mas com bastante espaço para Jessee e, principalmente, Sledge sempre alternando-se entre os baixos elétrico e acústico. E o que falar da excelente voz de Folds entoando melodias um tanto intrincadas para uma banda que se pretende pop? É notável o fato de abdicarem quase que por completo não só de guitarras como de qualquer outro instrumento, abrindo pouquíssimas concessões a um quarteto de cordas aqui e um sopro acolá. Infelizmente, após uma apresentação no The Late Show With David Letterman, decidiram separar-se.
É certo que nunca foram uma banda de sucesso popular mas, em contrapartida, angariaram muito prestígio e seguidores fiéis em seus poucos anos de existência.
O destino de seus integrantes é diverso, embora todos ainda estejam envolvidos com música: Ben Folds continua lançando cds solo e trabalhando com trilhas sonoras e música sinfônica, enquanto Darren Jessee e Robert Sledge tornaram-se session men e membros de bandas mais obscuras .
Se você é daqueles que não resiste a um som classudo, mas com um bem dosado vigor punk, executado com criatividade e apuro técnico, atraque-se a estes links pois não é muito comum encontrar essa banda dando mole na rede.


domingo, 16 de setembro de 2007

TRILHAS & CARREIRAS VI:BLACK SNAKE MOAN(2007)

Você é daqueles que gosta de um filme blues, ambientados em comunidades rurais do sul dos 'estaites' e com uma trilha sonora recheada de clássicos do gênero? Então, esse é um filme que você não deveria perder. Não faço a menor idéia se chegará às nossas telas pois, como de costume, o assisti graças ao milagre do compartilhamento. Nem mesmo faço idéia de seu título em português.
O roteiro é simples e conta, através do recurso narrativo da dramédia, a estória de um renomado e desgostoso ex-bluesman (Samuel L. Jackson, magistral como sempre) que toma para si a tarefa de recuperar uma ninfomaníaca stoned (Cristina Ricci, excelente e apetitosa) após esta ter sido abandonada estuprada, drogada e à beira da morte às portas de sua pequena propriedade rural. Surge daí um relacionamento tão conflituoso quanto redentor para ambos.
O filme é delicioso e o mais surpreendente são as sequências em que Jackson manda muuuiiito bem em clássicos do blues, somente ao violão ou com banda. O cara, realmente, está muito longe de ser bobo no gênero.
A trilha conta com, além de todas as 4 canções interpretadas pelo ator, Son House, North Mississipi All Stars, Bobby Rush, The Black Keys, John Doe (o verdadeiro), entre outros.
Filme e trilha altamente recomendáveis.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

D'ALMA (G&B Remasters)

Este post é para quem gosta de violão. E muito bem tocado.
Por volta da segunda metade dos 70, devido ao sucesso do duo Coryell & Catherine, ocorreu um boom violonístico em todo o mundo com vários duos e trios surgindo do nada. De uma hora para outra a música instrumental foi saudávelmente invadida por esste delicioso, porém meio esquecido no gênero, instrumento. E, sendo o Brasil um país com tanta tradição violonística, óbviamente não passaria incólume por esse movimento e o D'Alma (comumente precedido do termo Trio ou Grupo) foi o maior expoente do gênero à época.
Até mesmo eu, um novato estudante da Pró-Arte, tive minha dupla com um amigo, Cristóvão. Fiasco completo. Imaginem: Visconde de Mauá, fogueira acesa, vinho, gatas, pretinho básico, chás diversos, mais gatas e...dois malucos improvisando em temas totalmente desconhecidos! Em menos de cinco minutos alguém já puxava um 'Caminhando e cantando e seguindo a canção...'.
Certamente belos tempos mas, voltando ao assunto, o D'Alma fez história mesmo passando por formações diversas durante seus 9 anos de existência mas com um nome comum a todas: André Geraissati. Nesta primeira formação, Rui Saleme e Cândido Penteado são seus parceiros em 'A Quem Interessar Possa'(79), sucesso instantâneo entre os amantes da música instrumental com seus tempos quebrados, duetos em vozes diversas, um encadeamento excepcional de fraseados e temas que, em pouco tempo, tornam-se deliciosos chicletes. E nem vou me referir a sua belíssima e original arte gráfica. É considerado um clássico da MIB e sua edição em vinil ítem de colecionador -por sorte, sou feliz proprietário de toda a discografia neste formato.
Em 81 lançam 'D'Alma', agora com o prodígio Ulisses Rocha em substituição a Cândido. Resultado: mais um tour de force de energia, improvisos fluidos e temas inspiradíssimos. De quebra, um arranjo maravilhoso para 'Karatê' do mestre supremo Egberto Gismonti. E muitos carimbos em seus passaportes devido aos crescentes convites para renomados festivais internacionais. Dizem as más línguas que John MclAughlin admitiu ter sido este trabalho que o inspirou a unir-se a Al Di Meola e Paco De Lucia para aquela milionária série de álbuns dos 80.
Mais um curto hiato, mais uma alteração -o 'cascudo' Mozart Mello em lugar de Saleme- e mais um álbum chamado...'D'Alma'. A falta de criatividade demonstrada na escolha dos títulos de seus dois últimos trabalhos é compensada com mais um álbum arrasador. Agora mais pesado, vigoroso, contemporâneo. Muito devido à 'pegada' mais hard de Mello.
Desnecessário dizer que todos seguiram sólidas carreiras solo, inclusive no exterior.
Não faço a menor idéia se estes álbuns foram lançados em cd. Aqui, todos os rips foram feitos a partir de meus vinis. Os dois primeiros por JR (vulgo Djei'ar) e o terceiro by G&B. Sem modéstia alguma, acho difícil encontrar rips melhores na rede. Ótima resposta de frequência e ZERO estalos. Infelizmente, as excelentes capas -muito bem escaneadas, por sinal- foram baixadas de um site cujo nome me foge. Se alguém quiser reivindicar a autoria, fique à vontade.
No mais, sirvam-se sem medo de serem felizes deste biscoito fino.


domingo, 9 de setembro de 2007

COLUNA ANTI-SOCIAL II

Edson & Miguelito na varanda do QG do G&B

No G&B Home Studio na pós-produção de mais um grande sucesso


O Rio de Janeiro tremeu neste último sábado com a visita de
Miguelito, El Gran San Bernardo, à sede do Gravetos & Berlotas para evento brenfoetílicoculturalmusical. O encontro foi regado a muito roquenrou, cerveja, Pepsi, batida de coco e deliciosas empadas de frango com catupiry, os dois últimos ítens por cortesia da Primeira-Dama do G&B e diretora do S.E.F.O.D.I., e demos continuidade a assuntos de relevância mundial que haviam sido apenas alinhavados quando de outro evento, daquela feita com a presença de Ser da Noite, ausente deste novo encontro por conta de uma profunda crise de depressão causada por uma recente visita ao proctologista. Calma, está tudo bem com nosso caro Morcegão mas sabemos o quanto é desconfortável uma visita a esse profissional. Até argumentamos que pior, e realmente comprometedor, seria se ele tivesse insistido em conferir uma segunda opinião. Mas não houve jeito e nosso querido Ser Da Noite achou por bem recolher-se para refletir sobre momento tão delicado de sua vida abraçado a caixas de Lexotan. Seja forte, parceiro. Não se entregue.
Mas, voltando ao assunto, o mundo deve muito a esse encontro pois elucidamos algumas das questões mais importantes para a humanidade: cagamos e andamos para se anjo tem sexo, borboletas só usam margaridas como privada,
George W. Bush sequestrou, seviciou e matou o garoto da Mad pois não admitia ninguém mais feio e imbecil que ele, entre outros questionamentos menos relevantes.
Foram aproximadamente 6 horas de pura esbórnia onde o bom humor foi a tônica. Foi um grande e inenarrável prazer receber
Miguelito e sua inteligência -tudo bem, há controvérsias- no G&B.
Infelizmente, como
nóis é dimenor, fui obrigado, atendendo à legislação vigente, a colocar tarjas pretas sobre nossos olhos para dificultar a identificação.
Abraços e até à próxima,
Edson d'Aquino

domingo, 2 de setembro de 2007

EARTH, WIND & FIRE



O Earth, Wind & Fire, acredito, dispensa apresentações. Faz parte daquela parcela privilegiada de bandas funky -aí inseridas War, Mandrill, The JB's, Sly & The Family Stone, Parliament, Funkadelic, The Commodores, The Bar-Kays, Ohio Players, Kool & The Gang e pouquíssimas outras- cujo som tem uma identidade tão forte que são facilmente reconhecidas logo aos primeiros acordes.
O EW&F surgiu em 69 quando Maurice White, renomado baterista do circuito de jazz, sai do prestigiado Ramsey Lewis Trio e, junto a Wade Flemmons (teclados) e Don Whitehead (guitarra), assina um contrato com a Capitol Records e, agora como Salty Peppers, consegue emplacar um pequeno sucesso local. Com o fracasso do segundo single, mudam o nome para Earth, Wind & Fire -extraído dos elementos que fazem parte do signo de Maurice, Sagitário- e arregimentam outros músicos, entre eles Verdine White (baixo), irmão de Maurice, e assinam com a Warner Bros.. O line-up é fechado com a incrível marca de 10(!!!) músicos.
Já em 70, lançam seu primeiro e auto-intitulado álbum que, apesar do sucesso de crítica, obtem modesta vendagem. O mesmo ocorre com o trabalho seguinte, 'The Need Of Love'(71), mas já lançando, mesmo que tímidamente, as bases do som do EW&F. No entanto, a gravadora, não sabendo como 'trabalhar' a banda, os deixa escorrer pelas mãos e o lendário Clive Davis, 'midas' da CBS, se apaixona pelo r&b/funky étnico da banda e resolve apostar alto em Maurice White & Co. Maurice aproveita e inicia uma profunda reformulação da banda -sobram apenas ele e Verdine- e 'Last Days & Time'(72) já conta com Phillip Bailey e Jessica Cleaves (vocais), Ronnie Laws (flauta/saxes), Roland Bautista (guitarra), Larry Dunn (teclados) e Ralph Johnson (percussão) na formação. Aqui, já temos a sonoridade do EW&F a caminho de uma definição e com a estréia da kalimba, instrumento de percussão africano (um amigo, Jolt, fabrica este instrumento e o apelidei de 'vibrafone de bolso'), que tornou-se um dos emblemas sonoros da banda. Em 73 chega 'Head To The Sky' e novas mudanças na formação com a entrada de Al Mckay (guitarra) e Andrew Woolfolk (sax/flauta), em substituição a Laws e Bautista, e adicionando uma segunda guitarra a cargo de Johnny Graham. E o sucesso, de maneira um tanto tímida mas firme, finalmente chega com o single 'Evil', extraído do álbum. E foi por essa época, e através desse single que tenho até hoje em 45 rpm imported, que conheci a banda e...chapei!
Em 74, com a formação estabilizada e sob as rédeas curtíssimas de Maurice White, lançam o trabalho que marca a virada no status da banda: 'Open Our Eyes'. Deste álbum são extraídos 'Mighty Mighty' e 'Devotion', dois grandes sucessos, tornando-os nacionalmente reconhecidos. É, também, o momento em que alimentam ainda mais as antes tímidas experimentações com o jazz, caribe e africanidades adicionando elementos de MPB, uma antiga paixão de Maurice e que os diferenciará das demais bandas do gênero. Não a toa é seu primeiro Disco de Platina.
Em 75, adicionam Fred White (nepotismo?) à bateria e lançam o disco/filme 'That's The Way Of The World'. Apesar de o filme ser uma tremenda 'roubada', a trilha sonora é recheada de sucessos e só aumenta o prestígio da banda, a esta altura já considerada uma das melhores em um palco. E ainda encontram espaço na agenda para 'Gratitude', um duplo mix de alive, sobras e inéditas que emplaca mais uma penca de hits. 'Spirit' chega em 76 puxado pelo sucesso da faixa 'Getaway' e da agora quase obsessiva paixão pela MPB, em especial por Milton Nascimento e Ivan Lins, que torna-se explícita no álbum 'All 'N' All' de 77, mais um duplo platinado e ainda meu predileto, contando com clássicos como 'Jupiter', 'Fantasy', 'Serpentine Fire', 'I'll Write A Song For You' (linda demaaaaiiis!!!), etc. É merecedor de destaque que, por essa época, o domínio da disco music era sufocante mas a banda desfilou de maneira notável pelo período, apesar de poucas e muito bem calculadas concessões ao gênero. Algumas boas bandas funky sucumbiram ou entregaram-se ao estilo. Essa galera de Chicago não, antes elevou seu nível com suas parcas incursões por ele.
Quebrando a tradição de um disco ao ano, 78 é dedicado à estrada e suas apresentações transformam-se em verdadeiros megaespetáculos de muita música, suor e pirotecnia. E mais: abocanham 3 Grammy por 'Got To Get You Into My Life' (do filme 'Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band').
Só para termos uma idéia da popularidade -sempre acompanhada de muito prestígio por parte da crítica- da banda por essa época, a primeira compilação oficial, com a inclusão da inédita 'September', foi triplo platina. Até nosso ministro tropicalista rendeu-se ao groove dos caras ao utilizar de seus serviços -principalmente o emblemático e excepcional naipe de sopros- em 'Realce', último de sua excelente trilogia 'Re'.
Em 79 soltam 'I Am' que, puxado por 'Boogie Wonderland' com as The Emotions, mantém o pique e muitos consideram esta música o epitáfio da era disco. Incansáveis, quando não estão compondo, em estúdio ou produzindo alguém, mantém-se com o pé na estrada. Ainda bem, pois esta estrada acabou por se estender até a Cidade Maravilhosa e, ao final da longa turnê, fui contemplado com um dos melhores shows que já assisti (perdi uns 5 quilos aquela noite!). E ainda lançaram um álbum duplo, o belíssimo 'Faces'.
Em 81 lançam o bom 'Raise!', carregado nas costas pelo enorme sucesso de 'Let's Groove'. Em 83, o irregular 'Powerlight' mas, como de hábito, recheado de sucessos e ainda o fraquíssimo 'Electric Universe'.
Era chegada a hora de uma parada para reciclagem e projetos pessoais. Nesse quesito, Phillip Bailey foi o mais bem sucedido com 'Easy Lover', em dueto com Phil Collins.
Passaram-se longos quatro anos antes do lançamento de 'Touch The World' e o público agradeceu este retorno levando o primeiro single extraído do álbum, 'System Of Survival', ao topo das paradas. Mesmo assim, resolvem fugir do ritmo alucinante empreendido durante os anos 70 e só voltam a lançar um novo trabalho em 90, o fraco 'Heritage'.
Em 93, retornam à Warner para o lançamento do apenas razoável 'Millenium'.
O ano de 95 traz uma péssima notícia: Maurice White é diagnosticado com Parkinson e resolve se retirar das turnês para tratamento mas continua participando de todas as etapas de criação/produção e ainda mantendo as rédeas bem apertadas sobre tudo que diga respeito à banda.
E assim, em 97, lançam 'In The Name Of Love', uma equivocada tentativa de retornar ao sucesso de forma rasteira. A redenção só viria em 2003 com 'The Promise', um excelente trabalho e nivelado a seus melhores, já pelo seu selo Kalimba Records -que também, finalmente!, lançou 'Live In Rio'.
'Illuminations'(2005) é seu último lançamento e, se não está entre os melhores, com certeza também não está entre os piores. É apenas um honesto e bom trabalho que ainda conta com várias participações especiais.

Gallera, quase todos estes álbuns estão no post. O 'quase' fica por conta da ausência do 'Live In Rio', até porque não sabia de seu lançamento em 2002 e, apesar de algumas tentativas, não o encontrei na rede. Assim, fica o apelo para que alguma alma caridosa me forneça este link para poder completar esta discog. Tenho, ainda, o excelente box-set 'The Eternal Dance'(92) mas esse fica para uma próxima.
Em compensação, 'roubei' da Neide, a Thomb Raider Dos Links Perdidos e titular do Portfolio X, uma excelente curiosidade: a OST do protoblaxploitation 'Sweet Sweetback's Badass Song', talvez o primeiro registro da Earth, Wind & Fire em sua forma embrionária.


EXTRAS