
O
Earth, Wind & Fire, acredito, dispensa apresentações. Faz parte daquela parcela privilegiada de bandas
funky -aí inseridas
War, Mandrill, The JB's, Sly & The Family Stone, Parliament, Funkadelic, The Commodores, The Bar-Kays, Ohio Players, Kool & The Gang e pouquíssimas outras- cujo som tem uma identidade tão forte que são facilmente reconhecidas logo aos primeiros acordes.
O
EW&F surgiu em 69 quando
Maurice White, renomado baterista do circuito de
jazz, sai do prestigiado
Ramsey Lewis Trio e, junto a
Wade Flemmons (teclados) e
Don Whitehead (guitarra), assina um contrato com a
Capitol Records e, agora como
Salty Peppers, consegue emplacar um pequeno sucesso local. Com o fracasso do segundo single, mudam o nome para
Earth, Wind & Fire -extraído dos elementos que fazem parte do signo de
Maurice, Sagitário- e arregimentam outros músicos, entre eles
Verdine White (baixo), irmão de Maurice, e assinam com a
Warner Bros.. O
line-up é fechado com a incrível marca de 10(!!!) músicos.
Já em 70, lançam seu primeiro e auto-intitulado álbum que, apesar do sucesso de crítica, obtem modesta vendagem. O mesmo ocorre com o trabalho seguinte,
'The Need Of Love'(71), mas já lançando, mesmo que tímidamente, as bases do som do
EW&F. No entanto, a gravadora, não sabendo como 'trabalhar' a banda, os deixa escorrer pelas mãos e o lendário
Clive Davis, 'midas' da
CBS, se apaixona pelo
r&b/funky étnico da banda e resolve apostar alto em
Maurice White & Co.
Maurice aproveita e inicia uma profunda reformulação da banda -sobram apenas ele e Verdine- e
'Last Days & Time'(72) já conta com
Phillip Bailey e
Jessica Cleaves (vocais),
Ronnie Laws (flauta/saxes),
Roland Bautista (guitarra),
Larry Dunn (teclados) e
Ralph Johnson (percussão) na formação. Aqui, já temos a sonoridade do
EW&F a caminho de uma definição e com a estréia da
kalimba, instrumento de percussão africano (um amigo,
Jolt, fabrica este instrumento e o apelidei de 'vibrafone de bolso'), que tornou-se um dos emblemas sonoros da banda. Em 73 chega
'Head To The Sky' e novas mudanças na formação com a entrada de
Al Mckay (guitarra) e
Andrew Woolfolk (sax/flauta), em substituição a
Laws e
Bautista, e adicionando uma segunda guitarra a cargo de
Johnny Graham. E o sucesso, de maneira um tanto tímida mas firme, finalmente chega com o
single 'Evil', extraído do álbum. E foi por essa época, e através desse
single que tenho até hoje em 45 rpm
imported, que conheci a banda e...chapei!
Em 74, com a formação estabilizada e sob as rédeas curtíssimas de
Maurice White, lançam o trabalho que marca a virada no
status da banda:
'Open Our Eyes'. Deste álbum são extraídos
'Mighty Mighty' e
'Devotion', dois grandes sucessos, tornando-os nacionalmente reconhecidos. É, também, o momento em que alimentam ainda mais as antes tímidas experimentações com o
jazz, caribe e africanidades adicionando elementos de MPB, uma antiga paixão de Maurice e que os diferenciará das demais bandas do gênero. Não a toa é seu primeiro Disco de Platina.
Em 75, adicionam
Fred White (nepotismo?) à bateria e lançam o disco/filme
'That's The Way Of The World'. Apesar de o filme ser uma tremenda 'roubada', a trilha sonora é recheada de sucessos e só aumenta o prestígio da banda, a esta altura já considerada uma das melhores em um palco. E ainda encontram espaço na agenda para
'Gratitude', um duplo
mix de
alive, sobras e inéditas que emplaca mais uma penca de
hits.
'Spirit' chega em 76 puxado pelo sucesso da faixa
'Getaway' e da agora quase obsessiva paixão pela MPB, em especial por
Milton Nascimento e
Ivan Lins, que torna-se explícita no álbum
'All 'N' All' de 77, mais um duplo platinado e ainda meu predileto, contando com clássicos como
'Jupiter',
'Fantasy',
'Serpentine Fire',
'I'll Write A Song For You' (linda demaaaaiiis!!!), etc. É merecedor de destaque que, por essa época, o domínio da
disco music era sufocante mas a banda desfilou de maneira notável pelo período, apesar de poucas e muito bem calculadas concessões ao gênero. Algumas boas bandas
funky sucumbiram ou entregaram-se ao estilo. Essa galera de
Chicago não, antes elevou seu nível com suas parcas incursões por ele.
Quebrando a tradição de um disco ao ano, 78 é dedicado à estrada e suas apresentações transformam-se em verdadeiros megaespetáculos de muita música, suor e pirotecnia. E mais: abocanham 3
Grammy por
'Got To Get You Into My Life' (do filme
'Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band').
Só para termos uma idéia da popularidade -sempre acompanhada de muito prestígio por parte da crítica- da banda por essa época, a primeira compilação oficial, com a inclusão da inédita
'September', foi triplo platina. Até nosso ministro tropicalista rendeu-se ao
groove dos caras ao utilizar de seus serviços -principalmente o emblemático e excepcional naipe de sopros- em
'Realce', último de sua excelente trilogia 'Re'.
Em 79 soltam
'I Am' que, puxado por
'Boogie Wonderland' com as
The Emotions, mantém o pique e muitos consideram esta música o epitáfio da era
disco. Incansáveis, quando não estão compondo, em estúdio ou produzindo alguém, mantém-se com o pé na estrada. Ainda bem, pois esta estrada acabou por se estender até a
Cidade Maravilhosa e, ao final da longa turnê, fui contemplado com um dos melhores
shows que já assisti (perdi uns 5 quilos aquela noite!). E ainda lançaram um álbum duplo, o belíssimo
'Faces'.
Em 81 lançam o bom
'Raise!', carregado nas costas pelo enorme sucesso de
'Let's Groove'. Em 83, o irregular
'Powerlight' mas, como de hábito, recheado de sucessos e ainda o fraquíssimo
'Electric Universe'.
Era chegada a hora de uma parada para reciclagem e projetos pessoais. Nesse quesito,
Phillip Bailey foi o mais bem sucedido com
'Easy Lover', em dueto com
Phil Collins.
Passaram-se longos quatro anos antes do lançamento de
'Touch The World' e o público agradeceu este retorno levando o primeiro
single extraído do álbum,
'System Of Survival', ao topo das paradas. Mesmo assim, resolvem fugir do ritmo alucinante empreendido durante os anos 70 e só voltam a lançar um novo trabalho em 90, o fraco
'Heritage'.
Em 93, retornam à
Warner para o lançamento do apenas razoável
'Millenium'.
O ano de 95 traz uma péssima notícia:
Maurice White é diagnosticado com
Parkinson e resolve se retirar das turnês para tratamento mas continua participando de todas as etapas de criação/produção e ainda mantendo as rédeas bem apertadas sobre tudo que diga respeito à banda.
E assim, em 97, lançam
'In The Name Of Love', uma equivocada tentativa de retornar ao sucesso de forma rasteira. A redenção só viria em 2003 com
'The Promise', um excelente trabalho e nivelado a seus melhores, já pelo seu selo
Kalimba Records -que também, finalmente!, lançou
'Live In Rio'.
'Illuminations'(2005) é seu último lançamento e, se não está entre os melhores, com certeza também não está entre os piores. É apenas um honesto e bom trabalho que ainda conta com várias participações especiais.
Gallera, quase todos estes álbuns estão no
post. O 'quase' fica por conta da ausência do
'Live In Rio', até porque não sabia de seu lançamento em 2002 e, apesar de algumas tentativas, não o encontrei na rede. Assim, fica o apelo para que alguma alma caridosa me forneça este
link para poder completar esta
discog. Tenho, ainda, o excelente
box-set 'The Eternal Dance'(92) mas esse fica para uma próxima.
Em compensação, 'roubei' da
Neide, a
Thomb Raider Dos Links Perdidos e titular do
Portfolio X, uma excelente curiosidade: a OST do
protoblaxploitation 'Sweet Sweetback's Badass Song', talvez o primeiro registro da
Earth, Wind & Fire em sua forma embrionária
.