Esse post é dedicado com muito carinho à Beth, Primeira-Dama do Seres Da Noite, fã de carteirinha de The Moody Blues.
Beijos!
Beijos!
Estou protelando este post há um bom tempo pois, sinceramente, não sei o que dizer a respeito desta banda, que já não seja por demais conhecido. Bem, vou tentar acrescentar algo.
Tomei ciência da existência do The Moody Blues, acredito que como quase todos de minha geração, através de 'Nights In White Satin' de 'Days Of Future Passed'(67), seu primeiro álbum com a formação e estilo que os tornaram famosos -Justin Hayward (vocais/guitarra), John Lodge (vocais/baixo), Mike Pinder (teclados/mellotron/chamberlin/vocais), Ray Thomas (flautas/percussão/vocais) e Graeme Edge (bateria/percussão). Desde sempre dormi com um radinho de pilha escondido debaixo do travesseiro escutando as AMs da época, Tamoyo e Mundial. E foi numa dessas preparações para me entregar aos delírios de Morfeu que escutei este verdadeiro hino, uma balada completamente diferente de tudo que havia escutado antes, com um singular arranjo de cordas sinfônico e com uma estrutura vocal incomum para uma banda de rock. Um tema mezzo bluesy, mezzo erudito e ao mesmo tempo ingênuo e que, mesmo sem saber nada de inglês em meus 8 aninhos, parecia me guiar com segurança aos meus sonhos. Ninguém podia adivinhar que com aquela canção, e o disco a que ela pertencia, estava surgindo a primeira banda prog rock da história, mesmo este termo ainda não tendo sido cunhado à época.
O disco é um verdadeiro marco no rock pois, além de conceitual já que descrevia de maneira singela a rotina de um homem comum, foi o primeiro a utilizar de forma ostensiva dos serviços de uma sinfônica, a The London Festival Orchestra, e com um resultado impressionante -seja musicalmente, seja na qualidade perfeita da gravação. Aliás, o apuro na engenharia de som em todos os trabalhos da banda é um caso a parte e o produtor Tony Clarke desempenhou um papel fundamental nesta área. Desnecessário dizer que 'Nights In White Satin' usurpou todos os primeiros lugares dos hit parades em todo o mundo, um verdadeiro fenômeno. Um caso raro de perfeito casamento entre prestígio e popularidade.
E como manter sucesso tão estrondoso? A opção escolhida pela banda foi ousar cada vez mais. E assim sucederam-se álbuns, na sua grande maioria conceituais, cada vez mais rebuscados e com temas os mais diversos. Experimentações várias, uso de diversos e -muitas vezes- exóticos instrumentos sempre tocados pelos próprios membros, a já citada excelência da engenharia sonora e a liberdade criativa proporcionada pela abertura de um selo próprio -Threshold- ajudaram a forjar o som, mais próximo da linguagem folk prog, dos Moodies, como são carinhosamente chamados. É i-m-p-o-s-s-í-v-e-l não reconhecer a banda já em seus primeiros acordes.
Entre 67 e 72 -a chamada golden age- foi a banda prog recordista de vendagens e sempre mantendo o prestígio em alta. É muito difícil, para não dizer impossível, determinar o melhor álbum desta primeira fase. No meu caso, tenho uma predileção por 'Every Good Boy Deserves Favour'(71), simplesmente por conter uma sequência matadora logo na abertura com 'Procession'/'The Story In Your Eyes', uma verdadeira aula de história da música em que são utilizados -segundo conta a lenda?- mais de 30 instrumentos musicais.
Após a turnê de 'Seventh Sojourn'(72), resolvem fazer um hiato por tempo indeterminado com o objetivo de tocar suas carreiras-solo e durante este período lançaram uma dúzia de álbuns, a grande maioria de Hayward e Lodge (os compositores mais prolíficos da banda), e todos de enorme aceitação.
Este hiato termina em 77 quando anunciam o seu retorno aos estúdios, apesar do desrespeito de sua antiga gravadora que lança um álbum gravado em 69 -'Caught Live + 5'- extremamente mal mixado e contendo 5 sobras de estúdio para atender à demanda de um público ávido por um novo trabalho. Mesmo assim, retornam com o apenas bom 'Octave'(78), demonstrando uma aparente tendência a canções mais curtas e desvinculadas de conceito, mas com qualidade suficiente para saciar a saudade dos fãs. No entanto, Pinder recusa-se a excursionar sendo substituído por nosso velho conhecido Patrick Moraz. O que parecia improvável -a substituição de um membro tão importante já que, além de fundador, seu mellotron e, posteriormente, o chamberlin (instrumentos que ajudou a desenvolver e foi principal endorser) eram marca registrada da banda- mostrou-se perfeitamente viável e, em 81, lançam a obra-prima desta sua segunda fase: 'Long Distance Voyager', um trabalho notável da primeira à última faixa e digno de qualquer outro álbum de sua fase áurea, além de trazer de volta -mesmo que parcialmete- a proposta de obra conceitual. O resultado foi um novo boom da banda. Um detalhe curioso é que as músicas de trabalho deste álbum não emplacaram por aqui mas, sim, 'Talking Out Of Turns'. E fomos muito felizes nesta escolha pois é, realmente, uma das melhores -se não a melhor- faixa.
A partir de então passam a lançar discos com regularidade, todos muito bons, mas com uma certa atmosfera burocrática e, durante esse percurso, perderam Moraz e Thomas. Hoje, reduzidos a um trio, continuam a lançar discos -o último de estúdio é o fraquinho 'December'(2003), um indefectível disco natalino- e a excursionar acompanhados de músicos contratados e, eventualmente, por uma sinfônica.
Antes que me questionem porque não coloquei nenhuma daquelas inúmeras compilações que abordam a formação inicial da banda, esclareço que foi propositalmente visto o estilo ser completamente diferente, já que voltado para o r&b e, além disso, é muito fácil pescar boiando pela rede.
Atraquem-se a estes links pois The Moody Blues é fundamental!
Tomei ciência da existência do The Moody Blues, acredito que como quase todos de minha geração, através de 'Nights In White Satin' de 'Days Of Future Passed'(67), seu primeiro álbum com a formação e estilo que os tornaram famosos -Justin Hayward (vocais/guitarra), John Lodge (vocais/baixo), Mike Pinder (teclados/mellotron/chamberlin/vocais), Ray Thomas (flautas/percussão/vocais) e Graeme Edge (bateria/percussão). Desde sempre dormi com um radinho de pilha escondido debaixo do travesseiro escutando as AMs da época, Tamoyo e Mundial. E foi numa dessas preparações para me entregar aos delírios de Morfeu que escutei este verdadeiro hino, uma balada completamente diferente de tudo que havia escutado antes, com um singular arranjo de cordas sinfônico e com uma estrutura vocal incomum para uma banda de rock. Um tema mezzo bluesy, mezzo erudito e ao mesmo tempo ingênuo e que, mesmo sem saber nada de inglês em meus 8 aninhos, parecia me guiar com segurança aos meus sonhos. Ninguém podia adivinhar que com aquela canção, e o disco a que ela pertencia, estava surgindo a primeira banda prog rock da história, mesmo este termo ainda não tendo sido cunhado à época.
O disco é um verdadeiro marco no rock pois, além de conceitual já que descrevia de maneira singela a rotina de um homem comum, foi o primeiro a utilizar de forma ostensiva dos serviços de uma sinfônica, a The London Festival Orchestra, e com um resultado impressionante -seja musicalmente, seja na qualidade perfeita da gravação. Aliás, o apuro na engenharia de som em todos os trabalhos da banda é um caso a parte e o produtor Tony Clarke desempenhou um papel fundamental nesta área. Desnecessário dizer que 'Nights In White Satin' usurpou todos os primeiros lugares dos hit parades em todo o mundo, um verdadeiro fenômeno. Um caso raro de perfeito casamento entre prestígio e popularidade.
E como manter sucesso tão estrondoso? A opção escolhida pela banda foi ousar cada vez mais. E assim sucederam-se álbuns, na sua grande maioria conceituais, cada vez mais rebuscados e com temas os mais diversos. Experimentações várias, uso de diversos e -muitas vezes- exóticos instrumentos sempre tocados pelos próprios membros, a já citada excelência da engenharia sonora e a liberdade criativa proporcionada pela abertura de um selo próprio -Threshold- ajudaram a forjar o som, mais próximo da linguagem folk prog, dos Moodies, como são carinhosamente chamados. É i-m-p-o-s-s-í-v-e-l não reconhecer a banda já em seus primeiros acordes.
Entre 67 e 72 -a chamada golden age- foi a banda prog recordista de vendagens e sempre mantendo o prestígio em alta. É muito difícil, para não dizer impossível, determinar o melhor álbum desta primeira fase. No meu caso, tenho uma predileção por 'Every Good Boy Deserves Favour'(71), simplesmente por conter uma sequência matadora logo na abertura com 'Procession'/'The Story In Your Eyes', uma verdadeira aula de história da música em que são utilizados -segundo conta a lenda?- mais de 30 instrumentos musicais.
Após a turnê de 'Seventh Sojourn'(72), resolvem fazer um hiato por tempo indeterminado com o objetivo de tocar suas carreiras-solo e durante este período lançaram uma dúzia de álbuns, a grande maioria de Hayward e Lodge (os compositores mais prolíficos da banda), e todos de enorme aceitação.
Este hiato termina em 77 quando anunciam o seu retorno aos estúdios, apesar do desrespeito de sua antiga gravadora que lança um álbum gravado em 69 -'Caught Live + 5'- extremamente mal mixado e contendo 5 sobras de estúdio para atender à demanda de um público ávido por um novo trabalho. Mesmo assim, retornam com o apenas bom 'Octave'(78), demonstrando uma aparente tendência a canções mais curtas e desvinculadas de conceito, mas com qualidade suficiente para saciar a saudade dos fãs. No entanto, Pinder recusa-se a excursionar sendo substituído por nosso velho conhecido Patrick Moraz. O que parecia improvável -a substituição de um membro tão importante já que, além de fundador, seu mellotron e, posteriormente, o chamberlin (instrumentos que ajudou a desenvolver e foi principal endorser) eram marca registrada da banda- mostrou-se perfeitamente viável e, em 81, lançam a obra-prima desta sua segunda fase: 'Long Distance Voyager', um trabalho notável da primeira à última faixa e digno de qualquer outro álbum de sua fase áurea, além de trazer de volta -mesmo que parcialmete- a proposta de obra conceitual. O resultado foi um novo boom da banda. Um detalhe curioso é que as músicas de trabalho deste álbum não emplacaram por aqui mas, sim, 'Talking Out Of Turns'. E fomos muito felizes nesta escolha pois é, realmente, uma das melhores -se não a melhor- faixa.
A partir de então passam a lançar discos com regularidade, todos muito bons, mas com uma certa atmosfera burocrática e, durante esse percurso, perderam Moraz e Thomas. Hoje, reduzidos a um trio, continuam a lançar discos -o último de estúdio é o fraquinho 'December'(2003), um indefectível disco natalino- e a excursionar acompanhados de músicos contratados e, eventualmente, por uma sinfônica.
Antes que me questionem porque não coloquei nenhuma daquelas inúmeras compilações que abordam a formação inicial da banda, esclareço que foi propositalmente visto o estilo ser completamente diferente, já que voltado para o r&b e, além disso, é muito fácil pescar boiando pela rede.
Atraquem-se a estes links pois The Moody Blues é fundamental!
Days Of Future Passed(67)
In Search Of The Lost Chord(68)
On The Threshold Of A Dream(69)
Every Good Boy Deserves Favour(71)
Octave(78)
Long Distance Voyager(81)
Sur La Mer(88)
Keys Of The Kingdom(91)
Strange Times(99)(link fixed)
SELECTED LIVE RECORDS




