segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

VELVET OPERA


Uma vez mais, meu perfeccionismo não me permite dar por findo um trabalho. E desta vez estou falando da carreira de Elmer Gantry (aka Dave Terry), uma personalidade fascinante e cuja interessante carreira descortinou-se para mim nas pesquisas dedicadas a encontrar material da Stretch, objeto de postagem imediatamente anterior a esta. Assim, lá fui eu atrás da Velvet Opera, mesmo tendo um certo receio por grande parte do que convencionou-se chamar por psicodelia, mormente seja um admirador  do movimento e o considere um dos mais influentes da história da música. Ocorre que, a partir de um determinado momento, toda a indústria musical passou a utilizar-se do gênero para acessar as hit parades, muitas vezes apenas inserindo uma cítara aqui, uma guitarrinha fuzzy ali e versos infantis e sem sentido aparente emoldurado por vocalizações tatibitati acolá, como se a isso se resumisse a lisergia. E nunca se vendeu tanto de Lewis Carroll e sua anti-heroína Alice. E o movimento, que partia da premissa da diversidade e liberdade de ideias e ideais, tornou-se chato, modorrento e até mesmo ridicularizado.
Mas, no meio de toda a empulhação, alguns excelentes nomes -além daqueles ícones do gênero tanto na vertente americana como na inglesa e que julgo desnecessário enumerar- vieram à tona e a Velvet Opera está entre estes. E tudo partiu das cinzas de uma banda formada por Dave Terry (vocais/guitarra), Colin Forster (guitarra), Jimmy Horrocks (teclados), John Ford (baixo/vocais) e Richard Hudson (bateria/percussão/vocais) que optou por trocar a blue eyed soul  que praticavam nos clubs londrinos pela sonoridade regada a ácido que ainda engatinhava à época. Fazendo do talento autoral, do vocal estupendo e  da figura carismática de Terry (agora já assumindo a persona de Elmer Gantry) seu principal alicerce -a ponto de adicionarem-no ao nome da banda-, alcançaram um relativo sucesso e angariaram admiradores, entre eles Jimmy Page que incluiu 'Flames' em diversos set lists da melhor das melhores de todos os tempos. Mas seu primeiro Lp guarda outras pepitas, como a destruidora sequência inicial com 'Intro'/'Mother Writes' e o inocente libelo banido das rádios, 'Mary Jane' (sim, o motivo foi a malfadada apologia àquela querida erva), entre outrras. Mas, como nem tudo é regado a LSD e flores nos cabelos, o fantasma das tais divergências musicais -Gantry apregoava um retorno às origens r&r/r&b,  enquanto a cozinha Hudson-Ford já apontava  em uma direção folk que, mais à frente, desembocaria na Strawbs- começou a assombrar os bastidores daquela ópera e...


RS

MU


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...Gantry e Forster resolvem seguir outros rumos. Neste momento, Hudson e Ford assumem o controle e convidam um ainda ilustre desconhecido Paul Brett e Johnny Joyce para se ocuparem das 6 e 12 cordas e modificam radicalmente a sonoridade da banda em 'Ride A Hustler's Dream'(69), agora mais folk mas ainda com algumas pitadas ácidas no tempero. Surpreendentemente, um belo disco mesmo sendo o oposto da proposta inicial da banda.
Bem, o resto da história segue o mesmo roteiro de tantas outras bandas. A diferença é que nem todas geraram frutos tão saborosos como o que ousei nomear Triplo 'S' - Strawbs, Sage e Stretch.



RS

MU

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

CRÁSSICOS XXI:STRETCH-ELASTIQUE(1975)

Antes de mais nada devo esclarecer que, apesar de conhecer a Stretch desde o nascedouro através do single 'Why Did You Do It?', um hit pessoal quando carrapetava como MonoStéreo em festas para amigos e amigos dos amigos dos amigos, e há até bem pouco tempo ser orgulhoso possuidor de seus 2 primeiros Lps, nada - mas n-a-d-a, meeeessmo!!! - sabia de seu passado, presente e, menos ainda, futuro há até uns 3-4 anos quando, despreocupadamente comecei a buscar por estes trabalhos pela rede e me deparei com informações que só me deixavam cada vez mais curioso a respeito não só da banda como de cada um de seus integrantes.
E um destes integrantes em especial decobri ser, de certa forma, objeto de culto: Elmer Gantry (aka Dave Terry). Não chegaria a tanto, apesar de considerá-lo compositor inspiradíssimo e dono de um gogó marcante, mas entendo perfeitamente os motivos de tanto respeito. E tudo começou quando Terry, que utilizava o codinome Elmer Gantry em homenagem ao anti-herói criado por Sinclair Lewis, forma, ainda em meados dos 60's, a também cultuadíssima Velvet Opera, um supergrupo que revelou ainda John Ford e Richard Hudson, e, apesar do sucesso, resolve pedir o chapéu (a propósito, sua indumentária recorria-se deste item acrescido de uma capa, também em alusão a seu personagem predileto) e, após alguns singles solo e projetos avulsos, monta, com o prodígio revelado na Curved Air Kirby Gregory (guitarras/teclados/vocais), John Wilkinson (teclados), Steve Emery (baixo/vocais) e Jim Russell (bateria/percussão), a Stretch com forte ajuda do empresário da Fleetwood Mac, o 'tubarão' Clifford Davis. E se, até aqui, a história desta banda apresenta-se como  a de tantas outras, também neste instante toma rumos inesperados graças a um lamentável episódio envolvendo justamente o citado predador e sua voracidade por dinheiro. Em 74, com sua banda mais rentável estourando em todo o mundo porém exaustos e gozando de merecidas férias, Davis resolve fazer uns trocados extras e agenda alguns shows de menor repercussão em cidades mais afastadas e os anuncia como -talvez valendo-se da semelhança física de Terry com Bob Welch, mas esquecendo de convidar uma mulher para emular Christine McVie- ...Fleetwood Mac!!! Desnecessário dizer que todo este imbroglio não acabou nada bem, com processos e mais processos a enriquecer uma legião de advogados.
Como parte do acordo conseguem um contrato para a gravação de 'Why Did You Do It?', um desabafo a respeito daquele lamentável episódio, e a boa repercussão garantiu-lhes a gravação do magistral 'Elastique' em seguida. O convincente sucesso de público e crítica garantiu-lhes turnês como suporte de algumas das grandes bandas da época e até mesmo como headliners.
Incansáveis, já no ano seguinte, agora um quarteto após a saída de Wilkinson e com Jeff Rich cuidando das baquetas, lançam mais um inspirado petardo, 'You Can't Beat Your Brain For Entertainment', de sucesso modesto se comparado ao seu antecessor mas ainda mantendo-os com muito respeito profissional e sempre em turnês. Segue-se 'Lifeblood', já com a banda em processo de desgaste, devido às tais 'diferenças musicais' e suspeitas de desvio de verbas apesar de centenas de shows lotados,  e por isso o mix de outtakes e material novo, além de um honesto cover de 'Rock'N'Roll Hoochie Coo', que surpreende pela qualidade apesar de tudo.
Às vésperas do início das gravações de mais um disco, Terry/Gantry e Rich resolvem picar a mula, este último em busca da segurança da Status Quo. A saída foi Kirby, um fantástico músico, assumir as rédeas e com a ajuda de Nicko McBrain (sim, aquele mesmo que posteriormente veio a servir nas fileiras da 'Donzela de Ferro') nos tambores finalizar, recheado daquelas tais boas intenções de que o inferno está lotado, o confuso 'Forget The Past' em 78.
Essa é mais uma daquelas bandas que tinham tudo para tornarem-se grandes -afinal, neste caso, tinha entre seus maiores admiradores o influente crítico Chris Welch- mas acabaram derrotadas pelo péssimo gerenciamento da carreira.
E já antevendo que a gAllera, cheia de larica e após servir-se do prato principal, não se daria por satisfeita, decidi postar a discog completa de uma das finas iguarias de um cardápio que poucos conheceram no momento de seu surgimento. Eu fui um dos agraciados com esta sorte mas nunca é tarde para sabores cujas descobertas valem muito a pena.



(G&B Remasters)



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Forget The Past
(G&B Remasters)  
(nunca encontrei a capa deste Lp e, se alguém 
souber onde conseguir,  é só rolar a bagana)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

ELECTRIC OUTLET-ON!(2006)


Para não deixar serviço por fazer, inicio o novo ano completando o que ficou inacabado no anterior. Bem, na verdade, continuará inacabado. Ocorre que na postagem dedicada ao álbum 'Modern Hippie' da Errorhead, citei alguns dos trabalhos anteriores de herr Marcus Deml, dentre eles, este excelente combo fusion completado por Frank Itt (baixo e comparsa na Errorhead), Tom Aeschbacher (teclados) e Ralf Gustke (bateria/percussão). Além deste, existem mais 2 trabalhos, sob a bandeira Errorhead mas com uma abordagem mais eletrônica e que, a despeito de algum material interessante e à excelência da execução de Deml, não acrescentam nada à sua discografia e, portanto, não serão disponibilizados aqui no G&B. No entanto, acredito, os eventuais interessados não terão muita dificuldade em encontrá-los boiando pela grande rede.