
Sei que os queridos amigos
progheads que aportam por aqui já devem ter há muito esse mais recente disco da
Karmakanic, mas não poderia deixar passar em branco este que é considerado um dos melhores trabalhos do último ano no gênero. E, como previa, dosando peso de seu primeiro lançamento, o magistral
'Entering The Spectra', com as etéreas paisagens musicais muitas vezes utilizadas em demasia de
'Wheel Of Life'. Se você ainda não conhece a banda pode começar por este excelente cartão de visitas e, em se aprovando, os demais estão logo aí abaixo.
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Originalmente postado em 18.08.2008

Espero que tenham queimado muitas gorduras ao som do
post anterior pois este aqui é de parar tudo e ouvir com muita atenção. Não porque seja menos estimulante, muito pelo contrário.
Karmakanic é, na verdade, filhote de uma das mais respeitadas bandas do
new prog, a sueca
The Flower Kings, e não apenas um de seus inúmeros projetos. Além de ostentar uma qualidade musical perturbadora.
Liderada pelo estupendo baixista/tecladista/compositor
Jonas Reingold, contando com seu parceiro baterista
Zoltan Csörsz, ambos membros fundadores da
TFK, e ainda
Göran Edman -um veterano do gogó com um currículo invejável- e a guitarra precisa e criativa de
Krister Jonsson, é impossível aos admiradores do
prog clássico ficar indiferente à música produzida pela banda.
Em
2002, com algumas idéias que pouco fariam sentido na sua banda de origem,
Reingold sentia-se compelido a colocar esses conceitos para fora. Encaixadas todas as peças, registrar e lançar este material era só questão de muito suor e assim, no mesmo ano em que foi criada, a
Karmakanic estreia com o magistral
'Entering The Spectra'. Seu conteúdo, de tão bom, conseguiu agradar a gregos e troianos. Ou seria melhor
headbangers e
progheads?
Há alguns anos, poucas bandas conseguiriam este feito, mas a fusão do
metal com o
prog já não é mais novidade pois inúmeras bandas, tendo como principais expoentes, cada um à sua maneira,
Dream Theater,
Opeth e
Porcupine Tree, além de terem conseguido muito sucesso nesta aproximação, criaram muitos seguidores. O notável neste feito é que não estamos falando de uma banda de
prog metal ou
heavy prog ou
melodic metal ou seja lá que termo escolham.
Karmakanic está acima deste conceito pois, se tem suas passagens pesadas estimuladas pelo uso de timbres mais
crunch de guitarra, consegue trazer o rebuscamento, a delicadeza, a placidez etérea e a polirritmia inerentes ao
prog e quase sempre ausentes na sua mistura com o seu parceiro mais pesado. E com a vantagem -muito pela excelente forma vocal de
Göran Edman aos 52 anos!!!- de adicionar ao excelente nível de harmonização vocal, marca registrada da
TFK, ecos de
Queen e
10CC . O saldo foi prêmios e mais prêmios por toda a
Europa. Até porque nunca ouviram uma versão tão radical e, ao mesmo tempo, respeitosa de 'Cello Suite # 1 In G Major' de
J.S. Bach toda executada por
Reingold em seu
fretless bass. Ouve-se o falante de seu amplificador -muito provavelmente, um
Gallien-Krueger-
peidando!!! Um conselho: a audição desta peça em volume exagerado pode prejudicar seu equipamento e/ou seus tímpanos, no caso do uso de
headphones.
Em
2004 lançam
'Wheel Of Life' e quem esperava um trabalho rolando no mesmo trilho de seu cultuado predecessor, teve uma baita surpresa. Talvez no intuito de prestar uma homenagem às suas maiores influências, ouvem-se claros matizes de
Yes,
Genesis,
Frank Zappa e
King Crimson. É um ótimo disco mas prejudicado pela pressa, o excesso de trabalho -afinal, por esse período ocorreu o estouro da
TFK e os demais músicos também são extremamente requisitados para diversos projetos- e com
Reingold decidido a ocupar-se da autoria de todas as (apenas boas) canções. O resultado ficou aquém do esperado, com teclados em excesso dando uma certa empastelada. Até mesmo as inspiradas harmonizações vocais e as sempre certeiras pontuações da guitarra de
Jonsson acabaram um pouco escondidas na
mixagem.
Ainda assim, confio na
Karmakanic como uma das maiores promessas de um gênero cuja sobrevivência de suas bandas/músicos -mais do que de virtuosismo- passa, necessariamente, pelo exercício constante da criatividade e pela busca incessante de -ou rasgos de- originalidade. E isso a
Karmakanic tem de sobra.