O ano é 1971. O dia, um domingo qualquer de matinê no Fluminense FC, o saudoso 'Sorvetão Dançante'. De repente, das potentes caixas de som do salão, começam a rufar tambores e percussões latinas como que indicando estarmos diante de uma nova música da Santana Band. Neste instante, como de hábito quando ouvia algo que me interessasse, corri para os responsáveis pelas carrapetas com plena certeza de confirmar a informação e descobri tratar-se de uma banda chamada Titanic e a música, 'Santa Fé'. Já no dia seguinte comecei a percorrer as lojinhas de Laranjeiras e arredores atrás daquele compacto simples, sem sucesso. Passados alguns meses, deparo-me com um LP da banda chamado 'Sea Wolf'(71) que, mesmo não contando com aquela música em seu track list ('Santa Fé' foi lançado apenas como single e posteriormente incluida como bonus no lançamento digital de seu álbum de estreia), me pegou em cheio e não tive dúvidas em levá-lo para fazer companhia a meus Zeppelins, Whos, Santanas, Tulls, Stones e afins. E tudo porque o disco era surpreendentemente totalmente excelente demais e, ao contrário do que supunha, sua sonoridade não se resumia aos arroubos afro-latinos, não indo muito além da faixa 'Sultana', até hoje o maior sucesso da banda. Na verdade, a Titanic é uma estupenda banda de hard rock com bem dosadas pitadas de latinidade, r&b e power pop.
A partir de então passei a colecionar seus trabalhos conforme iam sendo lançados -não sem antes conseguir o álbum de 70 auto-intitulado- e somente uns 3 anos depois descobri que esta contagiante banda formada por Roy Robinson (vocais), Janny Loseth (guitarras/vocais), Kenny Aas (teclados/baixo), Kjell Asperud (percussão/vocais) e John Lorck (bateria) era nativa da Noruega -pois é, meninos e meninas, o mundo não foi criado já cabeado para internet e informações de qualquer ordem eram muito difíceis de conseguir. E a cada disco percebia-se claramente a evolução da banda, apesar da qualidade de todos os integrantes como músicos -principalmente, Roy Robinson, o único de nacionalidade britânica e desde sempre para mim um dos maiores vocalistas desconhecidos de todos os tempos, e Janny Loseth, um fantástico guitarrista e compositor inspiradíssimo- ser facilmente percebida desde o início, e trabalhos como 'Eagle Rock' (73), que trouxe mais uma (e a melhor de todas) incursão latina com 'Macumba', e o meu prediletaço e levemente mais acústico 'Ballad Of A Rock'n'Roll Loser' (75), além dos 2 anteriormente citados, figurarem em minha discoteca básica.
Em 'Return Of Drakkar', de 77, a Titanic já havia consolidado sua reputação como principal e mais respeitada banda do país e uma das mais populares daquela região da Europa, o que mantinha seus integrantes frequentemente excursionando, sempre com a fama de excelentes performers. But the times they are a-changin', a disco music monopolizava as atenções da indústria, e um último e belo suspiro veio apenas 2 anos depois com 'Eye Of The Hurricane'.
Em 1993, Robinson -que dizem ter adquirido stage fright- e Loseth recrutaram alguns músicos e ensaiaram um retorno com 'Lower The Atlantic', que nunca ouvi e por isso não tenho como tecer sequer um breve comentário. Sendo assim, fica o convite aos inúmeros parceiros para que me enviem um link.
No entanto, a disseminação de sua obra através de rips de vinil via grande rede permitiu que seus 4 primeiros álbuns fossem lançados em caprichadíssimas edições remasterizadas e há 2 anos, completando o line-up com Mick Walker no baixo, Phil Wilton nos teclados e saxes e Didier Blum na bateria, a Titanic fizesse um retorno à altura de sua história com 'Ashes & Diamonds', em que a pena da dupla Robinson/Loseth mostrou-se mais afiada que nunca e incorporando novos elementos, levando-os a diversos festivais por toda a Europa e em plena atividade ainda hoje.
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G&B Remaster
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G&B Remaster
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Many many thanx, Nils Tibor!!!!
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'Macumba'
(Video)









