segunda-feira, 30 de setembro de 2013

THE ANSWER - NEW HORIZON (2013)

Saindo do forno a tão aguardada sequência do bom, mas aparentando um certo desgaste pelo longo tempo na estrada, 'Revival'. O nome 'New Horizon', como a bela capa de Storm Thorgerson em um de seus últimos trabalhos deixa transparecer, certamente destaca o desejo de tomar de assalto outros mercados, notadamente o norteamericano. E, claro, para que isto aconteça, é comum que algumas concessões sejam feitas. 
E não foi diferente com a simpática banda irlandesa, uma das grandes esperanças do hard/heavy nesta aparente, e ainda modesta, recuperação de mercado do gênero apontada por alguns críticos. A diferença aqui está na aposta em timbres um tanto mais metálicos aliados a refrões mais grudentos. E 'Spectacular', primeira faixa de trabalho, é exemplo preciso deste novo modelo e, certamente, cumprirá muitíssimo bem o papel de incendiar as arenas ao redor do mundo. O efeito colateral fica por conta de menos blues na receita. Mas a cota apresentada ainda mantém viva grande parte das características sonoras de Cormac Neeson & Co. que tanto apreciamos. Só espero que reconheçam o limite destas concessões e não se percam pelo caminho, deixando de ser, como já coloquei antes aqui e aqui, a resposta que o hard rock tanto necessita para voltar a liderar corações e mentes.





segunda-feira, 9 de setembro de 2013

AL DI MEOLA-ALL YOUR LIFE (2013)

Sim, mais um tributo aos Fab4. Mas não se trata de um tributo qualquer; afinal, o autor da homenagem é uma das grandes lendas da guitarra fusion e isto, certamente, já imprimiria uma forte dose de curiosidade quanto ao resultado. Como se não bastasse, Al Di Meola resolveu registrá-lo, sempre ao violão e com pouquíssima incidência de overdubs, nas amplas instalações e generoso pé direito daquele emblemático complexo de estúdios situado no número 3 da  Abbey Road St., palco dos melhores momentos das carreiras de John, Paul, George & Ringo.
Desde uma primeira orelhada, o ainda inédito (lançamento previsto para 10.09) 'All Your Life' alinhou-se aos tributos de John Pizzarelli e Lawrence Juber, entre meus prediletos. E pelo caráter desconstrutivista de grande parte dos arranjos elaborados por Di Meola, as 14 faixas escolhidas guardam maiores semelhanças com o trabalho de Juber. Mas estas semelhanças param por aí pois o estilo de Di Meola é único e isto é facilmente percebido já ao primeiros acordes de 'In My Life', faixa de abertura do disco e ainda preservando grande parte da estrutura tradicional do tema. Apenas algumas faixas à frente e alcançamos uma quase irreconhecível, porém não menos bela, 'Michelle' cheia de meandros harmônicos e melódicos somente possíveis de serem resgatados por um músico de tamanha genialidade. Em seguida, outro destaque com uma respeitosa e belíssima interpretação para minha predileta absoluta do quarteto de Liverpool, 'Eleanor Rigby'. 
E assim segue a toada de 'All Your Life', mostrando respeito sem iconoclastia e desconstrução sem desbunde, em um delicioso passeio por clássicos do porte de 'A Day In The Life', 'With  a Little Help...', 'If I Fell' e 'Blackbird' e belas surpresas cult como 'Being For The Benefit Of Mr. Kite' e 'She's Leaving Home'. Um ponto negativo? Difícil tarefa, mas diria que 'I Am The Walrus' soa um tanto em desalinho com a proposta, seja pelas limitações melódicas do tema como as impostas pelo instrumento. No mais, 'All Your Life' é puro deleite.


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

APERTADO & PILADO by G&B X: A COR DO SOM-Compilação Instrumental(77-96) / Re-re-re-postagem


Pois é...agora é mesmo a última repostagem pois expulsei a pasta a fórceps de meu HD.

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Originalmente publicado em 17.10.2007, re-publicado em 13.03.2009 e
re-re-publicado (espero que pela última vez) em 18.05.2012.



Era uma vez um grupo de jovens, porém experientes e talentosíssimos, músicos que desejava fazer música instrumental com elementos os mais diversos do rico painel musical brasileiro. Do choro ao trio elétrico, passando por xote, baião, coco, frevo (pernambucano e baiano), samba, afoxé, embolada...valia de tudo um muito. Mas sempre com um punch totalmente roquenrou. E este ambicioso desejo acabou por resultar em uma fusão inigualável na música instrumental brasileira até os dias de hoje.
Com esse firme propósito, Dadi (baixo), Mú (teclados), Armandinho (guitarra/guitarra baiana/bandolim/violões), Ary Dias (percussão) e Gustavo Schroetter (bateria), arregimentados e batizados como A Cor Do Som por Moraes Moreira (embora em alguns álbuns do Novos Baianos já aparecesse o nome da banda, mas com outra formação em que Pepeu Gomes e o próprio Dadi eram alguns dos integrantes) para a gravação de seu primeiro disco solo, resolvem lançar seu próprio trabalho após participação em um festival de chorinho com a polêmica 'Espírito Infantil', composição de Mú que abalou a ranheta inteligentzia musical brasileira ao ser executada por algo mais próximo a uma banda de rock que de um regional de chorões. Essa treta com a crítica chamou a atenção de Andrè Midani que os contratou de imediato e, assim, foi lançado 'A Cor Do Som'(77), um dos melhores álbuns instrumentais -apenas uma faixa continha vocal- que este país gerou. Recheado de referências brasileiras, o disco foi um tremendo sucesso gerando um convite de Claude Nobs para uma participação, a primeira de um grupo brasileiro, no seu Montreaux Jazz Festival. Esta histórica apresentação, quase toda com músicas inéditas e/ou nunca registradas pela banda anteriormente, acabou por tornar-se seu segundo disco em 78.
No entanto, as pressões por um trabalho mais radiofônico tornaram-se tão fortes que uma legião de admiradores -Gil, Caetano, Moraes, Dominguinhos- foi mobilizada com o intuito de enviar músicas inéditas para a banda. Quando 'Frutificar' chegou às lojas em 79, 'Abri A Porta' e 'Beleza Pura' já eram enormes sucessos nacionais mas a banda respeitou seus seguidores de primeira hora e mais da metade do álbum ainda era composta de faixas instrumentais (dentre elas, a belíssima faixa-título). O sucesso é notável, mesmo com dotes vocais abaixo do sofrível.
O ano de 1980 chega com 'Transe Total' e mais uma penca de grandes sucessos vocais -ainda que estes beirem a incipiência- como 'Palco', 'Semente do Amor', etc. Mas os destaques continuam sendo os maravilhosos e sempre grooveados e recheados de brasilidade temas instrumentais.
E a fórmula vencedora, apesar de cantarem cada vez pior, é mantida em 'Mudança de Estação'; contudo, este trabalho de 81 -além de mais pesado- volta a dar maior destaque à música instrumental, ocasionando uma queda substancial nas vendas e, com o aumento da pressão, Armandinho resolve dedicar-se por inteiro ao ofício de herdeiro do primeiro trio elétrico da história, o patrimônio cultural Dodô & Osmar, e à sua carreira como solista. Ao menos assim ele não tinha a menor obrigação de pagar mico cantando.
A partir daí a história é outra. Vários excelentes guitarristas passaram pela banda mas nenhum deles com a personalidade que Armandinho imprimiu à sua sonoridade. E a química entre todos estes músicos foras-de-série é de impressionar a qualquer mortal.
Em 96, a formação original reune-se para um concerto comemorativo no palco do Circo Voador/RJ que, posteriormente, viria a transformar-se em CD.
Nesta compilação ative-me a fase de sua formação clássica por ser, inegavelmente, a mais representativa, sem desmerecer nenhum dos outros espetaculares músicos que passaram pela banda.
São 37 petardos representando TUDO que a banda lançou durante sua fase áurea em cuidadosa ordem cronológica. Só não está melhor pois não obtive material de qualidade para customizar uma capa, mas continuarei procurando e, tão logo consiga, disponibilizo por aqui.
Este ano promoveram um retorno para a gravação do CD/DVD 'Acústico', recheado de convidados.


PS:
1.Aos neófitos: pelamordejeffbeck, este Armandinho, EM HIPÓTESE ALGUMA, deve ser confundido com o fake regueiro/surfista do Sul que estão entubando goela abaixo do povo!
2.Aos curiosos: a Armandinho (primeiro e único) é atribuída a idealização da guitarra baiana, a partir do 'pau-elétrico' (já sei que vou ter que aturar alguma sacanagem) criado por seu pai, Dodô, luthier de mão cheia que executava qualquer projeto que se lhe chegasse às mãos.
3.Aos preconceituosos: A Cor do Som é música instrumental brasileira da melhor qualidade. Experimente você também, não vais se arrepender.