Se existe uma banda capaz de promover o mix perfeito de phunk (assim mesmo, com 'h', para diferenciar da aberração cultural que hoje costumam associar ao termo 'funk') e jam, esta é a Galactic. Formada ainda em 1994, em New Orleans, por dois grandes amigos migrados de Maryland, o guitarrista Jeff Raines e o baixista Robert Mercurio, ambos apaixonados por todo aquele universo musical cajun. Inicialmente um octeto, em pouco tempo firmaram-se como sexteto com o requisitado Stanton Moore nas baquetas, Richie Vogel nos teclados (incluindo fortíssimas doses de B3), Ben Ellman nos saxes e harmônica e Theryl De Clouet (até 2003, quando saiu por motivos de saúde e optaram, desde então, por utilizar convidados para a função) nas comedidas intervenções vocais.
O sucesso entre os mais antenados e um profundo prestígio no meio r&b chegaram muito rápido, quase que instantaneamente ao lançamento de 'Coolin' Off', já em 96. Valendo-se da receita funk/jazz old school em sintonia com o novo groove surgido das ruas e um tanto marginalizado musicalmente, e promovendo apresentações incendiárias, a Galactic tornou-se referência no gênero. Logo, seus integrantes, em solo ou grupo, tornam-se arroz de festa em gravações dos mais proeminentes talentos da cena r&b de N.O. e, até mesmo, no restante do país.
E esta completa ausência de preconceitos, levando-os por caminhos até mesmo experimentais, os fez despejar trabalhos melhores a cada ano, com um leve destaque para 'Ruckus', de 2003, e 'Ya-Ka-May', de 7 anos depois e dedicado à veia mais tradicional da música de New Orleans, contando, inclusive, com a participação de muitos veteranos mesclados a novos nomes da cena local. Para matar o tempo, excursionam com nomes do porte de Widespread Panic, Soulive, Neville Brothers, Counting Crows, Allman Brothers, B.B. King, The Roots, Live, etc.
Seu último álbum, o recém-lançado 'Into The Deep', tem tudo o que um admirador do trabalho deste quinteto exige: muito groove, interpretações inspiradas e convidados de excelente calibre. O problema é conseguir encaixar todos que desejam participar de seus trabalhos, agora já contabilizando unanimidades como Mavis Staples e Macy Gray em sua constelação.
Conforme prometido já há bastante tempo, finalmente a postagem de 'Passing Strange', musical composto por Stew e sua parceira de fé, Heidi Rodewald, e encenado com enorme sucesso em circuito off-off Broadway e ganhador de um Tony.
E, de brinde, atendendo a insistentes e desesperados apelos do parceiro Lucas Rufino, a repostagem da discog desta estupenda, e pouquíssimo conhecida, banda novaiorquina. Vale, inclusive, a indicação para quem tiver a oportunidade de conseguir o vídeo de uma apresentação da peça, magistralmente dirigido por Spike Lee. Tenho o DVD e já o assisti trocentas vezes. Recomendadaço-aço-aço!!!
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Publicado originalmente em 07.12.2007 e republicado e atualizado em 25.05.2012.
Quando não esperava mais nada de Stew com sua banda de fé, após longos 10 anos de silêncio, deparo-me com este recém-lançado 'Making It' boiando na rede. É verdade que, desde minha postagem da discog da The Negro Problem -há um longo tempo, como perceberão abaixo- muita erva rolou, o poderoso chefão tornou-se figura influente no underground e lecionou na Berkeley, onde iniciou a jornada de sucesso do musical semi-autobiográfico 'Passing Strange' em 2006, posteriormente indicado a diversos Tony Awards e magistralmente documentado em 2008 por Spike Lee.
Aqui, a linguagem cinematográfica de seu texto e o caleidoscópio sonoro presentes em seus trabalhos anteriores continua encantando mas contando agora com uma participação ainda mais efetiva de Heidi Rodewald, até mesmo corajosamente incumbindo-se de interpretar algumas faixas.
Mais um belo trabalho de uma banda que faz muita falta, seja devido à qualidade de seu material como pela honestidade transpirando por cada nota.
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Originalmente publicado em 07.12.2007
The Negro Problem é uma banda indie pop liderada pelo performático Mark Stewart (a.k.a. Stew), um negão de quase 2 metros de envergadura dotado de uma capacidade autoral invejável, e escudado pela multi-instrumentista Heidi Rodewald. Após percorrerem o circuito underground de L.A., ainda sem Rodewald, conseguem gravar 'Post Minstrel Syndrome'(97) e assim chamando a atenção da crítica para aquela instigante salada musical. Nos shows, além do excelente repertório e entrosamento dos músicos, sobressaia a presença de seu líder, um entertainer de mão cheia. Esta excelente estreia rendeu prestígio e diversos prêmios. É preciso lembrar que, nem sempre, prestígio vem acompanhado de satisfação pessoal e o irrequieto Stew provoca uma debandada geral, mantendo apenas o baterista Charles Pagano e trazendo uma figura que veio a transformar-se em sua alma gêmea. Ela mesma: Heidi Rodewald, instrumentista com sólida formação erudita, para o baixo e teclados.
Com este line-up lançam 'Joys & Concerns'(99), mais uma obra críticamente aclamada. E mais prêmios. Em paralelo à banda, e sempre com Rodewald a secundá-lo, Stew começa a lançar discos solos e formar não só um público cativo mas também um grupo de músicos que passa a orbitar em torno de sua criatividade e carisma e com os quais podia contar em suas experimentações que vão de lindas melodias pop ao mais deslavado cabaret. Tudo embalado por arranjos intrincados, exuberantes e muitas vezes contando com instrumentação inusitada. Em determinado momento julguei ouvir até mesmo um serrote tocado com arco que me remeteu à minha infância em Laranjeiras/RJ, onde um velhinho sem-teto costumava sentar-se à calçada e tirar sons maravilhosos com esse exótico ferramental.
No entanto, em 2002, lançam seu último álbum como banda -'Welcome Black'-, mantendo o mesmo padrão de qualidade dos anteriores mas concluem que o TNP é Stew. Desta forma, Stew assume-se solo mas mantém em sua base os mesmos músicos. Alguns álbuns-solo depois, Stew e Heidi resolvem criar um musical off-offBroadway -'Passing Strange'- que acaba por fazer um enorme e inesperado sucesso. Pelo que apurei, estreiam ainda este ano na Broadway.
A TNP me foi aplicada pelo Sérgio, frequentador assíduo do G&B -valeu, Sérjão!!!- que me enviou um link para o 'Joys & Concerns'. Qual não foi minha surpresa quando me deparei com uma linda faixa que ouvi várias vezes no ônibus em que sacolejo constantemente na ida e volta do batente e da qual jamais consegui alguma informação. Por obra do parceiro, não só descobri o nome da música -'Bleed'- como também uma excelente banda. Gostei tanto que pedi os demais trabalhos da banda, no fui prontamente atendido e, generosamente, divido com vocês.
E a sequência para 'We Want O Groove', primeiro álbum do projeto jazz funkRockCandyFunkParty, saiu do forno. E veio com tudo que a estreia tinha de bom e ainda mais alguma coisa. Estão ainda em 'Groove Is King', além do prazer e da profunda admiração de todos os seus integrantes pelo gênero imortalizado por James Brown, George Clinton e Rufus Thomas e levado no colo por Miles Davis, George Duke e Herbie Hancock para o epicentro do universo jazz, para desespero dos puristas, também, talvez por influência de nosso representante neste combo estelar, o tecladista Renato Neto, sequências harmônicas, linhas melódicas e divisões impregnadas de Música Preta Brasileira, estampadas já na faixa escolhida para single, a puro-sangue black rio 'Don't Be Stingy With The SMPTE'.
Aqui, com a RCFP, ao contrário do que se poderia supor ao agrupar tantos monstros sagrados dos estúdios com a figura icônica de Joe Bonamassa, o que interessa é a diversão, até porque pouco ou nada ainda há a ser acrescentado de novidade ao gênero. Sobrou até mesmo espaço, no meio de petardos cheios de groove de própria lavra do nível de 'Uber Station', 'C You In The Flipside' e 'Don't Funk With Me' e a ousadia jazzy de 'Rock Candy', um cover instrumental para 'Digging In The Dirt' de Peter Gabriel.
Só me resta recomendar que afastem os móveis da sala e...
Estava sentindo falta de umas pancadas sérias nos tímpanos aqui por esta birosca brenfoetílicomusical e resolvi liberar os links para este barulhento power trio inglês, recheado de excelentes referências do período setentista, do heavy à psicodelia, ao mesmo tempo em que incorpora aquele jeitão stoner/doom gerado por amplificadores Orange no talo e sempre tão bem-vindo aos nossos tímpanos. E estamos falando de uma banda prestes a completar 10 anos de estrada, desde que 3 amigos -Jim Dickinson (vocais/guitarras), Isa Bruni (baixo) e Aaron O'Sullivan (bateria)- despretensiosamente decidissem por abraçar a causa do heavy rock. Com esta formação, a Stubb correu os clubs londrinos e gravou um EP demo em mono, 'The Dropout Sessions'(2007), causando um certo barulho sem muito retorno e gerando a dissolução desta primeira formação.
Em 2009 o jogo começaria a mudar com a adesão da cozinha da conceituada Trippy Wicked, Peter Holland (baixo) e Chris West (bateria). Após correr a Europa abrindo para Firebird, Mos Generator, Sungrazer, Stone Axe, dentre outros, era chegada a hora do lançamento de um álbum de estreia. E em 2010 lançam um muito bem recebido e autointitulado trabalho, com produção e mixagem do parceiro de estrada Tony 'Dallas' Reed, líder das respeitadíssimas Mos Generator e Stone Axe (esta, muito em breve por aqui), domando na medida certa a podreira da sonoridade da banda e, desta forma, mantendo intacta a essência de sua proposta. A resposta foi imediata, com convites para concertos e festivais, alguns como headliners, pipocando de todos os lados.
Agora, era apenas uma questão de manter a identificação com seu público e convocá-los a levar o nome Stubb para o topo da cadeia. E nada melhor que um single para manter a chama acesa; e 'Under The Spell'/'Bullets Rain', lançado em 2013, cumpriu muito bem esta função. Tanto que terminou por criar uma expectativa elevada para o próximo trabalho.
E 'Cry Of The Ocean' não poderia ter se saído melhor. Agora com Tom Fyfe nas baquetas, o nível dos temas elevou-se bastante, a começar pela faixa-título, uma suíte beirando o sludge, mas surpreendentemente palatável. A sequência com o doomy blues (se é que posso tomar a liberdade de chamá-lo assim) 'Heavy Blue Sky' empolga ainda mais. Mas os bons momentos sucedem-se sem sossego, até porque são apenas 7 faixas cuidadosamente pinçadas e trabalhadas, incluindo até mesmo um belo tema acústico, 'Heartbreaker'.
Acho que de uma banda promissora como tantas outras há alguns anos, a Stubb pode já, perfeitamente, sonhar com voos maiores.