Eu confesso. Sim, quando do surgimento desta banda de Athens, com 'Boys & Girls', em 2012, fui dos poucos a não se entusiasmar exacerbadamente com aquele trabalho de estreia. E não estou aqui me arrependendo, muito longe disso. Ouvi, sim, bons motivos para gostar do álbum, da voz marcante de Brittany Howard às boas composições e o minimalismo garageiro dos arranjos, tudo parecia estar no lugar e eram claras a boas intenções da banda. Mas daí a considerá-los algo próximo de uma espécie de salvação da já habitualmente modorrenta cena pop, à época experimentando uma aproximação com uma estética lo-fi que os subterrâneos já haviam adotado um bom tempo antes, vai uma enorme distância. Na verdade, os bons momentos rivalizavam em proporções semelhantes àquelas boas intenções das quais o inferno está cheio. Em resumo, a Alabama Shakes, definitivamente, não figurava entre as bandas das quais aguardaria ansiosamente o lançamento de um novo álbum.
Mas este novo trabalho, agora amparado no sucesso maciço da banda em nível mundial, certamente surpreenderá a todos que entregarem-se ao prazer de sua audição, mesmo o mais entusiasmado admirador de Brittany e seus fiéis escudeiros - o guitarrista Heath Fogg, o baixista Zac Cockrell e o baterista Steve Johnson, sempre reforçados pelo tecladista e membro honorário Ben Tanner. Com este recém-lançado 'Sound & Color', fica inegável o amadurecimento musical de todos os integrantes e o salto qualitativo das composições, bem como de toda sua concepção, agora incorporando fortes elementos de psicodelia e experimentação - talvez fruto da paixão de Brittany e Zac por prog rock - ao r&b/soul/roots/blues rock responsável pela arregimentação de tantos admiradores quando de seu surgimento. E isso já pode ser constatado na intro da faixa-título, com seu Rhodes recheado de vibrato funcionando como uma carta de intenções para a sonoridade que permearia todo o álbum. E assim seguem-se o groove animal de 'Don't Wanna Fight' (vai bombar!), com uma interpretação arrasadora de Howard - uma constante por todo o álbum, portanto, não se surpreenda caso, em diversos momentos, você não resista a soltar exclamações do tipo "Como essa filha da puta canta!!!", "Vai cantar assim lá na casa do caralho!!!", entre muitas outras expressões ainda mais acaloradas...apenas relaxe e goze - e um pipocar de arranjos primorosos recheados de noise, orquestrações caprichadas, pitadinhas de eletrônico e uma energia beirando o punk em canções arrebatadoras, das quais destacaria ainda 'Future People', 'Dunes', 'Miss You', 'Guess Who' e 'This Feeling'. No mínimo, um daqueles raros casos em que o segundo disco suplanta um aclamado álbum de estreia. Ao menos para mim. Até o momento, o único rival à altura de 'Here Come The Girls' da The London Souls.
Mas, sério...puta que o pariu! Como a Brittany Morrison canta!!!
Mas, sério...puta que o pariu! Como a Brittany Morrison canta!!!
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