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quinta-feira, 15 de julho de 2010

BECKETT-BECKETT (1974)

Poucas vezes me arrependi tanto por não comprar um disco como neste caso. O desastre só não foi maior pois naquela quase sexualmente prazerosa tarde de sábado (como qualquer tarde de sábado dedicada a comprar bolachões) na Modern Sound, Colbert, um tão viciado quanto eu em música e apenas seduzido pela bela capa,  arrematou um dos 3 exemplares disponíveis em um daqueles caixotes  deliciosa e desorganizadamente dispostos no chão daquela que acabou por tornar-se um ícone do comércio de discos carioca. A sensação que aquela pequena multidão amontoada em torno daqueles frágeis modulados de papelão  me passava era exatamente a de pintos no lixo. No entanto, se levarmos em consideração que 'ensovaquei' uma pequena jóia -distribuída por 3 LPs e recheada de belos posteres em couché capazes de cobrir o chão de uma sala- chamada 'Lotus' (Sony Japan Edition) da Santana, convenhamos que tratava-se de um típico caso de concorrência desleal. 
Dali, aqueles adolescentes adictos em roquenrou dirigiram-se para o confortavel quarto do apê em Laranjeiras  que dividia com meus pais e irmãos e que tinha o melhor equipamento de som da casa, o que costumava causar inveja a todos os meus amigos. Como de um álbum de Carlos Santana & Cia já se pressupunha a qualidade do conteúdo, decidimo-nos por darmos uma chance àquele vinil recheado de...ilustres 'quem'. E não é que já na curta e climática intro, que culminaria na sugestiva 'Rollin' Thunder' (para a mim a melhor faixa), sentimos que estávamos diante de um belíssimo trabalho?! Rendido aos seus ainda embrionários encantos, saquei uma K7 cabacinho (sempre tinha algumas de sobreaviso) da gaveta da escrivaninha e pousei a agulha novamente naquela intro enquanto Colbert sacava uma bagana do celofane cuidadosamente malocado na carteira. E foi assim que conhecemos a Beckett de Terry Wilson-Slesser (vocais e futuro integrante da Back Street Crawler), Arthur Ramm e Kenny Mountain (guitarras), Frankie Gibbon (baixo) e Keith Fisher (bateria) e seu indecifrável mix de prog, folk, blues e hard, algumas vezes tudo ao mesmo tempo agora. 
É verdade que esse disco já rola há um bom tempo na rede pois a primeira vez que o baixei já faz uns bons 2 invernos e em um rip indecente em seus majestosos (sic!) 96kbps e sem o artwork. No entanto, além de movido pela generosidade de disponibilizar um belíssimo material agora em bitrates muito mais atraentes  e com o artwork em excelente padrão para meus caríssimos amigos, não poderia deixar de tentar ao menos desmistificar a aura que paira sobre a banda deflagrada por resenhas escritas por alguém que, muito provavelmente, conheceu apenas 1 faixa do disco -a totalmente excelentemente zeppeliniana 'A Rainbows Gold'-, de meros seguidores da maior de todas as maiores bandas de todos os tempos. Este seu único disco é muitíssimo mais do que isso em suas alternâncias de dinâmica, no perfeito casamento do acústico com o elétrico, nas certeiras inserções de cordas arranjadas por Wilf Gibson (violinista da Electric Light Orchestra) e presente em quase todos seus sulcos mesmo em passagens mais pesadas e pela excelência por parte de toda a banda na execução  de seus instrumentos sob a corretíssima produção de Roger Chapman
Portanto, se você passou batido por este disco por estar cansado de clones de Led Zeppelin, até porque é impossível imitá-los sem cair no pastiche, vá por mim: 

BAIXA ESSA PORRA, ACENDA UMA MORRA E BOTA PRA ROLAR!!!

RS
MU

PS: Ah, o 'Lotus' só fui ouvir no dia seguinte e está comigo até hoje. Mas isso já é uma outra história.

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 VÍDEO