Haley Bennett
segunda-feira, 30 de janeiro de 2017
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
AS BAHIAS & A COZINHA MINEIRA-MULHER (2016)
Diante do atual quadro de quase absoluta mediocridade musical que assola a cena tupiniquim, nada mais justo que divulgar os pontos fora da curva que raramente nos chegam. E o combo As Bahias & A Cozinha Mineira, certamente, está entre estes desvios do estabelecido. A começar pelo nome da banda, determinado pelo apelido -"Bahia"- que suas duas vocalistas, Assucena (natural da terra de Caymmi) e Raquel Virgínia (baiana de coração), carregavam desde muito novas e pelo talentosíssimo guitarrista/violonista/compositor/arranjador mineiro Rafael Acerbi, desde que se conheceram na USP, onde estudavam, que trouxe na mochila alguns conterrâneos para temperar a tal 'cozinha mineira' -para os neófitos, como nós, músicos, nos referimos à seção rítmica de um agrupamento musical-, Rob Ashtoffen (baixo), Vitor Coimbra (bateria) e Danilo Moura (percussão). Em pouco tempo perceberam a necessidade de matizes de pianos e teclas outras e Carlos Eduardo Samuel foi incorporado.
Formada em 2010 para uma homenagem a Amy Winehouse, logo começaram a compor. Sempre impregnados de referências as mais diversas -da MPB tradicional e cantoras do porte de Gal, Elis, Elza e Elba ao ícone mineiro Clube da Esquina e Hermeto Paschoal- e já tomando de assalto o circuito universitário, seguiram absorvendo novos grooves pelo caminho e o registro deste repertório que se avolumava foi uma consequência natural.
E o quase conceitual 'Mulher', com suas 13 arrebatadoras faixas, finalmente, viu a luz do dia na alvorada de 2016. E a diversidade, musical e comportamental, como não poderia deixar de ser, aliadas a arranjos exuberantes, foi a tônica de todo o trabalho. Do blues e rock ao carimbó e baião, tem de tudo um pouco e sem janmais soar derivativo, como se cada gênero musical fosse a expressão de um gênero de mulher. Mulheres cantadas como poucas já ousaram cantar...talvez porque expostas pelos olhos de duas vocalistas transsexuais. Vale, aqui, destacar que ambas são excelentes mas Assucena é diferenciada. Dona de voz e técnica exuberantes, também preenche um palco como poucas na atualidade.
Que tal deixar seu conservadorismo e conformismo de lado e escutar uma das bandas que, certamente, ainda dará muito o que falar em 2017? Bora?
PS: valeu pela presença, Celsão!
PS: valeu pela presença, Celsão!
Pra Apertar E Acender Agora:
As Bahias & A Cozinha Mineira
segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
LANGFINGER-CROSSYEARS (2016)
Há poucos dias, li, em uma entrevista da gostosura pop sueca Zara Larsson para um grande jornal tupiniquim, que o segredo de seu país para tanto sucesso na música pop em geral residia no fato de o aprendizado musical ser cadeira obrigatória em todas as escolas públicas, por ser considerada essencial dentro da cultuada política de bem-estar social que fez da Suécia, e todos os países da região e seu entorno, exemplo de progresso humano. De fato, não pode haver outra explicação para a qualidade, e quantidade!!!, da música gerada naquele país recheado das mais lindas loiras do universo.
E a Langfinger está, seguramente, entre estes belos exemplares. Rock cru, enxuto, recheado de influências as mais diversas perfeitamente sincretizadas para a formatação de um som de personalidade única. Ainda estão entre as menos cultuadas das bandas escandinavas mas não por falta de competência de Victor Crusner, Kalle Lilja e Jesper Pihl. Muito pelo contrário! O problema maior é a concorrência...afinal, já há algum tempo, e quem acompanha o circuito musical sabe disso, a Suécia produz o melhor rock do planeta, em todas as vertentes mas, principalmente, a seara hard/stoner/heavy.
Mas é, finalmente, chegada a hora da Langfinger...e 'Crossyears' é um belo passaporte. De ponta a ponta, esse poderoso power trio não deixa pedra sobre pedra, mostrando uma inegável evolução em todos os setores, notadamente como instrumentistas.
E se você gostou deste coice nos tímpanos, dê um rolê por aqui para saber mais dessa molecada.
Pra Apertar E Acender Agora:
Langfinger
segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
FORA DO EIXO VIII:THE KILLERS-GOOD BYE (1972) / URUGUAI
Muitos podem não acreditar, mas nosso maltratado continente possui um histórico de boas bandas dedicadas às mais variadas vertentes do rock. Muitas delas, no entanto, cairiam no esquecimento se não fosse pelas comunidades de compartilhamento que se formaram, ainda de forma incipiente, a partir de meados da década de 90 do século anterior. E entre estas, resgatadas do limbo, a uruguaia The Killers, certamente, merece lugar de destaque. Formada, em meados dos 60, por 4 abastados jovens - Marcelo 'Cress' Berro (vocais/guitarras), Orlando Galo (guitarras), Eddie Güida (baixo) e Romancho Berro (bateria/vocais)- de Montevidéu, com fortes laços com a elite local, incluindo corpos diplomáticos de diversos países, manter-se antenados com tudo que de melhor se produzia em arte em geral, e música em particular, no mundo, não era tão difícil. Por conta disso, logo tornaram-se conhecidos pela excelência como músicos e também pela qualidade dos equipamentos -sempre de altíssimo nível, um tanto raro àquela época-, transformando-os rapidamente em uma das bandas de baile mais requisitadas da capital. E o repertório era caprichadíssimo, incluindo de Hendrix e Traffic a Cream e CSN&Y, sempre na busca incessante de atender às expectativas de um público extremamente exigente. E foi este alto nível de exigência que provocou a saída de Galo e Güida, substituídos pelo guitarrista e tecladista Roberto Levy e Julio Martinez, e a adesão dos backing vocals de Virginia Berro e Inés Berro.
E já com esta formação lançaram, ainda em início de 1970, alguns singles, mesclando covers de bandas de sucesso com outras um tanto mais obscuras. Em meados de 1971, julgavam-se já preparados para voos maiores e iniciaram a produção de um álbum que privilegiasse material autoral...em inglês!!! Para tamanha empreitada, convocaram um amigo holandês, Jan Holzhauer, principal responsável pelas letras no idioma bretão. E foi com muita convicção na força e qualidade de seu trabalho, que a The Killers entrou, em finais de 1972, em estúdio para gravar pérolas como a faixa-título, 'After Nothing', 'Forever', 'Sing A Long', 'Breach Of Lease', 'Looking For A Change' e ainda o belo cover para 'Love The One You're With', todas impecavelmente registradas.
Resumindo, 'Good Bye' é um trabalho surpreendente de uma talentosa banda sulamericana que, lamentavelmente, teve sua trajetória abortada pela convulsão política que se instalou em seu país, culminando com a implantação, no ano seguinte, de uma cruel ditadura militar. Conseguiram, ainda, fugir para a Espanha, onde estabeleceram-se e seguiram trabalhando mas, sem o ímpeto e facilidades de antes, logo separam-se.
Pra Apertar E Acender Agora:
Fora do Eixo,
The Killers(URG)
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