quinta-feira, 31 de março de 2011

EU VOU!!!



MAS EU VOLTO!!!

SERÁ???!!!

segunda-feira, 28 de março de 2011

KRIS KRINGLE-SODOM (1971)

Continuando...

Mas agora voltando um pouquinho mais no tempo, mais precisamente em 1971, para apresentar o filhote mais incensado da Memphis, a Kris Kringle. Filho único de mãe vadia mas recheado de virtudes e excepcionalmente bem registrado para a época, 'Sodom' é um belo exercício de psicodelia, pop, hard e prog em que, como rezava a cartilha das brazillian bands, denominadas assim por cantarem em inglês objetivando passar-se por gringas e com seus integrantes valendo-se de pseudônimos como Joe Bridges (aka Dudu França) ou Pete Dunaway (aka Otavinho) e oferecendo o mínimo de informações nas fichas técnicas dos geralmente caprichados encartes em papéis de elevada gramatura, o repertório consistia de um misto de coveres -aqui, com destaque absoluto para 'Help', daquela bandinha xinfrim de uma cinzenta e modorrenta cidade portuária da Inglaterra, e 'Sarabande', clássico prog da escocesa Beggar's Opera- e bom material próprio. No entanto, apenas uma versão um tanto bisonha de 'Suzie', obscuro exemplar Motown, conseguiu uma tímida repercussão radiofônica.
A título de curiosidade, vale dizer que a capa original não é esta que encontra -se encimando este texto. Não sei de onde surgiu, mas o selo americano Kool Recs. a divulgou para o mundo ao lançar sua versão digital deste tesouro do rock brazillis. Uma possível hipótese é que uma segunda fornada deste álbum teria sido lançada em 72 com uma nova capa e tudo indica seja esta. Mas o que interessa é que o que aqui se apresenta é pura História e acho que todos temos o dever de conhecê-la, mesmo que com um nome como Kris Kringle (Papai Noel, em alemão). Até porque, apesar dos ridículos nomes que adotaram -além de The Clocks, valeram-se de 'pérolas' como Young Fellow, The Fox e Beach Band-, seus músicos estão entre os mais talentosos que o rock brazuca já teve em suas fileiras e correram o mercado por muitos anos, seja como compositores ou músicos de estúdio e até, tal qual Otavinho e Maynard, chegaram a cargos executivos em majors. O primeiro, como Pete Dunaway, lançou ainda diversos singles, compôs diversos spots e jingles, emplacou vários temas de novelas Globais e editou 2 bons LPs.


segunda-feira, 21 de março de 2011

THE CLOCKS-THE CLOCKS (1973)

O ano é 1973 e, apesar de muita resistência de minha parte, minha santa mãezinha, telespectadora assídua da novela 'Selva de Pedra' -que bombava no horário das 20h à época e cuja música 'Jesus' era um dos temas musicais centrais da trama- e colecionadora incorrigível de toda a série 'As 14 Mais', resolveu sair daquela simpática lojinha de discos da Galeria Condor do Lgo. do Machado* com esta bolachona da The Clocks debaixo do sovaco. De nada adiantaram meus argumentos, sempre atento que fui a detalhes como títulos de músicas grafados de  maneira incorreta e capas toscas, de que aquilo era um embuste made in Brazil e que melhor seria levar, por pior que fosse, o disco da trilha sonora original, visto que o conteúdo teria pelo menos 'odores' variados, ou...qualquer outro que eu escolhesse, por que não???!!! De certa maneira, ainda bem que, ao menos desta vez, ela não me deu ouvidos. É que o resultado surpreendeu-me positivamente e, à medida que Don'Anna desinteressava-se daquele LP com capa de gosto duvidosíssimo por não encontrar nenhuma outra música gospel em seu track list, mais eu me tornava íntimo daquele material misto de coveres e faixas autorais magistralmente executadas e produzidas que se apresentava para meus ouvidos adolescentes. Mas havia uma justificativa para tamanha excelência de resultado.
Na verdade, a The Clocks foi uma das inúmeras identidades da paulistana Memphis, lendária banda de bailes dos seventies, equivalente das cariocas Analfabeatles (hoje, apenas Analfa e ainda em atividade nos bailes da vida) e Famks (ou a nacionalmente célebre Roupa Nova) na cidade da garoa, e este seu único disco é um belo exercício de popsych e ainda contém competentíssimas versões para 'To Cry You A Song' da Jethro Tull, a clássica da pena da dupla Leiber/Stoller 'Love Potion #9' e ainda 'I Saw Her Standing There' daquela bandinha xexelenta de Liverpool. E tudo muito bem executado, como se não bastasse a experiência, competência e apurado senso de dinâmica, além do bom domínio da língua inglesa, que Otavinho (vocais, teclados e guitarra), Dudu França (vocais e bateria), Marcos Maynard (órgão, guitarra e vocais), Carlinhos (guitarra, saxofone e vocais), Juvir Moretti (Xilo / guitarras e vocais) e o mestre Nescau (baixo e vocais) traziam na bagagem desde meados dos '60 e centenas, talvez milhares, de bailes nas costas. Alguém lembrou da The Fevers? Não, a coisa não é por aí pois, a despeito de todo o respeito que Miguel Plopschi & Cia merecem pelos anos de estrada, Memphis e seus inúmeros spin off estavam anos-luz adiante -mesmo naqueles dias de chumbo, quando informação e cultura eram artigos de luxo- e hoje são reconhecidos por isso.
Continua...




*Bairro histórico da Zona Sul do Rio de Janeiro.