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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

CRUZ-CULT OF DISORDER (2014)

Demorou mas, finalmente, veio à tona 'Cult Of Disorder', novo trabalho de uma das mais destacadas bandas brasileiras de hard rock da atualidade. E como valeu a pena esperar por este álbum! Como se não bastasse a impecável produção - do mesmo experiente Jay Baungardner de seu 'Vol. I' de 3 anos antes agora dividindo os louros com Daniel Pampuri -, a pena de Enrico Mineli, Filipe Pampuri, José Rondo e o já citado Daniel está afiadíssima. Os 2 anos divididos entre concepção, composição, estrada, produção e gravação foram, sem dúvida, muito bem aproveitados, apesar de Rafael Kumelys ter ficado pelo caminho. De um início apenas promissor, mas sem novidades para o que já estamos acostumados a esperar da banda, com 'Against The Tide', 'Cult Of Disorder' segue com a primeira grata surpresa na pegajosa 'Why?' despejando todo o peso da cozinha de Rondo e Daniel. A seguir, dois bons, mas sem atrativos maiores, temas downtempo, 'Howling At The Sun' e 'Forsaken And Dazed', antes de desaguar na correta 'Cold Rain', segundo single extraído do álbum, providencialmente seguida de uma magistral 'Self Gov't', meio que prenunciando novos rumos para a segunda metade do álbum.
E, de fato, a partir de uma acachapantemente zeppeliniana 'Primal', primeiro single, a coisa toda chega a um nível de comprometimento em que todas as faixas começam a adquirir contornos de clássicos pessoais instantâneos. Afinal, como não se arrepiar com a interpretação arrebatadora de Mineli para a belíssima 'Brother Of Mine', silenciar-se respeitosamente diante da beleza soturna de 'Take Me Down', admirar a ousadia do toque grunge (uma das influências de todos) tão bem conduzido pela banda em 'Heaven Can Wait' e se encantar com os inéditos, até o momento, matizes alt rock de 'To The End'? E quando já julgava que nada mais me surpreenderia, Enrico Mineli me nocauteia com uma interpretação para lá de contundente para 'Soul On The Run', uma balada alt country dilacerante, belo desfecho para um álbum que beira a perfeição.
Desta vez, excepcionalmente, não disponibilizarei um link mas o stream oficial de 'Cult Of Disorder' na íntegra, que recebi por e-mail encaminhado pela própria banda, e o clipe para a phodástica 'Primal'.
Gostou e deseja saber mais sobre a Cruz, e ainda obter acesso ao link com o primeiro álbum da banda? Basta dar uma esticada por aqui.




CRUZ-VOL. I (2011) / Repostagem


Originalmente publicado em 04.06.2012

Há mais de ano deparei-me com o clipe de 'Chains' e, diante do nome da banda, precocemente julguei tratar-se de chicanos ou qualquer outra designação latina. Mas se a curiosidade pode matar gatos, aos humanos pode esclarecer fatos. E, em uma rápida googada, descobri tratar-se de jovens mas experientes músicos paulistanos oriundos de prestigiosas bandas -Motel, Gridere e Level Nine- do underground daquela cidade roquenrou por excelência. E foi desta alquimia que surgiu a Montecristo, -posteriormente, Cruz- em 2010, capitaneada pelo extraordinário gogó de Enrico Minelli e contando com o luxuosíssimo auxílio dos irmãos Filipe e Daniel Pampuri, na guitarra e bateria respectivamente, Rafael Kumelys na outra guitarra e José Rondo nas 4 cordas.
Após algumas demos muitíssimo bem registradas no estúdio C4, de propriedade de Daniel, e mixadas e masterizadas em L.A. pelo renomado Jay Baumgardner, resolveram sediar-se na Cidade dos Anjos. No que fizeram muito bem pois acabaram por ser apadrinhados por Baumgardner, que optou por regravar todo aquele material (além de uma nova safra de canções) em seu muito bem frequentado estúdio/selo, NRG, e empresariá-los. E assim começaram a ganhar o mundo -existe até uma divertida série de postcard movies em que interpretam grandes clássicos do rock em formato acústico frente a ícones turísticos de cada cidade em que tocariam- e reconhecimento, garantindo presença em diversos festivais, entre eles o nosso SWU 2011, que tentei acompanhar pela TV mas a transmissão caótica, em muito devido à falta de organização do evento, só me permitiu assistir aos excelentes shows de Duran Duran e da sempre sinônimo de um grande espetáculo de r'n'r Lynyrd Skynyrd.
O resultado das sessões em L.A. estão reunidas neste 'Vol. I'. Da escolha das canções -com destaques absolutos para os pancadões 'Physical Games', 'Fortune Teller', 'Sin City', 'Crazy' e 'Someday', a deliciosamente contagiantes 'Na Na Na' e 'My Love' e, principalmente, uma pequena jóia chamada 'No One Wants To Be Alone'- à produção absolutamente impecável, criou-se um belo representante do melhor do rock tupiniquim. 
Posso até estar enganado mas parece-me estarmos passando por um excelente momento para as bandas brazucas no exterior mas, infelizmente, o mesmo não se repete por aqui. Daí, a melhor saída para uma grande parcela passou a ser o aeroporto. Mas não importa como consigam encontrar seu espaço, torço muito por todas, incluindo aí Macaco Bong, Mindflow, MQN, Matanza, Black Drawing Chalks, Pata De Elefante, Blue Mammoth, (Dr.)Cascadura, King Bird e tantas outras que admiro. E este é ainda o principal motivo por, sempre que possível, divulgar material destes abnegados dispostos a enfrentar tão árdua batalha para vencer em mercado tão ingrato, apesar da indiferença que passou a rondar as caixas de comentários do meu, do seu, do nosso G&B de uns meses para cá.



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