Sabem aqueles domingões em que acordamos cheios de preguiça, sorumbaticamente ligamos a TV da sala a caminho da cozinha para preparar o café da manhã e, já de volta com aquele copão de larica shake* e um delicioso pãozinho na chapa atolado em manteiga, começamos a zapear aleatoriamente os trocentos canais a cabo em busca de algo interessante e nada nos parece adequado para iniciar o dia??? Pois é, há algumas semanas em um destes canais, dei com as fuças em uma apresentação deste quinteto -Chris Turpin (vocais/guitarras/violões), Stephanie Ward (vocais/pianos), Richard Jones (violino/vocais), Adam Timmins (baixo/banjo) e Mark Jones (bateria/percussão/mandolin)- de moleques natural de Bath e a cada mordida naquele pão quentinho e goles generosos daquele delicioso shake, o som da Kill It Kid impregnava meus ouvidos com uma espécie de punk folk rock absolutamente contagiante. Em seguida, já totalmente refastelado no sofá, acendi aquele primeiro cigarro (ô vício maldito!) do dia e...não mais consegui sair de frente da TV enquanto aquele show recheado de energia, mesmo em seus momentos acústicos, não chegasse ao fim. O próximo passo foi varrer a grande rede atrás de seu único disco até o momento mas, já desesperançoso por não conseguir nada além de apenas notícias e resenhas sempre elogiosíssimas, fui obrigado a recorrer à expertise da Primeira Dama do G&B e Diretora-Presidente da S.E.F.O.D.I. (Secretaria Especial para Fomento, Operacionalização e Desenvolvimento em Informação) que, após um périplo de algumas horas por suspeitíssimos sites russos e warezes diversos e já quase enlouquecendo nosso anti-vírus, conseguiu alguns arquivos em doses homeopáticas e, ao final, além do álbum oficial, estávamos de posse de um bom número de faixas raras, singles e b-sides, adicionadas aqui como bonus mas não sem antes um trabalhoso processo de remasterização e normalização para alinhar as diferentes ambientações e equalizações. Daí o sub-título G&B Turbo Edition.
Durante o processo de busca do link perfeito -o pouco que se me apresentava encontrava-se incompleto ou em baixíssima qualidade devido a bitrates ridículos-, deparei-me com muita informação e até mesmo vídeos. E o que mais me impressionou foi a maneira inusitada como foram revelados ao público e à mídia especializada: o produtor John Parish foi convidado pela Bath Spa University a conduzir um projeto no melhor estilo Big Brother em que todo o processo de gravação de um disco seria monitorado por 20 estudantes previamente selecionados, 12 horas ao dia. E adivinhem qual a banda cobaia escolhida por Parish para a empreitada. Ao que tudo indica, foi a opção mais acertada pois, além do som personalíssimo, a KIK já havia arrebanhado um considerável séquito no campus e seus primeiros singles (estão todos aqui entre os bonus) rapidamente alcançaram boas execuções nas rádios universitárias mais descoladas do Reino Unido, garantindo à banda um contrato com o pequenino, porém prestigiado, selo indie One Little Indian. E foi assim que chegaram a este belo trabalho -mais um para aquela listinha de melhores do ano, além de seus responsáveis serem sérios concorrentes a Revelação do Ano- impregnado de uma saudável dualidade fazendo sua música oscilar da crueza à sofisticação, da virulência ao lirismo, em questão de segundos. Para aqueles que não tem medo do novo, mesmo que utilizando-se de elementos tão antigos quanto o folk e o bluegrass e todo o ferramental tradicional para sua execução com propriedade, a Kill It Kid é um prato cheio. Afinal, apesar de alguns não concordarem, antigo não é sinônimo de obsoleto.
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VIDEOS
Audição para o projeto da Bath Spa University
* 300 ml de leite integral, 2 colheres de sopa de leite em pó, 2 colheres de sopa de achocolatado de sua preferência (prefiro Toddy ou Nescau) e 1/2 colher de sopa de Ovomaltine.


