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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

CRÁSSICOS G&B XXIII: SAVAGE GRACE

Comumente associada ao prog rock, embora nunca enfileirada pelos progheads como um autêntico representante de tão seleto grupo estilístico, a Savage Grace, na verdade, equilibrou-se com perfeição em um bambo tripé sustentado por hard rock, power pop e prog. Formada em fins dos 60 por experimentados músicos com formação jazzística -Ron Koss (guitarras/vocais), John Seanor (teclados) e Larry Zack (bateria/percussão) formavam o trio The Scarlet Letter, já com 2 LPs no currículo- e muito requisitados em sessões de soul/r&b de Motor City, decidiram aproveitar o excelente momento musical recheado de fusões de gêneros do período para redirecionar todas suas influências na formatação de uma sonoridade que os distinguisse no cenário. Com a adição do vocalista e baixista Al Jacquez, a Savage Grace estava completa e no caminho certo para alcançar este objetivo.
Meticulosos e perfeccionistas, apenas após 3 meses de exaustivos -e muito criativos- ensaios, aventuraram-se pelo circuito do meio-oeste, chamando a atenção de público e crítica e levando-os a dividir o palco com os já congraçadíssimos The Moody Blues, Small Faces, Procol Harum e Three Dog Night, entre tantos outros. Chegaram mesmo a ser headliners em um festival que contava com Yes, Soft Machine e Alice  Cooper em seu cast, sem ao menos um contrato de gravação. Mas tudo indicava que o tão aguardado primeiro álbum seria apenas questão de tempo, e começou a ser viabilizado após uma incendiária apresentação de abertura para a Creedence Clearwater Revival, através da prestigiosa Reprise Rec., cujos executivos ficaram extremamente impressionados com o talento, musicalidade e criatividade do quarteto. Assim, o ano de 1970 testemunharia o lançamento de um surpreendente LP de capa estampando apenas foto e nome da banda, recheado de excelentes ideias e ganchos, a um só tempo pop, pesado, sofisticado e intrincado. Muitas vezes, tudo ao mesmo tempo agora. E soberbamente produzido e executado. Um trabalho ainda soando atual, dificultando muito apontar destaques,  e com mais uma (de tantas) excelente versão para 'All Along The Watchtower'.
Agora cheios de confiança -chegaram a abrir para Jimi Hendrix!- devido à excelente recepção por parte da crítica, mudam-se para Los Angeles com o firme propósito de acrescentar mais peso ao seu vasto cardápio sonoro e por estúdios que possam captar esta nova proposta de maneira a não adulterar a essência da banda. E foi em nome desta busca pela perfeição que um disco inteiro chegou a ser descartado. A julgar pelo resultado final das novas sessões, que em 1971 transformar-se-iam no album '2', não poderiam ter tomado decisão mais acertada. Mais um trabalho impecável, impregnado de uma aura hard/heavy perfeitamente dosada sem necessariamente abrir mão de todos os inúmeros acertos da estreia, algo só ouvido nos grandes clássicos da época.
Infelizmente, mesmo com excelentes resenhas e o prestígio em alta, as vendas mostravam-se ainda um tanto desanimadoras e a Savage Grace opta por encerrar as atividades. No entanto, a aura cult em torno da banda cresceu ao longo do tempo, levando Koss e Jacquez, em 1990, a recrutar novos músicos para uma reunião da qual viria à tona '3', posteriormente batizado 'One Night In America', e uma turnê. Após o falecimento de Koss em 2004, Jacquez manteve-se na estrada como único remanescente da formação original.
Estes 2 discos me acompanham desde moleque, guardados com muito carinho em um canto muito especial do coração, até porque desapareceram misteriosamente de minha coleção no início dos 80. Sorte minha, e agora de vocês também, que a internet e o tão covardemente combatido compartilhamento surgiram para socorrer-nos em situações como esta. Sirvam-se, portanto, desta fina iguaria.


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