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segunda-feira, 9 de maio de 2016

ORANG-UTAN-ORANG-UTAN (1971)

Há muito venho percebendo que as pequenas joias dos 60/70, descobertas ou redescobertas após a criação da internet graças à garimpagem de abnegados e experientes colecionadores, vêm desaparecendo nas nuvens cibernéticas com a mesma velocidade com que surgiram em finais do século passado, ainda através de mecanismos de busca hoje jurássicos, como AudioGalaxy, Napster, Kazaa, etc, e posteriormente massificadas por toda a primeira década do novo século por blogs dedicados à divulgação de música. E muito disso deve-se ao desaparecimento de grande parte destes veículos, desanimados com a constante guerra perpetrada por mecanismos de censura ao compartilhamento de informação e cultura.
Devido a isto, muitos dos visitantes do meu, do seu, do nosso G&B vêm, com certa frequência, solicitando publicações de álbuns, e até mesmo discografias completas, de materiais antes encontradas com relativa facilidade. Tanto o quanto possível, tentarei atendê-los, mas não conseguirei fazê-lo com a eficiência e rapidez que este público, tradicionalmente ansioso, requer, até porque existe muita coisa relevante sendo lançada, fora e dentro do mainstream, que não me seria interessante deixar de fora deste espaço brenfoetílicomusical. Portanto, desta vez, o escolhido foi um trabalho solicitado por um parceirinho de longa data, ainda de adolescência e Sorvetão Dançante, tradicional matinê de domingos no Fluminense, Ayres, também conhecido pela alcunha de Mr. Crepe Man: o único álbum da banda inglesa Orang-Utan.
Criada em 1970 por jovens porém já experientes músicos da cena inglesa -Terry Clark (vocais), Mick Clarke (guitarras), Sid Fairman (guitarras -não creditado), Paul Roberts (baixo) e Jeff Seopardie (bateria/percussão)-, e inicialmente atendendo pelo nome de Hunter, em homenagem ao clássico blues de Albert King, optaram por registrar seu autoproduzido trabalho em um estúdio de altíssimo nível em Londres. Inexplicavelmente, este álbum, apesar da exceléncia de sua sonoridade e contar com composições e desempenhos brilhantes de todos os músicos, não foi lançado sob nenhum formato até meados de 1971, quando a Bell Rec. resolveu editá-lo apenas para o mercado americano por sugestão de um picareta chamado Adrian Miller, que se autoproclamou produtor da banda -foi dele, talvez com o intuito de não ser descoberto, a ideia de alterar o nome para Orang-Utan- e tutor do material, lesando, assim, todos os músicos envolvidos. Segundo Mick Clarke, mesmo após sucessivos relançamentos em diversos formatos e dezenas de processos judiciais, nenhum dos integrantes recebeu qualquer indenização.
A verdade é que a Orang-Utan é mais uma das inúmeras bandas do período vítimas do mau gerenciamento da carreira. E a audição desta pequena pérola do psych/heavy/blues rock não deixa dúvidas de que poderia ter sido grande, antecipando diversas tendências. Talvez, mesmo, muito grande.