E para fechar este set dedicado a bandas brazucas, vamos de Dr. Cascadura (née Cascadura). Tudo bem, eu sei que seriam apenas 2 bandas, mas lembrei do quanto me diverti (e continuo me divertindo) com esse disco à época de seu lançamento e resolvi trazê-lo também para cá.
E este foi mais um escolhido no balcão de saldos pelo velho método da capa. Neste caso, não porque fosse especialmente bonita, nada disso. Aqui, o que me chamou a atenção foi a estética vintage daqueles clássicos discos de blues; afinal, nada mais bluesy que um negão com um cigarro na boca e seu violão em uma das mãos em uma estação ferroviária perdida em algum lugar poeirento do Mississipi dos anos 40. A bem da verdade, o tal negão desta capa pode muito bem ser um pai-de-santo baiano ou percussionista da Timbalada e a estação provavelmente fincada nos confins de Salvador. Não, vocês não xuparam tóchico, é isto mesmo: a Dr. Cascadura é da Baêa. Outra lembrança que me vem à mente de imediato foi minha surpresa diante do som que Fábio 'Cascadura' Magalhães (vocais), Toni Oliveira (guitarras), Ricardo 'Flash' Alves (guitarras), Cândido Souto (guitarras), Alex Pochat (baixo) e Jean Louis Franco (bateria) faziam espoucar pelos falantes já aos primeiros acordes de 'Nicarágua': "Puta que o pariu! Jacksonville é na Bahia!!! Habemus nosso Lynyrd Skynyrd!!! Alguém me traga um Jack (Daniels)!!!". É claro que, após uma audição mais acurada, percebi que outras influências setentistas se faziam presentes e até a aproximação com nossa querida Black Crowes era evidente. Está tudo aqui, da formação com 3 guitarras entrecortantes e perfeitamente timbradas ao irresistivel groove sulista, por mais improvável que possa parecer. Bem, se tomarmos por base que, geograficamente, Salvador situa-se ao sul da Georgia, pode até fazer algum sentido.
Lançaram, até o momento, 4 bons trabalhos mas, a cada novo disco e sempre com severas alterações na formação, estas raízes southern esvaiam-se -embora todos sejam muito bons no que se propõem- engolidas pelo sabor indie e, hoje, apesar do prestígio e da aura cult que colheram pelo caminho, são apenas um córrego do que um dia já foi um afluente do Ol' Mississipi pororocando no Velho Chico.
Lançaram, até o momento, 4 bons trabalhos mas, a cada novo disco e sempre com severas alterações na formação, estas raízes southern esvaiam-se -embora todos sejam muito bons no que se propõem- engolidas pelo sabor indie e, hoje, apesar do prestígio e da aura cult que colheram pelo caminho, são apenas um córrego do que um dia já foi um afluente do Ol' Mississipi pororocando no Velho Chico.



