A Days Of The New é, para todos os efeitos, uma banda de um só homem. Seu nome? Travis Meeks. Não me perguntem o porque de alguns músicos sentirem a necessidade de se expressar 'como' banda. Talvez Jung explique...é, porque Jung é mais rock'n'roll que Freud.
O DOTN nasceu em Indiana, mas fincou raízes em Louisville, em 1995.
Após o mais do que necessário circuito de bares, uma demo de Travis Meeks, sob o codinome Days Of The New, caiu nas mãos de um executivo de um pequeno selo, Outpost Rec., que imediatamente começou a trabalhar o material já composto por Meeks, que arregimentou alguns velhos conhecidos -Todd Whitener (violões), Jesse Vest (baixo) e Matt Taul (bateria)- para esse registro.
Em 97 é lançado este primeiro trabalho, auto-entitulado, mas conhecido por 'Orange', fazendo com que a banda fosse saudada pela mídia como a primeira de grunge acústico. Exageros a parte, é verdade que algo nas harmonias e melodias de Meeks têm um pé no estilo mas, como todo rótulo, é extremamente simplista. O álbum, além de excelentes composições, traz uma banda afiada e com ótimas tramas de violões em arranjos extremamente bem cuidados e o registro vocal peculiar de Meeks, transitando entre Ed Kowalczic (Live) e Eddie Vedder (Pearl Jam), bem conduzido pela produção do craque Scott Litt. É impressionante o peso conseguido pela banda utilizando apenas instrumentos acústicos! Resultado: mais de 2.500.000 cópias vendidas em todo o mundo -para um selo obscuro, é um feito e tanto. E isso os credenciou a excursionar com o Metallica!
Mesmo assim, Whitener, Vest e Taul saem para fundar a Tantric.
Em 99, apenas alguns meses após a debandada, sai 'Green'. Este segundo trabalho, apesar de gravado com uma banda arregimentada as pressas -Craig Wagner e Doug Florio (violões e guitarra), Brian Vinson (baixo), Kimmet Kantwell (teclados), Nicole Scherzinger (vocais) e Ray Rizzo (bateria), é saudado pela crítica como uma obra genial, a confirmação de um talento já muito bem delineado desde seu primeiro trabalho. Realmente, é um belíssimo e vigoroso álbum onde os arranjos ganham elementos de cordas e sopros mas, sempre, sem abandonar o peso imposto por seus violões e uma cozinha estraçalhadora -apesar de já haver pequenas inserções de guitarra em 2 ou 3 canções. Imposição de mercado? Talvez...mas, apesar da beleza, vendeu pouco mais de 800.000 cópias mundialmente.
Mantendo a rotina, para a gravação de 'Red' (2001), Meeks muda tudo (ou quase) novamente. O 'quase' fica por conta de Rizzo, que permanece na banda. De resto, todo o line-up é alterado: Chuck Mingis assume violões e guitarras e Michael Huettig o baixo. Com isso, Meeks faz a banda retornar ao básico em termos de formação mas traz definitivamente a guitarra para sua sonoridade e adiciona ainda mais elementos orquestrais. Não há dúvidas de que 'Red' é um tremendo álbum, até porque o talento de Meeks para excelentes composições e arranjos continua irretocável. E se a incorporação de guitarras retirou um pouco da magia da sonoridade única do Days Of The New, acenou com mais possibilidades sonoras.
Um quarto álbum está prometido para ainda este ano e deverá se chamar 'Purple'.
Quais serão as novidades?
Em tempo:
1.Os codinomes utilizados para identificar os álbuns, devido a nenhum deles ter um título, segue o matiz predominante em cada uma de suas capas.
2.Adicionei um link para um vídeo com uma lindíssima interpretação de Travis Meeks com The Doors para 'The End'.