segunda-feira, 10 de junho de 2019

GYPSY DREAM-BAD WINDS (1999) / Re-postagem


Mais uma re-postagem de um material, ainda hoje, impossível de ser encontrado boiando na Grande Rede. Aproveito, então, para me desculpar com o parceiro que me acessou até pelo messenger implorando por novos links, pela demora. Ocorreram diversos percalços -incluindo o desaparecimento da pasta com a capa e encarte, que tiveram de ser novamente escaneados-, sendo o último um bug no programa de extração e conversão, permitindo-me fazê-lo apenas para a extensão flac
Portanto, não se acostumem com este formato pois esta, provavelmente, será a primeira e última vez de uma postagem em padrão lossless por aqui.

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Originalmente publicado em 20.09.2010.



Sou um apaixonado por bancadas de saldão de CDs/DVDs. Acho que já o afirmei muitas vezes por aqui...mas é a mais pura verdade; a ponto de, passando em frente a um, ter de virar o rosto para o lado oposto para resistir à tentação. E foi justamente no ano de lançamento deste 'Bad Winds' que, batendo perna pelas ruas do Centro de minha Cidade Maravilhosa, dei de cara com uma destas banquinhas com o convidativo cartaz "1 por R$ 5,00, 3 por R$ 10,00" e resolvi  conferir, mesmo que só para relaxar. E não é que no meio de títulos como 'Ivanildo e o Sax de Ouro Vol. 25', 'Love Songs With Richard Clayderman', discografia completa de Enya e Kenny G, dentre outros tantos ainda menos notáveis, saquei um 'The Best Of Spirit', o primeirão da Eagles e...putz!...precisava de um terceiro para ter direito ao desconto. E agora, o que fazer? Uns 15 minutos depois, optei por levar aquele disco de capa pretensiosa e com uma mandala em destaque, até porque pensei: "Essa bagaça tem toda pinta de ser heavy metal. Entonces, se for du bão, ótimo pra mim; caso contrário, não vai faltar amigo headbanger pra passar adiante e até descolar um lucro em cima". E assim tomei contato com esse disco e, já na faixa-título, fui surpreendido com a sonoridade e competência desta banda...curitibana!!! Claro que sei do potencial da cena metal de Curitiba, só não fazia ideia sequer da nacionalidade da banda até deslacrar o CD. Acho que não preciso dizer que estou com a bolachinha até hoje e, em uma rápida pesquisa na rede, não encontrei postagem com esse material; portanto, até prova em contrário, esta é uma exclusividade G&B.
A Gypsy Dream de Rodrigo Vivaz (vocais), Edson Borth (guitarras/violões), Marcos Dittert (baixo), Marcelo Wanderley (teclados/guitarra) e Mário Oliveira (bateria/percussão) surpreende de várias formas, da competência de seus integrantes às excelentes composições registradas de maneira consistente, apesar da sonoridade meio chapada da bateria mas sem comprometimento da excelente performance de Oliveira. A lamentar, apenas a insistência de Rodrigo -um dos melhores vocalistas do gênero no país com seu timbre emulando um sarapatéu (huuummmm...bateu a larica!) de Dio/Wylde/Cornell/Hughes/Coverdale e em um inglês irrepreensível- em soltar aqueles arrotos típicos do thrash metal, muito em evidência à época (apesar de lançado apenas em '99, todo o disco foi gravado em '97) e, por conta disso, costumo pular as faixas 'In The Mud' e 'Zoopain'. Mas todas as demais compensam com muitas sobras os deslizes cometidos nestas e com destaque absoluto para 'Tired' (uma das baladas heavy mais fantásticas que conheço!), 'I Remember Now' (que bela pancada rainbowiana nas orêia!), 'Underworld', 'Truth In Papyrus', 'Gypsy Dream' (um belo tema para violão) e a chiclete 'Bad Winds' (só a fórceps se consegue estirpá-la da cachola). Atrevo-me até em afirmar que quaisquer destes títulos fariam muito bonito se incluídos no repertório de quaisquer dos grandes nomes gringos do gênero.
A Gypsy Dream deixou um belo legado -não sou um expert em heavy metal mas conheço poucas bandas brazucas do gênero com um trabalho tão forte- registrado neste 'Bad Winds' e, infelizmente, não tenho notícias de nenhum outro álbum ou se mesmo continua em atividade.


segunda-feira, 3 de junho de 2019

LACHY DOLEY

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Não sei vocês, mas eu sou um apaixonado pela sonoridade dos órgãos Hammond e dos clavinetes desenvolvidos pela Hohner. E foi graças a estas paixões que conheci o australiano Lachy Doley, quando de uma apresentação com Joss Stone, em sua última turnê antes de uma pausa para dedicar-se à gravidez. Sua performance naquela apresentação, em um instrumento que nunca antes havia sequer suposto existir, me deixou de queixo colado ao chão. E assim, além de conhecer o Whammy Clavinet, do qual descobri ser Doley seu principal endorsee, tomei contato com um artista raro, dono de voz e expressividade nas teclas personalíssimas e uma presença de palco contagiante, daquelas do tipo 'exagerado jogado aos seus pés'.
Nascido em Adelaide, em 1978, desde cedo foi um aficionado pelas teclas, em muito por seu irmão mais velho -Colin Doley-, já um reconhecido session man regional. Juntos, formaram, em meados dos anos 90, um duo, tendo Colin no Hammond B3 e Lachy no Hohner Clavinet, de relativo sucesso mas muito prestígio, contando sempre com as vozes de convidados. Esta incômoda dependência, fez com que Lachy iniciasse esforços no sentido de cobrir essa lacuna com um mínimo de qualidade. Com o interesse de Colin por outras atividades -hoje, um renomado produtor musical e diretor de TV-, restou ao caçulinha montar sua própria banda, enquanto seguia moldando seu estilo em sessões de gravação cada vez em maior número. Desta forma, tornou-se o mais requisitado de todo o continente. Que, acreditem, acabou por ficar pequeno para seu talento...
E assim, iniciou-se a grande carreira de um músico único em seus instrumentos e uma veia autoral afiadíssima, lindamente emoldurada por interpretações pungentes e de uma energia visceralmente inigualável.


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