Teena Desai
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
THE LAST INTERNATIONALE
Muito se diz que, após o punk, o rock despiu-se de vez do engajamento e rebeldia que sempre o caracterizaram em troca de acomodação e muitos dólares. E não há muito a apresentar em defesa do gênero musical mais amado do planeta neste sentido. Não que tal característica seja uma obrigação, mas o heavy 'hair' metal oitentista recheado de 'sofrência' em seus versos foi, no mínimo, uma afronta a quem nasceu e cresceu com uma trilha sonora irretocável proporcionada pelas duas décadas anteriores. A despeito da importância de tal heresia para sua sobrevivência naqueles tempos dominados pelo hedonismo yuppie e a glamourosa new wave. Mas aquela década passou e o grunge acabou por trazer de volta um tanto de sua rebelde força poética e sonora de volta, mesmo que por tão pouco tempo, visto que passamos, neste século que ainda engatinha, por um cenário tão desalentador quanto aquele. Ao menos o suficiente para que a pecha de mainstream e acomodação volte a rondar nosso querido roquenrou.
Mas algumas bandas recusam-se a aceitar esta triste realidade. E uma delas é a novaiorquina, e já em atividade há quase 8 anos, The Last Internationale. E foi zappeando a TV madrugada a dentro que dei com as fuças no delicioso clipe de 'Wanted Man' e percebi a possibilidade de estar diante de uma banda dedicada ao nosso bom e velho rock'n'roll, como há algum tempo não (ou)via. Sabe aquela mistura da sensualidade andrógina de Joan Jett com a musicalidade de Chrissie Hynde e a atitude de uma Patti Smith? Pois é... E tudo isso com a pegada de uma Suzi Quatro! E assim, contando com a produção do lendário Brendan O'Brian e apadrinhado pelo talentosíssimo Brendan Benson, o power trio formado por Delila Paz na (excelente) voz e nas 4 cordas, o guitarrista Edgey Pires e o experiente baterista Brad Wilk entra em estúdio para registrar, em 2014, 'We Will Reign', seu primeiro álbum (um ano antes, ainda como duo, haviam lançado o EP 'New York, I Do Mind Dying'). E já de antemão, adianto ser uma das grandes surpresas desta segunda década de um século ainda em formatação. E as turnês com AC/DC e Stones só reafirmam isso. Como não se apaixonar pela forma como a bela Delila debulha seu baixo enquanto canta as dores de um mundo em crise emolduradas por rocks com forte marcação rítmica e apelo irresistível à dança? Experimente manter-se indiferente a petardos como a já citada 'Wanted Man', à panfletária 'Life, Liberty And A Pursuit Of Indian Blood', a 'Killing Fields' e sua levada no melhor estilo do Chicago Blues ou à virulência de 'Fire', com Wilk pagando tributo ao saudoso mestre John 'Bonzo' Bonham. Seu negócio são as baladas? Pois aqui você encontrará alguns poucos exemplares para um cheirinho no cangote mas que, certamente, estão entre os melhores do gênero, a começar por 'Devil's Dust'. Vale também citar o lindo r&b clássico de 'I'll Be Alright' e a bela releitura para 'Cod'ine', esta última abrindo o EP. E o fechamento com a veloz e ensurdecedora '1968' -praticamente, uma carta de intenções da banda- nos deixa a esperançosa sensação de que ainda existe muita força no rock, mais do que suficiente para resgatá-lo à sua função rebelde, iconoclasta e anti-establishment. Só precisamos voltar a dançar por essa música. Tipo "dançar pra não dançar"...sacou?
Pra Apertar E Acender Agora:
The Last Internationale
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
THE TEMPERANCE MOVEMENT-WHITE BEAR (2016)
E, finalmente, o sucessor da The Temperance Movement para seu excelente álbum de estreia, que, inclusive, lhes valeu turnê com os Stones, saiu do forno. E 'White Bear' conseguirá surpreender a quem se apaixonou pelo rock recheado de influências southern/country/blues produzido pela banda inglesa em seu primeiro trabalho. Aqui, o talentoso quinteto aliou ao seu já poderoso mix, o garage beat e a psicodelia londrinos. E não se saiu nada mal, muitíssimo pelo contrário. E pancadas como 'Oh, Lorraine', 'Three Bullets', 'Modern Massacre', 'Magnify' (a mais saltitante) e a linda e melancólica faixa-título são ótimos exemplos disto em um álbum enxuto em seus pouco mais de 35 minutos de duração, além de confirmar Phil Campbell entre os grandes gogós da atualidade.
Curtiu? Quer conhecer mais? É só dar uma voada por aqui.
PS: agradecimentos especialíssimos ao meu spacey brodim Maddy Lee pelo alerta e um link para esse disco.
PS: agradecimentos especialíssimos ao meu spacey brodim Maddy Lee pelo alerta e um link para esse disco.
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The Temperance Movement
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
CIRCLES AROUND THE SUN-INTERLUDES FOR THE DEAD (2015)
A Grateful Dead do saudoso Jerry Garcia é, inegavelmente, o ícone máximo da lisergia e do saudável hábito de promover longas jam sessions em palcos. Poucas bandas podem se dar ao luxo de afirmar ter criado uma nação, até mesmo uma dinastia, em torno de sua música. Talvez apenas Lynyrd Skynyrd e Allman Brothers Band possam ainda ser incluídas neste seletíssimo grupo. Para atender este fidelíssimo séquito movido a LSD e maconha é que pipocam tributos dedicados aos Deads por todo o continente norte-americano. Além de reuniões dos integrantes originais remanescentes -Mickey Hart, Bill Kreutzman, Bob Weir e Phil Lesh- com 'familiares' do porte de Trey Anastasio e Bruce Hornsby. E foi justamente para uma destas reuniões, a 'Fare Thee Well', realizada entre os dias 3 e 5 de julho de 2015 em comemoração aos 50 anos de criação da banda, que o videomaker Justin Kreutzman, filho de Bill e responsável pelos vídeos a serem projetados durante os intervalos, incumbiu Neal Casal, guitarrista da Chris Robinson Band, da produção, a toque de caixa, de, ao menos, 5h de material para ser utilizado como trilha para seu trabalho. Afinal, como de hábito nas apresentações da Grateful Dead, eram esperados em torno de 4 horas de apresentações por noite e períodos para descanso faziam parte da programação. E ainda com diversos convidados, o que demanda algum tempo de reordenação de palco.
Para tamanha empreitada, Casal cercou-se de seu companheiro de banda, o tecladista Adam McDougall, o baixista Dan Home e Mark Levy nas baquetas, com os quais trancou-se por dias em um estúdio e coletivamente criaram fiapos de temas que foram dissecados e eviscerados em longos improvisos, todos devidamente registrados ao vivo e totalmente desprovidos de overdubs. O resultado foi tão bom, superando e muito todas as expectativas, que resolveram lançá-lo comercialmente. Não espere ouvir aqui sequências muito lógicas, mas apenas a música em seu sentido mais puro. Na melhor tradição da banda objeto de adoração por parte de todos os envolvidos.
O melhor a fazer é deitar-se ao chão de seu quarto munido de um bom fone, dar o play enquanto a fumaça preenche o vazio do ambiente e esvazia sua mente e...bon voyage!!!
Para tamanha empreitada, Casal cercou-se de seu companheiro de banda, o tecladista Adam McDougall, o baixista Dan Home e Mark Levy nas baquetas, com os quais trancou-se por dias em um estúdio e coletivamente criaram fiapos de temas que foram dissecados e eviscerados em longos improvisos, todos devidamente registrados ao vivo e totalmente desprovidos de overdubs. O resultado foi tão bom, superando e muito todas as expectativas, que resolveram lançá-lo comercialmente. Não espere ouvir aqui sequências muito lógicas, mas apenas a música em seu sentido mais puro. Na melhor tradição da banda objeto de adoração por parte de todos os envolvidos.
O melhor a fazer é deitar-se ao chão de seu quarto munido de um bom fone, dar o play enquanto a fumaça preenche o vazio do ambiente e esvazia sua mente e...bon voyage!!!
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Circles Around The Sun
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
LAYLA ZOE
O ano de 2016 mal se inicia e já encaçapo mais uma das minhas divas do blues. Desta vez, uma sardenta de longas madeixas ruivas, nascida no Canadá e já com extensa carreira estabelecida no Velho Continente, praticamente tendo a Alemanha como uma espécie de bunker. Já acostumada, desde a mais tenra idade, ao espanto que causava com suas incendiárias aparições em sua British Columbia natal e arredores, onde começou a ser conhecida como 'Queridinha do Blues', sempre estimulada pela coleção de álbuns de blues e soul de seu pai, devorados sem parcimônia ao longo da infância e adolescência, sua carreira obteve um notável impulso ao vencer, em 2006, um concurso de composições dedicadas ao gênero na...Finlândia!!! A partir de então, passou a percorrer todo o circuito blues europeu, de Polônia e Austria à Rep. Tcheca e França. A seu currículo, ao longo dos quase 10 anos que seguiram, além de 6 excelentes álbuns e até mesmo uma passagem por uma edição do 'Canadian Idol', os 2 últimos de estúdio -'Sleepy Little Girl' e 'The Lily'-, já sob a batuta do conceituado guitarrista e produtor alemão Henrik Freischladder e ambos com boa penetração nas rádios especializadas, foram juntando-se nomes do porte de Sonny Landreth, o já falecido Jeff Healey e Susan Tedeschi. Alternando excelentes composições de própria lavra, seja solo ou em parcerias, e alguns standards, a discografia da ruivinha desce redondinha. E sua performance apaixonada, aliada a um timbre cru e de drive perfeito, é condição sine qua non para esse notável resultado.
No caso de dúvidas, sugiro começarem pelo ao vivo, e também seu mais recente lançamento, 'Live At Spirit Of 66', prestigiado club belga em que a sardentinha tem palco cativo. Aqui, como se não bastasse o perfeito apanhado de sua carreira, Zoe contou com o auxílio luxuosíssimo de uma fantástica banda formada pelo soberbo guitarrista Jan Laacks, Greggor Sonnenberg nos graves e Hardy Fischoetter esmurrando com precisão seus tambores, todos alemães e, seguramente, entre os melhores músicos que ouvi fora do circuito USA/UK do gênero em, ao menos, 20 anos.
Pra Apertar E Acender Agora:
Layla Zoe
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