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sexta-feira, 8 de abril de 2011

EU FUI!!!

E saí do Citibank Hall/RJ, caixão de concreto para quase 8500 corpos encravado naquele bairro (há controvérsias!) esquecido por Deus -digo, Jeff Beck- chamado Barra da Tijuca, com uma tremenda sensação de amor e ódio. Não porque o show tenha sido ruim, muito pelo contrário, e ao final desta resenha, para os que aguentarem lê-la até o fim, espero ter deixado claro os motivos desta dicotomia. 
Noite de sábado, 02 de Abril. Saímos, eu e meu headbanger-eternamente mirim, tremendamente excitados para assistir ao show de uma das bandas pelas quais nutrimos admiração -ok, meu filho na verdade é fanático- e os 50 minutos de buzum (é, não fui de carro pois já saí fumadão de casa e não iria ficar sem beber nem por um c.......!!!) que nos separavam de nosso destino final passaram muito rápidos entretidos  que estávamos com debates acalorados sobre qual seria a música de abertura, gatinhas e mais gatinhas que entravam naquele desconfortável cata-corno que costumam chamar de ônibus, sobre o set list provável, mais gatinhas, etcéteraetal. Logo ao chegarmos nos deparamos com uma fila abissal ainda do lado de fora...do estacionamento do Via Parque Shopping!!!! Pode isso??!!! E ai de quem ousasse abandonar seu posto para procurar um ambulante vendendo uma cervejinha gelada! Seu destino seria o retorno ao final daquela sucuri gigante e sem a tal da cerveja pois, i-n-e-x-p-l-i-c-a-v-e-l-m-e-n-t-e, não se avistava um bendito ambulante em um raio de, calculo eu, 10km. Este é apenas um dos motivos de Barra da Tijuca não poder ser considerado um bairro pois onde já se viu um bairro sem ambulantes ou botecos? Tudo bem, alguns exageram na dose mas, com 4500 seres humanos sedentos por líquidos alcoólicos ou não, não aparecer unzinho que fosse já é demais. E assim seguiram os primeiros 30 minutos até que entrássemos naquela imponente tumba de concreto armado e, por motivos óbvios, seco por um goró, me dirigisse ao primeiro baú de bebidas ávido por comprar uma latinha e tomá-la em um só gole. No entanto, o que quase consegui, já com a latinha gelada de Itaipava nas mãos, foi um AVC ao ouvir do simpático vendedor o preço da dita cuja: R$ 6,00!!! Não, vocês não fumaram orégano mofado. É isso mesmo: 6 merréu!!! Mas...tudo bem...eu estava lá...meu querido filho também com seus olhinhos brilhando admirados com aquele palco de boca de cena bem generoso, eu já tentando identificar alguns equipamentos naquele cenário estranhamente limpo de muralhas de amps comuns ao gênero, muitos clássicos hard/heavy espocando dos PAs e um mar absolutamente preto -só então percebi que eu devia ser dos poucos que tinha uma camiseta colorida, no caso verde, no armário- pulando e berrando "Sevenfold! Sevenfold!" como uma enorme tsunami metal. Era o Paraíso!!!

Às 10 em ponto vem a deixa de que o grande momento estava para chegar quando dos falantes inesperadamente surge uma surpreendente 'Sounds Of Silence' de Simon & Garfunkel. Mais inusitado foi ouvir um enorme coro de metalheads cantá-la em um inglês (aparentemente) perfeito. É...2012 está aí.
E quem apostou em 'Nightmare' como abertura se deu bem. Simplesmente apoteótica e um bom começo para Arin Ilejay, a quem coube substituir o lendário Mike Portnoy -responsável pelas baquetas do álbum 'Nightmare' e, por sua vez, substituto do saudoso pupilo Jimmy Sullivan (aka The Rev). E foi assim, sem deixar a peteca cair que o skater M. Shadows, um fantástico frontman e vocalista personalíssimo; o mod Zakky Vengeance, subestimado guitarrista e uma figura extremamente simpática; o premiadíssimo  guitarrista (excelente mão direita) e clone de Dragonball Z Synister Gates e o baixista punk de butique Johnny Christ,  alternaram clássicos do porte de 'Critical Acclaim' (que pegou a todos de surpresa com a manutenção do vocal de The Rev através de base pré-gravada), 'Beast & The Harlot' e 'Bat Country' com itens mais underground de sua discografia e o restante do set dedicado ao novo álbum, como a já citada faixa-título, a grooveada e irresistível 'Welcome To The Family', a acelerada 'God Hates You' e muitas homenagens a Sullivan, até mesmo por fãs que a todo momento jogavam faixas para o palco, sempre orgulhosamente exibidas pelo gente finíssima Shadows.

Em determinado momento, já pressentindo o final do set normal, todos começamos a pedir por 'A Little Piece Of Heaven', mesmo sabendo que outros hinos como 'Scream', 'Seize The Day' e 'Almost Easy' também não poderiam ficar de fora. E o set termina com a melancólica 'Unholly Confessions'. Restava-nos aguardar pelo bis que, julgávamos, traria ao menos uma (talvez, até, duas) daquelas como prelúdio para o grand finale com a masterpiece 'A Little Piece Of Heaven'
Mas foi aí que todos caímos do cavalo. E, como que optando por um anti-climax, resolvem voltar ao palco com a bela e soturna 'Fiction', última canção composta com a participação de The Rev, e a meio modorrenta 'Save Me'. Certamente, um final decepcionante para um espetáculo impecável até aquele instante com pirotecnia na medida certa, um cenário simples mas muitíssimo eficiente, twin guitars de raras musicalidade e plasticidade executadas com maestria pelo canhoto Vengeance e o destro Gates, a interatividade perfeita de Shadows com a platéia e com Ilejay demonstrando muita personalidade perante a responsabilidade de substituir integrantes tão emblemáticos. À saída, o consenso era de que havíamos assistido um excelente, apesar de seus curtos 90 minutos, espetáculo de hard/heavy. Mas o gostinho de 'quero mais' era por demasiado amargo.

Assim como foi unanimidade entre todos os que não moravam no bairro (insisto que há controvérsias) e arredores de que àquele lugar esquecido por Deus -digo, Jeff Beck- poucos retornarão. Simplesmente porque é absolutamente inviável sair de lá que não através de táxi, meio de transporte conseguido após um périplo de quase 1 hora que me custou 'um galo' para percorrer os menos de 20km que separam aquele ermo espaço urbano dedicado ao mau gosto arquitetônico do bairro (este, sim!) que nos legou o gênio Noel Rosa. E meu Xing-LingBerry marcava apenas 11:30h da noite quando do fim do show!!! 'Rock In Rio IV'? Tô fora!!!

domingo, 28 de novembro de 2010

EU FUI!!!!

Estou por horas tentando preencher esta tela em preto com algo que, de verdade, traduza meu sentimento -e de todos os presentes, pois rodei pela pista e vi a mesma expressão misto de incredulidade e êxtase em cada rosto- naquela noite chuvosa de 24.11.2011 no Vivo Rio. Sinceramente, não vejo outra maneira que não a de apelar para a religião. Afinal, como esperar que alguns milhares de cabeças desloquem-se do aconchego de seus lares no dia mais violento da história de sua Cidade Maravilhosa para encontrar-se com um senhor de 66 anos se não por uma motivação divina? Já à entrada, enquanto esquentava as turbinas e encontrava amigos que, em muitos casos, não via já há alguns anos e fazia novos (a arte tem esta enorme capacidade gregária), percebia-se a excitação de todos com aquele momento que desenhava-se já histórico.

E a verdade é que aquele caixote de concreto que a empresa que o gere e empresta seu nome teima em chamar de casa de espetáculo, já aos primeiros acordes daquela mágica Strato branca, transformou-se em uma mesquita e a Meca aquele palco de tímida mas eficiente boca de cena em que, a partir de então, passaria a reinar absoluto -mas muitíssimo bem acompanhado por seu fiel escudeiro e que muito subiu em meu conceito devido a uma apresentação impecável, Jason Rebello; a soberba baixista e cantora Rhonda Smith e a lenda das baquetas 'Narada' Michael Walden- a divindade máxima da guitarra: Jeff Beck. Com a introdução de 'Stratus', o estado catártico da platéia já havia se tornado flagrante e os primeiros sinais de 'fumaça' puderam ser percebidos. Em sequência, seguiram-se recentes e antigos clássicos como 'Led Boots', 'People Get Ready' (arrancando-me as primeiras lágrimas em sua versão totalmente instrumental), 'Big Block' (o melhor power blues instrumental já escrito), 'A Day In The Life' (que me desculpem os Fab 4, mas esta é a versão definitiva), 'Hammerhead' (que riff!) e  'Nessum Dorma' (ainda acho a tecladeira meio caretona mas foi ovacionada) misturado a coisas inesperadas como 'Rollin' & Tumblin'' e 'I Wanna Take You Higher', proporcionando a Mrs. Smith belas demonstrações de pleno domínio vocal e muito carisma -talvez adquiridos nos muitos anos com Prince-, e 'How High The Moon', um raro momento em que volta a trocar afagos com sua antiga companheira Gibson Les Paul preta.   

A destacar o fato de que, apesar de tão pouco tempo juntos, todos os músicos tiveram um desempenho exemplar, ao ponto de sentir que o timbre inigualável, o  estilo personalíssimo no finger style, a criatividade sempre surpreendente e a precisão do trêmolo de JB tem, como há muito não víamos, uma banda de verdade nas mãos; um seleto grupo de músicos, além de fantásticos como todos com os quais já dividiu palcos e estúdios em seus mais de 50 anos de carreira, imbuido do firme propósito de desenvolver em um breve futuro trabalhos que venham a tornar-se referências na carreira daquele monstro sagrado que tão generosamente lhes estendeu tamanho grau de confiança, como em 'Wired', 'Blow By Blow', 'There & Back' e 'Guitar Shop'.

É claro que, com menos de 2 horas, muitos clássicos acabaram por ficar de fora; no entanto, tivésemos 5 horas de Jeff Beck em cima daquele palco (ou será púlpito?) e continuaríamos sentindo falta de algo. E este sentimento de 'quero cada vez mais' só corrobora a genialidade e atemporalidade de seu trabalho. Só para ilustrar, puxando muito rapidamente por minha já combalida e cinquentenária memória, ficaram de fora do set list -de 20 músicas!!!- unanimidades como 'Cause We've Ended As Lovers', 'Goodbye Pork Pie Hat', 'Blue Wind' 'The Pump', 'The Golden Road', 'Star Cycle', 'Behind The Veil', 'Where Were You' e 'Nadia'. Particurlamente, a ausência desta última foi a que me causou maior frustração pois pretendia fazer uma surpresa a meu headbanger-eternamente mirim transmitindo-a pelo celular, por ser a sua predileta.
Sim, mesmo os deuses erram mas, a despeito disso e de uma minúscula 'engasgada' aos primeiros segundos de 'Nessum Dorma', a minha fé em Deus -digo, Jeff Beck- continua não só inquebrantável como cada vez maior. Já posso morrer feliz pois, finalmente, vi e senti Deus. E Ele estava a poucos metros de mim.
E por muito pouco, este dia não entrou para a História como 'O Dia Em Que Os Guitarristas Cometeram Suicídio Coletivo' -cheguei a flagrar alguns tramando sequestrar um ônibus e levá-lo para o Complexo do Alemão.

Alguns dos malucos que encontrei pelo caminho, tutti buona gente.

PS: agradecimentos muitíssimo especiais ao parceiraço, ao meu lado no centro da foto acima, Paulo César Nunes (aka PC) pelas belas imagens que ilustram esta postagem. 
Valeu, mesmo, mermão!!!

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VIDEOS




sábado, 2 de agosto de 2008

YEEEEEEAAAAAHHHHHH!!!



EU FUI!!!













Da séria série...
Não basta ser pai, tem que pagar mico customizando camisetas com os nomes das bandas prediletas de seu filho.







Inesquecível! Não encontro melhor palavra para descrever o dia 30.07.2008. E por, pelo menos, dois excelentes motivos: o show de uma das bandas que mais admiro atualmente e o prazer de estar proporcionando a quem mais amo -com a providencial ajuda de um 'VÓtrocínio'- sua estréia em grande estilo nos espetáculos de rock de grande porte.
Devo confessar que estava apreensivo com o show. Seja por achar que encontraria uma fauna de 'patrícias & maurícios' que nem sequer tinham idéia do trabalho da banda; por temer um Vivo Rio quase às moscas por tratar-se de uma banda, apesar de já com quase 15 anos de estrada, apenas recentemente introduzida ao mainstream pelas mãos de 'Supermassive Black Hole'; pela péssima fama da acústica do local; e o comportamento da banda fora de uma arena -seu habitat natural.
Meus dois primeiros temores logo se dissiparam quando, já na monstruosa fila de entrada, verifiquei que todos conheciam tanto quanto eu -provavelmente, até mais- do trabalho desenvolvido pelo trio. Chegou a formar-se um fórum sobre qual seria a música de abertura: 'Knights Of Cydonia' (meu voto) ou 'Hysteria' (essa a aposta de meu hedbanger-já não tão mirim).
Em pouco mais de 40 minutos, finalmente chegamos ao foyer e, após uma visita básica ao banheiro para o escoamento de duas latas de suco de cevada, nos dirigimos para a pista -neste instante ainda confortável- mas, para desespero de todos os presentes, irrompe pela boca de cena de dimensões apenas razoáveis, o responsável por esquentar o público para a atração principal: Jay Vaquer, o filho pouco talentoso de Jane Duboc e Gay Vaquer -de respeitáveis contribuições à música brasileira em seus currículos- e emo profissional. Após quase 40 minutos de uma platéia com os dedos médios enrijecidos, Jay & sua apenas competente banda são, deselegantemente, expulsos do palco pela produção que acendeu todas as luzes da casa e desligou o som no meio da -assim me pareceu- última música de seu sofrível set. Estamos combinados que não existem paralelos no panorama mundial para a música absolutamente pessoal e intransferível da Muse mas...Jay Vaquer? E, dessa vez, um de meus receios se confirmou parcialmente: o som, devido à acústica problemática, não era dos melhores. Mas, ao menos, bem superior ao da Fundição Progresso.
À esta altura, com a pista ainda confortavelmente lotada, somos, suavemente, empurrados para a frente até chegarmos à grade de divisão com a pista VIP (vulgarmente conhecida por 'gargarejo'). É lógico que tentei apelar -em vão- para a sensibilidade de um dos seguranças para que nos deixasse atravessar para este espaço, visivelmente mais seguro e confortável. Temendo pela integridade física de meu filho, visto nem ter começado o show principal e já estar começando a ficar desconfortável devido à grade, decidi -mesmo sob protestos do fedelho- dirigir-nos mais para a lateral direita e por ali ficamos.
Neste instante, macaco velho que sou, comecei a notar movimentações frenéticas no palco -bem simples, com todos os equipamentos à mostra e apenas um telão ao fundo- e uma parte da equipe técnica, já com tudo montado, extremamente preocupada com os canhões de de efeito pirotécnico, resultando em um atraso de 40 minutos.
Problemas solucionados, exatamente às 22:40, minha previsão se concretizou: após um breve trecho da apoteótica 'Dance Of The Knights' de Prokofiev sob nuvens de fumaça, soam os primeiros acordes da galopante e morriconeana 'Knights Of Cydonia'. E, pela primeira vez em 37 anos de muitos shows e a exemplo do que ocorre em todas as suas apresentações, assisti a uma multidão cantando em perfeito uníssono todo um riff de guitarra! Definitivamente, estava em casa...
Com 'Hysteria' em seguida, o público já estava completamente tomado. A catarse a que já havia assistido em seus dvds, e que pensava quase impossível acontecer por aqui, se confirmava e nenhum dos presentes parecia sentir falta da opulência de seus shows em arenas. Cada letra era cantada na íntegra. Cada riff, repetido por milhares de air guitars. O virtuosismo de cada músico exaltado por urros e comentários entusiasmados entre os intervalos das músicas.
E chegamos ao único hit em terras brazucas, 'Supermassive Black Hole', e a casa, como esperado, quase vem abaixo. Seguem-se mais duas das prediletas dos fãs, 'Butterflies & Hurricanes' e 'Sunburn' -adornada com alguma pirotecnia-, preparando para a jazzy standard 'Feeling Good' que, por sua vez, entrega de bandeja a delicada 'Invincible', cantada pela platéia com a suave reverência usualmente devotada a um hino. Impossível não se emocionar.
E aí, meus amigos, chegamos a mais um dos tours de force de quaisquer de suas apresentações: 'New Born'. Tudo bem que o piano branco de armário utilizado por Matt deixa muito a desejar em termos de timbre se comparado ao Kawai normalmente presente nos espetáculos top, mas isso somente interessa a chatos como eu pois a canção surtiu o mesmo efeito hipnótico de sempre na platéia.
E a partir daí seguiu-se uma fileira de pancadas -'Starlight', 'Time Is Running Out' (com uma interessante introdução bossa nova) e 'Plug In Baby'- como que já anunciando o último sopro daquela noite memorável. E 'Plug In Baby' confirmou-se como a última do set list ao receber o reforço de uma penca de imensas bolas de gás circulando ludicamente pela platéia. Mas a todos parecia óbvio que haveria bis. A questão era: 'Quantos?'.
Em menos de 3 minutos esta pergunta começou a ser respondida quando Dominic irrompe o palco com uma cartola verde-amarela e uma bandeira brasileira às costas, intima Matt e Chris e -como no terceiro bis do histórico show em Wembley- estraçalham em 'Stockholme Syndrome' e 'Take A Bow'. E só!
Só? É lógico que cada um de nós sentimos falta de algumas músicas -no meu caso, 'Bliss', 'Apocalypse Please', 'Blackout' e 'Muscle Museum', pelo menos- mas como lamentar 16 temas em 100 minutos de um show impecável? E que respondeu plenamente a um dos meus temores expostos acima: os caras mandam muito bem em qualquer palco e estão prontos para qualquer platéia. Ao ponto de tirarem de letra as já citadas deficiências acústicas da sala.
Mas o maior espetáculo da noite foi o semblante extasiado de um menino que pela primeira vez assistiu a um show de uma de suas bandas prediletas. Isto, sim, fez valer cada centavo investido nos ingressos. E, de quebra, ainda me senti com menos 25 anos pesando sobre meus pés. Muito embora tenham retornado em dobro no dia seguinte travestidos em dores por toda a carcaça.
Mas o que importa é estar com a alma lavada.



"It's a new dawn, It's a new day, It's a new life
For me
And I'm feeling good"

'Feelin' Good'

(Anthony Newley/Leslie Bricusse)

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

YEEEEEEAAAAAHHHHHH!!!

EU FUI!!!











Não basta ser pai, tem que saber customizar camisetas.

Inesquecível! Não encontro melhor palavra para descrever o dia 30.07.2008. E por, pelo menos, dois excelentes motivos: o show de uma das bandas que mais admiro atualmente e o prazer de estar proporcionando a quem mais amo -com a providencial ajuda de um 'VÓtrocínio'- sua estréia em grande estilo nos espetáculos de rock de grande porte.
Devo confessar que estava apreensivo com o show. Seja por achar que encontraria uma fauna de 'patrícias & maurícios' que nem sequer tinham idéia do trabalho da banda; por temer um Vivo Rio quase às moscas por tratar-se de uma banda, apesar de já com quase 15 anos de estrada, apenas recentemente introduzida ao mainstream pelas mãos de 'Supermassive Black Hole'; pela péssima fama da acústica do local; e o comportamento da banda fora de uma arena -seu habitat natural.
Já de cara, meus dois primeiros temores logo se dissiparam quando, já na monstruosa fila de entrada, verifiquei que todos que lá estavam conheciam tanto quanto eu -provavelmente, até mais- do trabalho desenvolvido pelo trio. Chegou a formar-se um fórum sobre qual seria a música de abertura: 'Knights Of Cydonia' (meu voto) ou 'Hysteria' (essa a aposta de meu hedbanger-já não tão mirim).
Em pouco mais de 40 minutos, finalmente chegamos ao foyer e, após uma visita básica ao banheiro para o escoamento de duas latas de suco de cevada, nos dirigimos para a pista -neste instante ainda confortável- mas, para desespero de todos os presentes, irrompe pela boca de cena de dimensões apenas razoáveis, o responsável por esquentar o público para a atração principal: Jay Vaquer, o filho pouco talentoso de Jane Duboc e Gay Vaquer -de respeitáveis contribuições à música brasileira em seus currículos- e emo profissional. Após quase 40 minutos de uma platéia com os dedos médios enrijecidos, Jay & sua apenas competente banda são, deselegantemente, expulsos do palco pela produção que acendeu todas as luzes da casa e desligou o som no meio da -assim me pareceu- última música de seu sofrível set. Estamos combinados que não existem paralelos no panorama mundial para a música absolutamente pessoal e intransferível da Muse mas...Jay Vaquer? E, dessa vez, um de meus receios se confirmou parcialmente: o som, devido à acústica problemática, não era dos melhores. Mas, ao menos, bem superior à da Fundição Progresso.
À esta altura, com a pista ainda confortavelmente lotada, somos, suavemente, empurrados para a frente até chegarmos à grade de divisão com a pista VIP (vulgarmente conhecida por 'gargarejo'). É lógico que tentei apelar -em vão- para a sensibilidade de um dos seguranças para que nos deixasse atravessar para este espaço, visivelmente mais seguro e confortável. Temendo pela integridade física de meu filho, visto nem ter começado o show principal e já estar começando a ficar desconfortável devido à grade, decidi -mesmo sob protestos do fedelho- dirigir-nos mais para a lateral direita e por ali ficamos.
Neste instante, macaco velho que sou, comecei a notar movimentações frenéticas no palco -bem simples, com todos os equipamentos à mostra e apenas um telão ao fundo- e uma parte da equipe técnica, já com tudo montado, extremamente preocupada com os canhões de de efeito pirotécnico, resultando em um atraso de 40 minutos.
Problemas solucionados, exatamente às 22:40, minha previsão se concretizou: após um breve trecho da apoteótica 'Dance Of The Knights' de Prokofiev sob nuvens de fumaça, soam os primeiros acordes da galopante e morriconeana 'Knights Of Cydonia'. E, pela primeira vez em 37 anos de muitos shows e a exemplo do que ocorre em todas as suas apresentações, assisti a uma multidão cantando em perfeito uníssono todo um riff de guitarra! Definitivamente, estava em casa...
Com 'Hysteria' em seguida, o público já estava completamente tomado. A catarse a que já havia assistido em seus dvds, e que pensava quase impossível acontecer por aqui, se confirmava e nenhum dos presentes parecia sentir falta da opulência de seus shows em arenas. Cada letra era cantada na íntegra. Cada riff, repetido por milhares de air guitars. O virtuosismo de cada músico exaltado por urros e comentários entusiasmados entre os intervalos das músicas.
E chegamos ao único hit em terras brazucas, 'Supermassive Black Hole', e a casa, como esperado, quase vem abaixo. Seguem-se mais duas das prediletas dos fãs, 'Butterflies & Hurricanes' e 'Sunburn' -adornada com alguma pirotecnia-, preparando para a jazzy 'Feeling Good' que, por sua vez, entrega de bandeja a delicada 'Invincible', cantada pela platéia com a suave reverência usualmente devotada a um hino. Impossível não se emocionar.
E aí, meus amigos, chegamos a mais um dos tours de force de quaisquer de suas apresentações: 'New Born'. Tudo bem que o piano branco de armário utilizado por Matt deixa muito a desejar em termos de timbre se comparado ao Baldwin normalmente presente nos espetáculos top, mas isso somente interessa a chatos como eu pois a canção surtiu o mesmo efeito hipnótico de sempre na platéia.
E a partir daí seguiu-se uma fileira de pancadas -'Starlight', 'Time Is Running Out' (com uma interessante introdução bossa nova) e 'Plug In Baby'- como que já anunciando o último sopro daquela noite memorável. E 'Plug In Baby' confirmou-se como a última do set list ao receber o reforço de uma penca de imensas bolas de gás circulando ludicamente pela platéia. Mas a todos parecia óbvio que haveria bis. A questão era: 'Quantos?'.
Em menos de 3 minutos esta pergunta começou a ser respondida quando Dominic irrompe o palco com uma cartola verde-amarela e uma bandeira brasileira às costas, intima Matt e Chris e -como no terceiro bis do histórico show em Wembley- estraçalham em 'Stockholme Syndrome' e 'Take A Bow'. E só!
Só? É lógico que cada um de nós sentimos falta de algumas músicas -no meu caso, 'Bliss', 'Apocalipse Please', 'Blackout' e 'Muscle Museum', pelo menos- mas como lamentar 16 temas em aproximadamente 100 minutos de um show impecável? E que respondeu plenamente a um dos meus temores expostos acima: os caras mandam muito bem em qualquer palco e estão prontos para qualquer platéia. Ao ponto de tirarem de letra as já citadas deficiências acústicas da sala.
Mas o maior espetáculo da noite foi o semblante extasiado de um menino que pela primeira vez assistiu a um show de uma de suas bandas prediletas. Isto, sim, fez valer cada centavo investido nos ingressos. E, de quebra, ainda me senti com menos 25 anos pesando sobre meus pés. Muito embora tenham retornado em dobro no dia seguinte travestidos em dores por toda a carcaça.
Mas o que importa é estar com a alma lavada.