segunda-feira, 30 de maio de 2011

B. P. II: O GAROTO DA PORTEIRA ATACA NOVAMENTE...

...e, como de hábito, mantendo o altíssimo padrão de seus trabalhos anteriores neste 'This Is Country Music', notadamente o fodástico 'Play (The Guitar Album)' de 3 anos atrás, seu trabalho mais autoral e um marco em sua carreira. Não vou me alongar muito pois tudo que dissesse agora nada acrescentaria ao que já escrevinhei aqui. Mas se alguém não sair quicando com 'Working On A Tan' e seu impressionante solo, ou repentinamente sentir-se em um estádio lotado cantando o refrão de 'Camouflage', impregnar-se do raw country de 'Toothbrush' e imaginar-se em pleno Tennessee com o groove regado a um contagiante banjo de 'Be The Lake' ou ainda não arrepiar-se ao relembrar os old fashioned westerns no genial tributo de 'Eastwood', será porque não tem o rock em sua essência entranhado em suas veias. E o que dizer do lindo libelo em defesa do gênero que escolheu para expressar seu enorme talento e que dá nome ao álbum? É claro que, para tanto, algumas xaroposas baladas surgem pelo caminho, mas podem ser facilmente desviadas com um simples toque no controle.
Aproveitei esta ocasião para, também, disponibilizar o não menos excelente 'American Saturday Night', seu álbum de 2009 e até hoje ausente aqui no G&B por puro lapso.
Seja você um conhecedor do gênero, um admirador confesso, um detrator inveterado ou apenas apreciador de uma guitarra muitíssimo bem tocada, aqui está o supra-sumo. Mas andem rápido pois a Sra. DMCA é muito bem paga pela indústria discográfica do Tennessee -afinal, se ainda tem um gênero que vende muito, este é o country- para quebrar links e, de uma hora para outra, bye-bye, so long, farewell!




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VIDEO

segunda-feira, 23 de maio de 2011

SHAGGY-LESSONS FOR BEGINNERS (1975) / G&B Remasters

Fazendo uma bela faxina em meus já esgarçados HDs, dei de cara com esse link levantado há mais de 40 dias especialmente para o parceiro e habitante do lado negro da poça, Dagon (aka Araribóia Man/Nikiti Guy), que, inexplicavelmente, ainda não o disponibilizou em seu Hard & Heavy. Sendo assim, temendo por sua integridade face ao tempo de inatividade, resolvi trazê-lo para dividi-lo com todos vocês. O conteúdo é o mesmo sofrível rip de vinil que rola pela rede há um bom tempo mas, desta vez, em sua versão G&B Remaster turbinado com o custom artwork descaradamente 'cabritado' do Phrock. A restauração, executada há uns bons 4 anos, foi particularmente difícil visto que, afora os já tradicionais estalos e desgastes dos sulcos, o corte foi executado de maneira equivocada fazendo com que o início de cada faixa estivesse no final de sua imediatamente anterior. Juntar estes cacos e equalizá-los foi um trabalho de ourives mas valeu muito a pena.
Quanto à banda, a Shaggy nasceu na Suécia e trata-se de mais um item a corroborar o que sempre afirmei sobre a cena rock daquele país (e da região em geral), pródiga desde os anos 60/70 mas só há pouco descoberta via grande rede graças ao excelente momento -pode-se mesmo chamar de boom- que atravessa, traduzido no surgimento constante de excelentes bandas. O cenário está tão aquecido que ocorreram até mesmo alguns retornos aos estúdios e palcos de bandas lendárias daquele período. Não me perguntem como isso é possível em país de dimensões tão diminutas porque não saberia responder.
A lamentar apenas o fato de, diante de tantos relançamentos cobrindo seu histórico panorama por diversos selos locais e japoneses, este 'Lessons For Beginners' nunca tenha recebido esse privilégio. Bom, enquanto este momento não chega, divirtam-se com esta restauração by G&B Remasters.


segunda-feira, 16 de maio de 2011

dredg-CHUCKLES & MR. SQUEEZY (2011)

A dredg já é velha conhecida da casa -sua discog está disponibilizada aqui- e, apesar da polêmica envolvendo este seu novo trabalho, que muitos (na verdade, quase todas as resenhas que li apontam em uma mesma direção) acusam de uma 'traição' ao seu currículo, não poderia deixar de conferir uma das bandas que melhor trafega na difícil fronteira que separa (ou une?) o prog, o rock e o pop, que alguns progheads costumam denominar crossover. E a minha conclusão é que está se queimando 'palha' por muito pouco desde o anúncio do produtor escolhido para a nova empreitada, nada menos que Dan The Automator, célebre por seu trabalho com a...Gorillaz!!! Por tudo isso, parti extremamente receoso para audição deste 'Chuckles & Mr. Squeezy' e o grotesco da capa em nada ajudou. Será personagem de alguma nova franquia de 'terrir'?
Na verdade, confesso que fiquei muito positivamente surpreso. Para começar, o disco é infinitamente superior a tudo que li em todas as resenhas que o detratavam. Ok, superar um trabalho como seu antecessor, o fantástico 'The Pariah, The Parrot, The Delusion', é uma tarefa espinhosíssima e esperar isto de uma banda -mesmo que já com 18 anos de estrada sem alteração em seu quadro e um séquito considerável conquistado com um trabalho sempre privilegiando o respeito aos seus- é um grave erro. É certo que as expectativas aumentaram bastante desde então mas, tranquilizem-se, o bom e velho dredg a que todos estamos acostumados não alterou seu nome para 'Ximpan Zé' e está presente, firme e forte e, a não ser por um enxugamento (nada de tão exagerado) na octanagem das guitarras e no tamanho das faixas, com algumas dando a impressão de poder render bem mais com arranjos um pouco mais extensos, quase não se percebem os dedos de Dan nos controles -que, na minha opinião, ganhou um bom dinheiro para muito pouco, ainda bem! Ainda estão aqui a sonoridade orgânica, com todos os instrumentos (alguns bem inusitados e manufaturados pelos próprios integrantes) tocados pela banda, os frequentes ruidos rosas, a bela voz de Gavin Hayes e as composições ganchudas de sempre emolduradas por arranjos cheios de dramaticidade, apesar de ressentir-se do pouco uso de um dos emblemas da banda, a lap steel. Algumas destas composições estão entre as melhores de sua longa discografia e já vinham sendo executadas ao vivo -é o caso da acachapante 'Upon Returning'. Como não se emocionar com 'The Tent', escolhida para primeiro single; ou deixar de bater o pé com o pop com cérebro de 'Another Tribe'; ou mesmo ficar em silêncio absoluto para ouvir o lindo violão de 'Kalathat'? Está mais pop? Sim,  por que não? Se até Muse e The Mars Volta, só para citar alguns, fizeram concessões para atingir um mercado maior e nem por isso seus últimos trabalhos podem ser considerados menores -muito longe disso!-, por que não a dredg, cuja veia pop sempre foi mais afiada que as 2 citadas?
Querem saber? De ruim, 'Chuckles & Mr. Squeezy' só tem a capa.



segunda-feira, 9 de maio de 2011

MY MORNING JACKET-CIRCUITAL (2011)

My Morning Jacket é o tipo de banda que nunca decepciona seus admiradores, até porque estes tem por obrigação manter-se preparados para surpresas a cada lançamento. Não que alterem significativamente suas diretrizes -ao vivo adotam uma postura quase heavy metal-, apenas aplicam aditivos ao seu personalíssimo escopo musical, que inclui country, folk, soul, muita psicodelia e um bem dosado jeitão indie. Desta vez, após o ensolarado 'Evil Urges' (2008), sucessor do magnífico e pesado 'Z' de 2005, nos brindam com 'Circuital',  um trabalho muito mais intimista, introspectivo e, por isso mesmo, privilegiando como nunca seu lado mais country/folk, o que poderá fazer com que os que, porventura, desconheçam a banda e/ou cuja educação musical reduza-se a atualizações periódicas através da MTV e suas congêneres, confundam, em alguns momentos, Jim James & Co. com a Fleet Foxes, nova sensação do alt folk e já nas graças das programações destes canais de TV. Nada contra a Fleet Foxes -muitíssimo longe disso pois acompanho sua carreira há algum tempo e não sei porque nunca fiz uma postagem com sua discog- mas muito de sua sonoridade -até mesmo no timbre de seu vocalista, Robin Pecknold- tem como fonte, indiscutivelmente, MMJ. Afinal, estes gravam desde 98 e sempre obtiveram muito feedback tanto da ala indie/underground como dos folkers.
Mas vamos ao que interessa: o disco é bom? É muito mais que isso, mas longe de figurar entre os melhores de sua discografia. Mas isso é ruim? De jeito nenhum. Afinal faz parte do processo de enriquecimento musical de qualquer artista com um mínimo de integridade profissional, a busca da superação de seus limites. E, como já disse, o público da My Morning Jacket anseia por isso.
Se você ainda não os conhece, pode começar por aqui mesmo e, querendo mais, é só dar uma chegadinha por aqui para baixar tudo da banda.


segunda-feira, 2 de maio de 2011

NOBS-TRAGIC MAGIC (2010)

Já há algum tempo sou cadastrado no portal da Trama Virtual, acervo com o melhor da música nacional contemporânea, e foi lá que conheci há uns 2 anos esta excelente banda gaúcha. À época haviam lançado apenas 2 EPs -seu epônimo de 2006 e 'Starmachine', lançado um par de anos após- e, confesso, apesar do excelente potencial do material, não me deixaram muitas esperanças devido à baixa qualidade da produção; na verdade, um total de 7 faixas em qualidade pouco superiores a simples demos. Lembro até de uma historinha que rolou mais ou menos assim: de passagem por Laranjeiras -bairro da zona sul carioca em que nasci, me criei e morei por 30 anos- para um happy hour com velhos amigos na célebre Casa (ou Bar, como preferirem) Brasil da Pça São Salvador, fui convidado pelo amigo de longa data Mário (não, não é aquele!), aproveitando que os demais membros da confraria ainda não haviam chegado, para uma 'fumaça do demo' em seu carro estacionado bem em frente. Já dentro do carro e com o 'baseado' ainda em fase de confecção, do dial explodia em alto som uma breguíssima 'Rosana', aquela mesma daquela banda com nome de cachorro gay. Inconformado, perguntei se não havia nenhum cd para aplacar a angústia de meus tímpanos. Diante da negativa, não tive dúvidas: abri minha pasta e puxei o primeiro cd  de miscelânea que apareceu à minha frente e o empurrei para dentro do player. Após algumas faixas, e já sensorialmente tomados pela brenfa, sempre de boa qualidade como é comum à região, começa a rolar um hardão que nos chamou a atenção de imediato a ponto de, já um tanto chapados, ficarmos em silêncio absoluto pelos intermináveis  segundos em que desfilavam os caracteres que identificariam seus autores naquele pequeno painel de cristal líquido. Assim que o nome 'Starmachine' apareceu, bradei "Ih, cara, essa é a Nobs, uma banda gaúcha que baixei lá no site da Trama Virtual. Bacaninha, né?". A resposta foi imediata: "Pooooorrrra! Bom demais isso aí! Tem certeza que é nacional?". "Absoluta!", respondi. Seguem-se mais alguns catrancos e, sabendo que haviam ainda 6 outras faixas da banda escondidas naqueles quase 700mb de mp3, saímos como loucos à procura destas e a sensação era sempre a melhor possível., a despeito da precária produção. Neste instante, até mesmo já divagávamos sobre o potencial internacional da banda e -nestes enfumaçados momentos, as ideias vem que vem!- cheguei a sugerir uma leve alteração no nome para (K)Nobs (assim mesmo, com o 'K' entre parêntesis) a fim de facilitar sua penetração no mercado gringo e, claro, a regravação de todo aquele material em padrões de produção mais profissionais. Não preciso dizer que aquele cd nunca mais me foi devolvido, né?

E não é que em uma de  minhas recentes blitzes pelos blogs parceiros, dou com as fuças na discog da banda postada  no excelente Melofilia capitaneado pelo parceiro Dugabowski??!! E já com a inclusão de seu mais recente EP, 'Tragic Magic', de 2010, e cujo lançamento desconhecia. O download foi imediato e, já aos primeiros acordes da faixa-título, uma pérola de diversidade musical com passagens que vão do mais puro power pop ao hardão mais progressivo adornado com tinturas glam e um tantinho assim de Jeff Lynne (ELO) em segundos, não tive dúvidas de que -agora sim!!!- estava diante de uma das melhores coisas que ouvi recentemente no rock tupiniquim e também pronto para tomar o mundo de assalto devido à qualidade daquelas 3 faixas que esmurravam meus falantes. Indescritível a sensação de ouvir o amadurecimento musical de Pablo Danielli, aqui aproveitando com maestria e sobriedade suas influências planteanas, Moisés Izidro esculachando nas harmonizações inusitadas e solos sempre muitíssimo bem colocados, os fraseados instigantes nas 4 cordas de Felipe Faraco e a quebradeira impecável de Guile Cardoso agora magistralmente registradas como há muito já mereciam e uma produção que procurou valorizar cada nuance de seus complexos arranjos. Tudo aqui está perfeito, até mesmo no cuidado com os timbres dos instrumentos. Ouso dizer que, houvesse tomado contato antes com este trabalho, teria feito bonito na briga pelo Prêmio Rabo de Raposa 2010.
Que venha agora um álbum e, se vale uma dica caso algum dos integrantes leia estas mal traçadas linhas, mantenho minha opinião de que muito do material de seus primeiros trabalhos prestaria-se a contento se produzido sob o mesmo padrão deste 'Tragic Magic'. Pensem nisso, rapazes.
Ah, e se quiserem aproveitar a dica do nome...