segunda-feira, 30 de março de 2015

CARGOE (Atualização)

Demorou mas, finalmente, um dos mais fiéis e queridos amigos do meu, do seu, do nosso G&B, Alessandro Peres, após uma caçada implacável em busca do link perdido, me enviou o material que faltava para completar a discografia desta excelente banda de southern/country rock. Pois então, sirvam-se, além de sua excelente estreia, agora também de 'Live In Memphis!', excelente registro de uma banda nos cascos, pronta para voos bem maiores, e 'Twenty-Ten', estupendo álbum de retorno às atividades provocado pela excelente aceitação que seu primeiro álbum recebeu blogosfera adentro.

*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*
Originalmente publicado em 26.08.2013.

Já sei o que você está pensando: "Iiiiiiiihhhhh...mais uma banda desconhecida de um passado não muito distante que algum maluco cismou que foi injustiçada!". Longe disso, mas não podemos ignorar o fato de uma banda criada em Tulsa ainda em meados dos sixties por quatro habilidosos compositores e instrumentistas -Bill Phillips (teclados/guitarra/vocais), Max Wisley (guitarra/baixo/vocais), Tom Richards (guitarras/vocais) e Tim Bentom (bateria/percussão/vocais)- e ainda sob o nome de Rubbery Cargoe, tenha obtido tanta receptividade por parte de um sem número de pessoas influentes do meio musical e até mesmo se tornado uma das grandes atrações da cena lisérgica da região, levando-os a ocupar por um bom período uma residência no prestigioso club The Machine. E foi o fechamento deste espaço, além da necessidade de uma maior dedicação aos estudos, alguns poucos anos depois, que decretou o fim daquela que é considerada por muitos a primeira banda de algum renome a sair de Tulsa. E o ano era 1969.
Mas bastou a chegada das férias de verão para que todos se reunissem e reencontrassem aquele entusiasmo incial, encurtassem o nome da banda para Cargoe e dessem um novo curso à sua história, agora via Memphis, TN, para onde já havia se mudado um grande amigo e DJ, agora responsável por uma influente rádio na meca do rock'n'roll e da country music. E assim o country/southern rock idealizado por aqueles quatro garotos encontrou um terreno fértil para absorver a alma da música que idolatravam. Mas, apesar da experiência que aquele período agregou a todos, as coisas pareciam não sair do lugar. Até que a Ardent Rec., pequeno selo distribuido pela Stax/Volt e normalmente associado ao power pop, acenou com um modesto contrato e 'Cargoe', o álbum, produzido pelo experiente Terry Manning, foi gravado e o primeiro single, 'Feel Alright', tornou-se responsável por uma demanda que a delicada situação financeira da distribuidora não permitiu atender. E assim, mais uma banda seguiu seu caminho rumo ao limbo. 
Com a venda da Stax/Volt para a Fantasy Rec., em meados dos '70, inicia-se uma batalha dos integrantes da banda pelos direitos das master-tapes e de um possível relançamento, o que nunca conseguiram. No entanto, a nipônica JVC lançou em 2003 uma edição limitada extraída e editada de uma excelente cópia em vinil e sua distribuição via Grande Rede transformou o lendário único álbum deste quarteto de Tulsa quase que em um viral. No ano seguinte, Manning, que tornou-se um grande admirador do trabalho da banda, sacou do fundo do baú um esquecido concerto em Memphis e seu lançamento provocou o retorno da banda com três de seus integrantes originais -Phillips, Wisley e Benton- para uma série de shows e o registro de um novo trabalho, 'Twenty-Ten', em 2010, igualmente bem recebido. 
Infelizmente, estes últimos ficarei devendo pois os caço há anos por este infinito espaço cibernético, sem sucesso. Mas agradeço toda ajuda dos parceiros neste sentido. Vai que...


NEW!!!


NEW!!!



*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*
VIDEOS

FEEL ALRIGHT (LIVE)

I LOVE YOU ANYWAY

segunda-feira, 23 de março de 2015

DAVY KNOWLES-THE OUTSIDER (2015)



E o que parecia inevitável, confirma-se com o lançamento deste 'The Outsider': Davy Knowles bateu em definitivo a porta dos fundos e assumiu-se em carreira solo. Não que isto interfira de alguma forma em seu trabalho, muito pelo contrário. Afinal, a Back Door Slam foi, desde seu início, uma espécie de plataforma para a viabilização de seu trabalho. Vale lembrar que já em seu álbum de 2009, o premiado 'Coming Up For Air', produzido por Peter Frampton, admirador de seu talento, com uma mãozinha do mago dos estúdios Bob Clearmountain, seu nome já aparecia à frente do de sua banda.
Como disse antes, nada mudou na proposta do energético blues rock de Knowles, agora autofinanciando seu trabalho. A pena para a criação de bons ganchos, riffs e licks continua afiada e isto fica patente em 'The Outsider', a começar pela entusiasmante faixa-título e uma magistral 'Ain't No Grave' estrategicamente utilizada na abertura, misturados aos sedutores climas acústicos de 'Island Bound' e 'A Million Miles Away' e finalizando em uma 'I Knew She Was A Liar (But Would Never Call Her A Thief)' em clima roots e fazendo bom uso de uma resonator guitar em uma interpretação visceral. Ou seja, Davy Knowles continua fiel às suas grandes influências, que vão de Knopfler e Cray a Gallagher e Clapton, mas tudo liquidificado com um tempero todo próprio e ganchos pop na medida certa.




segunda-feira, 16 de março de 2015

THE ANSWER-RAISE A LITTLE HELL (2015) / Special Edition

EXTRA! EXTRA! EXTRA!
Vazou o novo álbum, 5º de estúdio, da irlandesa The Answer, um dos grandes nomes do hard rock na atualidade. E se não chega a ser redentor, é, com certeza, superior a 'Revival' mas ainda bem abaixo de 'Rise', primeiro e melhor trabalho da banda liderada por Cormac Neeson e Paul Mahon. Agora, ao menos, os perigosos ecos bonjovinianos que pipocaram em seu malfadado disco de 2011 e que 'New Horizon', apesar do bom saldo final, tentou mas não conseguiu extirpar de todo, diluíram-se quase à nulidade. Desta vez, o destaque fica por conta de uma bela balada, 'Strange Kinda Nothing', daquelas de fazer suspirar por quase todo seu tempo de audição. Mas os rocks também marcam uma boa presença com alguns de seus mais inspirados exemplares, como na faixa de abertura, a majestosamente crua 'Long Live The Renegades', a catártica 'I Am What I Am', a zeppeliniana 'Whiplash' e a quase metal faixa-título. Nesta edição, algumas boas surpresas de bonus, como as inéditas 'Feel Like I'm On My Way' e 'Flying' e boas versões unplugged para 3 faixas do álbum, incluindo 'Strange Kinda Nothing'.



segunda-feira, 9 de março de 2015

THE VINTAGE CARAVAN

Confesso ser um tanto implicante com bandas oriundas das geleiras da Finlândia, geralmente afeitas a uma sonoridade um tanto modorrenta, com indumentária inspirada em quaisquer das sequências da saga 'Crepúsculo' e, não raramente, uma vocalista de formação lírica e olhar tão enigmaticamente lânguido quanto uma paródia de Siouxsie Sioux. Mais poser, impossível. Mas regras existem para que sejam subvertidas e se a molecada - mas já prestes a completar 10 anos de carreira - do power trio The Vintage Caravan ainda não conseguiu isto, certamente deu o pontapé inicial. E os responsáveis por aquecer os pálidos corações daquele gelado pedaço da Escandinávia são Óskar Logi Ágústsson - além de compositor inspirado, um carismático e talentoso vocalista e ainda um guitarrista do qual muito ainda ouviremos falar - Alexander Örn Númason debulhando nas 4 cordas e Guðjón Reynisson esmurrando os tambores. 
O som é um furioso hard/heavy de rachar o assoalho e, o mais espantoso, conduzido com perfeição cirúrgica por garotos - à época de seu primeiro álbum, de 2009, ainda adolescentes - que sequer haviam nascido na época em que suas principais influências surgiram. Talvez nem mesmo seus pais! A maturidade e segurança com que executam seus instrumentos em arranjos, muitas vezes, de reconhecida complexidade dinâmica e recheada de referências setentistas, certamente os colocam na dianteira das grandes promessas do rock, junto a nomes como Rival Sons, Wolfmother, Langfinger, Graveyard, The Temperance Movement, StoneRider e alguns poucos ainda carregando com propriedade o bastião do nosso bom e velho hardão de todo dia.
Já estão com 'Arrival', sucessor do magistral 'Voyage' (aqui, na sua versão original, de 2012, e na de seu relançamento pela Nuclear Blast, ano passado) na boca do forno. Divirtam-se, por enquanto, com estes pois espero, muito em breve, por novidades aqui no meu, no seu, no nosso G&B.






*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*
VIDEOS




segunda-feira, 2 de março de 2015

MARCO ANTÔNIO ARAÚJO

Quem conhece a música brasileira, há muito sabe que as montanhas de Minas Gerais escondem muito mais segredos que a receita do melhor pão de queijo e uma das melhores (para muitos, e aí me incluo, a melhor) cachaças do país. A verdade é que devemos muito do que de melhor se fez (e certamente ainda será feito) na arte nacional, a este estado da região sudeste. E no que diz respeito ao rock progressivo, ouso afirmar ser este lindo pedaço do Brasil uma genuína referência nacional. Do pioneirismo da Som Imaginário à Cálix, a região das Geraes é pródiga em grandes nomes no gênero, com frequentes citações até mesmo em nível mundial.
E foi de lá que revelou-se o talento do violonista/cellista/compositor/arranjador Marco Antônio Araújo. Caçula da turma que começou a formar-se ainda em meados da década de 60 - com os lendários Tavito e Fredera, fez parte da banda Vox Populi - e que tornou-se grande responsável pelo sucesso de Milton Nascimento, conseguiu emplacar a composição 'Nepal' ainda no primeiro trabalho da já citada Som Imaginário, em 1970. Disposto a aprimorar sua percepção do mundo, abandona o curso de Economia e muda-se com violões e bagagens para Londres, onde acompanharia de perto a cena que alteraria em definitivo os cursos da música mundial. Após este período, resolve retornar ao seu país, agora desembarcando na Cidade Maravilhosa para estudar composição, violão erudito e violoncelo com alguns dos grandes nomes da época no Conservatório de Música da UFRJ. Inquieto e profundamente criativo, inicia um período dedicado a composições de trilhas sonoras e música para ballet, conseguindo muita repercussão para 'Cantares', encenada pelo Grupo Corpo. Considerado já um músico brilhante e casado com uma das bailarinas daquele grupo, decide conduzir sua carreira a partir de suas raízes mineiras, mesclando toda a tradição de modinhas, serestas e cantigas da região à música erudita e ao rock, e volta a residir a partir de 77 em Belo Horizonte, assumindo o posto de cellista da OSMG, onde continuaria até o fim de seus dias, vitimado por um aneurisma aos 36 anos.
Durante este período conseguiu que um seleto mas volumoso número de músicos orbitasse em torno de seu enorme talento e já em 1980, lançaria 'Influências' de forma independente, pegando o mercado de surpresa com a leveza e singularidade de seu trabalho, gerando críticas entusiasmadas e mais de 70 shows pelo estado.
Já com uma bela reputação local, Araújo sentia a necessidade de expandir sua obra para centros mais expressivos  como o eixo Rio/São Paulo e, já a partir de 1982, aproveita-se do lançamento de 'Quando A Sorte Te Solta Um Cisne Na Noite' para iniciar uma estratégia de exploração do mercado destas duas cidades. Mais maduro, este segundo LP mostra um compositor ainda mais afiado e um intérprete ainda mais fluente no violão.
Inquieto e artisticamente ambicioso como todo gênio, convoca os amigos cellistas Jacquinho Morelembaum e Marcio Mallard e o flautista Paulo Guimarães para a formação de um inusitado quarteto de câmara para execução de 2 longas obras, 'Fantasia Nº 2' e 'Fantasia Nº 3', para seu terceiro LP, 'Entre Um Silêncio E Outro', lançado já no ano seguinte. Mesmo ano em que nasceria Lucas, seu filho e homenageado em seu último álbum, lançado em 1984 e ao qual cedeu também o nome, considerado por muitos sua obra-prima.
Com o nome já sedimentado em nível nacional e prestes a iniciar uma carreira internacional, os admiradores de sua obra são tomados de surpresa com o anúncio de sua morte em 06 de janeiro de 1986, às vésperas de receber o prêmio de melhor instrumentista pelo semanário Veja. E assim, o país ficou culturalmente mais pobre com a partida de mais um garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones e que soube, como pouquíssimos, mixar este universo com um exuberante conhecimento musical para criar uma das músicas mais instigantes e sofisticadas que este país já teve a felicidade de produzir.



*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*
VIDEOS