segunda-feira, 26 de junho de 2017

STORIES



Cumprindo a promessa de repostagem pendente por já quase 2 anos. 
Agora, compilando as 2 postagens em uma só, com a discog completíssima. E aproveitando a oportunidade para incluir o single 'Another Love', de 74, canto do cisne desta excelente e subestimada banda.


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Originalmente publicado em 16.08.2007.




Gallera, não sei se algum dentre vocês conhece essa banda. Se és um dos felizardos, como eu, que acompanhou o trabalho destes novaiorquinos da foto acima, sabe que 'o papo é reto', como costumamos dizer aqui no Rio; contudo, se você é um dos que não teve essa sorte, não se desespere, antes tarde do que nunca. Aliás, em tempos de informação a até 40Mb, esta é a frase que mais se ouve, já repararam? Muita coisa, graças a toda essa facilidade, está sendo 'redescoberta'. Algumas destas, superestimadas, é verdade, mas antes assim.
Mas este não é o caso dessa banda. Se não acreditam, esperem até escutar esse álbum.
Stories nasceu das mentes de Ian Lloyd (vocais/baixo) e Michael Brown (teclados), amigos de infância e excelentes músicos com sólida formação erudita -seus pais também eram amigos e renomados violinistas- que decidem criar uma banda para explorar todo esse apuro técnico ao máximo mas sem abrir mão da veia pop. Para tanto passam a contar com o auxílio mais que luxuoso dos excelentes Steve Love (guitarras) e Bryan Madey (bateria), disputadíssimos session men que compartilhavam das mesmas idéias.
Conseguem um bom contrato com um selo de médio porte e lançam seu primeiro -o bom mas excessivamente 'beatlesco'- álbum, 'Stories'(72), emplacando, mesmo que timidamente, o single 'I'm Comin' Home'. Este começo morno foi o suficiente para garantir o lançamento de um segundo trabalho, este 'About Us', já no ano seguinte. E o sucesso deu as caras! Só que de uma maneira um tanto torta pois 'Brother Louie', magistral cover do sucesso da Hot Chocolate, de apenas um ano antes, abafou o potencial do álbum. Sim, porque o restante do material, totalmente autoral, era completamente diverso da música de trabalho e, apesar de seu enorme sucesso, um impasse mercadológico foi criado: os rockers. presumindo que a banda se resumia ao estilo r&b apresentado naquele cover, não se arriscavam a ouvir o álbum; em contrapartida, os que adquiriam o álbum pensando encontrar mais material do gênero, se decepcionavam pois encontravam músicas com arranjos intrincados vestindo pérolas do power pop e prenunciando várias tendências. Das inúmeras referências beatle -comum a todas as bandas do gênero- e passando por hard e lampejos prog, à proto-Rush 'Please, Please', 'About Us' é um trabalho quase que visionário. E o desempenho dos músicos é um caso a parte. E o que dizer da voz de Ian Lloyd, aqui fantástica?
De bônus, uma versão remixada de 'Brother Louie', que conseguiu transformar o que já era ótimo em algo excepcional. Aliás, considero o cover melhor que o original. Só o trecho em pergunta/resposta de guitarra e orquestra já vale o download.
Ainda lançam uma terceira, e excelente também, bolacha como Ian Lloyd & Stories -'Travelling Underground'(73), já sem Brown e com Lloyd dedicando-se exclusivamente ao vocal e Kenny Aaronson (ex-Dust) assumindo o baixo, conseguindo emplacar o mega-hit 'Mammy Blue' (quem não conhece?) e 'If It Feels Good, Do It' antes de tomarem rumos diferentes: Michael Brown formou uma banda inexpressiva e em seguida retornou aos estúdios, Bryan Madey fez um excelente tranalho na Earl Slick Band, a Kenny Aaronson não falta trabalho já que é um baixista dos mais requisitados, do talentoso Steve Love não ouvi mais falar e Ian Lloyd, após alguns álbuns solo, chegou a trabalhar como backing no 'farofa' Foreigner e aí...bem, aí já é uma outra história.

Impossível deixar de agradecer ao Vicente do Acorde Final pela gentileza de repostar o álbum, apesar de incompleto, a meu pedido e ao parceirão Maddy Lee por me enviar, além do material que faltava, o primeirão dos caras.
Experimentem e, caso tenham interesse em completar a coleção, manifestem-se.




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Originalmente publicado em 25.08.2007.

Conforme combinado, by request, o restante da discog da Stories. Divirtam-se!!!


















segunda-feira, 19 de junho de 2017

ANTLER

Incompreensível o que ocorre, ainda hoje, com algumas bandas que, mesmo lançando excelentes trabalhos, caem no ostracismo em pouco tempo. É este o caso desta banda de Boston, formada em 2002, por já cascudos músicos da cena stoner da região. Com pilares -por mais esdrúxulo que possa parecer face à enorme distância geográfica que separa as duas regiões- fincados no southern rock, a Antler de Craig Riggs (vocais), Tim Catz (guitarra), Pete Valle (guitarra), Dave Unger (teclados), Mike Quinn (baixo) e Brian Strawn (bateria) incorporou ao rock clássico que pretendia fazer, fortes doses da densidade do desert rock impregnado em cada integrante. E já em 2004 lançam, por um minúsculo selo, um álbum auto-intitulado que logo balançou as estruturas da Grande Rede, sendo maciçamente compartilhado por blogs musicais da época e tomando de assalto corações e mentes de todos que o escutavam. Entre uma épica balada sulista, 'Tombstone And Cigarettes', uma climática 'Dig Yer Own Hole' e o groove certeiro de 'Love Sick', desfilam blues, rocks e rock ballads com amplo conhecimento de causa. 
O bom resultado os credenciava, assim, a voos maiores. E a mais bem estruturada Small Stone Recs dispunha-se a apostar naqueles 6 apaixonados rockers de Massachussets. E, com as energias renovadas devido às entradas de Ian Ross e Marc Schleicher, em substituição a Valle e Quinn, respectivamente, 'Nothin' That A Bullet Couldn't Cure' começou a ser gestado. E valeu cada momento dispendido em estúdio. Conceitualmente ousado, é, tranquilamente, um dos grandes exemplares do gênero neste século que ainda engatinha. Irrepreensível de ponta a ponta, fica até difícil apontar destaques. No entanto, seria injusto não citar o forte e irresistível impacto da abertura com a furiosa, e com eficientes arranjos de metais, 'The Gentle Butcher' e o belo epílogo por conta da placidez quase psicodélica de 'A River Underground'.
Lamentavelmente, tudo leva a crer que a Antler não mais exista. Tudo a respeito está envolto por nuvens de informações desencontradas. Sequer rastros seguros de seus integrantes é possível encontrar com facilidade. Uma pena... 









segunda-feira, 12 de junho de 2017

IMELDA MAY-LIFE. LOVE. FLESH. BLOOD (2017)


Ah, essas talentosas mulheres...quem, em sã consciência, consegue resistir a elas? Eu, certamente, não... 
E, não à toa, grande parte de minhas postagens, é dedicada a elas. Nem bem publiquei a postagem de Kristina Train e o novo álbum de Imelda May, já velha conhecida de rockers mais antenados através de seus trabalhos dedicados ao rockabilly e swing jazz, foi lançado, obrigando-me a reagendar diversas postagens. Afinal, trata-se de, praticamente uma unanimidade como poucas, angariando, ao longo de sua carreira, o respeito de luminares da envergadura de Jeff Beck, Bono, Elvis Costello, Michel Legrand, Meat Loaf, Smokey Robinson, Tom Jones e inúmeros etcéteras.
Nascida Imelda Mary Clabby, em Dublin, iniciou muito cedo -aos 16- uma vitoriosa carreira; no entanto, somente em 2002, conseguiu lançar seu primeiro álbum, 'No Turning Back', cujo sucesso fora da região a fez, com seu marido, parceiro autoral e guitarrista, Darrell Higham, radicar-se em Londres. Uma declarada fã, desde a mais tenra idade, de rockabilly, blues e jazz, Imelda moldou seu estilo vocal através destes gêneros, tornando-se única. Com apoio de Jools Holland, que transformou-se em uma espécie de mentor, sua carreira tomou um belo rumo e gerou mais 3 álbuns de sucesso e 2 turnês mundiais.

Mas nem tudo são flores e a inesperada, e um tanto turbulenta, separação de Higham, em 2015, a levou a uma arriscada guinada na carreira. Optando por expandir seu leque musical, Imelda iniciou o processo de composição e pré-produção de 'Life. Love. Flesh. Blood', seu primeiro trabalho fora do espectro que a consagrou. E, surpreendentemente, saiu-se muitíssimo bem. Quem a imaginaria passeando com tanta desenvoltura, em 15 faixas autorais, pelo soft rock classudo de 'Call Me', pelo folk da belíssima 'The Girl I Used To Be', o power pop de 'Should've Been You' ou, até mesmo, pelos hard rocks de 'The Longing', 'Love And Fear' e 'Leave Me Lonely', e ainda arrumar espaço para o blues 'Black Tears' (com participação de Deus, digo, Jeff Beck) e o ganchudo blues rock de 'Game Changer'? E tudo isto sem dispensar inspiradíssimos exemplares de suas matrizes no rockabilly e swing, ainda que, no geral, em roupagem mais transgressora, como na climática 'Levitate', ou de fraque e cartola em 'When It's My Time', exemplarmente defendida com o auxílio luxuoso de seu padrinho Jools Holland. Sem dúvidas, 'Life. Love. Flesh. Blood' passou com sobras no duro propósito traçado por sua idealizadora, qual fosse mostrar-se por inteira, em todos os seus ângulos, sem limites. E, em muito, graças à liga perfeita proporcionada pela produção enxuta e charmosa de T Bone Burnett.
E já falei que Imelda May está cantando como nunca? Pois é...