Originalmente postado em 06/01/2007

Se você já era nascido nos anos 70, com certeza conhece este álbum. Não? Não tem problema... conhece, ao menos, uma canção deste clássico: 'I'm Not In Love', regravado dezenas de vezes e tendo como cover mais famoso o feito por The Pretenders.O que a maioria não sabe é que antes de gerar esta obra-prima de composição, interpretação, arranjos e engenharia sonora, estes quatro ingleses aí da foto ralaram para caraca no mercado musical.
O 10cc surgiu da união de quatro mentes brilhantes, Eric Stewart, Graham Gouldman, Kevin Godley & Lol Creme, todos já extremamente experientes no meio musical seja como instrumentistas ou como compositores. Vejamos: Eric Stewart foi guitarrista/compositor/vocalista do The Mindbenders ('Game Of Love', 'Groovy Kind Of Love'); Graham Gouldman escreveu pérolas pop como 'For Your Love' e 'Heartful Of Soul' (The Yardbirds), 'No Milk Today' (Herman's Hermits), 'Look Through Any Window' e 'Bus Stop' (The Hollies), etc.; Kevin Godley e Lol Creme passaram por várias bandas durante os anos 60. Em 68, encontram-se para diversos trabalhos conjuntos que incluiam a produção de toneladas de canções bubblegum para a Marmelade Recs. Finalmente, em 72, já como 10cc, lançam uma paródia ao doo wop chamada 'Donna', de relativo sucesso mundial e, logo depois, 'Rubber Bullets' e não pararam mais. Ocorre que, até este momento, o 10cc -apesar da evidente sofisticação das composições e arranjos- era apenas mais uma banda pop fazendo muito sucesso. Organicamente, a banda era dividida da seguinte forma: Stewart & Gouldman eram a porção pop e Godley & Creme a facção experimental.
Este lado pop proporcionou, no ano seguinte, o lançamento do primeiro álbum, auto-entitulado, e, em 74, lançam 'Sheet Music', já com um pé nas experimentações que viriam a se materializar plenamente, no ano seguinte, com o lançamento deste 'The Original Soundtrack'. É tão diferente de tudo que haviam feito até então que ouso catalogar este álbum como progpop. Como de hábito, tocam todos os instrumentos, dos habituais guitarra/teclados/baixo/bateria a uma penca de outros, digamos assim, mais exóticos. As composições são inspiradíssimas e adornadas com arranjos vocais e instrumentais de uma complexidade e beleza extremas. No entanto, chama muita atenção o trabalho de produção/engenharia sonora. Nesta cópia remasterizada e com duas faixas bônus, então...
Em 76 lançam 'How Dare You!', mantendo o altíssimo padrão de seu predecessor -para alguns é até superior- mas as relações entre as duas facções já estavam deterioradas e a metade experimental resolve pular fora -tornaram-se renomados diretores de videoclipes e lançaram alguns poucos trabalhos na linha new wave (blaaaargh!!!) como Godley & Creme- e a carreira da banda torna-se irregular, apesar de alguns excelentes lançamentos e a manutenção das turnês.
No meu entender, apesar do álbum ter sido um imenso sucesso -puxado pelo eterno hit 'I'm Not In Love' (com certeza, uma das grandes baladas de todos os tempos), o reconhecimento à excelência desta obra foi parcialmente ofuscado pelo lançamento, praticamente ao mesmo tempo, de um álbum que tornou-se um clássico instantâneo: 'A Night At The Opera', de um tal de Queen. É como se, em um só ano, tivessem sido lançados dois 'Sgt. Peppers...'.
Acho que podemos dizer que em 1975, no mínimo, tivemos uma excelente safra.
No meu entender, apesar do álbum ter sido um imenso sucesso -puxado pelo eterno hit 'I'm Not In Love' (com certeza, uma das grandes baladas de todos os tempos), o reconhecimento à excelência desta obra foi parcialmente ofuscado pelo lançamento, praticamente ao mesmo tempo, de um álbum que tornou-se um clássico instantâneo: 'A Night At The Opera', de um tal de Queen. É como se, em um só ano, tivessem sido lançados dois 'Sgt. Peppers...'.
Acho que podemos dizer que em 1975, no mínimo, tivemos uma excelente safra.