Parece inacreditável mas a música de acento folk -em todas as suas várias variáveis- está caindo definitivamente no gosto popular e alcançando um público nunca dantes imaginado há algum tempo: os adolescentes e jovens na faixa até os 25 anos. Sim, pois é predominantemente esta fatia que lota as apresentações de Mumford & Sons, Arcade Fire, Son Volt, KT Tunstall, etc. Do folk mais tradicional, recheado daquele sabor swamp, ao country/folk pop de ingredientes de texturas duvidosíssimas de Taylor Swift, o gênero que privilegia canções e o formato eletro-acústico tornou-se um hype entre a molecada, talvez pelo minimalismo de sua sonoridade e a sinceridade que normalmente impregna as apresentações de seus representantes. Talvez a facilidade de carregar alguns violões (o ukulele anda muito em voga também), improvisar percussões ou até mesmo um ovinho e um cajón e aquela velha harmônica sempre no bolso da bermuda para uma roda na praça do bairro ou um luau, tenha ajudado um bocado também.
Mas a cena costuma apresentar algumas belas surpresas e dentre estas destaco a natural de Nashville, The Delta Saints. Criada há 6 anos na meca da country music por Ben Ringel (vocais/dobro), Dylan Fitch (guitarras), Greg Hommert (harmonica), David Supica (baixo) e Ben Azzi (bateria/percussão), 5 amigos de escola apaixonados por bluegrass, delta blues, soul music, swamp rock, zydeco, bayou rock e o que mais margeasse o delta do velho Mississipi, logo conseguiu um séquito ensandecido que seguia suas incendiárias apresentações por todo o estado e arredores, chegando a mais de 150 em 2009, ano do lançamento de 'Pray On', seu primeiro e incensado EP. Com o sucesso de mais um EP, 'A Bird Called Angola', lançado na sequência, estes talentosos caipiras chegaram a obter ótima repercussão na Europa e um convite para o prestigioso Rockpalast não demorou. A combinação da voz impregnada de bourbon de Ringel, a sonoridade incomum de seu violão dobro marretando as válvulas de um provável Vox AC30 e a harmônica furiosa de Hommert tomou de assalto as cabecinhas mais antenadas e um primeiro álbum era só questão de tempo. E assim, em finais de 2012, lançam 'Death Letter Jubilee', uma continuação natural de seus trabalhos anteriores mas já demonstrando um enorme amadurecimento e uma dose ainda maior de peso. Posso até estar enganado mas acho que estão prestes a tornar-se grandes. E 'Death Letter Jubilee' será parte importante desse processo.
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