E o heavy/hard recheado de tinturas southern da Black Stone Cherry está de volta. E seu quinto álbum de estúdio já chegou cercado de expectativas devido a um pretenso retorno às origens tão propagandeado pela banda. De certa forma, conseguiram seu intento, deixando de lado a tentação pelos refrões bonjovianos dos últimos trabalhos e voltando a direcionar sua sonoridade para as influências de sua Kentucky natal. Daí, o título do álbum, como um tributo.
Recheado de bons momentos, com destaques para 'In Our Dreams', 'The Rambler', 'The Way Of The Future', 'Soul Machine' e as bônus 'I Am The Lion' e 'Evil' (sim, aquele clássico blues de Howlin' Wolf em versão para lá de heterodoxa), além do heavy cover para 'War', soul standard de Edwin Starr, 'Kentucky' desce tão deliciosamente rascante quanto um mint julep.
Se ainda não conhecia e gostou do que ouviu, tem mais da Black Stone Cherry aqui e aqui.
E, finalmente, o verdadeiro sucessor do fantástico 'Wilderness Heart' veio à tona. E com tudo o que os admiradores do combo de Vancouver liderado por Stephen McBean e Amber Webber já estão mais do que acostumados a encontrar em seus trabalhos, um hard rock recheado de psicodelia, spacey, progressivo e pitadinhas de indie rock. Tudo trabalhado de forma a oferecer uma sonoridade única no cenário atual.
Ouça enfumaçado e alto...muuuiiito alto!
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Originalmente publicado em 16.04.2012
Inspirado por recente postagem do parceiro Woody -o pica-pau titular do Boogie Woody, onde publicou 'Wilderness Heart', de 2010- decidi saber notícias desta excelente banda canadense e, diante da surpresa de um trabalho recém-lançado, optei também por subir novos links para sua discografia em substituição aos defuntos do Megaupload para quem, porventura, ainda não os conheça, apaixonar-se em definitivo.
Quanto a este 'Year Zero (The Original Soundtrack)', vale dizer que não se pode chamá-lo exatamente de novo, sequer um sucessor daquele fabuloso trabalho de 2 anos antes. Isto porque das 8 faixas, apenas 3 -'Mary Lou', 'Breathe' e 'Embrace Euphoria'- são inéditas, com as demais tendo sido pinçadas de seus excelentes trabalhos anteriores e reeditadas/remixadas ou em takes diferentes de seus originais. Está valendo, mas aos que quiserem conhecer seu real poder de fogo e saber um pouco mais sobre uma das bandas mais cultuadas no cenário underground atual, basta descer um pouco mais seu cursor e baixar também 'In The Future' e 'Wilderness Heart', só para começar.
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Originalmente publicado em 01.11.2010
Desde que fui aplicado à Black Mountain em 2008, aguardava o lançamento de um novo trabalho para apresentá-la a vocês. É claro que o tempo na blogosfera é ainda mais inclemente que as rugas que se nos povoam diariamente a face e neste período a banda acabou por tornar-se queridinha underground e uma das grandes apostas desta primeira década do 2º milênio. E isto significa que muitos de vocês já a conhecem e, provavelmente, acompanham sua carreira iniciada como um projeto paralelo de integrantes de diversas bandas participantes do movimento Black Mountain Army, coletivo canadense de música e outras formas de expressão artística. Costumam mesmo afirmar-se -Stephen McBean (vocais/guitarra), Amber Webber (vocais/violões), Jeremy Schmidt (teclados), Matt Camirand (baixo) eJoshua Wells (bateria)- representantes do poder criativo de toda a comunidade. O mesmo conceito daqueles collective hippie combos muito comuns nos 70 que geraram excelentes e despojados trabalhos. Mas não é por já mais não ser nenhuma novidade que deixaria de postar a discog desse refúgio lisérgico gerado a psicodelia spacey + punk + doom + folk + prog. E o estopim foi o mesmo que me fez esperar tanto tempo para disponibilizá-la: o lançamento de 'Wilderness Heart', seu novo petardo. Aliás, justiça seja feita, este tubarão (em alusão à assustadora capa) foi pescado lá no Eu Ovo, excelente blog do parceiro Bruno.
E este novo trabalho chegou com o firme propósito de tornar-se um divisor de águas na carreira da banda e tirá-los de um gueto de privilegiados que tiveram a extrema felicidade de conhecê-los, por obra do acaso ou por indicações, há mais tempo. Mas fiquem tranquilos de que concessões somente por ótimas razões e, em muitos casos, cairam muito bem -como um polimento sem exageros na sonoridade e um apelo maior por riffshard pegajosos, antes itens raros. Em resumo, apenas uma produção melhor focada pois ainda estão aqui a 'gracinha' Amber sobressaindo-se cada vez mais, mesmo nos interessantes duos com McBean, o dínamo da banda; as guitarras sujas e toscas sempre muito bem colocadas; os teclados em clima ambient heavy; a marcação solta e contundente servindo perfeitamente a todos os climas propostos e a gostosa sensação de tudo ter sido concebido em apenas 2takes. Os destaques ficam por conta da contagiante faixa de trabalho 'Old Fangs', a zeppelinianamente folk 'The Hair Song' (o que lhes lembra o fraseado de mellotron?), a lindamente pesada 'Radiant Hearts', a comovente 'The Space In Your Mind' e o space blues 'Buried By The Blues'. Mais um candidato fortíssimo ao Prêmio Rabo de Raposa de Melhor do Ano. Com vocês, a palavra!
Há muito venho percebendo que as pequenas joias dos 60/70, descobertas ou redescobertas após a criação da internet graças à garimpagem de abnegados e experientes colecionadores, vêm desaparecendo nas nuvens cibernéticas com a mesma velocidade com que surgiram em finais do século passado, ainda através de mecanismos de busca hoje jurássicos, como AudioGalaxy, Napster, Kazaa, etc, e posteriormente massificadas por toda a primeira década do novo século por blogs dedicados à divulgação de música. E muito disso deve-se ao desaparecimento de grande parte destes veículos, desanimados com a constante guerra perpetrada por mecanismos de censura ao compartilhamento de informação e cultura.
Devido a isto, muitos dos visitantes do meu, do seu, do nosso G&B vêm, com certa frequência, solicitando publicações de álbuns, e até mesmo discografias completas, de materiais antes encontradas com relativa facilidade. Tanto o quanto possível, tentarei atendê-los, mas não conseguirei fazê-lo com a eficiência e rapidez que este público, tradicionalmente ansioso, requer, até porque existe muita coisa relevante sendo lançada, fora e dentro do mainstream, que não me seria interessante deixar de fora deste espaço brenfoetílicomusical. Portanto, desta vez, o escolhido foi um trabalho solicitado por um parceirinho de longa data, ainda de adolescência e Sorvetão Dançante, tradicional matinê de domingos no Fluminense, Ayres, também conhecido pela alcunha de Mr. Crepe Man: o único álbum da banda inglesa Orang-Utan.
Criada em 1970 por jovens porém já experientes músicos da cena inglesa -Terry Clark (vocais), Mick Clarke (guitarras), Sid Fairman (guitarras -não creditado), Paul Roberts (baixo) e Jeff Seopardie (bateria/percussão)-, e inicialmente atendendo pelo nome de Hunter, em homenagem ao clássico blues de Albert King, optaram por registrar seu autoproduzido trabalho em um estúdio de altíssimo nível em Londres. Inexplicavelmente, este álbum, apesar da exceléncia de sua sonoridade e contar com composições e desempenhos brilhantes de todos os músicos, não foi lançado sob nenhum formato até meados de 1971, quando a Bell Rec. resolveu editá-lo apenas para o mercado americano por sugestão de um picareta chamado Adrian Miller, que se autoproclamou produtor da banda -foi dele, talvez com o intuito de não ser descoberto, a ideia de alterar o nome para Orang-Utan- e tutor do material, lesando, assim, todos os músicos envolvidos. Segundo Mick Clarke, mesmo após sucessivos relançamentos em diversos formatos e dezenas de processos judiciais, nenhum dos integrantes recebeu qualquer indenização.
A verdade é que a Orang-Utan é mais uma das inúmeras bandas do período vítimas do mau gerenciamento da carreira. E a audição desta pequena pérola do psych/heavy/blues rock não deixa dúvidas de que poderia ter sido grande, antecipando diversas tendências. Talvez, mesmo, muito grande.
Inclusão de links para os álbuns 'Revisited', de 2013, e 'When The Owl Cries', de 2015 e mais recente da banda, agora um power trio com William Souffreau, Franky Cooreman e Kris Van Der Cammen.
E vamu fazendo fumaça!!!
PS: se gostou do que ouviu e desejar fazer o download do excelente DVD 'Live At Rockpalast 2005' em padrão HD, é só dar um rasante por aqui.
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Originalmente publicado em 10.01.2010.
Conheci a belga Irish Coffee há, aproximadamente, 5 anos quando fuçava a grande rede por material da conterrânea Wallace Collection. Na época deparei-me com diversas resenhas dando conta da excelência desta banda, frequentemente classificada como a melhor do hard produzido no país responsável pela melhor batata frita do mundo. A partir de então corri atrás de seu único disco até àquele momento, e alguns poucos singles, e encontrei diversos rips de vinis, alguns em melhor estado que outros, e procedi as já costumeiras restaurações, vulgarmente conhecidas como G&B Remasters. Somente de uns 2 anos para cá começaram a boiar na grande rede cd rips do lançamento da italiana Akarma Rec. com o track list original de 8 petardos acachapantes daquele LP homônimo de 1972; contudo, a considerada como melhor prensagem em cd deste álbum é a self made com 17 faixas e apenas 1500 cópias onde foram incluídos todos os singles lançados pela banda até 73. O curioso é que, tendo sido perdidas todas as masters, a excelente restauração/remasterização também foi executada a partir de cópias em vinil através do Sonic Solutions.
E, inegavelmente, o combo formado a partir das cinzas da pub bandThe VooDoos por William Souffreau (vocais/guitarra), Jean Van Der Schueren (guitarras), Pol Lambert (teclados), Willy De Bisschop (baixo) e Hugo Verhoye (bateria/percussão) é, mesmo com esse termo já tão desgastado devido ao seu uso indiscriminado, uma autêntica pérola perdida e endosso todos os superlativos que lhe são atribuidos.
E tudo começou a mudar para aquela modesta bandinha de baile quando o empresário/compositor/produtor, dentre tantas bandas daquele país baixo, da mundialmente famosa à época Middle Of The Road -lembram-se da bubblegum rasteira 'Soleil, Soleil'?-, Louis De Vries, assistiu-os em um club interpretando com maestria um repertório que variava da surf music ao mais acachapante psych blues. Imediatamente os contratou, alterou o nome (irish coffee é uma bebida típica belga e não irlandesa, por increça que parível) e, com a proximidade da outrora toda poderosa MIDEM, os intimou a gravar um álbum inteiro de material próprio em, no máximo, um mês. O problema é que...não tinham um material próprio! Em um esforço hercúleo compuseram e gravaram 10 faixas, entre elas a estonteante 'Masterpiece' (o nome encaixa como uma luva) que serviu de prólogo -não consta da prensagem original- para o álbum auto-intiludado de '72. Tanto o single quanto o álbum fizeram um relativo sucesso, o suficiente para lhes render boas turnês abrindo para alguns dos monstros sagrados da época; no entanto, com a falência do pequeno selo que os lançou e a morte de Lambert em acidente automobilístico, a banda definhou até sucumbir, após o lançamento de mais uns poucos e excelentes singles, em '75.
Mas a internet opera milagres e o inesperado sucesso na blogosfera os impeliu a uma reunião, agora com o velho amigo Luc De Clos nas 6 cordas, Franky Cooreman no baixo e Stany Van Veer em substituição ao falecido Lambert, e 'II' -bem diferente daquela bela estreia 33 anos antes, apesar de aproveitar boa parte de material gravado em 1975, é um trabalho surpreendente e cheio de frescor, mesmo porque completamente livre de rugas e linkado com o hard contemporâneo- é lançado em 2004, seguindo-se uma proveitosa turnê para divulgá-lo e gerando até mesmo um DVD, 'Live At Rockpalast 2005'.
Após uma série de postagens dedicadas ao que rola de mais suculento na atualidade, o G&B retorna à naftalina em alto estilo, se não em originalidade -afinal, a esta altura, muitos dos parceiros já devem conhecer a banda- ao menos mantendo o critério na escolha das pequenas joias esquecidas no limbo da história.