sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

CRÁSSICOS VIII:JEFF BUCKLEY


Esse moço com pinta de Rodrigo Santoro atormentado aí de cima foi, simplesmente, a maior esperança de renovação da música americana dos últimos 15 anos.
Digo 'foi' porque, infelizmente, já não se encontra entre nós.
JEFF BUCKLEY nasceu em uma família musical, seu pai - TIM BUCKLEY- foi um conceituado cantor/compositor folk, em 1966, em OC, e começou a despontar no cenário através de apresentações solo em clubs da região a partir de 1993. Após um Ep estilo banquinho & violão, com apenas 4 músicas, partiu, acompanhado de Michael Tighe(guitarra), Mick Grondahl(baixo), Matt Johnson(bateria) e o experiente produtor Andy Wallace, para a gravação de 'GRACE'(94), seu primeiro álbum. E que álbum!
Comprei este cd, à época de seu lançamento, práticamente no escuro e fiquei vidrado no nível das composições, na qualidade dos arranjos (um show de dinâmica) e da banda, na produção a um só tempo crua e elaboradíssima e na voz - que voz!, que extensão!- deste desvairado bardo existencialista. Como se não bastasse, o cara ainda fez a melhor releitura de 'Hallelujah'(Leonard Cohen) que qualquer mortal já ouviu. Tudo bem, qualquer um canta Cohen melhor que Cohen mas esta releitura é um espetáculo a parte. E o resultado foi a aclamação por parte de público e crítica.
A partir de então, OC e sua horda de patricinhas e mauricinhos, tornou-se muito pequena para seu talento e Buckley & banda partiram para um longo tour pelo Velho Mundo e Austrália, onde 'GRACE' foi platina.
Na volta, Johnson foi substituído por Parker Kindred, e Buckley continuou gravando intermitentemente seu novo material, agora com produção de Tom Verlaine.
Em 96, muda-se para Memphis no intuito de continuar as gravações de seu novo álbum, o mais desesperado e soturno ainda 'SKETCHES FOR MY SWEETHEART THE DRUNK', já com seu distúrbio bipolar diagnosticado. Com os trabalhos em fase adiantada, na noite de 29.05.97, resolve nadar e relaxar em seu barco com um roadie amigo e, segundo este, em um pequeno momento de distração Buckley desapareceu na água. Seu corpo só apareceu uma semana depois. A despeito de qualquer coisa, sua família resolve lançar, somente em 98, 'SKETCHES...', mesmo que inacabado, em respeito à sua memória. Aaahhh, se todos os discos inacabados fossem assim... Grande parte dos vocais aproveitados nada mais eram que vozes guia, mas que guias...
Fizeram bem, muito bem.
Ainda acrescentei alguns bônus de demos em 4 canais, bem caseiras, e apresentações em que, a despeito da qualidade das gravações -e talvez por causa delas, o talento desta perda irreparável mais vem à tona.
Após a tragédia, vários bootlegs, alguns até se oficializaram, foram lançados e sua aura mítica continuou a ser reforçada tornando-se principal influência de Thom Yorke(Radiohead) e Matthew Bellamy(Muse) e admirado por Ben Harper, Robert Plant, Jimmy Page, David Bowie, Paul McCartney, Bono e Bob Dylan, só para citar alguns.
As últimas notícias dão conta de que um filme biográfico, 'MISTERY WHITE BOY' (acho que é esse o nome), está em fase de pré-produção e com lançamento previsto para 2008.
Sinceramente, não consigo vislumbrar horizonte suficiente para o talento desse cara.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

G&B + LP

Gallera, o G&B agora está em dose dupla (ou quase). É que aceitei o convite dos parceirões do Lágrima Psicodélica e, desde ontem, estamos operando em duas frentes. É claro que não vai dar pra postar por lá tudo que disponibilizo por aqui, caso contrário meu dia teria que ter 48 horas mas, acredito, faremos um belo trabalho juntos.
No mais,

SAÚDE, DINHEIRO & PAZ QUE DA FUMAÇA A GENTE CORRE ATRÁS!

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

INTERVALO MOMESCO

Bem, gallera, chegou a época do ano que 99,99% dos brasileiros ansiosamente aguardam. Felizmente, estou entre os 0,01% restantes. É verdade! Tenho vários motivos pra não gostar de carnaval, e tudo que tradicionalmente envolve a data, mas o principal é que carnaval é putaria e, estando casado há 12 anos, essa época do ano deixou de ter qualquer graça. Quando solteiro (ou xoxoteiro), ao menos tinha 5 dias (no mínimo) pra zoar, transar, viajar, fumar, transar mais, cheirar e beber tudo que aparecesse pela frente mas, fundamentalmente, tentar bater o record de mulheres que havia traçado no carnaval passado. Bom, isso quando conseguia me lembrar de alguma coisa depois que a esbórnia acabava. Mas sempre tem alguém que lembra não só dos seus feitos heróicos como também dos seus 'micos' -principalmente, estes últimos.
Hoje, continuo bebendo e fumando (quase) tudo que me aparece mas agora na santa paz de meu lar, pegando uma prainha ixperta, namorando a primeira-dama do G&B, colocando em dia a audição de minhas novas aquisições em cd/dvd, assistindo filmes que ainda nem chegaram aos nossos cinemas, curtindo meu headbanger mirim, esmerilhando minha 'guita' e preparando uns posts bacanas pros amigos da casa.
Então, parceiros , curtam o carnaval e continuem fumando tudo até a última ponta!
Mas divirtam-se com moderação pois, na volta, muitas novas e velhas novidades estarão à disposição de vocês.

E VAMU FAZÊ FUMAÇA!!!

sábado, 10 de fevereiro de 2007

WIDESPREAD PANIC (STUDIO ALBUMS)


Bem, acho que todos já notaram meu fascínio pelas, atualmente, denominadas jambands. Digo atualmente pois, na realidade, essa categoria é uma herança de bandas como The Allman Bros., Traffic, Grateful Dead, Canned Heat, Cream, Iron Butterfly, The Jimi Hendrix Experience, Jefferson Airplane, Mountain, Cactus, Led Zeppelin, etc. Ou seja, estão inseridas dentro de um contexto recorrente em finais de 60/início de 70 mas que foram, práticamente, abolidas nas décadas seguintes (culpa do punk?): uma música livre de amarras estilísticas e com ampla liberdade para improvisação proporcionada pelo momento lisérgico que imperava. Esta última característica era mais presente, principalmente, nas apresentações onde o improviso rolava solto e canções que nos álbuns, muitas vezes, obedeciam ao padrão de tempo radiofônico, frequentemente ultrapassavam os 10 minutos. O curioso é que, apesar destes pontos em comum, havia um 'abismo' estilístico entre estas bandas com umas pendendo para o southern, outras para o jazz, algumas para o psych, muitas para o blues, até mesmo para o prog, e assim por diante.
Porém, mais curioso ainda é que, entre as novas bandas do gênero, este 'abismo' permanece. Basta uma pequena audição nesta nova geração de jambands -algumas até já extintas- e, provávelmente chegarão à mesma conclusão: Gov't Mule, Phish, Widespread Panic, Blues Traveler, Dave Mathews Band, The Black Crowes, Spin Doctors, My Morning Jacket, The Mars Volta, ALO, etc e tal.
Acho que este fascínio vem justamente da constatação de que esta disparidade estilística, irônicamente, é o verdadeiro elo entre todas elas. Além da excelência musical, é lógico. São bandas irmãs e, frequentemente, ocorrem verdadeiros happenings entre elas com mais de 3(!!!) horas de duração. Mas este é um assunto ao qual retornaremos mais à frente aqui no G&B, pois ainda pretendo postar muita coisa desse gênero por aqui.
Vamos, então, ao verdadeiro objeto deste post: WIDESPREAD PANIC.
Tudo começou quando, ainda na faculdade, Mike Houser (guitarra, vocal) e John Bell (vocal, guitarra), de Athens, GA, resolvem montar um duo cujo repertório seria formado à base de covers (Traffic, Van Morrison, Grateful Dead, etc) mas, também, servindo para a desova de material próprio escrito por Bell. Em 84, o baixista Dave Schools assistiu uma apresentação da dupla e, surpreendido com a qualidade do material, aceitou o convite de Houser para se integrar ao comboio. O nome WIDESPREAD PANIC surgiu a partir do apelido de Houser, 'Panic' e, durante todo o ano de 85, o trio se apresentou na localidade e arredores utilizando-se de bateristas convidados. Em 86 Houser convidou um antigo amigo baterista, Todd Nance, para o que viria a ser considerada a estréia oficial do WSP. Gravam, ainda em 86, seu primeiro single ('Sleepy Monkey'/'Coconut') e adicionam mais um elemento à banda, o percussionista Domingo 'Sunny' Ortiz.
Mesmo assim, o circuito principal da WSP continuava sendo Athens, onde já tinham uma reputação, um séquito que lotava todos os seus shows e onde testavam o repertório que viria a tornar-se o álbum 'SPACE WRANGLER', gravado em 87 com uma penca de convidados.
Lançado em 88, com produção de John Keane, 'SPACE WRANGLER' foi um tremendo sucesso local e estabeleceu as bases da sonoridade da WSP e iniciou o processo de excursões intermináveis, uma característica de qualquer jamband que se preze.
Em 91, conseguem um contrato com a renomada Capricorn, lançam um álbum auto-entitulado e, sentindo necessidade de adição de teclados, convidam John 'Jojo' Hermann, exímio organista de B-3, para esta função. Com essa formação, excursionam (são mais de 250 shows por ano!!!) e lançam álbuns, de estúdio e ao vivo, regularmente, ao mesmo tempo que sua popularidade cresce vertiginosamente.
No entanto, em 10/08/2002, Mike Houser é vencido por um câncer de pâncreas sendo substituído por George McConnell, amigo de todos na banda há 15 anos. Com esta formação, lançam 'BALL', em 2003 e, em 2004, após 18 anos na estrada, resolvem fazer uma pequena pausa.
Em março de 2005 retornam para a estrada e, em 2006, lançam 'EARTH TO AMERICA'.
Após a gravação deste, McConnell tem seu boné pedido vindo a ocupar esta problemática vaga ninguém menos que Jimmy Herring.
Durante todo o período em que estão juntos já venderam mais de 6.000.000 de CDs/DVDs e seus shows são, sempre, sold out - feito notável para uma banda do gênero.
É uma banda especial, com um trabalho de honestidade a toda prova e que faz juz às influências dos seminais Traffic e Allman Bros.
Este post é especial em muito pela participação de toda a galera que enviou belíssimos presentes -todos devidamente apreciados- mas, principalmente, ao incansável Findini. Esse cabra parece mágico. Até nome de mágico o hômi tem: GRANDE FINDINI.
Porém, lamentávelmente, em um daqueles mistérios da web, não foi possível encontrar as capas dos álbuns com um mínimo de qualidade para impressão. Sendo assim, disponibilizo a capa personalizada do G&B -com frente, interior e fundo- para os parceiros que, como eu, ainda gostam de embalar suas bolachinhas.

1988 SPACE WRANGLER


1991 WIDESPREAD PANIC


1993 EVERYDAY


1994 AIN'T LIFE GRAND


1997 BOMBS & BUTTERFLIES


1999 'TIL THE MEDICINE TAKES


2001 DON'T TELL THE BAND


2003 BALL


2006 EARTH TO AMERICA


WSP G&B CUSTOM COVER

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

ESPERANTO-ROCK ORCHESTRA(1973)




Taí o que muitos ansiosamente aguardavam!
Não há nada mais a dizer sobre esta excelente banda de prog. Tudo já foi dito nos posts de 'LAST TANGO' e 'DANSE MACABRE'.
Quem já os conhece sabe do que estou falando. Pra dar uma situada na turma que ainda não conhece a ESPERANTO vou dar minhas notas para cada álbum:
-'ROCK ORCHESTRA' : 9,99
-'DANSE MACABRE' : 9,5
-'LAST TANGO' : 10
Resta somente um agradecimento muito especial a meu primo Gustavo Willian, um aficcionado por este gênero, que correu atrás desta pérola e me enviou de presente de aniversário. Valllleeeeu, GUGU!!!
Galera, quem ainda não baixou os 2 anteriores não sabe o que está perdendo!
Aliás, andem rápido pois os posts são antigos e estão respirando por aparelhos.




ROCK ORCHESTRA

domingo, 4 de fevereiro de 2007

PAULO RAFAEL (1988) - G&B Remasters


Esse maluco aí, para quem não sabe, é a espinha dorsal do som do Alceu Valença, principalmente na fase 70/80. O que posso dizer é que sou fã de PAULO RAFAEL, nascido em Caruaru, 1955, desde que o assisti, ainda no início dos 70, em um show do Alceu no saudoso Teatro Tereza Rachel/RJ, passeando por guitarras e violões diversos e formatando em definitivo a sonoridade do mestre Alceu Valença. Antes de integrar a banda do forroqueiro mór, Paulinho passou pelas bandas 'PHETUS' e 'AVE SANGRIA', esta última ícone do psicodelismo nordestino -preciso postar algo deles por aqui. Sem sua colaboração, talvez o mix de rock e agreste perpetrado por Alceu nunca tivesse ocorrido.
Com relação a esse seu 1º solo -sinceramente não tenho notícias de outros- só posso afirmar que não decepciona, muito pelo contrário. É o agreste misturado ao blues, rock, folk, fusion, etc em temas muito bem construidos, em alguns momentos dinâmicos e em outros de um lirismo de chorar. Tudo com o auxílio luxuoso de músicos do porte de Jurim Moreira (arrebentando como sempre), Luigi Lagioia e Tovinho.
Este é mais um rip de um meu vinil -feito pelo parceirão JR(Djeiar, pros íntimos)- todo processado no Soundforge em horas de trabalho árduo, mas compensador, pois a qualidade é de cd.
Essa é mais uma exclusividade do G&B pros parceiros.