Esse moço com pinta de Rodrigo Santoro atormentado aí de cima foi, simplesmente, a maior esperança de renovação da música americana dos últimos 15 anos.
Digo 'foi' porque, infelizmente, já não se encontra entre nós.
JEFF BUCKLEY nasceu em uma família musical, seu pai - TIM BUCKLEY- foi um conceituado cantor/compositor folk, em 1966, em OC, e começou a despontar no cenário através de apresentações solo em clubs da região a partir de 1993. Após um Ep estilo banquinho & violão, com apenas 4 músicas, partiu, acompanhado de Michael Tighe(guitarra), Mick Grondahl(baixo), Matt Johnson(bateria) e o experiente produtor Andy Wallace, para a gravação de 'GRACE'(94), seu primeiro álbum. E que álbum!
Comprei este cd, à época de seu lançamento, práticamente no escuro e fiquei vidrado no nível das composições, na qualidade dos arranjos (um show de dinâmica) e da banda, na produção a um só tempo crua e elaboradíssima e na voz - que voz!, que extensão!- deste desvairado bardo existencialista. Como se não bastasse, o cara ainda fez a melhor releitura de 'Hallelujah'(Leonard Cohen) que qualquer mortal já ouviu. Tudo bem, qualquer um canta Cohen melhor que Cohen mas esta releitura é um espetáculo a parte. E o resultado foi a aclamação por parte de público e crítica.
A partir de então, OC e sua horda de patricinhas e mauricinhos, tornou-se muito pequena para seu talento e Buckley & banda partiram para um longo tour pelo Velho Mundo e Austrália, onde 'GRACE' foi platina.
Na volta, Johnson foi substituído por Parker Kindred, e Buckley continuou gravando intermitentemente seu novo material, agora com produção de Tom Verlaine.
Em 96, muda-se para Memphis no intuito de continuar as gravações de seu novo álbum, o mais desesperado e soturno ainda 'SKETCHES FOR MY SWEETHEART THE DRUNK', já com seu distúrbio bipolar diagnosticado. Com os trabalhos em fase adiantada, na noite de 29.05.97, resolve nadar e relaxar em seu barco com um roadie amigo e, segundo este, em um pequeno momento de distração Buckley desapareceu na água. Seu corpo só apareceu uma semana depois. A despeito de qualquer coisa, sua família resolve lançar, somente em 98, 'SKETCHES...', mesmo que inacabado, em respeito à sua memória. Aaahhh, se todos os discos inacabados fossem assim... Grande parte dos vocais aproveitados nada mais eram que vozes guia, mas que guias...
Fizeram bem, muito bem.
Ainda acrescentei alguns bônus de demos em 4 canais, bem caseiras, e apresentações em que, a despeito da qualidade das gravações -e talvez por causa delas, o talento desta perda irreparável mais vem à tona.
Após a tragédia, vários bootlegs, alguns até se oficializaram, foram lançados e sua aura mítica continuou a ser reforçada tornando-se principal influência de Thom Yorke(Radiohead) e Matthew Bellamy(Muse) e admirado por Ben Harper, Robert Plant, Jimmy Page, David Bowie, Paul McCartney, Bono e Bob Dylan, só para citar alguns.
As últimas notícias dão conta de que um filme biográfico, 'MISTERY WHITE BOY' (acho que é esse o nome), está em fase de pré-produção e com lançamento previsto para 2008.
Após a tragédia, vários bootlegs, alguns até se oficializaram, foram lançados e sua aura mítica continuou a ser reforçada tornando-se principal influência de Thom Yorke(Radiohead) e Matthew Bellamy(Muse) e admirado por Ben Harper, Robert Plant, Jimmy Page, David Bowie, Paul McCartney, Bono e Bob Dylan, só para citar alguns.
As últimas notícias dão conta de que um filme biográfico, 'MISTERY WHITE BOY' (acho que é esse o nome), está em fase de pré-produção e com lançamento previsto para 2008.
Sinceramente, não consigo vislumbrar horizonte suficiente para o talento desse cara.













