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segunda-feira, 18 de abril de 2016

SANTANA-IV (2016)


EXTRA!!! EXTRA!!! EXTRA!!!

E o álbum mais aguardado do ano veio à luz! 
Quando, ainda em meados do 2013, começaram a surgir notícias de um retorno da formação clássica da Santana Band, ou ao menos seu núcleo central, já que David Brown é falecido e José 'Chepito' Areas estava com a agenda ocupada com um projeto pessoal nos irregulares períodos de composição, ensaios, pré-produção e registro deste retorno, admiradores do trabalho do genial chicano -entre os quais me incluo, desde seu surgimento em finais dos 60- tomaram-se de ansiedade.  Para seus lugares, foram convocados dois integrantes da formação atual, Benny Rietveld e Karl Perazzo que, com Carlos, Neal Schon, Gregg Rolie, Michael Carabello e Michael Shrieve, nos brindaram com 'IV', assim intitulado para passar a ideia de continuidade do grande sucesso de 'III', último álbum desta formação, antes da imersão de seu líder no latin jazz fusion recheado de misticismo de 'Caravanserai'.
E o resultado, se não à altura da genialidade e fertilidade daqueles primeiros trabalhos, está plenamente de acordo com a proposta de manter, tanto o quanto possível, a sonoridade e o espírito de improvisação e lisergia daquele período. E isso é amplamente percebido já na abertura com a sacolejante 'Yambu' e reafirmado nos temas viajantes de 'Fillmore East' e 'Forgiveness' convivendo harmoniosamente com o pop latino de 'Anywhere You Want To Go', 'Choo Choo/All Aboard' e 'Blues Magic' e lindos e sempre emblemáticos temas instrumentais recheados de lirismo, muito bem representados por 'Sueños' e 'You And I'. Os pontos baixos ficaram com 'Love Makes The World Go Round' e 'Freedom In Your Mind', ambas com a participação do lendário Ronald Isley, com apenas um fiapo da poderosa voz em falsetto de outrora.
Agora é esperar por uma turnê com esta formação e que as coisas em nossa Terra Brasilis melhorem para que nos sobre algum dinheiro para assisti-los, se por aqui aportarem.




segunda-feira, 14 de maio de 2012

SANTANA-SHAPE SHIFTER (2012)


STOP THE PRESS!!!!!

E, finalmente, após várias concessões aos caprichos mercadológicos de Clive Davis, Carlos Santana consegue colocar no mercado um trabalho privilegiando sua veia instrumental  que tantos clássicos nos legou. Quando do lançamento do magistral e mundialmente multi-platinado 'Supernatural', o outrora arrojado e visionário produtor e hoje uma múmia sedenta de poder prometeu ao seu velho amigo chicano um álbum totalmente instrumental; no entanto, o mercado falou mais alto e algumas sequências aproveitando-se da fórmula daquele enorme sucesso sucederam-se. Tudo bem que estes trabalhos jamais poderiam ser categorizados como ruins (por sinal, nenhum disco de Carlitos, solo ou com sua banda, pode ser considerado dispensável pois mesmo 'Beyond Appearances' e 'Freedom' guardam alguns bons momentos), apenas é perfeitamente natural que os fãs de primeira hora -e, certamente, me enquadro neste perfil pois lembro-me perfeitamente onde estava e o cheiro daquele domingo de 69, com tenros 10 anos de idade, quando escutei 'Evil Ways' pela primeira vez- cobrem sempre de Carlos Augusto Alves Santana e sua Santana Band um tanto mais de ousadia. E isto só foi possível com a criação de seu próprio selo, a Starfaith Records.
E foi com praticamente o mesmo line-up que o vem secundando desde 1999 -Andy Vargas e Tony Lindsey (vocais em 'Shape Shifter'/percussão), Chester Thompson e Salvador Santana (teclados), Benny Rietveld (baixo), Dennis Chambers (bateria) e seus fiéis escudeiros já por mais de 25 anos Raul Rekow e Karl Perazza na percussão- que 'Shape Shifter' veio à luz. Com um conjunto de 13 temas, é um alento para os tímpanos dos verdadeiros fãs deste brujo del latin rock, com seu timbre cristalino, pegada única e sustain inigualável que o tornam daqueles -pouquíssimos- músicos identificáveis à primeira nota, uma assinatura musical inconfundível e inimitável. É verdade que talvez nenhuma das faixas, ao menos a uma primeira audição, mostrem-se tão inspiradas quanto clássicos definitivos do porte de 'Samba Pa Ti', 'Europa', 'Flor D'Luna', 'Soul Sacrifice', 'Toussaint L'Overture', 'Revelations', 'Marathon' e as definitivas releituras das brazucas 'Verão Vermelho' (Nonato Buzar) e 'Stone Flower' (Tom Jobim), entre tantas outras obras-primas instrumentais, mas um importante passo foi dado e é isto o que conta.
Que venham muitos mais, talvez até dosando com sabedoria temas instrumentais e vocais, desde que sem valer-se de gogós convidados pois Vargas e Lindsey dão muito bem conta do recado.



segunda-feira, 11 de outubro de 2010

SANTANA-GUITAR HEAVEN:THE GREATEST GUITAR CLASSICS OF ALL TIME (2010)

Amigos costumam me cobrar o porquê de destinar tão pouco espaço no G&B para muitas das bandas e músicos que sabem ser eu completamente fanático. Respondo que estes -é o caso de Led ZeppelinCreedence Clearwater Revival, Santana, Free/Bad Company, The Who, Jeff Beck, Gentle Giant, entre muitos outros- já costumam receber tal atenção dos inúmeros blogs musicais a cada lançamento, reedição de álbuns históricos, etc e tal, que julgo desnecessário, diante de tanto material que tenho ainda a oferecer mesmo que nas doses homeopáticas que me permite meu pouco tempo livre, ser apenas mais um na multidão, salvo surja um fato novo que desencadeie uma terrível necessidade de escrever algo e, aproveitando o embalo, disponibilizar o referido material. E é justamente este o caso aqui.
Quando fiquei sabendo que este disco estava em fase de produção, logo pensei: "Mais uma jogada de marketing do mega-hiper-blaster-tubarão da indústria musical Mr. Clive Davis! Quando Carlos Santana conseguirá se livrar das mandíbulas deste cara?". Tudo bem, o octagenário mais influente da indústria do entretenimento conseguiu -com sua fórmula de entupir um cd com convidados; uns mais, outros menos ilustres- levar o chicano mais querido do rock aos pontos mais altos das paradas com o excelente 'Supernatural'(99) mas, com a manutenção da receita nos trabalhos seguintes, Carlos Santana passou a receber críticas desfavoráveis -muito embora continuassem vendendo muito bem, obrigado. E é bom lembrar que no meio daquela assepsia pop, o matreiro chicano sempre encontrou uma maneira de deixar sua forte assinatura.
De minha parte, acho que o sexagenário Carlos Alberto Santana Barragán não precisa provar mais nada a ninguém. Afinal, lá se vão 41 anos desde que sua trupe latina invadiu Woodstock e abalou o mundo pop com sua batucada afro-latina psicodélica misturada a uma guitarra ensandecida e de timbre, pegada  e fraseados únicos -lembro-me perfeitamente do impacto que 'Evil Ways' me causou quando a escutei pela primeira vez no radinho do Corcel 69 'zero bala', adquirido por meu saudoso pai, em seu passeio de estreia. A verdade é que, desde seu surgimento, Santana nos brindou com inúmeros trabalhos antológicos por toda a década de 70 e lançou alguns excelentes discos durante os 80. Na verdade, desconheço um só disco realmente ruim do gringo, apenas alguns são melhores que outros.

Quanto a esse disco, fiz questão de não baixá-lo ou ler qualquer resenha oficial -na verdade, é algo que faço cada vez menos- antes de adquiri-lo no original e sorver seu conteúdo sem a influência de fatores externos que não a  tríade beer, cigarettes & weed. Ao contrário de muitos, não tinha o menor receio da qualidade do conteúdo pois, conhecendo Santana tão bem, sei que se alguém tem condições de acrescentar algo a clássicos absolutos já em suas versões originais, este alguém é ele; afinal, é possível montar uma compilação dupla, talvez tripla, com os excelentes covers (na realidade, estão mais para versões) com que Santana já nos agraciou desde o lançamento de seu primeiro disco. Quem mais poderia acrescentar  salerosidade a 'Whole Lotta Love', 'Sunshine Of Your Love' e 'Smoke On The Water' (aqui,  cabe restrição apenas à frustrada tentativa de agregar o fraseado de 'In My Time Of Dying' ao riff original) sem cair no pastiche? Quem mais se atreveria a criar um arranjo para 'While My Guitar Gently Weeps' eliminando um dos fraseados de guitarra mais emblemáticos da história da música? E o que dizer de 'Little Wing', tão respeitosa e ao mesmo tempo tão pouco hendrixiana e com um Joe Cocker arrasador e sempre belíssima? Até a sem graça 'Riders On The Storm' ficou deliciosa! E por aí vai...Ok, 'Back In Black' com Nas no rap foi meio que uma forçação de barra em conseguir um efeito walkthisway nas paradas mas...sabe que pode dar certo? Ao menos não escolheram como música de trabalho a baba 'Photograph' da Def Leppard, pois para esta não existe salvação meeeesmo, ou convidaram Justin Timberlake para o projeto.
Resumindo, apesar de ter gostado imensamente do resultado final deste 'Guitar Heaven', ainda anseio por um trabalho mais...como direi?...de banda. Mas..sei lá...de repente, Mr. Davis, dependendo do índice de vendas,  o convença a lançar uma sequência com o sugestivo nome de 'Guitar Hell'. Só espero que Señor Carlos lembre-se que um dia, no auge de seu sucesso nos seventies, encheu-se de coragem para romper com as amarras da indústria musical e dedicar-se a fazer a música que ambicionava. É claro que, a esta altura não se exigirá tanto, mas um pouco daquele espírito sonhador lhe faria muito bem para um próximo trabalho.