segunda-feira, 28 de maio de 2012

PONTUS SNIBB 3-LOUD FEATHERS (2012)

Os mais antenados no rock sueco já conhecem há muito o carismático líder da Bonafide, talvez uma das mais populares daquele país de estonteantes e loiríssimos exemplares femininos e bandas de rock crescendo em árvores -mesmo que as genealógicas apontem para diversas situações incestuosas-, o vocalista, guitarrista, compositor, produtor, fornecedor de cerveja, agenciador de 'primas' e o esquindim do bagulhete Pontus Snibb -além de baterista da lendária Jason & The Scorchers nas horas vagas. E para melhor embasar minha tese sobre o incesto na cena musical sueca, os 2/3 restantes deste power trio são, nada mais nada menos que a cozinha da Backdraft, também uma das mais representativas do país, Mats Rydstrom nas 4 cordas e Niklas Matsson espancando as panelas e pratos. "Mas e daí? Mais um projeto de loirinhos nórdicos pra fazer a mesma música que em suas bandas de origem!" estarão pensando vocês. Bem...sim e não, diria eu. Se levarmos em consideração que, assim como a Bonafide fortemente influencida por uma das grandes paixões de Snibb, AC/DC, e o outlaw southern rock da Backdraft de Rydstrom e Matsson, o que interessa aqui é manter a intenção de resgatar e presevar os valores musicais dos 60/70, a resposta é sim. No entanto, o diferencial é que tomaram para si a bandeira, hoje quase uma tendência mundial, de rezar pela cartilha dos tradicionais power trios daquele período, com todos os prazeres e limitações que esta formação pode oferecer. 
Registrado, mixado e masterizado em apenas 3 dias, 'Loud Feathers' surpreende pela crueza de seu hard blues rock transbordando feeling e um peso de fazer bobina de JBL transpirar e derreter válvulas 6L6. É claro que alguns ilustres amigos colaboraram fortemente, dentre os quais Ralf Gyllenhammar, da Mustasch, mas o mérito de pancadas nas orelhas do porte de 'Tag Along', 'Filler', 'Hounds Of Hell', 'Suck Face', 'Love Letter' e mesmo de uma 'So Crazy You Amaze Me' sem vergonha alguma de ser feliz, está na entrega absoluta de todos a este projeto, desde já candidataço ao Prêmio Semente deste ano. Que venham muitos mais!    



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VIDEOS

sexta-feira, 25 de maio de 2012

STALLION-THE HARD LIFE(1974-1979) / Re-postagem

Originalmente publicado em 22.06.2009

Uma das mais gratas surpresas que tive nesses últimos dias foi dar de cara com esse disco boiando lá no ex-CGR e atual Huddinge Hill. E isso tem um motivo mais do que justificado, muito além de simplesmente, e por si só um motivo mais do que razoável, tratar-se de um belo disco de prog.
Conheci esta banda já tardiamente -ali por volta de '80- quando de uma de minhas muitas visitas ao tradicionalíssimo sebo carioca Satisfaction, através de uma solitária fita K7 com um carimbo de 'Promotional Copy-Not For Sale' às traças em um dos balcões de saldos. Não sei o que tanto me chamou à atenção naquela caixinha retangular, e de uma mídia pela qual jamais havia gasto 1 centavo sequer, que me fez arrematá-la impulsivamente visto estar lacrada e, portanto, sem possibilidades de conferência de seu conteúdo.
Assim que entrei no carro a joguei no meu TKR (uma das griffes de toca-fitas automotivos mais conceituadas à época) com sistema anti-trepidação e simplesmente chapei no som que espoucava daquela porrada de alto-falantes espalhados pela lataria daquele Passat '76. Era um prog pesado (para a época!) e extremamente dinâmico, com poucas mas providenciais alternâncias de tempos e executados por uma banda extremamente competente e segura. Talvez um exemplar perdido de algo como um proto-neo prog ou algum tipo de NWOBHProg, sei lá. Lembro-me que ouvi apenas até a segunda faixa pois, não confiando totalmente na proteção oferecida pelo equipamento, temi que algo acontecesse àquela pequena e frágil jóia. Cheguei em casa e recomecei a audição no meu equipamento, desta feita já com uma cópia em fita virgem em andamento. A partir de então, muitas outras cópias foram feitas ao longo dos anos e somente em pouquíssimos casos a 'matriz' era requisitada. Mesmo assim, há pouco mais de 3 anos descobri com tristeza que aquela K7 guardada com tanto zêlo havia mofado completamente e...não haviam mais cópias.
Informações sobre a banda e seus integrantes ainda são muito difíceis de serem obtidas e o pouco que apurei possui o mesmo conteúdo do texto postado pelo Chris que, sempre muito generoso, disponibilizou todo o recheio do cd, incluindo um clip em super-8 -com imagens de apresentações da banda em Reading revelando uma energética performance de seu carismático e excelente vocalista, John Wilde- de um belo medley de 'If Life Were Death' com 'Creamed Genes', duas das melhores faixas. Além disso, essa luxuosa versão remasterizada incluiu diversas faixas bônus, entre elas um single de '75 e outras de um futuro disco que nunca chegou a ser lançado.
É, simplesmente, imperdível!





segunda-feira, 21 de maio de 2012

HOWLIN RAIN

A Howlin Rain surgiu do desejo de Ethan Miller por desenvolver uma música mais melódica que o noise rock a que acostumou-se a tocar por anos na Comets On Fire; afinal de contas, a banda não era nem sombra de uma Sonic Youth e Miller estava longe de poder ser comparado a Thurston Moore. Era preciso achar sua própria voz e ele a encontrou nas raízes de sua San Francisco natal. Berço da lisergia, Frisco foi o propulsor necessário para moldar o som idealizado por Miller para sua nova banda. 
Para ajudá-lo nessa empreitada recrutou seu amigo de longa data Ian Gradek para o baixo e John Moloney para as baquetas. E foi com esta formação que registraram seu auto-intitulado álbum de estreia ainda em 2006, uma perfeita conjunção de hard rock, space e psicodelia. Algumas alterações na formação, com Garrett Goddard assumindo as baquetas e Joel Robinow os teclados, e a inclusão de naipes de metais em algumas faixas, conferiram uma postura mais arrojada a 'Magnificent Fiend', apenas 2 anos após aquela mais que auspiciosa estreia. No mesmo ano, e já contando com Eli Eckert para a vaga de Gradek, lançam o EP 'Wild Life', radicalizando em sua proposta mais lisérgica. 
Após uma longa turnê, quando dividiram o palco com grandes nomes, mais alterações na formação -Cyrus Comiskey (baixo) e Raj Ojha (bateria)- e o lançamento de mais um EP, 'The Good Life', agora pela American Recs., braço mais alternativo da Columbia Recs. dirigido pelo mestre Rick Rubin, em 2010. E segue-se mais um longo período na estrada antes da chegada em fevereiro deste ano de 'The Russian Wilds', agora com Isaiah Mitchell, da cultuada Earthless, na outra guitarra. E um novo capítulo começou a ser escrito na história da Howlin Rain, com um line-up de alto nível capaz de dar corpo a composições ganchudas mas sem abrir mão do que os levou ao prestígio do qual, muito merecidamente, hoje desfrutam.










segunda-feira, 14 de maio de 2012

SANTANA-SHAPE SHIFTER (2012)


STOP THE PRESS!!!!!

E, finalmente, após várias concessões aos caprichos mercadológicos de Clive Davis, Carlos Santana consegue colocar no mercado um trabalho privilegiando sua veia instrumental  que tantos clássicos nos legou. Quando do lançamento do magistral e mundialmente multi-platinado 'Supernatural', o outrora arrojado e visionário produtor e hoje uma múmia sedenta de poder prometeu ao seu velho amigo chicano um álbum totalmente instrumental; no entanto, o mercado falou mais alto e algumas sequências aproveitando-se da fórmula daquele enorme sucesso sucederam-se. Tudo bem que estes trabalhos jamais poderiam ser categorizados como ruins (por sinal, nenhum disco de Carlitos, solo ou com sua banda, pode ser considerado dispensável pois mesmo 'Beyond Appearances' e 'Freedom' guardam alguns bons momentos), apenas é perfeitamente natural que os fãs de primeira hora -e, certamente, me enquadro neste perfil pois lembro-me perfeitamente onde estava e o cheiro daquele domingo de 69, com tenros 10 anos de idade, quando escutei 'Evil Ways' pela primeira vez- cobrem sempre de Carlos Augusto Alves Santana e sua Santana Band um tanto mais de ousadia. E isto só foi possível com a criação de seu próprio selo, a Starfaith Records.
E foi com praticamente o mesmo line-up que o vem secundando desde 1999 -Andy Vargas e Tony Lindsey (vocais em 'Shape Shifter'/percussão), Chester Thompson e Salvador Santana (teclados), Benny Rietveld (baixo), Dennis Chambers (bateria) e seus fiéis escudeiros já por mais de 25 anos Raul Rekow e Karl Perazza na percussão- que 'Shape Shifter' veio à luz. Com um conjunto de 13 temas, é um alento para os tímpanos dos verdadeiros fãs deste brujo del latin rock, com seu timbre cristalino, pegada única e sustain inigualável que o tornam daqueles -pouquíssimos- músicos identificáveis à primeira nota, uma assinatura musical inconfundível e inimitável. É verdade que talvez nenhuma das faixas, ao menos a uma primeira audição, mostrem-se tão inspiradas quanto clássicos definitivos do porte de 'Samba Pa Ti', 'Europa', 'Flor D'Luna', 'Soul Sacrifice', 'Toussaint L'Overture', 'Revelations', 'Marathon' e as definitivas releituras das brazucas 'Verão Vermelho' (Nonato Buzar) e 'Stone Flower' (Tom Jobim), entre tantas outras obras-primas instrumentais, mas um importante passo foi dado e é isto o que conta.
Que venham muitos mais, talvez até dosando com sabedoria temas instrumentais e vocais, desde que sem valer-se de gogós convidados pois Vargas e Lindsey dão muito bem conta do recado.



quinta-feira, 10 de maio de 2012

TRILHAS & CARREIRAS I:VANISHING POINT(1971) / Repostagem


Originalmente publicado em 11.01.2007

GALLera, nesta nova seção vou mostrar uma outra faceta minha até então inédita por aqui: paixão por trilhas sonoras. Entenda-se por esse termo tanto scores originais como compilações, cada vez mais comuns, de músicas que são inseridas durante a película. Normalmente, são utilizadas as duas formas mas (quase) sempre com o mesmo intuito: ilustrar sonoramente a cena criando o clima certo para o que está sendo visualizado na tela. Particularmente, tenho preferência pelos scores. Até porque é muito mais importante para um filme pois envolve trabalho de composições e arranjos exclusivos para cada cena.
No entanto, para o primeiro post desta seção escolhi exatamente uma mistura perfeita de score e compilação por vários motivos: 1.o filme é um clássico dos road movies; 2.o score original é fantástico pois, só para ter uma idéia, aqui está o tema até hoje utilizado na abertura do chaaaaatíssimo 'GLOBO REPÓRTER': 'Freedom Of Expression' com J.B. Pickers; 3.as músicas utilizadas na compilação formam um mosaico perfeito da música norte-americana (tem gospel, country, folk, country rock, r&b, hard rock, etc.); 4.apurei ser muito difícil encontrar esta trilha na rede e 5.um grande amigo me implorou.
Sendo assim, espero que curtam esta excelente trilha e, se encontrarem por aí, assistam o filme pois é muuuuuiiiito bom -assisti 3 vezes durante meus quase 48 anos de vida. Basicamente, o roteiro acompanha a perseguição policial a Kowalski, um repo man (recuperador de veículos) veterano do Vietnam, pelos EUA e a torcida, incitada por um DJ cego -Supersoul, que se forma a seu favor durante todo o percurso Colorado/San Francisco. É bem representativo da saudosa e saudável rebeldia dos anos 60/70. Recentemente, foi refilmado mas ficou uma meeeeerda (como quase toda refilmagem). Também, o que esperar de Jason Priestley no papel principal?
Ajudem sugerindo, comentando, opinando sobre esta ideia. Aliás...os comentários...cadê? O ano já começou, minha gente, vamu se ligá!!!
Aí, , esta postagem é prá você, parceiro!!!


segunda-feira, 7 de maio de 2012

BLUE MAMMOTH-BLUE MAMMOTH (2011)

Sempre que possível, procuro manter-me informado a respeito do que está surgindo de bom na música tupiniquim. É verdade que o cenário não é nada animador, seja em que gênero for, da MPB ao rock, mas com muita perseverança é, sim, possível garimpar algo de bom para dividir com os amigos. E a bola da vez é carioca e atende por Blue Mammoth, certamente um nome de peso.
Criada em 2009 por André Micheli (vocais/teclados) e Julian Quilodran (baixo/cello/vocais), que desejavam compartilhar, com uma abordagem o mais profissional possível, a paixão que nutriam pelo rock progressivo clássico imortalizado por bandas como Jethro Tull, Emerson, Lake & Palmer, Yes, Genesis, Gentle Giant, entre tantos outros, a princípio, aproveitando-se do entrosamento de mais de 5 anos de convivência mútua em projetos diversos, levaram um bom tempo na construção dos temas e pré-produção do repertório. Durante este período, contaram com a ajuda de diversos amigos mas, chegado o momento de registrar em definitivo o resultado de tanto tempo de lapidação, recrutaram André Lupac (guitarras/flauta/vocais) e Thiago Meyer (bateria/percussão) para ajudar a conferir unidade ao material. E a qualidade de apenas 3 faixas jogadas na Grande Rede foi o suficiente para chamar a atenção da também carioca mas já de reputação internacional Masque Records e firmar contrato para o lançamento deste début.
O som da Blue Mammoth não apresenta novidades para o cenário prog, o que chama a atenção em sua estréia é a qualidade autoral de todos os temas -com destaques para 'The Sun's Face Through Dark Clouds', 'Metamorphosis', 'Resurrection Day' e a suite 'Quixote's Dream', onde se encontra minha predileta 'Hero'-, a muito mais do que convincente voz de Micheli e o exuberante desempenho de todos os integrantes, com ressalvas apenas à pouca ambição de Lupac em experimentar mais com timbres e trabalhar dinâmicas; afinal, os temas não apresentam uma exagerada complexidade, fluindo muito bem sem o abuso de convenções. Na verdade, a quase ausência destas, em determinados momentos, aproximam alguns arranjos um tanto demais do sempre perigoso terreno neo prog.
Certamente, a Blue Mammoth apresenta muitos recursos e tenho certeza de que ainda ouviremos muito seu nome em um futuro bem próximo. Confiram.