
Ao pensar em montar um
post sobre esse excelente cantor/compositor deparei-me com um desafio enorme: como fazer com que se interessem por um ex-calouro de programa de TV? Sim, porque
Bo Bice participou da 4ª edição do
American Idol.
Cheguei à conclusão que o melhor seria expor o que despertou meu interesse pelo seu trabalho e esperar que isso seja suficiente. Então, vamos lá: a
Primeira-Dama do
G&B costuma assistir com assiduidade o programa
American Idol desde sua 2ª edição; eu, no entanto, nunca fui muito afeito a esse tipo de formato e assistia uma e outra etapa enquanto devorava um de meus tradicionais
sandubas noturnos ou, quando, porventura, estando no meu
home-studio (vizinho à nossa suite), escutava uma interpretação que julgava interessante -no anterior, isso ocorreu em muito menor escala somente com
Fantasia Barino, uma negona com uma voz incrível mas com muitos
poréns. Ocorre que, já no primeiro dia da 4ª edição, estava trabalhando no computador -localizado no já citado
home-studio- quando uma interpretação de 'Drift Away' chegou-me aos ouvidos de uma maneira que imediatamente me fez parar tudo e correr para conferir quem estava cantando de forma tão convincente, e com um estupendo timbre entre um
Gregg Allman e um
David Clayton-Thomas, aquele clássico de
Dobie Gray. Encontrei minha
Primeira-Dama com o queixo no chão, até hoje não sei se somente pela interpretação ou se por outros motivos de conotações, digamos assim, extra-musicais. E foi aí que comecei a acompanhar esta edição do
AI e, paralelamente, a pesquisar sobre o moço na grande rede
. E, a cada etapa, as belas performances se sucediam, principalmente quando lhe era dado o direito de escolha do repertório. Assim o moço perfilou, prestem atenção no
track list!, 'Whipping Post', 'Spinning Wheel', 'Remedy', 'Corner Of The Sky', 'Free Bird', 'Vehicle' (aclamadíssima, tanto que tornou-se parte de seu primeiro
single), 'In A Dream' (um
a capella que levantou o auditório) e, após 20 semanas, o
gran finale com 'Sweet Home Alabama' acompanhado de seus ídolos
Lynyrd Skynyrd. Já lá pelo meio não torcia mais para que vencesse pois temia que seu enorme potencial fosse domado pela indústria musical, neste caso específico
Mr. Clive 'Dracula' Davies, o que ocasionaria a morte de um grande talento. E
Bo, de fato, não venceu -ficou em 2º lugar- mas sua popularidade a esta altura era tão absurda que o 'tubarão' resolveu abocanhá-lo assim mesmo. Resultado: um primeiro disco,
'The Real Thing', se não de todo ruim devido a suas impecáveis interpretações, recheado de baladas entre uns poucos
rocks (nenhum de sua própria lavra) e com uma produção extremamente pasteurizada. Vendeu bem? Sim, vendeu muuuuiiiiito bem -em torno 2,5 milhões de cópias só nos EUA- e rendeu-lhe uma situação financeira confortabilíssima devido aos mais de 150
shows sold out anuais.
No entanto,
Bo Bice não estava nada satisfeito com esta situação.
Vamos agora à segunda parte e, para isso, voltaremos um pouquinho no tempo. Como disse, em paralelo, pesquisava sobre o cara pois, para mim estava claro, um talento desses não poderia ter surgido do nada. E foi aí que descobri que
Bo já ralava há quase dez anos e, com antigos companheiros -
Kris Bell e Heath Clark (guitarras),
John Cooper (baixo),
Shane Sexton (bateria) e
Thomas Lee (teclados)- já havia gravado um cd,
'Recipe For Flavor', em 2000 e que é puro
southern rock. O nome da banda?
Sugarmoney. Como nada acontecia, e
Bo já com 28 anos e casado, decidiu candidatar-se a uma vaga no
American Idol mas prometeu a todos que se tudo desse certo toda a banda seria beneficiada. Bem, o resto vocês já sabem.
Mas o que eles, ingenuamente, não previam é que a gravadora impediria que fossem utilizados como sua banda de apoio e este foi mais um dos motivos de descontentamento, desencadeando uma série de atritos com
Clive Davies e culminando em seríssimos problemas de saúde que quase levaram nosso herói à morte. Essa terrível experiência e o nascimento de seu filho com certeza lhe abriram novas perspectivas fazendo com que resolvesse comprar definitivamente a briga com o
todo poderoso, após uma longa batalha judicial, conseguindo que seu contrato fosse rescindido e, assim, tivesse meios de fundar seu próprio selo -
Sugarmoney- para lançar seu segundo álbum de maneira independente e da forma com que sempre sonhara: cercado de seus companheiros de banda e com convidados mais que especiais que acreditassem em seu trabalho. Entre estes últimos,
A.J. Croce (filho de
Jim Croce, com quem escreveu várias músicas),
Steve Gorman (bateria-
Black Crowes),
Glenn Worf (baixo-
Mark Knopfler/Bob Seger) e as lendas
Chuck Leavell (teclados) e
Waddy Wachtel (guitarra/lap steel e muito mais). E assim nasceu
'See The Light'(2007), um discaço de
rock tipicamente americano da primeira à última faixa -mas focado no
southern, sua grande paixão- para o qual foram compostas mais de 30 músicas e com o aproveitamento de 10, sendo minha predileta 'Whiskey, Women & Time' (uma das duas da fornada antiga do
Sugarmoney -a outra é 'Sinner In A Sin'), mais de 6 minutos de puro
southern rock da melhor estirpe. Outra grande pedida é 'Witness' com um belo trabalho raivoso de
wah-wah. E o que dizer do tom
creedenciano de 'This Train'? Tem até uma 'festa de arromba'
southern: 'Take The Country Outta Me'. Bem, vamos parar por aqui.
Além destes dois cds, disponibilizei um
link com o
b-side 'Vehicle' (acachapante
cover do
Ides Of March) com participação especialíssima de
Ritchie Sambora e outro com todas as suas participações no
American Idol. Infelizmente, nunca me deparei com o álbum do Sugarmoney mas quem sabe uma alma caridosa não nos faz este favor?