POP. Eita palavrinha perigosa! Para alguns pouquíssimos como eu, apenas o universo em que se inserem quase todas as manifestações artísticas surgidas a partir do século XX, incluindo aí o rock -talvez a principal revolução estética e comportamental de todos os tempos; para muitíssimas outras...um palavrão impronunciável. Mas se até o Papa é pop, queiram ou não, o rock também o é. Contudo, na prática, este simpático diminutivo adquiriu contornos altamente pejorativos, o que é compreensível visto que agrupar de Lady GaGa a Metallica é uma -aparentemente, ao menos- loucura. A dolorosa verdade é que a aberração do século faz absoluta questão de pertencer a este saco de gatos globalizado, enquanto os algozes do compartilhamento gratuito de cultura julgam-se à parte deste mundinho de frivolidades. De minha parte, acho que existe luxo e lixo em todos os gêneros. O problema é que alguns fedem.
Certa vez, totalmente enfumaçado demais, cunhei uma equação (de graus variados mas, devido ao meu estado brenfoetílico, acredito que predomine o 3º grau) com a única pretensão de demonstrar a existência de um determinado mix de gêneros cujo resultado será sempre BOA MÚSICA:
pop + folk : prog + r&b x jazz + rock
Reparem que desta pequena operação matemática, conforme a potencialização aplicada a cada variante, resultaram de Dredg a Steely Dan; de Jamiroquai a Jethro Tull; de Lobster Newberg a Ides Of March; de Ben Folds 5 a Chicago; de Animal Liberation Orchestra a Supertramp. E, mais recentemente, a americana de Buffalo, NY, The Reign Of Kindo. Surgida das cinzas da 'muderninha' This Day & Age, após a saída de seu vocalista, guitarrista e principal compositor Jeff Martin em 2006 devido às já folclóricas diferenças musicais, os quatro membros remanescentes - Joe Secchiaroli (baixo/vocais), Kelly Sciandra (piano/teclados/trumpete), Michael Carroll (guitarras/percussão) e Steven Padin (bateria)- resolvem, em um ato corajoso, ampliar o espectro de atuação de sua música, abandonando por completo o simulacro de brit pop que tocavam em seu projeto anterior. Para tanto, deslocam Joe e seu belo timbre para o centro do palco e guitarra-base, trazem Jeff Jarvis para as 4 cordas e vocais e -aí reside o pulo do gato!- redirecionam o foco instrumental da banda para as tramas e comportadas dissonâncias do excelente jazzy piano de Sciandra. Some-se a isso certo reforço nos elementos de sopro (já presente antes nas ótimas intervenções do trumpete do mesmo Sciandra e de eventuais saxes) e percussão e, em poucos meses, a sonoridade cheia de groove e fraseados palatavelmente complexos da TROK estava formatada e, desde então, sofreu pouquíssimas alterações. Não que isto signifique ausência de evolução, longe disso!, até porque no recentíssimo 'This Is What Happens' fica percebe-se claramente um belo ganho em termos técnicos -saltando aos ouvidos a bateria de Carroll, além do cada vez melhor Sciandra- e criativos. Infelizmente, ainda durante as gravações deste trabalho, Sciandra anuncia sua saída da banda ao final das sessões. Já substituido por Danny Pizzarro, Jr. (vide vídeos abaixo), a princípio, tecnicamente, não parece ter havido uma perda substancial. Já em termos criativos só o saberemos em um próximo trabalho.
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