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domingo, 10 de agosto de 2014

HOUND DOG TAYLOR / Re-postagem



Originalmente publicado em 07.04.2008.


Esta postagem nasceu da insistência de Miguelito, El Gran Ameba FURÓN, para que eu conhecesse um negão com polidactilia -um sexto dedo mínimo em cada uma das mãos- que é considerado uma das lendas do blues. Me mandou uns links e, eu que acreditava não conhecê-lo, tive uma enorme surpresa.
Hound Dog Taylor nasceu Theodore Roosevelt Taylor em 1915 no Mississipi e, em fins dos '50, mudou-se com sua barata guitarra japonesa Teisco e seu modesto amp Sears Roebuck para Chicago, ajudando a construir a cena blues da cidade, berço da eletrificação e consequente massificação do gênero.
Existem dezenas de histórias em torno de sua figura mas uma, em especial, me chamou a atenção. Em 69, o hoje lendário Bruce Inglauer, à época executivo da Delmark Rec., insistiu para que contratassem aquele negão esguio que ganhava uns trocados com sua banda, The Houserockers, nos botecos da cidade mas não obteve êxito. No mínimo, não viram serventia na contratação de um 'cão de caça' por uma gravadora. A obstinação e admiração de Inglauer o levaram a abrir um selo próprio para lançá-lo. E assim nascia a Alligator Rec., hoje sinônimo de blues em todo o mundo. Reza ainda a lenda que, em estado de revolta e embriaguez total, certa vez sacou de um facão e decepou um de seus dedos anômalos.
Em apenas duas noites de 1971, Hound Dog Taylor e banda - Brewer Phillips (guitarra) e Ted Harvey (bateria) - registraram, na base do 1, 2, 3 e...'foda-se', o maior número de canções possível em um mínimo de takes, resultando em dois álbuns de estúdio lançados quase que simultaneamente -'Hound Dog Taylor' e 'Natural Boogie'. Em 74, ainda conseguiu gravar um ao vivo, 'Beware Of The Dog', antes de ser vitimado por um câncer no ano seguinte.
Estranharam a formação sem baixo? Pois é, é assim mesmo, a guitarra de Phillips se encarregava dos graves utilizando acordes mais 'robustos'. Estranho, mas funciona a contento.
Ao longo dos anos, a música deste autêntico Cartola do blues foi gravada e regravada por inúmeros mestres do gênero - daí o motivo de eu ser tão íntimo de muitas de suas músicas -  e a Alligator continuou a lançar seus poucos registros ao vivo. Aqui, além de seus dois álbuns de estúdio, disponibilizo um tributo recheado de feras do porte de Luther Allison, Sonny Landreth, Gov't Mule, Son Seals, Elvin Bishop, Vernon Reid, Alvin Youngblood, George Thorogood, entre muitos outros craques.
Impressiona, apesar de não ser propriamente um virtuoso, o som que ele tirava de equipamento tão tosco. Com certeza sua alma encharcada do mais puro blues é que dava corpo à sua sonoridade.