Esse aí é velho conhecido desde os já longos idos de Conservatórios Pró-Arte, onde nos encontramos algumas vezes -costumava visitar seu compatriota Kay, meu professor de guitarra naquela prestigiosa instituição- e dividimos a paixão pela música e o Glorioso Botafogo. Nesta época, ainda um moleque, o carcamano já 'arregaçava'. Mais à frente, nos 80 e já um músico consagrado, nos encontramos diversas vezes seja profissionalmente, na By Tonny -boutique moda praia/new wave de outro argentino que vestia uma banda pop em que eu tocava e cujo assassinato em Búzios nunca foi esclarecido, ao que me consta- ou nos bares e casas de show da vida. Afinal, a despeito da música radiofônica de baixa qualidade produzida na época, o Rio era uma deliciosa epifania e lugar para tocar não faltava. Mas os nossos oásis eram o Jazzmania, o Mistura Fina, Parque da Catacumba e alguns outros poucos locais que não se rendiam ao apelo new wave besteirol que impregnava o cenário. E não se enganem: apesar de nascido em Buenos Aires há 52 anos, Vitinho é naturalizado brasileiro e mais carioca que muito 'local'.
Não vou discorrer aqui sobre o impressionante currículo deste nacional e internacionalmente conceituadíssimo guitarrista mas, tão somente, dividir com vocês este bootleg gravado em uma das apresentações do tour que geraria o álbum 'Tributo A Jimi Hendrix' em 2001. É verdade que não costumo disponibilizar boots por aqui; no entanto, devido à excelência da qualidade deste registro soundboard - por motivos óbvios, reservo-me o direito de declinar o nome de quem me forneceu a matriz já há mais de 10 anos - e por apresentar um material infinitamente superior ao contido no retalhado lançamento oficial, tornou-se uma escolha natural para fechar a tríade de guitarristas brazucas a qual me dediquei nestas últimas semanas. É uma bela homenagem ao Rei dos Reis no instrumento e, além de azeitar as respeitosas versões com seu reconhecido talento para o improviso com fraseados matadores e muito feeling, Vitinho -pasmem!- está mandando bem no gogó, apesar do timbre pouco encorpado. Uma grande demonstração de coragem de um músico que nunca fugiu de desafios ou manteve-se atrelado a rótulos.

