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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

SOFÁ IN RIO 2013

Uma vez mais com bastante atraso, o Rock In Rio pelo ângulo do melhor camarote mega-VIP do festival: o meu sofá! Sempre muito bem acompanhado de um bom scotch, o som na pressão e com a eventual companhia de meu filho. Além do imprescindível clima enfumaçado, é claro.
E o motivo do delay é o mesmo do anterior: excesso de shows que não pude conferir no momento em que foram transmitidos e que julgava imprescindíveis. Assim, passei as semanas posteriores conferindo o muito que não consegui assistir nos instantes em que foram ao ar.
Se tiverem paciência...


MANDOU MAL PARA CARALHO!!!

TRIBUTO A CAZUZA

Mas que porra foi essa que fizeram com 'O' poeta da geração 80? Tudo bem, acredito mesmo que as intenções foram as melhores, mas a impressão final foi de uma completa falta de respeito à memória não somente de Cazuza, mas também do Agenor. Mal arranjado, mal ensaiado e com os sempre indefectíveis intérpretes alheios à obra do homenageado, este tributo foi uma tremenda roubada. Nosso saudoso exagerado não merecia ser tratado como um maior abandonado. Ah, se o tempo pudesse mesmo parar...

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MANDOU MUITO MAL

SELAH SUE + MARIA RITA

Admirador das duas talentosas cantoras, esta apresentação no sempre interessante palco Sunset estava entre as que eu mais carregava de expectativas. Até mesmo pelo teor inusitado do encontro; afinal, esta é uma das características do espaço. No entanto, provou-se um fracasso retumbante, seja pelos inúmeros problemas técnicos ou pela interpretação um tanto burocrática da banda. Lamentável, pois se não o suficiente para minar o interesse de quem já mantém certa intimidade com os trabalhos da prodígio belga e de nossa pimentinha baby, uma apresentação tão pobre e desleixada pode ter afastado um público que costuma ser generoso com artistas de cunho mais intimista, mas também muito exigente com desempenhos ao vivo. E a principal prejudicada pode ter sido a loirinha, dona de um trabalho muito interessante e que deixou escapar a oportunidade de amealhar um bom número de seguidores. Para os que ainda estiverem interessados em conhecê-la, é só dar uma voada aqui.

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MANDOU MAL

GHOST B.C.

Parece que muitos aceitam bem a ideia de que Papa Emeritus II e sua trupe são divertidos e inofensivos, pouco importando a qualidade de sua música e/ou o grau de canastrice expresso em cada acorde. Não é o meu caso. Inexpressivo seria insuficiente para descrever o desempenho de seu personagem principal. Picaretagem? Sim, certamente, mas como tudo na vida - e não seria diferente no show business -, o veneno está na dose. E a Ghost B.C. ultrapassou com sobras esta dose.

BEYONCÉ

Dona de um timbre ímpar, carisma de sobra, talento lapidado com muito suor e determinação, além de uma sensualidade capaz de incendiar uma arena, é de se lamentar profundamente as rasas pretensões artísticas de Beyoncé, propositalmente dirigidas a um público de exigências limitadíssimas. E seu esforço em agradar a massa é tão insano que ela se presta a cantar baladas de estourar ligamentos de cotovelos vestida apenas com...um maiô! Além das tais meia dúzia de meias calças que dizem costumar usar. Como levar a sério isso? Só espero que ela caia na real e um dia resolva colocar sua belíssima voz a serviço de um repertório que lhe faça justiça.

FLORENCE & THE MACHINE

Juro que, pela enésima vez, tentei encontrar qualidades suficientes que me ajudassem a entender o sucesso que esta ruivinha magricela amealhou como um raio no meio indie. Indiscutível o talento da fadinha serelepe para criar canções pop ganchudas, arranjadas e executadas por uma banda de altíssimo nível. Acrescente uma grande capacidade de liderança e carisma e Florence Welch parece estar pronta para tomar o mundo de assalto; no entanto, a sua voz não ajuda. Se em disco soa monocórdica, ao vivo é incapaz de mantê-la sob afinação, conseguindo a proeza de cantar músicas inteiras absolutamente semitonadas. E, como se fora uma travessa integrante de uma companhia de teatro mambembe celta, a moça não para de quicar pelo palco um instante sequer, mesmo na balada mais sentida!, retirando-lhe um fôlego que, nitidamente, mostrava-se precioso em cada momento de sua lamentável apresentação, mesmo com o suporte de 3 (!!!) backing vocals.

ANDRE MATOS + VIPER

Aguardada reunião da clássica banda que revelou André Matos ao mundo metal, o clima foi um tanto prejudicado por uma apresentação quase toda ainda sob céu claro e, vamos combinar, nada mais anti-climático para qualquer show que luz natural. E no caso de rock em geral, e do metal em particular, o efeito broxante é muito agravado sem uma iluminação adequada. Junte a isso um aparente cansaço na voz de André e um som que não ajudava em nada na performance da banda, e temos uma apresentação com um resultado muito aquém de sua relevância. Mas, ao menos, sobrou garra e entusiasmo.

LENINE

Uma apresentação um tanto morna foi o que nos apresentou Lenine, com o mesmo espetáculo da turnê comemorativa de seus 30 anos de carreira. Com um caráter revisionista e, em muitos momentos, desconstrutivista, o último grande nome surgido em nossa MPB, ao menos enquanto esta sigla orgulhosamente significava Música Popular Brasileira e não Música Pobre Brasileira, equivocou-se ao fazer sua estreia para muitos dos ali presentes através de versões tão diversas - algumas vezes resvalando no eletrônico e no experimental - de seus arranjos originas. É bem verdade que 'Hoje Eu Quero Sair Só' puxou o coro da plateia e a qualidade da concepção do espetáculo era inegável a todos, mas acabou por tornar-se apenas uma bela proposta em dia, hora e local errados. Fosse no ambiente controlado e confortável de uma boa casa de espetáculos, a resposta, certamente, teria sido outra.
 
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MAIS DO MESMO

METALLICA

"É o Metallica de sempre!!!". Quem diria que um dia poderíamos dizer algo tão...hummmm...desdenhoso sobre as já costumeiras visitas de uma das bandas símbolo do rock que tanto amamos. Chega a ser pedante e deselegante mas a verdade é que James Hetfield e sua turma serão sempre muito bem chegados mas...é, sim, o mais puro exemplo de mais do mesmo. De diferente (e melhor) com relação à sua apresentação de dois anos antes, apenas o som um tanto mais 'sujo', mesmo que ainda muito longe daquela deliciosa crueza de seu apogeu.

GOGOL BORDELLO + LENINE

Uma apresentação desta nação anarco-punk cigana é sempre uma ode à porralouquice. Não há concessões, até porque o sucesso destes filhotes de Mano Negra e The Pogues está intimamente atrelado ao exótico e inusitado. Mas isto não impede a repetição de fórmulas, na verdade quase que uma espécie de piadas internas, e isto acaba cansando. Nem a presença do craque Lenine conseguiu diluir esta impressão.

MARKY RAMONE + MICHALE GRAVES

Ou Ramones karaokê! Agitou a galera? Bagaraaaaaaiiii!!! Mas, a mim ao menos, me passou uma certa impressão de decadência. Simpáticos...mas ainda decadentes.

ROB ZOMBIE

Um dos mais simpáticos embustes do metal escatológico. Mas, ao contrário de seus congêneres mais recentes, quase sempre divertido. Afinal, Rob Zombie respira - e faz um bom dinheiro, é verdade - o lado b do show business. Influência de muitos, ainda continua sendo único, mesmo que já uma piada um tanto velha com sua insistente ode à tosqueira.

IRON MAIDEN

Tudo o que coloquei a respeito do Metallica, vale para o Iron Maiden. A diferença é que a Donzela já faz parte de nosso imaginário, de nossa memória afetiva, de nosso folclore. Afinal, quem esteve em sua primeira apresentação em solo tupiniquim, transformou em tradição oral o relato detalhado daquela noite de 11 de janeiro de 1985. Então, embora uma expressão de enfado por vezes se apodere de nosso semblante ao simples anúncio de mais uma apresentação destes simpáticos guardiões da bandeira do NWOBHM em nosso solo, porque teríamos o direito de privar gerações do mesmo prazer que testemunhamos naquele sonho de uma noite do verão de 1985?

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MANDOU BEM

ORQUESTRA SINFÔNICA BRASILEIRA

Dizer o que de nossa querida OSB? Que sempre faz um bom trabalho seja qual for o par de batutas que a comande seria muito pouco. Na verdade, a OSB já é um patrimônio nacional e o divertido medley executado na abertura oficial do evento cumpriu com maestria seu propósito e ainda levantou a plateia. E o efeito deste feedback estava flagrante na face de cada um dos componentes da orquestra. Demais!

SLAYER

Conheço o suficiente do trabalho da Slayer para afirmar que, diante das circunstâncias e do difícil momento pelo qual passa a banda, fizeram um show de muita garra e superação. Com um início irregular devido à confusa equalização dos instrumentos, demorou um pouco para que engrenassem mas, a partir da neutralização destas dificuldades, detonaram em versões arrasadoras para seus clássicos e com um Gary Holt suprindo muito bem a ausência de Jeff Hanneman, constantemente lembrado nos telões.

ALICE IN CHAINS

Tudo bem que Willian DuVall não é dotado do mesmo carisma do saudoso Layne Staley, mas o que lhe falta em personalidade, sobra em competência e gogó. E foi alimentada por estes atributos e muita coesão que a Alice In Chains, uma das bandas mais queridas daquele movimento nascido em Seattle, brindou os presentes com uma excelente apresentação, sem firulas e respeitando os fãs ao privilegiar um set list recheado de clássicos.

LIVING COLOUR + ANGELIQUE KIDJO

Músicos destacados e sempre muito queridos por quem gosta de rock de verdade, a Living Colour é sempre uma ótima pedida quando se privilegia a originalidade e o mix de propostas. Dona de uma personalidade única, fruto da versatilidade e virtuosismo de seus integrantes, é sempre indicação de honestidade à toda prova. A discreta passagem de Angelique Kidjo foi apenas uma bela cereja no bolo, não comprometeu.

THE OFFSPRING

Estava muito curioso sobre a recepção do público à The Offspring, banda outrora recorrente no dial brazuka e hoje praticamente relegada ao ostracismo radiofônico, e pela qual sempre nutri muita simpatia. E Dex Holland & Cia. não decepcionaram, mantendo a octanagem da apresentação com uma pilha de hits, muita competência na execução e com seu líder tomando a plateia nas mãos.

30 SECONDS TO MARS

Belíssima surpresa a apresentação da banda do carismático galã 'Capricho' Jared Leto. Conhecia-os já através de meu moleque e alguns excelentes clipes mas a sua música, estranhamente, nunca me provocou qualquer reação, seja de entusiasmo ou de desaprovação. No entanto, ao vivo, a 30 Seconds To Mars mostrou-se não só, com seu mix de U2, Coldplay e Muse, musicalmente interessante - destaque para o baterista Shannon, irmão de Jared -, como entusiasmou a todos com uma performance grandiosa e com seu líder arrasando, seja como cantor ou como frontman. Ao menos me deu vontade de conhecer melhor o trabalho da banda, o que farei em breve.   

AVENGED SEVENFOLD

Sob protestos indignados de meu headbanger-ex mirim, que considerou sua apresentação a melhor do Rock In Rio, mantenho esta honrosa posição para a A7X. Os pontos perdidos e responsáveis por afastá-los de uma posição melhor, apesar da performance vigorosa e musicalmente irrepreensível, deveram-se por uma atitude que parece ser uma constante da banda: um set list muito enxuto, fazendo com que sempre fiquemos com uma incômoda sensação de que ficou faltando muito material a ser tocado. Afinal, pouco mais de 1h10min de apresentação, quando sua posição no line-up lhes garantia pelo menos mais 20 minutos, é muito pouco para cobrir 13 anos de carreira.

BON JOVI

Não sou um entusiasta mas respeito a longevidade de Jon Bon Jovi e sua banda. E muito disso devido ao bom trabalho de seu braço direito, Richie Sambora, nas 6 cordas. E foi por conta disso, além da curiosidade natural em saber como se sairia como headliner em terras estrangeiras de um festival deste porte, que me propus a assistir seu espetáculo. No entanto, somente às vésperas da apresentação soube que não só Sambora como o também excelente baterista Tico Torres estariam de fora do line-up, ambos por problemas de saúde. Mas não é que, diante de tantas adversidades (foi necessário substituir Sambora por dois músicos!), o saldo foi muito positivo?! Com carisma de sobra, as escalações de última hora funcionando razoavelmente bem e uma mala recheada de grandes sucessos, apesar de uma voz já apresentando desgastes, este filho ilustre de New Jersey fez bonito. E na garra!

SEPULTURA + ZÉ RAMALHO
(ZÉPULTURA)

Ou, como ficou conhecido, o Lou Reed & Metallica que deu certo. Sim, o divertido encontro deste ícone de nossa música com o thrash de nossos maiores representantes no rock mundial, deu liga e acredito que muito ainda possa surgir daí. A boa música agradeceria muito!

TRIBUTO A RAUL SEIXAS

Tudo que foi desprezado no lamentável tributo a Cazuza, sobrou aqui. Do set list aos intérpretes convidados, passando por arranjos e a ideia de uma banda base - aqui, a Detonautas - como catalisador, tudo funcionou. Inegavelmente bons músicos, apesar do material autoral incipiente, a Detonautas (Roque Clube) surpreendeu ao chamar para si a responsabilidade de homenagear um dos maiores ídolos do rock brazuka, 'Raulzito' Santos Seixas. Em se tratando de uma verdadeira divindade, o risco de que Tico Santa Cruz e seus parceiros de banda enterrassem de vez suas carreiras eram enormes. Mas, ao contrário, tudo correu tão bem, apesar dos exageros verborrágicos de seu líder, que acredito mesmo em um novo impulso na carreira da banda. E, na boa, a interpretação de Tico para 'Ouro De Tolo' chegou a me emocionar.

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MANDOU MUITO BEM

MUSE

Velha conhecida - inclusive de palcos pois estivemos, eu e meu headbanger-(na época) mirim, na plateia de seu pocket show aqui no Vivo Rio5 anos -, nem por isso uma apresentação do trio Bellamy, Wolstenholme & Howard deixa de surpreender. Impecável, privilegiando seu lado mais pesado, com timbres matadores, um frontman visivelmente em noite inspirada e desempenhos irrepreensíveis de todos em seus respectivos instrumentos, a Muse deixou claro que não é mais uma melhor banda dos últimos tempos da última semana. Seu lugar no seleto panteão das grandes bandas já foi escrito há algum tempo. E esta impecável apresentação foi apenas a confirmação disto.

ALICIA KEYS

Classe, elegância, leveza, musicalidade, beleza, sensualidade e...talento de sobra. Se o conjunto destas qualidades tem algum nome, é Alicia Keys. No meu entender, essa linda mulher está entre os grandes nomes do r&b contemporâneo, mas com os pés muito bem fincados em suas origens. Como de hábito contando com uma banda afiada, Lady Keys estraçalhou, não deixando pedra sob pedra ao final de sua performance, que nem mesmo a onipresente (será o fim do reinado de Sangalo?) Maria Gadú conseguiu estragar. Tudo o que se poderia esperar de uma verdadeira artista, que respeita seu público ao privilegiar a música em sacrifício de maiôs, shorts minúsculos obstruindo as trompas de falópio, 1/2 dúzia de meias-calças e figurinos inspirados em 'Alice In Wonderland'. 

JOHN MAYER

Estava cercado de dúvidas sobre a performance deste outrora prodígio, hoje com uma carreira plenamente solidificada. Não que duvidasse da qualidade de sua performance, muito elo contrário. Conhecedor de sua obra em todas as suas facetas, de um início inspirado pelos matizes de Dave Matthews à descoberta do blues e das inúmeras possibilidades da guitarra elétrica, minha dúvida recaia sobre qual vertente escolheria para representá-lo em sua estreia para seu público em terra brasilis. Seria o pop com algum cérebro que o transformou em ídolo de adolescentes mais interessadas em seu belo rostinho de seu início de carreira? Ou seria o folk classudo com violões bem executados que revigorou radiofonicamente o estilo? Ou o blues que o fez cair nas graças de um público mais elitizado? Ou tudo ao mesmo em tempo e dividido em blocos como em seu excelente DVD 'Where The Light Is'? Nada disso. Para surpresa geral, Mayer optou por revestir pouco mais de uma dezena de seus sucessos com uma roupagem country/southern/jam e, em minha modesta opinião, foi responsável por uma das grandes apresentações desta edição do Rock In Rio.

VINTAGE TROUBLE + JESUTON

Não tinha a menor dúvida de que, fornecido um mínimo de condições, Ty Taylor e seus companheiros de banda fariam uma bela apresentação no sempre surpreendente Palco Sunset. Com simplicidade e muita simpatia, a Vintage Trouble conquistou a plateia presente, no início algumas poucas centenas aboletadas próximo ao palco para alguns milhares ao final, provando que seu rocksoul é uma das boas apostas para este ano. A meiguinha mas insossa Jesuton não comprometeu em uma das melhores músicas da banda, 'Nobody Told Me', e ainda puxou uma desajeitada mas honesta 'Mas Que Nada'. A lamentar, apenas a ausência de 'Gracefully', uma das melhores soul ballads que escuto em muitos anos, no set list.

GRACE POTTER & THE NOCTURNALS + DONAVON FRANKENREITER

No dia seguinte à sua bombástica apresentação, li em algum lugar que essa beleza loura fez um 'rock inofensivo'...e estou até hoje tentando entender o que isto significa. Grace Potter, ao contrário do que muitos possam pensar, não é uma novata. Com uma carreira caminhando firme para os 10 anos, esta lourinha, sempre escorada pelos fiéis The Nocturnals, e já com 5 álbuns de estúdio nas costas e um crescente prestígio entre seus pares, é uma grande aposta dos que ainda acreditam que sucesso e qualidade podem andar juntos. E todos que estavam presentes na noite de sua apresentação foram testemunhas disso.
De quebra, generosamente disponibilizou sua excelente banda e seus dotes nos teclados para que o bicho-grilo surfista sangue bom Donavon Frankenreiter brindasse o público com um divertido singalong de seus 3 sucessos. Mas a noite era mesmo de Potter e sua contagiante energia.

BEN HARPER + CHARLES MUSSELWHITE

Uma apresentação exuberante foi o que nos presentearam Ben Harper e o lendário septuagenário Charles Musselwhite. Era a apresentação de raiz que os Medina tanto necessitavam para aplacar um pouco a ira dos que ainda se revoltam com a característica plural da franquia Rock In Rio. Uma apresentação tão despretensiosa, espontânea e recheada de momentos sublimes proporcionados por duas gerações de músicos que partilham as mesmas raízes. E isto só o blues consegue fazer.

SEPULTURA + TAMBOURS DU BRONX

Não, não foi apenas uma reedição 'padrão FIFA' de uma das grandes surpresas do Palco Sunset de 2011. Desta vez, merecidamente, ocupando lugar de destaque no Palco Mundo, os franceses do Tambours Du Bronx e o internacional Sepultura foram, uma vez mais, um grande destaque. Incrível como o prodigioso uso dos latões amplia o universo thrash chic de Andreas Kisser & Co, além de muitíssimo eficiente plasticamente. Já um clássico na história do festival.

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 MANDOU BEM PARA CARALHO!!!

BRUCE SPRINGSTEEN & THE E STREET BAND

Confesso que após a apresentação arrasadora de John Mayer, que o precedia no último dia do festival, temi pelo sucesso da apresentação do boss Bruuuuuuuuce. Afinal, a plateia claramente entre o adolescente e o adulto jovem que predominou na apresentação de Mayer, era o resumo do que o veteraníssimo filho dileto de New Jersey encontraria pela frente. No entanto, durante o tempo em que o palco era vertiginosa mas cuidadosamente montado, o milagre da multiplicação de quarentões e cinquentões foi testemunhado por todos os presentes e, já aos primeiros acordes de 'Sociedade Alternativa' em perfeito português e com um arranjo matador, uma catarse coletiva se anunciava. O mais incrível é que ao longo das 2:40h de apresentação, percebíamos a adesão de uma faixa etária bem mais nova e visivelmente extasiada com a disposição daquele senhor de pouca estatura que conseguia a proeza de fazer a gigantesca boca de cena do Palco Mundo parecer minúscula. Entre tantos excelentes momentos proporcionados por Springsteen e sua lendária E-Street Band, talvez a melhor banda de apoio de todos os tempos no rock, a cena de um garoto aparentando pouco mais de 10 anos cantando a plenos pulmões e com muita convicção 'Waitin' On A Sunny Day' é digna de jamais sair da memória. A verdade é que há muito o Rock In Rio não nos proporcionava momentos dignos de entrar para a história como esta antológica apresentação de Bruce Springsteen & The E-Street Band. Um fecho com chave de ouro!