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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

YEAR LONG DISASTER / Repostagem

Limpeza nos HDs quase sempre leva a repostagens. E desta vez de uma banda que, tudo leva a crer, chegou ao fim; mas não sem antes deixar um legado de 3 belíssimos exemplares de um hard rock de alta octanagem e assinatura personalíssima.

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Originalmente publicado em 10.01.2011

Há uns 2 anos, levado pela curiosidade a respeito de tantos blogs disponibilizarem seu auto-intitulado trabalho de 2007, conheci esta banda angelena liderada por ninguém menos que Daniel Davies, filho de Dave Davies, guitarrista dos Kinks, banda seminal do rock, em pé de igualdade com pilares como Who, Faces, Stones e os Fab 4 -só para citar alguns- quando nos referimos ao melhor que a Inglaterra produziu durante os sixties e que comumente chamou-se de 'british invasion'. Mas acho que isso todos já sabem. O relevante aqui é que, com tamanha responsabilidade nos ombros, as coisas nem sempre correram tão bem para Daniel e os envolvimentos com drogas pesadas tornaram-se uma constante desde muito cedo, acarretando um certo atraso em decidir o que fazer da vida. Acrescente a isto uma certa paúra da tal turma do "filho de peixe não sabe nadar" e temos um cenário pronto para o funeral de uma promissora carreira.
E assim foi até que o fundo do poço tornou-se o trampolim para o surgimento da Year Long Disaster quando, em 2003, o incompreendido "filho de peixe" esbarra com Rich Mullins -baixista da cultuada Karma To Burn e provisoriamente desalojado devido ao péssimo hábito de cheirar seus cachês- em uma padaria e imediatamente tornam-se amigos de infância, a ponto de passarem a dividir um moquifo no centro da Cidade dos Anjos. E, entre orgias regadas a muita cocaína, bebidas as mais variadas e anfetaminas as mais potentes, perceberam que a química entre eles era perfeita e valia a pena investir em um trabalho próprio. O primeiro passo foi um programa de reabilitação, seguido de alguns percalços por longos 7 meses; a seguir, um baterista se fazia necessário e a escolha recaiu sobre Brad Hargreaves, titular das baquetas na Third Eye Blind, que aceitou, intrigado com o fato de que havia pouco participara com sua banda principal, da excelente série norte-americana "American Dreams" no papel de...The Kinks. 
E é com esta formação que lançam um EP patrocinado por Mark Needham, produtor da The Killers, em 2005, e saem em tour por todo o país, em muito a reboque da banda irmã Karma To Burn, e acabam por chamar a atenção de um executivo da pequena Volcom Rec., por onde lançam seu primeiro full album em 2007. O resultado - apesar de deficiências na produção que, entre outros deslizes, optou por manter a voz de Daniel no limite por quase todo o tempo, além de um certo desleixo nas timbragens dos instrumentos - foram petardos como uma acachapante sequência com 'Per Qualche Dollaro In Píu', 'Leda  Atomica' (será uma alusão à nossa simpática seda transparente que tanto sucesso faz mundo afora?) e 'Cold Killer', um arrebatador exemplar de classic rock recheado com um psicótico slide em 'The Fool And You' e a obra-prima 'Swan On Black Lake' (aqui, percebe-se claramente onde a música da YLD poderia chegar) e materializou-se em convites para turnês com alguns dos grandes medalhões.

Mesmo assim, devo admitir que a Year Long Disaster não figurava entre as inúmeras bandas pelas quais ansiava por um novo lançamento. No entanto, começaram a pipocar notícias de uma cada vez maior aproximação com a Karma To Burn - com canchas de Daniel nos vocais do recente 'Appalachian Incantation'  e na miscigenação completa do line-up das duas bandas durante as turnês - e, levando-se em conta a saída de Hargreaves devido a impossibilidade de conciliar agendas e sua imediata substituição pelo excelente Rob Oswald, titular das baquetas na banda co-irmã, e uma forcinha de Will Mecum, tudo levava a crer que: 1. a YLD jamais se livraria da pecha de ser apenas mais um "projeto" ou 2. a K2B acabaria e seus integrantes migrariam para a YLD. E assim comecei a acompanhar essa novela, que veio a ter seu clímax com o lançamento de  'Black Magic: All Mysteries Revealed', um álbum conceitual (acho que isso já está virando mais que uma simples tendência) que, definitivamente, revelou todo o talento do "peixinho", em muito ampliado por uma produção certeira que valorizou todas as nuances estilísticas capazes de brotar da mente inquieta deste  músico ímpar e agora nos descortinando um cantor cheio de recursos, e perfeitamente amparado por todas as possibilidades que um naipe de músicos deste porte pode oferecer. Da abertura, com a densa 'Black Magic' funcionando como intro para a contagiante faixa de trabalho 'Show Me Your Teeth', seguida pelo hino instantâneo 'Love Like Blood', a sabbathiana 'Sparrow Hill' com uma das melhores levadas de tambores que ouvi este ano e mais uma sequência de faixas 'impuláveis' até seu encerramento com a arrasa-quarteirão 'Cyclone', este último trabalho da Year Long Disaster é de uma perfeição que ainda não percebi em nenhum dos lançamentos de um ano que se foi ainda tão recente.
Mas a verdade é que 'Black Magic: All Mysteries Revealed' é um seríssimo candidato ao Prêmio Rabo de Raposa 2010. E vou além: em se confirmando a fusão em definitivo com sua irmã mais célebre, periga transformar-se em um dos expoentes do hard/heavy desta segunda década, seja qual for o nome que adotem, mesmo que Karma To Disaster...ou Year Long To Burn.






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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

PRÊMIOS G&B 2010

E chegou o momento tão aguardado por todos os parceiros (ou por ninguém, sei lá) da entrega dos Prêmios G&B àqueles que mais se destacaram na música no ano que recentemente se foi. E, uma vez mais, foi muito difícil me decidir, entre os inúmeros laçamentos de 2010, aqueles que mais fizeram a minha cabeça: do soul/funky de Cee-Lo Green ('Lady Killers'), Sharon Jones & The Dap-Kings ('I Learned The Hard Way'),  Sade ('Soldier Of Love'), Alicia Keys ('The Element Of Freedom') e Macy Gray ('The Sellout') ao pop/blues/hard/heavy/psych/prog de Black Mountain ('Wilderness Heart'), The Union (s/t), Hogjaw ('Ironwood'), o primeirão da Kill It Kid e a confirmação da Arcade Fire com seu 'The Suburbs', Elton John & Leon Russell ('The Union'), Hill Country Revue ('Zebra Ranch'), Black Rebel Motorcycle Club ('Beat The Devil's Tatoo'), Kula Shaker ('Pilgrims Progress'), The Reign Of Kindo ('This Is What Happens'), Lucifer Was ('The Crown of Creation'), Mangrove ('A Distant Dream Of Tomorrow'), Dirty Sweet ('American Spiritual'), Crystal Caravan ('Against The Rising Tide'), Slash ('Slash's Rock 'n' Fuckin' Roll'), Joe Bonamassa ('Black Rock'), Robert Plant ('Band Of Joy'), Black Country Communion ('Black Country'), Gandhi's Gunn ('Thirtyeahs'), Mindflow ('365'), The Brew ('A Million Dead Stars'), Monster Magnet ('Mastermind'),  Hypnos 69 ('Legacy'),  Karma To Burn ('Appalachian Incantation'), Firebird ('Double Diamond') e Avenged Sevenfold ('Nightmare'), apenas para citar algumas das excelentes  bolachinhas lançadas no período, tivemos petardos para todos os gostos, duvidosos ou não.
Portanto, todos os escohidos aqui devem-se única e exclusivamente a um crivo absolutamente pessoal. É claro que a participação de todos com opiniões, sugestões e otras cositas más foram fundamentais mas...o G&B está muito longe de poder ser considerado uma democracia, pô! Resumindo: li todos os argumentos e...caguei solenemente para todos! Sacanagens à parte, o que quero dizer é que, não havendo uma eleição formal, todos os debates e embates que rolaram pelos comentários certamente influiram em minhas conjeturas mas, ao fim das contas, a batida do martelo coube a mim, egrégio CEO do G&B.
Isto posto, the winners are...

PRÊMIO RABO DE RAPOSA

Year Long Disaster - 'Black Magic: All Mysteries Revealed'

Alguns podem ter até considerado este exxcelente exemplar de rock na veia uma barbada  em muito devido aos meus (e de muitos parceiros) entusiasmados comentários. No entanto, garanto que teve adversários à altura e sua vitória deu-se no photochart. Se você ainda não conferiu e ficou curioso, é só dar uma chegada aqui e chapar com a pancada do roquenrou engajado e sem frescuras dessa banda. E olha que tem pedigree! Ainda assim, acredito que esta perfeita amostra de que o rock ainda pode ser o bastião de muitas gerações é só um aperitivo do que ainda está por vir através de sua fusão com a unanimidade Karma To Burn. Mas isto é papo para depois.

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PRÊMIO SEMENTE

Langfinger- Skygrounds

Este, e (quase) todos os demais premiados aqui, foi dos que brigaram impávida e corajosamente até o último milésimo de segundo pelo prêmio máximo. Confesso até que foi o que mais tempo permaneceu na pole position. A excelência do repertório, a produção de uma crueza impecável, o vigor demonstrado em cada interpretação...tudo isso me fêz revezá-lo constantemente com o seu maior adversário. Ao final, resolvi o embate de maneira diplomática: criei o quesito 'antiguidade é posto', desclassificando-a em favor da Year Long Disaster e seus 2 trabalhos a mais na bagagem, e o Prêmio Semente para trazer os holofotes para o sangue novo e nesta seara não existiram adversários à altura da Langfinger e seu 'Skygrounds'. Além de termos mais uma banda instigando a curiosidade quanto ao seu futuro aos que se permitirem experimentá-la. Onde? Aqui, ó!

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PRÊMIO DA LATA

Sully Erna - 'Avalon'

Sobre este discaço, não escondi meu entusiasmo desde a primeira vez que o ouvi, por uma indicação de meu spacey broDim Maddy Lee quando de sua última entrada em nossa atmosfera. Não há como deixar de premiar um trabalho notadamente feito com carinho extremado por alguém do qual não esperava nem um milésimo da qualidade apresentada neste 'Avalon', primeiro trabalho solo de Sully Erna, antes apenas um vocalista pouco além de mediano da bem abaixo da média Godsmack. Para quem curte climas épicos e étnicos bem dosados e fantasticamente executados, é um prato cheio.
Sendo assim, uma vez mais valendo-me da prerrogativa de comandante-em-chefe da Nação G&B, criei este Prêmio Da Lata para funcionar como uma 'menção honrosa'. E foi imbuído deste mesmo espírito 'castro-chavista' que decidi-me  por dividir este prêmio com a...

The Soulbreaker Company - 'Itaca'

...que se, a princípio, me causou uma certa estranheza devido a algumas alterações de rumo na sonoridade que me fez tomado de paixão por esta e-s-p-e-t-a-c-u-l-a-r banda basca, aos poucos fui sendo conquistado por tamanha versatilidade e inusitado de sua sonoridade. Ao final, já agradecia por tanta diversidade, o que deixa a The Soulbreaker Co. em um patamar único no universo hard prog. Ademais, 'Itaca' é a confirmação de Jonny Moreno como um dos grandes gogós da atualiadade.

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 PRÊMIO PALHOÇA

Alter Bridge - 'III'

Sei que quase causei um AVC no meu parceiraço Dagon (vulgo Nikiti Guy ou Arariboia Man) ao aventar a possibilidade de outorgar este indesejável prêmio ao 'Return To Zero', de outra banda que gosto bastante, a Spiritual Beggars. Mas o que me fez optar por este ambicioso e fraquíssimo 3º trabalho de estúdio da Alter Bridge foi, simplesmente, um só: ele é inescutável! De tão chato, jamais consegui sorvê-lo de uma tacada só. Acho que apenas de 3 em 3 faixas e ao custo de muito sacrifício. 
Por sua vez, da bolachinha de sua rival ainda consegui salvar da guilhotina umas 3 ou 4 faixas; assim mesmo, considero imperdoável a traição dos suecos ao alterar de maneira tão radical sua sonoridade, fazendo-os soar quase que como um pastiche de Bon Jovi.
Por dúvida das vias, evitem consumir estas drogas que já vieram malhadas antes de nascer.