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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

CACTUS / Atualização

Para felicidade de todos os admiradores do blues rock clássico, e da lendária Cactus em particular, longos 10 anos após seu retorno às atividades com o lançamento de seu quinto álbum de estúdio, vem à tona, apesar da baixa em um de seus fundadores, Tim Boggert, cansado de turnês, 'Black Dawn', novo álbum de inéditas. Agora com Pete Bremy, ex-Vanilla Fudge, nas 4 cordas, 'Black Dawn' mostra-se um tanto disperso e sem a qualidade da produção de seu predecessor mas, ainda assim, um trabalho que agradará em cheio seus admiradores. E, de quebra, brinda-nos, ainda, com 2 faixas inéditas, 'One Way Or Another' e 'C-70 Blues', com a formação original.     

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Originalmente publicado em 01.02.2016.


O que fazer quando uma das sessões rítmicas mais conceituadas e disputadas do mercado tem seus planos de formar o que poderia vir a ser um dos maiores power trios da história frustrados pelo envolvimento de um de seus integrantes em um grave acidente automobilístico? Pois foi exatamente o que aconteceu com Tim Bogert e Carmine Appice, a acachapante cozinha da lendária Vanilla Fudge, de onde saíram em 1970 com a intenção de iniciar os trabalhos de uma super banda com ninguém menos que Deus...digo, Jeff Beck. Mas a paixão do já à época ostentando a alcunha de 'mestre dos mestres' da guitarra pelas pistas de velocidade (ou seria pela velocidade das pistas?) causaria um atraso de 3 anos neste ambicioso projeto, que deveria se chamar...Cactus
Era chegada a hora de um plano B e a saída encontrada foi convidar dois outros 'desempregados', Rusty Day (ex-Amboy Dukes) e Jim McCarty (ex-Detroit Wheels), para se alinhar ao projeto e, em decisão conjunta, optaram por manter o nome daquele espinhoso vegetal da classe das magnoliopsidas. E foi com esta formação que lançaram o autointitulado álbum de estreia naquele mesmo ano. Recheado de críticas positivas, com destaque para a fantástica releitura para o blues standard 'Parchman Farm', não recebeu a mesma resposta por parte do público. Mas os nomes de Bogert e Appice carregavam prestígio suficiente para uma nova tentativa. E 'One Way...Or Another', de 71, cumpriu muito bem o papel de levar a Cactus para mais próximo de seu público alvo, contando para tanto com a pegada arrasadora da faixa-título, o groove dançante de 'Rock'N'Roll Children' e ainda a escolha de uma versão deliciosamente mais cadenciada e infinitamente mais pesada de 'Long Tall Sally' para a abertura do álbum, além de muitos outros atrativos. Aqui sobressaem os inspiradíssimos trabalhos de guitarra de McCarty
Como forma de aproveitar o sucesso, despejam no mesmo ano 'Restrictions', um honesto mas um tanto desinspirado trabalho, talvez até pelo pouco tempo de produção. Aqui, salvam-se a faixa-título e uma versão hard/heavy para 'Evil', de Willie Dixon. E aqui também tem fim a fase clássica da banda, determinada pela saída logo em seguida ao seu lançamento, de Day e McCarty. A banda ainda soltaria um último suspiro com o inconstante ''Ot 'N' Sweaty', parcialmente gravado ao vivo durante a turnê do álbum anterior, mas já contando com Peter French (ex-Leaf Hound e Atomic Rooster, nos vocais), Werner Frietzschings nas guitarras e Duane Hitchings nos teclados.
Em 2006, Bogert e Appice, atendendo a pedidos graças ao renovado interesse no trabalho da banda por conta das comunidades de compartilhamento, retornam aos palcos, agora com Peter Kunes, ex-Savoy Brown, no gogó -Rusty Day já era falecido, assassinado com o filho- mas promovendo o retorno de Jim McCarty. A excelente recepção não poderia dar em outro resultado que não fosse a gravação de um novo álbum. E naquele mesmo ano lançam o surpreendentemente bom 'V'. Atualmente, seguem fazendo aparições esporádicas, com formação um tanto errática mas sempre muito disputadas.