Originalmente postado em 26/05/2008
Aproveitando a necessidade -devido à morte súbita do Shareonall- de hospedar um novo link para esta pérola do rock brazuka, incluo aqui o depoimento de mestre Geraldo D'Arbilly, baterista da banda.
"Muito obrigado pelo carinho de todos!!! Coloquei o link no meu site.
Um grande abraço na galera que curte o Peso!!!"
Geraldo D'arbilly, ex-batera do Peso
E vejam que bela notícia mestre D'arbilly nos manda:
"Queridos amigos!
Em primeiríssima mão, acabei de receber um email do Gabriel O'Meara, marcando uma reunião comigo, Constant e Carlos Scart para o dia 2 de Dezembro!
O que será que vai sair daí????
Abraços em todos!"
Geraldo D'arbilly
Aproveitem e façam uma visita ao site deste grande músico e produtor:
www.geraldodarbilly.com
Agora, só nos resta torcer!!!

Há muito -sendo mais exato, desde o ano passado- que não fazia uma
postagem da séria série
Crássicos G&B. Sendo assim, para abrir com chave de ouro a edição
2008 desta seção, escolhi o que considero um dos melhores trabalhos de
rock já lançados por uma banda
tupiniquim:
'Em Busca Do Tempo Perdido', do
Peso (ou
O Peso, como alguns preferem).
Ok, vocês devem estar pensando: "Porra, de novo esse disco? Todo
blog que entro tem esse disco do hipopótamo!!!". Bem, se assim é, deve realmente haver algum excelente motivo. Mas é bom lembrar que nem sempre foi assim. Há até uns
10 anos, este
LP era item de colecionador. Por sorte minha, fui o feliz proprietário de
2 exemplares, um deles lacrado até o ano de
1998 quando adquiri meu primeiro gravador de
CD e comecei a fuçar programas de manipulação de áudio e descobri o hoje jurássico
Soundforge 4 (ou
SANTOforge para os mais íntimos).
Meu próximo passo foi adquirir coragem para deslacrar aquele objeto de culto e digitalizá-lo. Para tanto, apesar de possuir um bom equipamento, abusei da paciência de um parceiro,
André e seu
Technichs MK II, e assim promovemos uma
ripagem, por si só, extremamente satisfatória devido à 'virgindade' do vinil e ao excelente equipamento utilizado. Mesmo assim, gastei na pós-produção em torno de
60 horas pendurado em um
Pentium I, com 64mb de RAM e batendo cabeça com o tal do
Soundforge 4 até que ficasse satisfeito com o resultado. Bom, não preciso dizer que essa minha digitalização poderia derrubar o preço do exemplar em vinil e, antes que isso acontecesse, desfiz-me de um dos meus exemplares (o mais surrado, é lógico) e desovei o
CD-R remasterizado no mercado -com capa em padrão mini-
LP, rótulo e encarte!!!
E que surpresa descobrir
que haviam tantos admiradores do
Peso perdidos por aí. Tá...tudo bem...admito que ganhei um troco bacana mas, nessa época, quem tivesse um gravador de
CD acabava por fazer desses 'trabalhinhos'. Atire a primeira pedra quem não o fez!!!
Agora, voltemos o filme para contar um pouco da minha relação com a banda, até mesmo para tentar justificar o porquê de meu entusiasmo com seu trabalho. Estamos em
1975 e eu, um descolado adolescente de
16 anos e já testemunha ocular de diversos e antológicos
shows nacionais e internacionais, adquiri ingressos para um festival no campo - ainda em
General Severiano! - de meu querido e Glorioso clube,
Botafogo de Futebol e Regatas, com algumas das melhores bandas
brazucas da época, além de
Raul Seixas,
Erasmo Carlos,
Rita Lee, etc. Estou me referindo à primeira edição do
Hollywood Rock! Entre as bandas escaladas baixariam por lá
Vímana,
Veludo,
O Terço,
Mutantes - todos já bastante meus conhecidos e grandes representantes do
prog rock brazuca que dominava a cena àquela época - e apenas uma solitária representante do bom e velho
blues rock:
PESO! E foi paixão à primeira orelhada. Um caso de amor enlouquecido. Até porque foi a primeira vez que assisti uma banda nacional fazendo
hard, blues e southern no mesmo nível de uma boa banda gringa, com timbres e riffs de guitarra matadores, bateria trovejante, um baixo com pulsação e groove animais, um sofisticado piano em marcação boogie, belos fraseados de Hammond e uma voz poderosamente encharcada de álcool. E naquela noite não somente eu pensava assim, já que foi indescritível o sucesso, a despeito de alguns problemas técnicos, alcançado naquela apresentação por Luiz Carlos Porto (vocais), Gabriel O'Meara (guitarras), Constant Papineanu (teclados), Carlos Scart (baixo) e Geraldo D'Arbilly (bateria), com todos pulando e cantando o refrão da, até então, ilustre desconhecida, mas predestinada a ser tornar um hino, 'Cabeça Feita'. A partir de então não perdia mais um só show do circuito ZS dos caras e tão logo a bolacha chegou às prateleiras, eu já estava de posse do meu exemplar previamente encomendado na lojinha do Luiz na Galeria Condor. Não parava de escutar aquele trabalho tentando tirar cada nota executada por O'Meara, principalmente a introdução e os solos de 'Blues'. Daí o motivo da aquisição de um segundo exemplar e mantê-lo lacrado por mais de 20 anos.
De tanto estar na fila do gargarejo, passei a espertamente chegar mais cedo ainda aos teatros para ajudá-los a descarregar equipamento, o que me credenciou a assistir muitos shows no esquema 0800. Pena esta excelente fase ter durado tão pouco - em menos de 2 anos as mudanças na formação tornariam-se uma constante e até o amigo de longa data Zé Da Gaita chegou a atuar como vocalista até à implosão em definitivo - pois tinham um potencial enorme.
Este disco é uma das maiores provas do completo descaso da indústria fonográfica nacional para com seus tesouros. De outra forma, como justificar que uma obra em pé de igualdade com clássicos do porte de 'Fruto Proibido' (Rita Lee & Tutti-Frutti), 'Made In Brazil' (Made In Brazil), 'É Proibido Fumar' (A Bolha) e 'Você Sabe Qual O Melhor Remédio' (Tutti-Frutti), só para citar alguns dos itens obrigatórios em qualquer cdteca de rock (com 'R' maiúsculo) nacional, continuar inédita em CD até hoje?
Esta versão que disponibilizo é exatamente a minha digitalização original com mais uma passada de régua no Soundforge 9 - encontrei apenas 3 pequenos clicks, já devidamente removidos - para imprimir um pouco mais de pressão, mas sempre respeitando as características originais da gravação. Ah, também dei uma melhorada nas fraquiiiinhas 'Pente' e 'Suzi', faixas comumente adicionadas a este álbum mas na verdade muito anteriores, e as incluí como faixas bônus. Mas os resultados, nestes casos, não foram dos melhores
Tenho plena consciência de que o distanciamento crítico é o melhor caminho para o fortalecimento ou a total ruptura de conceitos que criamos a respeito de obras que amamos ou detestamos. No caso deste trabalho, apesar da ingenuidade e alienação de seu texto, o laço se fortaleceu constantemente durante todos estes anos pois sua qualidade é inquestionável, não só para os padrões -musicais e de produção- da década de seu lançamento, mas como parâmetro para a música que estamos sendo obrigados a consumir hoje neste país.