Muitos me questionam o porque de, não sendo um entusiasta do heavy metal, gostar tanto de stoner rock. Sinceramente, acho que a única explicação plausível seja o fato de este derivar do hard rock e, por isso, conter alguns -poucos, é verdade- elementos de blues, enquanto o heavy -principalmente, o denominado NWOBHM- ser extremamente branco, duro. Ao contrário, o heavy praticado nos 70 continha muito da música negra e não era, propriamente, um movimento mas apenas mais um gênero utilizado por várias bandas hard do período. Mesmo soando uma "promiscuidade", é consenso afirmar que o heavy teve diversos pais, sendo os mais notáveis Led Zeppelin e Black Sabbath. Com relação a esta última, podemos ainda defini-la como a banda heavy por excelência daquela década e responsável direta por tudo que se criou no gênero a partir de então. E Black Sabbath é, também, a principal fonte de inspiração do stoner rock, já que, em sua grande maioria, seus temas são carregados de slow-tempo, guitarras pesadíssimas muitas vezes afinadas um tom abaixo e com o baixão no talo. Talvez possa ir um pouco mais longe e afirmar que o stoner rock -a exemplo do grunge- seja derivado do heavy mais garage praticado nos 70 turbinado com uma boa dose de negritude.
Mas, afinal, como surgiu esse tal de stoner rock?
Tentando ser breve: era uma vez um bando de malucos de Palm Desert, CA, que, profundamente entediados naquele mundãodemeudeus, resolvem montar umas bandas e fazer apresentações regadas a muita brenfa, cerveja e mulheres em cidades fantasmas e desprovidas de energia elétrica. Para viabilizar estes eventos, rebocavam deserto adentro potentes geradores movidos a gasolina e por isso receberam, em um primeiro momento, a alcunha de generator rock. Posteriormente, ampliou-se a denominação para desert rock -este o preferido- e, mais à frente, com a proliferação do gênero por outras paragens, cunhou-se o termo stoner rock -algo como rock de chapados. O principal expoente do gênero chamava-se Kyuss e, em breve, postarei sua discog por aqui.
A Masters Of Reality é uma das bandas pioneiras deste cenário, apesar de novaiorquina e apresentar uma diversidade maior de influências, que incluem de Beatles ao folk. A bem da verdade, não sei se cabe aqui a utilização do termo 'banda' -projeto talvez seja mais adequado- já que o grandalhão Chris Goss (vocais/guitarras/teclados/composição/produção) É o Masters Of Reality e em torno de sua figura orbitam todos os demais músicos.
Parida em 1981 pelas mãos de Goss e com seu nome extraído do título do clássico álbum do Black Sabbath (olha o 'papai' aí traveis), a Masters Of Reality lançou seu primeiro trabalho, um auto-entitulado pé na orelha, apenas em 1989. Nesta primeira formação contava ainda com Tim Harrington (guitarra), Googe (baixo) e Vinnie Ludovico (bateria). Este line-up durou apenas este álbum, restando a seu líder colocar seus já reconhecidos dotes de produtor a serviço de outras bandas e, assim, tornou-se responsável pela produção de, entre outros, duas obras seminais do gênero -'Blues For The Red Sun' e 'Welcome To Sky Valley', da Kyuss- enquanto reformulava a proposta sonora de sua banda. Durante este período, tornou-se querido por muita gente e conseguiu -além de manter Googe- arrebanhar um gênio das baquetas para gravar 'Sunrise On The Sufferbus'(1993): Ginger Baker! E Baker fez toda a diferença com seu imenso arsenal de grooves tribais. Aliando peso e composições ganchudas a melodias de fácil assimilação e um uso maior de ambiência acústica, Chris Goss & Cia. realizaram um trabalho memorável, digno dos 2 anos despendidos em sua produção. Esta formação durou apenas mais um ano e muitos e concorridíssimos shows.
Após este trabalho, a Masters Of Reality reune-se, com as mais diversas formações, para apresentações esporádicas e lança em 97 o ao vivo 'How High The Moon: Live At The Viper Room', contando com a participação de Scott Weiland nos vocais em 'Jindalee Jindalie'. Um novo álbum de estúdio só veio a público em 99, 'Welcome To The Western Lodge' e, desta vez, Big Goss optou por abrir mão de uma banda e, apenas com John Leamy, amigo de longa data e ilustrador da bela capa do primeiro álbum, na bateria e teclados ocasionais, idealizou um trabalho interessante que poderia ser definido como stoner com fartas doses de Trent Reznor.
Mas e agora, Chris? Pra que lado ir? Fácil! Já que o Kyuss havia acabado e com Josh e Nick meio que em fase de reestruturação de carreira com o Queens Of The Stone Age, porque não somar esforços e ver no que dá? E ainda juntaram-se a eles Mark Lanegan e Troy Van Leeuwenn, dentre muitos outros. Assim, cercado de amigos e de seu fiel escudeiro Leamy, lança 'Deep In The Hole', de 2001, talvez seu trabalho mais bem acabado e equilibrado.
E parece que Goss gostou da experiência pois, imediatamente, a MOR parte para um tour com uma formação digna de um supergrupo: Goss, Josh, Nick e Leamy. E ainda com o reforço de Lanegan na perna londrina. O resultado não podia ser outro: um ao vivo desse encontro, 'Flack 'N' Flight'(2003). Em seguida, capitalizando o sucesso deste álbum, lançam 'Give Us Barabbas', uma compilação de raridades, outtakes e b-sides.
No momento, Goss e Leamy dão os retoques finais, sob absoluto segredo de estado, em um novo álbum cujo lançamento já foi vítima de dois adiamentos -'Pine/Cross Dover'- e que, segundo Big Goss, virá recheado de belas surpresas.
Como só nos resta aguardar, que tal fazê-lo ouvindo um pouco de seu trabalho?
Preferencialmente, com o som no talo e devidamente enfumaçado.
Mas, afinal, como surgiu esse tal de stoner rock?
Tentando ser breve: era uma vez um bando de malucos de Palm Desert, CA, que, profundamente entediados naquele mundãodemeudeus, resolvem montar umas bandas e fazer apresentações regadas a muita brenfa, cerveja e mulheres em cidades fantasmas e desprovidas de energia elétrica. Para viabilizar estes eventos, rebocavam deserto adentro potentes geradores movidos a gasolina e por isso receberam, em um primeiro momento, a alcunha de generator rock. Posteriormente, ampliou-se a denominação para desert rock -este o preferido- e, mais à frente, com a proliferação do gênero por outras paragens, cunhou-se o termo stoner rock -algo como rock de chapados. O principal expoente do gênero chamava-se Kyuss e, em breve, postarei sua discog por aqui.
A Masters Of Reality é uma das bandas pioneiras deste cenário, apesar de novaiorquina e apresentar uma diversidade maior de influências, que incluem de Beatles ao folk. A bem da verdade, não sei se cabe aqui a utilização do termo 'banda' -projeto talvez seja mais adequado- já que o grandalhão Chris Goss (vocais/guitarras/teclados/composição/produção) É o Masters Of Reality e em torno de sua figura orbitam todos os demais músicos.
Parida em 1981 pelas mãos de Goss e com seu nome extraído do título do clássico álbum do Black Sabbath (olha o 'papai' aí traveis), a Masters Of Reality lançou seu primeiro trabalho, um auto-entitulado pé na orelha, apenas em 1989. Nesta primeira formação contava ainda com Tim Harrington (guitarra), Googe (baixo) e Vinnie Ludovico (bateria). Este line-up durou apenas este álbum, restando a seu líder colocar seus já reconhecidos dotes de produtor a serviço de outras bandas e, assim, tornou-se responsável pela produção de, entre outros, duas obras seminais do gênero -'Blues For The Red Sun' e 'Welcome To Sky Valley', da Kyuss- enquanto reformulava a proposta sonora de sua banda. Durante este período, tornou-se querido por muita gente e conseguiu -além de manter Googe- arrebanhar um gênio das baquetas para gravar 'Sunrise On The Sufferbus'(1993): Ginger Baker! E Baker fez toda a diferença com seu imenso arsenal de grooves tribais. Aliando peso e composições ganchudas a melodias de fácil assimilação e um uso maior de ambiência acústica, Chris Goss & Cia. realizaram um trabalho memorável, digno dos 2 anos despendidos em sua produção. Esta formação durou apenas mais um ano e muitos e concorridíssimos shows.
Após este trabalho, a Masters Of Reality reune-se, com as mais diversas formações, para apresentações esporádicas e lança em 97 o ao vivo 'How High The Moon: Live At The Viper Room', contando com a participação de Scott Weiland nos vocais em 'Jindalee Jindalie'. Um novo álbum de estúdio só veio a público em 99, 'Welcome To The Western Lodge' e, desta vez, Big Goss optou por abrir mão de uma banda e, apenas com John Leamy, amigo de longa data e ilustrador da bela capa do primeiro álbum, na bateria e teclados ocasionais, idealizou um trabalho interessante que poderia ser definido como stoner com fartas doses de Trent Reznor.
Mas e agora, Chris? Pra que lado ir? Fácil! Já que o Kyuss havia acabado e com Josh e Nick meio que em fase de reestruturação de carreira com o Queens Of The Stone Age, porque não somar esforços e ver no que dá? E ainda juntaram-se a eles Mark Lanegan e Troy Van Leeuwenn, dentre muitos outros. Assim, cercado de amigos e de seu fiel escudeiro Leamy, lança 'Deep In The Hole', de 2001, talvez seu trabalho mais bem acabado e equilibrado.
E parece que Goss gostou da experiência pois, imediatamente, a MOR parte para um tour com uma formação digna de um supergrupo: Goss, Josh, Nick e Leamy. E ainda com o reforço de Lanegan na perna londrina. O resultado não podia ser outro: um ao vivo desse encontro, 'Flack 'N' Flight'(2003). Em seguida, capitalizando o sucesso deste álbum, lançam 'Give Us Barabbas', uma compilação de raridades, outtakes e b-sides.
No momento, Goss e Leamy dão os retoques finais, sob absoluto segredo de estado, em um novo álbum cujo lançamento já foi vítima de dois adiamentos -'Pine/Cross Dover'- e que, segundo Big Goss, virá recheado de belas surpresas.
Como só nos resta aguardar, que tal fazê-lo ouvindo um pouco de seu trabalho?
Preferencialmente, com o som no talo e devidamente enfumaçado.
Masters Of Reality(aka The Blue Garden)
Sunrise On The Sufferbus
Welcome To The Western Lodge
Deep In The Hole
Give Us Barabbas
How High The Moon(Live)Dedicado ao parceiro Louiz
por sua simpatia e persistência.
Flak 'N' Flight (Live)
