quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

UNIDADE MÓVEL-EM TEMPO REAL(2009)

Esses 3 cabras de Cabedelo, Paraíba, há muito me são insistentemente indicados por um grande amigo e parceiro de desventuras musicais por mais de 20 anos, JR (aka Djeiar). Ele os conheceu quando mudou-se para Jampa (João Pessoa, para os íntimos) e por várias vezes, em suas rápidas visitas à sua querida Cidade Maravilhosa para reabastecer as turbinas com um punhado de loucura, falou muito bem deste trabalho. Acabei ficando curioso e pedi para me trazer um exemplar em uma próxima vinda. E foi aí que a coisa ficou difícil pois, talvez pelo excesso de manguaça, aquele vascaíno sem vergonha nunca se lembrava de inclui-lo na bagagem; no entanto, um amigo comum que compartilha da mesma opinião a respeito da banda -Rabicó (éééé...isso mesmo, aquele ex-baterista da Dorsal Atlântica)-, iria visitá-lo nas férias e ofereceu-se para contrabandear unzinho que fosse. E não é que o maluco trouxe uma penca de cópias...que nunca chegaram às minhas mãos!? É isso mesmo, para cada um que ele mostrava o CD, acabava por doá-lo. Por conta disso, dizem por aí que a Unidade Móvel é sucesso absoluto na Vila Mimosa visto que largamente utilizado como moeda de troca para...vocês sabem o quê. 
A verdade é que só esta semana o trabalho deste power trio do agreste chegou ao seu destino original e foi alentador constatar que -embora já soubesse da existência de alguns excelentes festivais e meu amigo neo-paraibano já houvesse corroborado várias vezes esta informação- existe bom roquenrou rolando mais ao norte deste imenso país. Percebe-se claramente o empenho dos bons músicos em executar arranjos propositalmente com poucos overdubs, primeiro mandamento de qualquer power trio que se preze, e com destaque para Igor Ayres como músico e intérprete mas, principalmente, como autor. No cenário atual, embora não mais acompanhe o rock brazuka com a assiduidade de alguns anos atrás, não me recordo de texto tão bom. Quanto à música, é um rock com tinturas pop bem urdido, com muito groove e peso domado (até demais, em alguns momentos) e, por que não?, um certo tempero tropical. 
Uma boa estreia e que desce redondinho -certamente superior a 99,99% da música brasileira que assola nosso dial- apesar de achar que o timbre das guitarras (lá vou eu meter o bedelho!) poderia ter sido carregado com um generoso peteleco de graves/médios, para imprimir maior definição às notas, além de uma atenção maior à criação de riffs, aquela coisa grudenta que faz com que uma música assombre seus neurônios por um longo tempo e, em casos extremos, por toda uma eternidade. Sabem de uma coisa? Vou até sugerir (caso eles resolvam dar uma passada por aqui para me mandar plantar coquinho) algumas bandas que acho que agregariam alguns bons elementos à sua sonoridade: Back Door Slam, The Soulbreaker Company, The Brew e as brazucas O Verso, Pata de Elefante e Macaco Bong. Todas estão postadas por aqui.
Outro grande atrativo da bolachinha é o caprichado trabalho gráfico, parcialmente disponibilizado por aqui.
Boa sorte, galera! Estão no caminho certo. E quando vierem tocar por estas bandas...será que rola um 0800?

RS

MU

domingo, 21 de fevereiro de 2010

COLUNA ANTI-SOCIAL XIII

Morcegão, A Múmia, Neto de Noel e Araribóia Man

E o Baixo Centro (mais pra baixo que nunca devido à véspera de carnaval) uma vez mais tremeu em suas bases quando, emergindo das catacumbas mais profundas, 3 pilares dos blogs musicais e um de seus convivas mais assíduos e simpáticos, Carlos César (aka A Múmia), escolheram uma mesa na Adega do Timão para destilar toda sua bicentenária (afinal, são mais de 200 anos de música naquelas 4 banquetas!) sabedoria(sic!) por divertidíssimas, aproximadamente, 4 horas de pura esbórnia. Como de hábito quando pessoas inteligentes (há controvérsias) se encontram para tomar um gelol em uma   feira típica de um Rio a 40º, não ficou pedra sobre pedra. De literatura  -Machado de Assis e Albert Camus foram citados, segundo Cebolinha, meu neurônio reserva- à boa e velha tríade Mulheres, Futebol & Rock'n'Roll.
Claro que alguns acidentes ocorreram, tais como quebra de tulipas devido ao levantamento de copo, perigoso esporte anti-olímpico muito praticado no evento; mas nada pode ser comparado a ser clicado por Juscelino, o simpático garçom e incompetente fotógrafo oficial do estabelecimento. É sério, esta foto aí de cima foi a melhor de um total de 6! O (solícito) energúmeno conseguiu a façanha de tirar 2 fotos dos próprios pés! Mas o que seria do Rio se não vivêssemos perigosamente?
Obviamente, ausências foram sentidas, algumas justificadas -meu exilado irmãoSinho e Caranguejo Congelado Maddy Lee-, outras nem tanto, mas sempre lembrados e esculachados. E não adianta reclamarem: estivessem lá para se defender.
Enfim, foi mais uma daquelas agradáveis, porque difíceis de ocorrer devido à correria cotidiana do dia-a-dia de todo dia, noites propícias a reencontrar velhos amigos e fazer novos. E já deixamos encaminhado um novo evento, desta vez brenfoetílicomusical, a realizar-se na Sede Náutica do SdN ou no QG do G&B. Aguardem por novidades.

À Demande!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

ROCKARNAVAL 2010


Não, gALLera, fiquem tranquilos que não farei uma postagem carnavalesca aqui no G&B. Esta é, tão somente, para desejar a todos um belo período de esbórnia e, porque não?, relaxamento.
E nada melhor pra isso que dar uma passada aqui e pescar a trilha sonora ideal pro seu churrascão regado a muita gelada e fumaça da melhor qualidade.

E se for dirigir não beba. Mas se for beber, não esqueça de me chamar.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

GRACIOUS!

Não se deixem enganar pelo inofensivo nome dessa banda ou correrão o risco de deixar de conhecer um dos melhores exemplares de hard prog, com algumas pitadas de sinfônico e folk, que já tive o prazer de tomar contato em (agora posso encher a boca para dizer!) mais de meio século de música. Pena essa descoberta ter demorado tanto tempo. Na verdade, senti-me meio desnorteado por descobri-la tão tardiamente visto ter-me deparado com informações dando conta de que a Gracious! -Paul 'Sandy' Davis (vocais/violão de 12 cordas/bateria/percussão), Alan Cowderoy (guitarras/vocais/percussão), Martin Kitcat (Mellotron/piano/Hammond B-3/Hohnner Clavinet/Hohnner Pianet/vocais), Tim Wheatley (baixo/vocais/percussão) e Robert Lipson (barteria/percussão)- ganhou aura cult entre os progheads tanto durante sua breve vida como quando do renascimento do gênero na década de 90 e tendo seu reconhecimento virtualmente expandido neste século.
E tudo partiu da longa amizade entre Davis e Cowderoy ainda dos tempos de colégio católico em Esher, UK, quando mantinham uma banda de blues rock muito apropriadamente denominada Satan's Disciples. A alteração no direcionamento musical ocorreu de forma muito rápida e a contratação pela prestigiada Vertigo -e posterior alteração no nome- rendeu um bem recebido single e o lançamento de seu primeiro e altamente incensado álbum ainda em 70. Há apenas poucos meses descobri esse trabalho e, a princípio, fiquei atordoado com a atualidade de seu conteúdo; em seguida, no entanto, percebi o quão à frente de seu tempo estas 5 magníficas canções magistralmente arranjadas e executadas se encontravam. Peças, em sua maior parte, de alta complexidade (mas nunca modorrentas) unidas por harmonizações vocais que, posteriormente, dariam notoriedade à maior banda prog de todos os tempos, Gentle Giant, ou buscando a dramaticidade de uma Moody Blues. Reza a lenda que um popular  DJ da época entusiasmou-se tanto com o que ouviu que tocou o álbum na íntegra diversas vezes seguidas e por vários dias da semana  em seu turno na rádio -provavelmente, até seu emprego começar a correr risco. Fica difícil destacar quaisquer das faixas deste primoroso trabalho, então vou apontar a menos atraente: a rococó 'Fugue in D Minor'.

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Mas como prestigío e dinheiro raramente costumam andar de mãos dadas, em meio às sessões de gravação de um novo trabalho, são dispensados da Vertigo e 'Supernova' -título também da longa suite que ocupa o primeiro lado do LP- viria a ser lançado somente em 72 pela Phillips dentro de um desprestigiado pacote de discos a preços promocionais denominado 'This Is...' e quando a banda já havia sido desfeita. É claramente um disco menos inspirado, mas que contém passagens simplesmente fantásticas e mantendo a mesma qualidade de execução demonstrada na estreia.
Como disse logo no início, a aura criada em torno da Gracious! manteve-se intacta e, percebendo que ainda tinham muito a render e, por que não?, ainda amealhar uns trocados, Lipson e Wheatley reformulam a banda em 94 e lançam 'Echo' apenas 2 anos depois. Não faço ideia qual o resultado deste retorno mas não levo muita fé; afinal, sem Davis, Cowderoy e Kitcat, sua força criativa, muito da magia da banda certamente se perdeu.


RS
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

CCS


Mesmo conhecendo o trabalho da CCS desde o lançamento de seu 1º Lp, nunca soube -até porque nunca procurei saber- a origem de tão prosaico nome. E foram quase 40 anos da mais pura ignorância! Somente há alguns anos descobri tratar-se da sigla para Collective Cosciousness Society. Sei lá quantos purple haze esses caras tomaram quando fizeram o briefing para a escolha do nome mas, com certeza, não foram poucos. Mas o que interessa é que aqui descobri Alexis 'The Great' Korner, um cidadão do mundo nascido em Paris, de mãe grega e pai austríaco, e que apresentou o blues aos britânicos, ainda em meados dos fifties. Cansado do horizonte proporcionado pelo gênero e encantado pelas possibilidades do jazz rock que já começava a despontar na cena americana através de bandas como Chicago Transit Authority, Blood, Sweat & Tears, Ides Of March, Blue Image, etc, aceita o convite do arranjador John Cameron e do lendário produtor Mickie Most de juntar-se ao bluesman dinamarquês Peter Thorup no projeto de uma banda com a função de reinterpretar standards do rock, r&b e o que mais lhes desse na telha para aquele emergente formato. Tudo em clima de uma grande esbórnia entre amigos.
E assim, cercados dos melhores session men disponíveis no mercado, incluindo o baixista Herbie Flowers e sua Blue Mink, iniciam-se as gravações e mal uma versão instrumental matadora para 'Whole Lotta Love' -lembro que durante muito tempo circulou um boato de ser esta, na verdade, uma versão executada pelo Jethro Tull e até hoje ainda rolam diversos gossips a respeito dessa faixa, com alguns garantindo que Ian Anderson participou dessa gravina- chega às rádios e 'CCS'(70), o disco, puxado também pelo prestígio de Korner e um repertório que se valia de clássicos do porte de 'Satisfaction', 'Boom Boom' e 'Living In The Past' (olha o Tull aí de novo), vende muito bem. Alguns shows são agendados mas a CCS era, na essência, um projeto de estúdio e o resultado é que todos retornam para seus projetos de origem. 
Apenas em 72 reúnem-se para a gravação da continuação da saga, já desta vez predominando um excelente material de própria lavra em meio a mais alguns covers inusitados, com 'CCS II'. O saldo final, na minha modesta opinião, é superior à estreia.
Em 73 lançam o imodesto 'The Best Band In The Land', mantendo a mesma fórmula e igualmente estupendo, mas os tempos são outros e o exotismo da proposta inicial, e que tanto seduziu o público inglês, perdeu o viço, o projeto esgotou-se naturalmente e todos seguiram suas carreiras sem mágoas e guardando, certamente, boas recordações daquelas sessões de gravação.



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