E o segundo álbum solo de um dos gogós femininos mais privilegiados da atualidade vê a luz, longos 3 anos após o lançamento do inspiradíssimo 'Wolf Den'. E a ex-frontwoman do prestigiado power trio familiar Trampled Under Foot segue fazendo um belo trabalho em sua carreira solo, seja em material de própria lavra, como 'I'm Going Home', 'Save Me', 'Bobby' e a faixa-título, seja em 'Crawl', fantástica inédita dos himakersJeff Paris e Tamara Champlin, ou mesmo na criteriosa escolha dos covers, entre os quais 'How Come You Don't Call Me Anymore', em interpretação que Prince aplaudiria esfuziante, e o blues standard 'Lord, I Just Can't Keep From Crying', de Blind Willie Johnson. Impressiona como esta judia natural do Kansas, TX, consegue transmitir, valendo-se de sua voz e postura, toda a intensidade do soul e do blues. Não à toa, 'Cry No More', quando de seu lançamento em fevereiro deste ano, manteve-se por 2 semanas em #1 na Billboard Top Blues Albums.
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E seguindo a toada do mês dedicado ao talento feminino, vamos à texana de Kansas City, KC para os íntimos, Trampled Under Foot, assim batizada em tributo ao clássico zeppeliniano. Nem por isso a, no momento em um hiato, banda formada pelos irmãos Schnebelen -Danielle (vocais/baixo),Nick (guitarras/violões/vocais) e Kris (bateria/percussão)- guardam qualquer semelhança com os Fant 4. Orientados implacavelmente pelo blues e o soul, o resultado é um blues rock cheio de groove e magistralmente executado por todos os integrantes, com destaque absoluto e merecido para Danielle, como seria esperado, não só uma expressiva vocalista, como também uma baixista inspirada (vencedora do Blues Music Award de 2008) e performer contagiante.
De família musical -papai Bob Schnebelen é um respeitado músico da cena blues-, desde muito pequenos já frequentavam estúdios e, incentivados pelo pai, já em finais dos 90, tocavam profissionalmente em bandas de algum renome, tais como Killing Floor, Buddahead, Fresh Brew, etc. Em 2000 passaram a se apresentar já como Trampled Under Foot e o sucesso de suas incendiárias apresentações, aliadas ao excelente material autoral, foi imediato.
Após uma série de demos, reunidas em 'Rough Cuts', de 2004, os convites não pararam de surgir. Já com prestígio sedimentado, lançam 'White Trash' de forma independente já no ano seguinte. Com vaga garantida em alguns dos mais conceituados festivais da região, lançam 'The Philadelphia Sessions' por um pequeno selo regional em 2007. E o sucesso só aumenta, agora com apresentações em prestigiados talk shows.
E 2008 lhes trouxe, além do já citado título de Danielle, o prêmio de melhor banda de blues do prestigioso International Blues Challenge e a oportunidade do lançamento de 'May I Be Excused'. Trabalho não era problema para a banda, mas o preço parecia estar sendo muito alto após tantos anos juntos na estrada e na vida. A solução passava por um período de descanso e um álbum ao vivo veio bem a calhar com 'Live at Notodden Blues Festival', de 2010, enquanto incumbiam-se, da forma o mais relaxada possível, da criação de material para um novo álbum, o primeiro contando com uma produção mais caprichada. E 2011 recebe 'Wrong Side Of The Blues' de braços abertos, agora com a crueza da sonoridade da banda soando gorda, robusta, como sempre devesse ter sido.
Neste instante, já abriam para medalhões e, até mesmo, surgiam como headliners em festivais. Com isso, chamaram a atenção da lendária Telarc, por onde lançaram seu melhor -e, aparatentemente, derradeiro- trabalho, 'Badlands', em 2013. Inexplicavelmente, no ano seguinte, Kris abandona as baquetas, sendo substituido por Jan Faircloth. Em seguida, acrescentam em definitivo os teclados de um antigo colaborador Mike "Shinetop" Sedovic. E com esta formação seguem em turnê com George Thorogood. Mas, tão logo o tour chega ao fim, Danielle, agora assumindo o Nicole de batismo, resolve seguir em carreira solo, determinando o fim da banda, se não em definitivo, ao menos como a conhecemos.