Após enfrentar com bravura o longo e tenebroso inverno russo por longos 5 dias, consegui contrabandear 'Something For The Weekend' e 'Lemon', o raro álbum de 2002 lançado apenas para fãs.
Portanto, continuem se divertindo!
Talvez seja exagero afirmar que a Stackridge é uma instituição britânica mas não podemos negar ser um simpático ícone nas ilhas do norte. Musicalmente, a banda criada em 1969 por 6 jovens músicos -Andy Cresswell-Davis (vocais/violões/guitarras/teclados), James Warren (vocais/violões/guitarras), Jim 'Crun' Walter (baixo), Mike 'Mutter' Slater (flauta/vocais), Mike Evans (violino/vocais) e Billy 'Sparkle' Bent (bateria)- que amavam mais os Beatles que os Rolling Stones, trafega com muita desenvoltura entre o folk prog com pitadas de art rock e o pop,criando, assim, uma infinidade de melodias e harmonias de fácil assimilação, muitas delas apropriadas ao singalong e muito populares não só entre folkprogheads mas também entre o público infanto-juvenil, apesar do conteúdo lírico muitas vezes recheado de psicodelia, que costumam criar clips exclusivos para muitos de seus sucessos. Acrescente ao cardápio apresentações regadas a muito humor e temos a resposta para o efeito catártico que causavam às platéias.
Meu primeiro contato com a banda deu-se ainda em 74 quando do lançamento do belíssimo -e ainda meu predileto- 'The Man In The Bowler Hat', produzido e co-arranjado por Sir George Martin, mas não foi difícil conseguir seus 2 trabalhos anteriores -o primeiro auto-intitulado e 'Friendliness', de 71 e 72 respectivamente- e deliciar-me com pérolas como a divertida 'Dora The Female Explorer', 'Slark', 'Lummy Days', 'Anyone For Tennis', 'Friendliness', 'Pinafore Days', 'Fundamentally Yours', 'Galloping Gaucho', 'The Road To Venezuela', 'To The Sun And The Moon', entre tantas outras. Mas as baixas vendagens, apesar das fartas críticas elogiosas, provocaram um racha do qual apenas Davis seguiu adiante, com a convocação de antigos colaboradores em substituição a Warren, Slater, Evans, Walter e Bent, para cumprir os diversos compromissos, incluindo turnês com nomes de peso da época. Mas tantas atribulações não alteraram os planos da recém-fundada Rocket Records de Elton John em fazer da Stackridge sua primeira contratação.
E foi com um line-up misto -pouco tempo depois retornaram Slater, Walter e Evans- que proporcionaram o pontapé inicial do novo selo com 'Extravaganza', um bom trabalho mas claramente ressentindo-se da ausência de Warren, já no ano seguinte.
Em busca de voos mais altos, Davis opta por lançar um álbum conceitual apenas alguns meses depois mas esbarra na intolerância do selo para com as propostas trazidas à tona por 'Mr. Mick' e, além de editá-lo à revelia da banda, ainda insistiu na inclusão de um cover para 'Hold Me Tight', daquela bandinha xexelenta de Liverpool e já inexistente há 6 longos anos, desfigurando-o por completo (posteriormente, a edição em CD apresentaria as 2 versões para o álbum). O próximo passo seria a dissolução.
Mas um retorno tornou-se inevitável com a aura cult que ganharam ao longo dos anos, gerando diversas compilações, e 20 anos após a dissolução gravam um 'Radio One Sessions' para testar a receptividade do público e o resultado foi o lançamento de 'Something For The Weekend' e uma turnê nacional, a 'Back To The Front Tour', em 99 com quase todos os integrantes da formação clássica -apenas Slater, já desenvolvendo atividades profissionais fora da música, e Bent ficam de fora.
Aos poucos, no entanto, Slater promove seu retorno com aparições esporádicas em shows e grava 'Lemon', álbum de 2002 destinado apenas aos fãs. Os anos seguintes ainda proporcionariam a gravação de um DVD -'The Forbidden City'- já sem o violino de Evans, substituído por Claire Lindley e a multiinstrumentista Sarah Mitchel, participações em alguns dos mais conceituados festivais europeus e a gravação de seu último álbum até o momento, o excelente 'A Victory For The Common Sense' de 2009.
Nada mal para uma despretensiosa banda folk que só queria deixar a cena prog um pouco menos sisuda e participou da primeira edição do Glastonbury Festival em 1970 sem mesmo um disco lançado mas, devido à notável receptividade de sua música ainda hoje, mereceu o relançamento de todo o seu catálogo pela prestigiosa Angel Air Records.
Finalmente, esta pequena jóia setentista teve o merecido reconhecimento, em muito graças ao sucesso tardio deste seu único trabalho proporcionado pelo compartilhamento e sinto-me extremamente orgulhoso em ser um dos responsáveis por isto, e foi lançado em CD. No entanto, para esta repostagem decidi manter a minha restauração por nada dever à edição digital, acrescentando ao arquivo apenas o artwork completo deste relançamento.
Divirtam-se!
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Originalmente publicado em 29.03.2010
Esse é mais um dos que procurei incessantemente pela rede antes de, finalmente, tomar coragem e ripar de meu exemplar em vinil velho de guerra -a capa havia praticamente se desintegrado- mas com os sulcos razoavelmente bem conservados. Nada que uma limpeza caprichada com um sabão neutro não resolvesse. De lá para cá, e já se vão uns 4 anos, até encontrei alguns rips boiando por aí mas, modéstia à parte, a minha restauração continua imbatível até o momento. Ao menos serviu para encontrar bons scans da capa e contracapa, ambos inclusos no arquivo, e conhecer um pouco mais da banda.
E o que consegui descobrir nessas erráticas velejadas é que Joe Gutierrez (vocais), Jack Schoolar (guitarras/violões/dobro/vocais), Dave Norup (teclados),Ruben Dominguez (baixo/percussão/vocais) e Buzzie Buchanan (bateria/percussão) - o mais novo com 17 e o mais velho com 21 anos - são americanos de Culver City e cresceram formando bandas de surf rock instrumental até conseguirem, após adquirirem certa popularidade devido aos festivais escolares, contrato com um pequeno selo local que topou produzir e lançar, em atenção a Delaney Bramlett que os havia assistido algumas noites em um club local, algumas poucas cópias de seu primeiro e único trabalho e o resto é a mesma ladainha de sempre de mau gerenciamento de carreira, ruptura em seguida e redescoberta quase 40 anos após por uma massa cibernética ávida por velhas novidades.
Até o momento não existe previsão de lançamento em CD deste excelente exemplar de hard/heavy prog com algumas pertinentes inserções de naipes de sopros e excelentes arranjos de cordas, além das competentíssimas intervenções de guitarra e belos riffs de Schoolar (apenas 18 aninhos!), do uso perfeito do Hammond por Norup, da cozinha impressionantemente madura de Dominguez e Buchanan (o dimenor era o bicho!) e do versátil gogó de Gutierrez. No entanto, devido à boa repercussão desta bolacha blogosfera -tá vendo, Mrs. DMCA?- à fora, cogita-se uma reunião da banda, visto todos os integrantes continuarem na ativa de forma semiprofisional. Quem sabe?
Quando recebi um e-mail de meu irmãoSinho Maddy Lee indicando-me um link para um CD que havia descoberto e pelo qual estava completamente viciado, jamais poderia imaginar tratar-se da Short Cross e seu magnífico filho único de mãe solteira 'Arising', hoje já quase um quarentão. Como que em um daqueles típicos transmimentos de pensação que dizem ocorrer entre irmãos de sangue, retornei dizendo que não só conhecia essa pequena grande jóia do power prog blues -aê, Dagon, mais uma para aquele "Compêndio de Siglas & Rótulos Imbecis" que estamos escrevendo- impregnado de um groove viciante e estupendos trabalhos de guitarra, sempre à frente de arranjos matadores executados à perfeição, já há um bom tempinho como, também, uma postagem de uma versão em 320k e com encarte completíssimo -não me perguntem qual cofre arrombei para surrupiar essa preciosidade pois já tem mais de ano!- já estava agendada para fevereiro. A julgar por sua efusiva manifestação em seguida, acredito que esteja sem dormir até hoje e, preocupando-me com a saúde mental da Lady Lud obrigando-se a lidar com suas crises de ansiedade cada vez mais frequentes, decidi antecipar a sua publicação. Mas falemos da Short Cross.
Formada por 4 estupendos, apesar da tenra idade, músicos americanos de clubs -Gray McCallem (vocal/bateria), Velpo Robertson (guitarras/vocais), Butch Owens (teclados) e Bird Sharp (baixo/vocais)- e, portanto, acostumados com um extenso repertório de covers, sua origem remonta a...bláblábláblá. Se quiserem saber mais baixem essa porrada nas orelhas pois, além de levar para o seu uai-treco um total de 13 pepitas de próprio garimpo de altíssimo valor musical, o rico encarte reconstrói com precisão de ourives toda a odisséia desta que está, seguramente, entre as melhores velhíssimas novidades que conheci na última década...no mínimo!
PS:desnecessário dizer que essa postagem é dedicada ao meu irmãoSinho e caranguejo exilado no frio Maddy Lee, né?
E o país das loiras mais espetaculares da galáxia decidiu também transformar-se no principal manancial rock deste maltratado planetinha azul neste novo milênio. Não há outra conclusão possível para quem, como eu, acompanha o cenário musical mundial há já quase 50 anos. A diferença é que se nos 60/70 os escandinavos de uma forma geral e a Suécia em particular mostravam-se antenados a tudo que rolava no eixo USA/UK e catalizavam aquelas informações de uma maneira um tanto ingênua e mais pop -mas gerando sucessos populares e até algumas bandas de excelente nível-, agora reinvindicam para si o epíteto de bastiões do revisionismo, como se houvessem passado os últimos 30/40 anos aprimorando o que antes se apresentava de maneira embrionária, inconclusa.
E foi neste ambiente que surgiu a Union, primeiro nome escolhido para a banda, na Gottenburgo de 2004. Influências, as de sempre: de Blue Cheer e Black Sabbath a Grand Funk, Thin Lizzy e Deep Purple, valia tudo que impregnasse a sonoridade da banda com o tempero muito característico daquele período áureo da música mundial. Junte a isso bons músicos, riffs pegajosos e os timbres quentes que só as gravações analógicas podem oferecer e o jogo está ganho com um placar bem elástico em favor da Horisont, apesar de ainda reverberar muito alto suas influências.
Desde que fui aplicado ao seu primeiro álbum -'Två Sidor Av Horisonten'(2009), com algumas faixas em sua língua pátria- por meu space broDimMaddy Lee, anseio pelo lançamento de um novo trabalho que, além da garra e competência, mostrasse também determinação da banda em trilhar seu próprio caminho, pero sin perder sus raíces. E o recém-lançado 'Second Assault' conseguiu isto...de certa forma. O custo foi alto mas ainda acho que a inconsistência de alguns temas, decorrente principalmente da busca por riffs, harmonias e melodias menos contaminados, é plenamente justificado pela recompensa da busca de um som próprio que, certamente, alcançarão. O pontapé inicial foi dado.
Conheci este power trio de Kansas City à época do lançamento deste seu primeiro LP através de uma faixa, 'U.S. Is Coming Around', escondida em uma K7 de um amigo e foi amor à primeira orelhada. Não que o hard rock de Tim McCorkle (vocais/baixo), Steve Meyers (guitarras/vcais) e Lewis McCorkle (bateria) trouxesse novos elementos para um gênero que começava a apresentar sinais de desgaste e que culminaria com a chegada do punk já chutando a porta da indústria. Era apenas rock'n'roll e eu continuava gostando. Lembro que cheguei a lhe fornecer uma K7 Basf Chrome C-90 lacrada para que gravasse em sua primeira face o álbum 'A Ninth Alive' na íntegra mas a tal fita nunca retornou às minhas mãos.
Assim que iniciei minha jornada pela Grande Rede, lembrei desta banda e decidi encontrar materiais e informações mas não obtive sucesso. O máximo que consegui foi o acesso a um segundo e decepcionante (já como um quarteto) álbum lançado em 78, 'Kiss Heaven Goodbye', de cuja existência não fazia a menor ideia.
Com o tempo, o ímpeto arrefeceu até que caísse no mais profundo limbo de minha enfumaçada memória. Isto até dar de cara com um bom rip de vinil, apenas providenciei uma limpeza básica e um pouco mais de pressão, no Phrock -sempre uma boa referência- e, finalmente, tomasse contato com um álbum cujo conteúdo, recheado de um hard rock puro sangue nutrido por excelentes riffs e muita energia, o egoísmo de um amigo havia me negado o prazer de conhecer por tantos anos.
Hoje, aos 53 outonos, continuo achando que é apenas rock'n'roll...mas eu sigo gostando cada vez mais. E vocês?