Desde seu surgimento, 10 anos atrás, Andrew Stockdale e (a cada vez mais) sua Wolfmother causaram polêmica, uns a taxando de revisionista e derivativa, outros como a salvação do rock. O tempo provou que ambas as correntes estavam corretas...e erradas. As influências da banda sempre foram muito claras, da santíssima trindade do hard/heavy -Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple- ao glam de T. Rex e Sweet, com pitadas certeiras de power pop, psicodelia e trocentas outras bandas setentistas proto punk, sendo MC5 e Blue Cheer as mais notáveis. Uma caótica salada de estilos, cujo mix é muito bem conduzido por Stockdale, uma máquina de riffs atordoantes e refrões ganchudos.
É bem verdade que seu álbum anterior, 'New Crown', serviu para reforçar a tese de seus detratores, mas é insuficiente para abalar os sucessos de seus 2 primeiros álbuns, 'Wolfmother' e 'Cosmic Egg', mesmo que longe de serem considerados redentores do rock. Até porque o rock salva, não precisa ser salvo.
E 'Victorious', com suas 12 curtas faixas, chegou como uma afirmação da diversidade de gêneros musicais abraçados pela banda. Mas para dar unidade a tudo isto, além dos timbres fuzzy das guitarras e o já emblemático mix de Plant e Ozzy do gogó de seu frontman, recrutou-se para a produção o requisitadíssimo Brendan O'Brien. E o resultado agradará (ou desagradará) gregos e troianos. Há, realmente, de tudo um pouco misturado aos hard/heavy com pedigree da banda. E tudo muito bem produzido, com O'Brien ocupando-se de domar sem descaracterizar o estilo que fez a banda chegar ao status que detem hoje no mercado. Destacaria, no entanto, a faixa-título, um hardão com todos os cacoetes da banda, 'Baroness', o exemplar perfeito do mais pop a que a Wolfmother poderia chegar, a beleza quase folk de 'Pretty Peggy', a virulência de 'Eye Of The Beholder' e a lisergia de 'Gypsy Caravan'. É o tipo de álbum que crescerá muito a cada audição.


