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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

SULLY ERNA-HOMETOWN LIFE (2016)


Acho que todos já estamos carecas de saber o quanto as informações nos chegam rápido nestes loucos dias de um século ainda recém nascido. Tal fenômeno costuma alimentar a equivocada ideia de que estamos, a cada momento, armazenando ad infinitum zilhões de terabytes nos pouco mais de 10% -se tanto!- de que dispomos de nosso cérebro aptos ao uso. Na verdade, o que está ocorrendo é um processo de mastigação, digestão e evacuação. Não há como ficar imune à saturação. Simples assim...
E isto explica, em parte, o fato de eu ter passado batido pelo lançamento deste novo trabalho de Sully Erna, apesar de ser um entusiasta de seu projeto 'Avalon', de 6 anos antes. É verdade que o fato de ele liderar uma banda de sucesso, Godsmack, e sempre ter deixado clara a sua prioridade a uma carreira solo, contribui muito para um certo desencanamento em manter-me informado sobre seus eventuais projetos 'extracurriculares'. Pois foi exatamente através do fantástico vídeo de 'Avalon Live', de 2012 e que só há poucos dias consegui na íntegra, que a curiosidade sobre alguma novidade acerca deste talentoso cantor, compositor e multi-instrumentista bateu forte. E, desta forma, cheguei a 'Hometown Life', um trabalho bem diverso do universo étnico e místico de 'Avalon', apesar de valer-se de basicamente, do mesmo staff, incluindo Irina Cherkova, no cello, e a fantástica voz de Lisa Guyer, mesmo que em participações mais tímidas. Mais pop e um tanto minimalista nos arranjos, 'Hometown Life' pode, a princípio, causar estranhamento a quem esperava uma -é inevitável!- sequência para o conceito de seu marcante trabalho de estreia. Mas uma audição mais descompromissada revela uma série de excelentes canções, a começar pela faixa-título e destacando ainda 'Blue Skies', 'Father Of Time', 'Your Own Drum' e 'Falling To Black'.
Desce redondinho, redondinho...




segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

PRÊMIOS G&B 2010

E chegou o momento tão aguardado por todos os parceiros (ou por ninguém, sei lá) da entrega dos Prêmios G&B àqueles que mais se destacaram na música no ano que recentemente se foi. E, uma vez mais, foi muito difícil me decidir, entre os inúmeros laçamentos de 2010, aqueles que mais fizeram a minha cabeça: do soul/funky de Cee-Lo Green ('Lady Killers'), Sharon Jones & The Dap-Kings ('I Learned The Hard Way'),  Sade ('Soldier Of Love'), Alicia Keys ('The Element Of Freedom') e Macy Gray ('The Sellout') ao pop/blues/hard/heavy/psych/prog de Black Mountain ('Wilderness Heart'), The Union (s/t), Hogjaw ('Ironwood'), o primeirão da Kill It Kid e a confirmação da Arcade Fire com seu 'The Suburbs', Elton John & Leon Russell ('The Union'), Hill Country Revue ('Zebra Ranch'), Black Rebel Motorcycle Club ('Beat The Devil's Tatoo'), Kula Shaker ('Pilgrims Progress'), The Reign Of Kindo ('This Is What Happens'), Lucifer Was ('The Crown of Creation'), Mangrove ('A Distant Dream Of Tomorrow'), Dirty Sweet ('American Spiritual'), Crystal Caravan ('Against The Rising Tide'), Slash ('Slash's Rock 'n' Fuckin' Roll'), Joe Bonamassa ('Black Rock'), Robert Plant ('Band Of Joy'), Black Country Communion ('Black Country'), Gandhi's Gunn ('Thirtyeahs'), Mindflow ('365'), The Brew ('A Million Dead Stars'), Monster Magnet ('Mastermind'),  Hypnos 69 ('Legacy'),  Karma To Burn ('Appalachian Incantation'), Firebird ('Double Diamond') e Avenged Sevenfold ('Nightmare'), apenas para citar algumas das excelentes  bolachinhas lançadas no período, tivemos petardos para todos os gostos, duvidosos ou não.
Portanto, todos os escohidos aqui devem-se única e exclusivamente a um crivo absolutamente pessoal. É claro que a participação de todos com opiniões, sugestões e otras cositas más foram fundamentais mas...o G&B está muito longe de poder ser considerado uma democracia, pô! Resumindo: li todos os argumentos e...caguei solenemente para todos! Sacanagens à parte, o que quero dizer é que, não havendo uma eleição formal, todos os debates e embates que rolaram pelos comentários certamente influiram em minhas conjeturas mas, ao fim das contas, a batida do martelo coube a mim, egrégio CEO do G&B.
Isto posto, the winners are...

PRÊMIO RABO DE RAPOSA

Year Long Disaster - 'Black Magic: All Mysteries Revealed'

Alguns podem ter até considerado este exxcelente exemplar de rock na veia uma barbada  em muito devido aos meus (e de muitos parceiros) entusiasmados comentários. No entanto, garanto que teve adversários à altura e sua vitória deu-se no photochart. Se você ainda não conferiu e ficou curioso, é só dar uma chegada aqui e chapar com a pancada do roquenrou engajado e sem frescuras dessa banda. E olha que tem pedigree! Ainda assim, acredito que esta perfeita amostra de que o rock ainda pode ser o bastião de muitas gerações é só um aperitivo do que ainda está por vir através de sua fusão com a unanimidade Karma To Burn. Mas isto é papo para depois.

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PRÊMIO SEMENTE

Langfinger- Skygrounds

Este, e (quase) todos os demais premiados aqui, foi dos que brigaram impávida e corajosamente até o último milésimo de segundo pelo prêmio máximo. Confesso até que foi o que mais tempo permaneceu na pole position. A excelência do repertório, a produção de uma crueza impecável, o vigor demonstrado em cada interpretação...tudo isso me fêz revezá-lo constantemente com o seu maior adversário. Ao final, resolvi o embate de maneira diplomática: criei o quesito 'antiguidade é posto', desclassificando-a em favor da Year Long Disaster e seus 2 trabalhos a mais na bagagem, e o Prêmio Semente para trazer os holofotes para o sangue novo e nesta seara não existiram adversários à altura da Langfinger e seu 'Skygrounds'. Além de termos mais uma banda instigando a curiosidade quanto ao seu futuro aos que se permitirem experimentá-la. Onde? Aqui, ó!

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PRÊMIO DA LATA

Sully Erna - 'Avalon'

Sobre este discaço, não escondi meu entusiasmo desde a primeira vez que o ouvi, por uma indicação de meu spacey broDim Maddy Lee quando de sua última entrada em nossa atmosfera. Não há como deixar de premiar um trabalho notadamente feito com carinho extremado por alguém do qual não esperava nem um milésimo da qualidade apresentada neste 'Avalon', primeiro trabalho solo de Sully Erna, antes apenas um vocalista pouco além de mediano da bem abaixo da média Godsmack. Para quem curte climas épicos e étnicos bem dosados e fantasticamente executados, é um prato cheio.
Sendo assim, uma vez mais valendo-me da prerrogativa de comandante-em-chefe da Nação G&B, criei este Prêmio Da Lata para funcionar como uma 'menção honrosa'. E foi imbuído deste mesmo espírito 'castro-chavista' que decidi-me  por dividir este prêmio com a...

The Soulbreaker Company - 'Itaca'

...que se, a princípio, me causou uma certa estranheza devido a algumas alterações de rumo na sonoridade que me fez tomado de paixão por esta e-s-p-e-t-a-c-u-l-a-r banda basca, aos poucos fui sendo conquistado por tamanha versatilidade e inusitado de sua sonoridade. Ao final, já agradecia por tanta diversidade, o que deixa a The Soulbreaker Co. em um patamar único no universo hard prog. Ademais, 'Itaca' é a confirmação de Jonny Moreno como um dos grandes gogós da atualiadade.

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 PRÊMIO PALHOÇA

Alter Bridge - 'III'

Sei que quase causei um AVC no meu parceiraço Dagon (vulgo Nikiti Guy ou Arariboia Man) ao aventar a possibilidade de outorgar este indesejável prêmio ao 'Return To Zero', de outra banda que gosto bastante, a Spiritual Beggars. Mas o que me fez optar por este ambicioso e fraquíssimo 3º trabalho de estúdio da Alter Bridge foi, simplesmente, um só: ele é inescutável! De tão chato, jamais consegui sorvê-lo de uma tacada só. Acho que apenas de 3 em 3 faixas e ao custo de muito sacrifício. 
Por sua vez, da bolachinha de sua rival ainda consegui salvar da guilhotina umas 3 ou 4 faixas; assim mesmo, considero imperdoável a traição dos suecos ao alterar de maneira tão radical sua sonoridade, fazendo-os soar quase que como um pastiche de Bon Jovi.
Por dúvida das vias, evitem consumir estas drogas que já vieram malhadas antes de nascer.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

SULLY ERNA-AVALON (2010)

Em sua última visita ao QG do G&B, meu broDim Maddy Lee, como de hábito em encontros brenfoetílicomusicais, me presenteou com um CD recheado de coisas as mais diversas que anda escutando e, apesar de uma passada rápida pela bolachinha, muito ficou para ser apreciado mais tarde. No entanto, uma de suas insistentes recomendações ao nos despedirmos após aquela enfumaçada tarde/noite de sábado, foi um camarada de nome esquisito e que a ressaca de domingo teimava em não me fazer recordar. Após conseguir  que meus 3 neurônios pegassem no tranco com um larica shake reforçado com um pãozinho na chama embebido em muita manteiga, o nome do mancebo me surgiu como num passe de mágica: Sully Erna. O próximo passo foi buscar informações sobre o objeto de tantas recomendações e, para minha decepção, já na primeira googada, só aparecia o nome da Godsmack, uma banda incensada na cena metálica mas de onde pouco consegui extrair algo de relevante. E ainda por cima é seu líder e principal compositor, além de responsável por todo o direcionamento musical. Afinal, o que, com tais credenciais, Sully Erna teria a apresentar que já não o houvesse feito em sua própria banda, onde é o big boss e, por definição, teria todo o espaço necessário?
Após tais descobertas, minha primeira reação foi desconsiderar o conselho de meu spacey bro e passar para as demais atrações contidas naquela mídia mas, peraí!, meu irmãoSinho Maddy não é de indicar qualquer porcaria. Sendo assim, resolvi dar uma chance a 'Avalon', pomposo nome da primeira bolachinha solo de Sully Erna, enquanto dava um trato na minha Fox Lady. A princípio, pareceu-me estar diante da cruza de um acústico de Alice In Chains com Days Of The New e as tinturas étnicas -principalmente, orientais, hindus e celtas- tão comuns em alguns dos trabalhos solo, ou em dupla com Jimmy Page, de Robert Plant.  Mas o teor épico do disquinho foi me tomando de assalto a cada faixa , em muito ajudado pela belíssima e, muito provavelmente, classicamente treinada voz da gatíssima (aaaaffff!!!) Lisa Guyer que, seja em solos arrebatadores ou em terçadas com Sully, forneceu ao trabalho matizes às quais é impossível passar incólume. Junte a isto um time de músicos perfeitamente integrados à proposta desenhada por um inspirado compositor e multi-instrumentista experiente, uma produção impecável e muita dedicação e amor e temos um trabalho sublime. Fundamentalmente acústico, com toda a liberdade que este termo adquiriu de algum tempo para cá, 'Avalon' surpreende em cada nota executada, ora na densidade de temas como '7 Years' e 'Sinner's Prayer', ora na grandiloquência de 'The Rise' (a 'Kashmir' que todo músico almeja um dia compor) ou na delicadeza de 'Until Then...', como também na placidez de 'Eyes Of A Child', entre tantos destaques descobertos a cada audição. 
Uma grata surpresa, talvez até mesmo para os fãs de Godsmack.


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Making Of 'Avalon'